Senador Cristovam Buarque fala em paralisia da classe política e clima de impeachment

Senador Cristovam Buarque critica paralisação dos políticos diante da insatisfação popular.
Senador Cristovam Buarque critica paralisação dos políticos diante da insatisfação popular.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) classificou como “doença” o abandono dos discursos de campanha depois que os partidos chegam ao poder. Em Plenário, nesta sexta-feira (13/02/2015), ele ressaltou que primeiramente o partido se submete à ditadura dos marqueteiros e depois, à dos financistas. A seu ver, isso ocorreu nas últimas eleições, sendo causa do descontentamento da população e dos apelos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Para o senador, tanto o governo quanto os líderes políticos estão paralisados diante da insatisfação popular e das cobranças das ruas. Ele entende que é necessário ouvir as críticas e formular novos caminhos, e que a iniciativa deve partir do governo.

— Quem está no Governo não quer que o impeachment prospere, mas não está dizendo como é que vai fazer para o povo voltar para casa sem pedir isso [o impeachment] — criticou Cristovam, após reafirmar ser pessoalmente contra o impeachment, mas defender que o povo continue nas ruas para gritar o que quiser.

Doenças

Para Cristovam Buarque a classe política não consegue separar claramente o Estado brasileiro do partido, o que resulta em “doenças” que, no seu entendimento, afetam gravemente o sistema político brasileiro.

— Nem é Estado, nem governo. Misturamos tudo. Essa mistura é uma causa da corrupção, porque um grupo chega ao governo e se sente dono do Estado e do governo. Ele está ali para exercer o governo, não para ser dono do governo — acrescentou.

Mas, a corrupção, segundo avalia o parlamentar, é apenas a “febre”, sinal invisível de problemas maiores que causam todas as doenças: a mistura de Estado com governo e de governo com partido.

Cristovam criticou a forma de escolher os políticos, que envolvem campanhas extremamente caras, com financiamento a custos que considera indecentes. Ele observou que o dinheiro para essas campanhas “pode vir de qualquer fonte, inclusive de empresas que vendem serviços ao Estado”, porque os partidos precisam de muito dinheiro para chegar ao poder. De acordo com o senador, “a  promiscuidade entre governo e Estado faz com que o governo se aproprie, por exemplo, da Petrobras”.

— A promiscuidade entre governo e o partido faz com que o governo aponte para dirigir a Petrobras pessoas do partido e não os melhores quadros na nação, que poderiam até ser do partido, mas não, necessariamente, do partido. É uma empresa do Estado, não pode ser administrada pelo partido que está no governo.

Cristovam Buarque também apontou como problema o tipo de relação entre o governo e o Congresso, que ele classifica de “amarrada” e que resultou no caso do mensalão.

— O mensalão é resultado de uma doença — a doença de que governo e Congresso passam a ser uma coisa amarrada. O governo quer ter uma maioria, que se tem chamado, por aí, de República Imperial, capaz de aprovar tudo, como um trator que passa por cima das minorias críticas. O governo passa a não ouvir as críticas. Isso é uma doença! Não ouvir críticas é uma doença gravíssima na política! E nunca leva a bons resultados. Quem, na política, não ouve crítica não fica muito tempo sem a febre da doença — alertou.

*Com informações da Agência Senado.

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