Portadora de doença rara, atleta baiana Verônica Almeida entra no Guinness e conquista medalha paralímpica

Diagnosticada com doença incurável, atleta baiana Verônica Almeida entra no Guinness e conquista medalha paralímpica.

Diagnosticada com doença incurável, atleta baiana Verônica Almeida entra no Guinness e conquista medalha paralímpica.

Protagonista de uma história de força de vontade e de determinação, a nadadora da seleção brasileira de paranatação Verônica Almeida é antes de tudo uma obstinada em superar os próprios limites. Diagnosticada em 2007 com a síndrome de Ehlers-Danlos, uma doença degenerativa – ainda sem cura – que limitou o movimento de suas pernas e de seu braço direito, Verônica entrou para o Livro dos Recordes, em janeiro deste ano, como a atleta mais rápida a nadar 10 km em mar aberto com apenas um braço.

A educadora física baiana, de 39 anos, completou o desafio com o tempo de 3h44min07s. Ela ainda superou a distância de 10km proposta pelo Guinness e completou os 12,5 km do percurso entre a ilha de Mar Grande, em Vera Cruz, na Bahia, e o Porto da Barra, em Salvador (BA).

“A travessia foi para mim muito difícil e significou a superação das minhas limitações físicas e do meu medo do mar. Na verdade, ter conseguido concluir a prova tornou-se hoje o meu maior troféu. Muita gente me dizia que era impossível concluir, inclusive o meu antigo técnico. A entrada no Guinness também foi a realização de um sonho”, comemora.

Diagnóstico

Quando recebeu o diagnóstico da síndrome de Ehlers-Danlos, há oito anos, os médicos chegaram a dizer à Verônica que ela teria apenas mais um ano de vida. Em virtude do diagnóstico, Verônica, que atuava como personal trainner, foi demitida da academia em que trabalhava, em Salvador. Foi quando ela passou a utilizar o esporte como instrumento para superar as próprias limitações e se manter viva:

“Eu encontrei na natação a retomada das minhas forças. O meu coração estava parando e eu precisava acelerá-lo. Como eu não podia mais andar, eu fui nadar. E logo vieram os resultados que geraram uma reviravolta na minha vida. Sem a natação, com certeza, hoje eu não estaria viva”, lembra.

Os bons resultados levaram Verônica para à seleção brasileira de paranatação. No ano seguinte, ela conquistou uma medalha de bronze nas Paralimpíadas de Pequim nos 50m borboleta e, em 2010, no Campeonato Mundial de Paranatação, na Holanda. De lá para cá, ela já participou de dezenas de competições internacionais, nas quais já acumula mais de 150 medalhas.

Atualmente, Verônica – que é mãe dos gêmeos Marcelo e Bianca, de 10 anos – treina com a seleção brasileira, em Uberlândia (MG). Além disso, se tornou voluntária num tratamento experimental com células-tronco que tem estabilizado a evolução da doença.

Para o técnico da seleção nacional de paranatação, Alexandre Vieira, o Brasil ainda ouvirá falar muito da Verônica em 2016. “Eu sou testemunha do que é a garra e a determinação dessa mulher. Vocês não imaginam o que ela faz todos os dias nos treinos. Além disso, ela uma referência muito grande para toda a seleção”, revela.

Documentário

A história de superação de Verônica também será tema do documentário Quebra Mar, que contará a história de vida da nadadora, desde a descoberta da síndrome, em 2007, até os dias atuais. O foco é na sua trajetória como atleta, incluindo a cobertura da batida do recorde, na Baía de Todos os Santos e a conquista da medalha paralímpica, em Pequim. As gravações acontecem há um ano e meio e devem ser finalizadas no Mundial de Paranatação deste ano, em Glasgow, na Escócia.

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