“Crise na relação política com deputado Zé Neto foi o ponto que definiu a minha saída do PT”, declara vereador feirense Pablo Roberto

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Pablo Roberto disse que relação com o deputado Zé Neto foi determinante para sair do Partido dos Trabalhadores.
Pablo Roberto disse que relação com o deputado Zé Neto foi determinante para sair do Partido dos Trabalhadores.
Pablo Roberto disse que relação com o deputado Zé Neto foi determinante para sair do Partido dos Trabalhadores.
Pablo Roberto disse que relação com o deputado Zé Neto foi determinante para sair do Partido dos Trabalhadores.

O vereador Pablo Roberto Gonçalves da Silva (PT/Feira de Santana) confirmou, em entrevista ao Jornal Grande Bahia, concedida hoje (19/03/2015), que deixa o Partido dos Trabalhadores (PT) em decorrência da crise estabelecida na relação política com o deputado estadual e líder do governo Rui Costa, José Neto (Zé Neto). Ele afirma que, também, sopesaram dificuldades de relacionamento com as executivas municipal e estadual do partido. “Principalmente com a executiva estadual”.

Para oficializar a saída do partido, o vereador informou que estão sendo estudados aspectos legais junto as executivas do partido. Ele avalia ingressar em um dos partidos da base do governo Rui Costa (PT), na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Ou em um dos partidos que dão sustentação ao governo do prefeito José Ronaldo de Carvalho (DEM), na Câmara Municipal de Feira de Santana (CMFS).

Base ampliada

Embora deixe sob dúvida se continua no projeto do PT ingressando em um partido da base do governo Rui Costa, ou adere a oposição. O fato de Pablo Roberto deixar o Partido dos Trabalhadores  indica claramente o desejo de se opor a liderança do deputado Zé Neto. Por conseguinte, o vereador deve ingressar em um dos partidos que apoiam o governo do prefeito de Feira de Santana.

A proximidade entre Pablo Roberto e o prefeito José Ronaldo foi motivo de inúmeros comentários nos bastidores da política local. Ronaldo sinalizou, em discurso, um desejo de aproximação com o petista. Era recorrente os elogios do prefeito ao opositor. O que indicava aproximação e interlocução.

Em contrapartida, o vereador altercou posições severamente críticas em relação a municipalidade, com tons mais amenos. Poupando o gestor de desgastes diretos pelas sucessivas falhas na administração, e votando em projetos de interesse do governo municipal.

Criador e criatura

Questionado se a possibilidade de Angelo Almeida concorrer a vereador sopesou na decisão de sair do partido. Pablo Roberto disse que este ponto nunca foi discutido entre ambos. Mas, avaliou que a saída do PT o “distancia politicamente do amigo Angelo Almeida.”.

O vereador disse, também, que a ambiguidade da relação estabelecida com o Partido dos Trabalhadores prejudicava Angelo Almeida. Ele acredita que a tomada de decisão, possibilita que Angelo atue com total liberdade, podendo seguir com a militância no PT. “A amizade com Angelo segue. Mas, estaremos em projetos políticos distintos”, afirma.

O peso político da liderança do ex-vereador Angelo Almeida para a ascensão política de Pablo Roberto é significativo. Vereador de 2009 a 2012 pelo PT feirense, Angelo disputou espaço junto ao governo do estado, e indicou Pablo Roberto para ocupar cargo de confiança.

Na sequência, com a finalidade de construir uma base de apoio para eleição estadual de 2014, Angelo desiste da reeleição a vereador, e apoia sistematicamente a candidatura de Pablo, durante o pleito municipal de 2012. Oportunidade em que Pablo conquista expressiva votação, obtendo 7.592 votos, através da coligação PT, PP, e PC do B.

Fragmentação 

A incapacidade de aglutinar forças políticas em um projeto de oposição, sempre foi um elemento definidor nas sucessivas derrotas eleitorais que Zé Neto enfrentou, ao concorrer ao cargo de prefeito de Feira de Santana. A saída do vereador do PT é mais um elemento que cria dificuldade ao estabelecimento de um projeto alternativo de poder no plano municipal.

Ao estabelecer alianças com os setores conservadores da sociedade, o deputado perdeu, significativamente, o apelo popular. O apelo de defesa dos interesses da classe trabalhadora. A ambiguidade discursiva e reativa do deputado Zé Neto fortalece a candidatura a releição de José Ronaldo.

O imobilismo de Zé Neto diante das inúmeras inconstitucionalidades observadas no município de Feira de Santana, colabora com reificação da ambiguidade discursiva. A urbes chora por uma oposição que coloque os interesses da sociedade em um plano mais elevado. No plano dos ideais sociais. Enquanto esta liderança não surgir, conchavos, ambiguidades discursivas, trocas partidária seguirão. Mas, em benefício de quem?

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Sobre Carlos Augusto 9662 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).