O Partido dos Trabalhadores não inventou a corrupção na Petrobras apenas elevou a 10º potência

No primeiro plano, José Sergio Gabrielli e Dilma Rousseff. No segundo plano, Graça Foster e Paulo Roberto Costa. Corrupção nos governos petista foi elevada a 10º potência.
No primeiro plano, José Sergio Gabrielli e Dilma Rousseff. No segundo plano, Graça Foster e Paulo Roberto Costa. Corrupção nos governos petista foi elevada a 10º potência.
No primeiro plano, José Sergio Gabrielli e Dilma Rousseff. No segundo plano, Graça Foster e Paulo Roberto Costa. Corrupção nos governos petista foi elevada a 10º potência.
No primeiro plano, José Sergio Gabrielli e Dilma Rousseff. No segundo plano, Graça Foster e Paulo Roberto Costa. Corrupção nos governos petistas foi elevada a 10º potência.
Presidenta Dilma Rousseff e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Governos petistas são apontados pela imprensa internacional como responsáveis pela corrupção na Petrobras.
Presidenta Dilma Rousseff e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Governos petistas são apontados pela imprensa internacional como responsáveis pela corrupção na Petrobras.

A operação Lava Jato está na 9º fase. Até o momento (08/02/2015), os valores financeiros recuperados e os recursos financeiros desviados em atos de corrupção e apontados como resultado de propina, por delatores do esquema, colocam o escândalo que envolve a Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras) no patamar de maior esquema de corrupção do mundo. Ele envolve empresas pública, empresas privada, agentes e servidores públicos, executivos, além de partidos e políticos.

No epicentro do esquema de corrupção aparece o Partido dos Trabalhadores (PT). O partido é responsável pela presidência do Brasil nos últimos 12 anos. É indissolúvel analisar a participação da atual presidenta da república, Dilma Rousseff, como corresponsável pelo esquema que drenou bilhões de reais de recursos financeiros, fragilizou a economia do país e da estatal, e faz com que o brasileiro pague um dos maiores valores por litro de combustível do planeta.

Nos últimos 12 anos, Dilma Rousseff foi ministra das minas e energia, presidente do conselho de Petrobras, chefe da casa civil, e presidente da república. O elevado grau de corrupção identificado na Petrobras implica em dizer que, no mínimo, a presidenta Dilma Rousseff foi negligente com a corrupção instalada no governo. Relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) indicam que existia grave descontrole na execução orçamentária da União, com indícios de superfaturamento de obras, além de inexplicáveis aditivos.

Corrupção e FHC

Os delatores indicaram que a corrupção na petrolífera teve início em 1997, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC, PSDB), ou seja, o PT não inventou a corrupção na Petrobras, ela existia. O jornalista Franz Paul Trannin da Matta Heilborn (Paulo Francis, Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1930 – Nova Iorque, 4 de fevereiro de 1997) denunciou em 1996 o esquema. Segundo Francis, a fonte, um banqueiro suíço, revelou que pessoas ligadas ao governo FHC depositavam milhões de dólares em contas secretas na Suíça. Francis foi processado por falar a verdade, vindo a falecer, pouco tempo após os episódios.

Mas, se o PT não inventou a corrupção na Petrobras, soube organizar e elevar a décima potência. Foram estipulados percentuais que variavam de 1% a 2% do valor total bruto dos contratos. O percentual era repassado pelas empresas que prestavam serviços a Petrobras, e repartido entre os operadores do esquema, e membros do Partido dos Trabalhadores. Além do PT, membros de partidos da base aliada também se beneficiavam com o esquema de corrupção.

Economia em crise

Observa-se que o preço internacional do barril do petróleo deve ficar estável na faixa dos EU$ 50. Fazendo com que os preços da cadeia de valor do petróleo passem por deflação. Este fenômeno ocorre na Alemanha, e deve se estender por outros países da Europa e da América do Norte. A deflação da cadeia de valor do petróleo aumenta a competitividade dos países.

Atualmente, o litro da gasolina está em R$ 3,40 no Brasil. Com o valor do combustível em alta, a economia perde competitividade no cenário global, agravando a crise e destruído mais postos de trabalho. Neste cenário, trabalhadores perdem empregos, a exemplo dos metalúrgicos ligados a indústria automobilística.

No começo de 2015, algumas empresas promoveram cortes de pessoal. O fenômeno da perda de postos de trabalho pode ser acentuado pela política de restrição ao crédito, aumento dos juros, e corte dos investimentos.

Perda de apoio

A presidenta Dilma Rousseff não conduziu bem a economia durante o primeiro período da presidência, de 2011 a 2014. Mas, com a série de programas sociais implantados, conseguiu apoio popular e saiu vitoriosa em 2014, sendo reeleita. Observa-se que a crise econômica do primeiro período em que presidiu o país, também foi amortizada pelo crescimento dos postos de trabalho.

Observa-se, também, que o cenário atual é adverso. A política adotada pelo governo Rousseff é recessiva, sendo responsável por drenar recursos financeiros da classe trabalhadora. Os trabalhadores sofrem com os péssimos serviços prestados pelo estado nos setores de educação, saúde, segurança pública, transporte e infraestrutura. Soma-se a estes elementos a elevação dos valores das tarifas públicas. O resultado da política recessiva não é apenas a perda de postos de trabalho, mas também a diminuição do poder de compra da classe trabalhadora.

O cenário é de perda de apoio popular. Observa-se que a situação política é agravada com uma base, no Congresso Nacional, fragilizado, fragmentada, e com perfil mais conservador. Neste contexto, o governo Rousseff inicia o segundo mandato enfrentado grave crise econômica e política.

Impeachment

Após o carnaval de 2015 a Procuradoria Geral da República (PGR) deve apresentar os nomes das autoridades, com foro especial, envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras. Avalia-se que cerca de 42 autoridades, entre ministros, governadores, deputados e senadores estejam envolvidos.

Neste contexto, a palavra impeachment torna-se recorrente em matérias publicadas em veículos de comunicação do Brasil e no exterior. Também, nas conversas reservadas, o impeachment de Dilma Rousseff é discutido.

Não se pode atribuir apenas à oposição o desejo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. A presidenta, ao permitir que um dos maiores casos de corrupção do planeta perdurasse, por tanto tempo, deu as condições para que as responsabilidades política e administrativa sobre o esquema de corrupção da Petrobras lhes sejam imputadas.

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Sobre Carlos Augusto 9514 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).