Ao anunciar autorização para licitação da infraestrutura do BRT de Feira de Santana, prefeito José Ronaldo emociona-se, vai às lágrimas, e apresenta condição para reeleição

Prefeito José Ronaldo de Carvalho emociona-se ao anunciar licitação para implantação da infraestrutura do BRT. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)Prefeito José Ronaldo de Carvalho emociona-se ao anunciar licitação para implantação da infraestrutura do BRT. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)


Durante entrevista coletiva concedida na terça-feira (10/02/2015), na sede da Prefeitura Municipal de Feira de Santana (PMFS), o prefeito José Ronaldo de Carvalho (DEM) assinou a abertura de processo licitatório, no valor de R$ 95 milhões, com a finalidade de contratar empresa para execução de obras de infraestrutura para implantação do BRT (Sistema de Transporte Rápido por Ônibus).

Ao destacar o fato do investimento municipal representar o valor mais elevado realizado no período em que é prefeito (10 anos), Ronaldo não conteve as lágrimas e agradeceu o empenho do secretário do planejamento, Carlos Brito; e do procurador do município, Cleudson Santos Almeida, em resolver as questões de planejamento e os aspectos legais do projeto.

Críticas

O projeto do BRT foi criticado por não atender a alguns requisitos legais e técnicos, o que conduziu o Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) a interferir no processo. Requisitando que o município realizasse audiência públicas com a finalidade de ouvir a população. O MPBA também instruiu o governo a adequar o projeto as demandas sociais. Após as audiências públicas e os ajustes no projeto, o MPBA arquivou o inquérito.

Sopesou na decisão do MPBA a grave crise no transporte público municipal, e o interesse que os investimentos ocorram, e que, de alguma maneira, possam beneficiar a população. Observa-se que vários aspectos legais foram sutilmente “esquecidos” pelo Ministério Público.

Na avaliação do cientista social Carlos Augusto, aspectos importantes da Legislação Federal foram suprimidos. Carlos Augusto também compreende que a crise é grave, e que algo precisa ser feito. Ele avalia que os investimentos propostos vão além da questão do transporte público, ou seja, a infraestrutura urbana do município pode ser afetada de forma positiva. Observando este aspecto, ele não dará sequência a representação apresentada ao Ministério Público Federal, deixando de propor ação civil pública.

Emoção e Reeleição

A emoção que Ronaldo demonstrou durante a coletiva é decorrente de vários fatores. As críticas que vem recebendo em função de graves falhas no planejamento do município, fiscalização inadequada do uso e ocupação do solo, além de problemas nos setores da educação e saúde impuseram novos desafios e desgastaram a imagem de bom gestor. O criador estava diante da criatura. Os problemas eram decorrentes do acúmulo de erros das gestões passadas de Ronaldo, e de membros da equipe de governo.

Ao invés de se perder em lamentações decorrentes das críticas, Ronaldo leu atentamente as observações publicadas na mídia, e instruiu a equipe de governo na busca de soluções. Os atuais investimentos em curso prometem melhorias em vários setores da municipalidade.

Ronaldo sabe que exerce um papel histórico, ou seja, ele poderia deixar o governo e entrar para história como péssimo gestor, ou reagir as críticas com ações efetivas. Neste aspecto, o prefeito pavimenta as condições ideias para recompor a desgastada imagem, e buscar a reeleição.

É pouco provável que o cenário de grave crise na gestão municipal perdure. Todavia, as ações em curso ainda contemplem falhas no planejamento. Elas tendem a melhorar as condições urbanas do município.

Em 2016, ano eleitoral, Ronaldo deve colher os resultados do trabalho em curso, com a elevação de índices de popularidade. Os números de aprovação do governo podem ser suficientes para que possa ser reeleito.

Oposição desqualificada

O sucesso de Ronaldo não será apenas resultado de acertos na atual gestão. Ele é, também, decorrente de uma oposição desqualificada, que não foi capaz de acertar na crítica e propor embates políticos, administrativos e judiciais adequados.

Não será surpresa se a atual “bancada de oposição” for reduzida no próximo pleito eleitoral. Observa-se que se alguns vereadores ao invés de buscarem cargos para cabos eleitorais no governo de Ronaldo, eles atuassem com a necessária independência na defesa de elevados interesses sociais. O cenário de embate seria mais propositivo. Entretanto, o cenário político futuro da oposição é de derrota esmagadora.

Não é apenas na Câmara Municipal que a oposição demonstra incapacidade de debater com a gestão de Ronaldo. No âmbito estadual a situação é a mesma. Sendo que a atitude prepotente, a incapacidade de aglutinar forças entorno de um projeto alternativo de gestão, evidenciam a incompetência destes políticos. Eles não apenas demonstram incapacidade de propor ações judiciais exitosas, como, também, no afã de se perpetuarem no poder, demonstraram que são incapazes de construir um diálogo mútuo propositivo.

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Redação do Jornal Grande Bahia
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