Da oposição ao regime militar à Presidência da República, a trajetória de Dilma Rousseff

Dilma Vana Rousseff foi a primeira mulher a ser eleita e reeleita Presidente da República do Brasil.
Dilma Vana Rousseff foi a primeira mulher a ser eleita e reeleita Presidente da República do Brasil.
Dilma Vana Rousseff foi a primeira mulher a ser eleita e reeleita Presidente da República do Brasil.
Dilma Vana Rousseff foi a primeira mulher a ser eleita e reeleita Presidente da República do Brasil.

Dilma Vana Rousseff, de 67 anos, foi eleita pela primeira vez presidente da República em 2010, pelo Partido dos Trabalhadores (PT). A reeleição, em outubro passado, foi apertada, com 3,46 milhões de votos de vantagem sobre o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Embora nunca tivesse disputado cargo eletivo, Dilma já participava da vida política nacional desde a adolescência. Aos 16 anos, a mineira de Belo Horizonte começou no movimento estudantil de resistência ao golpe militar de 1964 em sua escola secundarista. Ela fez parte de uma organização denominada Política Operária (Polop), fundada em 1961, proveniente do então Partido Socialista Brasileiro. Ao aderir ao grupo que defendia a luta armada para combater o regime militar, Dilma filiou-se à organização denominada Comando de Libertação Nacional (Colina). Posteriormente, ingressou na organização Var-Palmares.

Presa em 1970, foi torturada nos momentos mais duros de repressão política no país. Ficou encarcerada por dois anos e um mês, sendo solta em 1972. Fora da prisão, Dilma retomou os estudos em 1973, formando-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Com a anistia e a volta do pluripartidarismo, filiou-se ao PDT, de Leonel Brizola. Assessorou a bancada estadual do partido de 1980 a 1985 e foi secretária nos governos de Alceu Collares (também do PDT), de 1986 a 1988 e novamente em 1993, e de Olívio Dutra, do PT, em 1998. Em 2000, deixou o PDT para filiar-se ao PT gaúcho.

Governo federal 

Com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, em 2002, participou da equipe de transição entre os governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula. Em seguida, assumiu o Ministério das Minas e Energia, que comandou até 2005. Com a queda do então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, Dilma Rousseff assumiu o cargo.

Dilma fez parte do governo petista desde o primeiro momento. Como ministra de Minas e Energia, defendeu nova política industrial, fazendo com que as compras de plataformas pela Petrobras tivessem conteúdo minimamente nacional, para que fossem gerados mais empregos no país.

Presidiu o Conselho de Administração da Petrobras e coordenou a comissão interministerial encarregada de definir as regras para a exploração do pré-sal. Em 2014, vieram a público os gastos com a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006. O prejuízo, segundo o TCU, foi de US$ 792 milhões. As ações da companhia e seu valor de mercado foram reduzidos drasticamente. Com a revelação de outros problemas pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, houve grande desgaste para o governo, inclusive com a instalação de duas CPIs no Congresso.

Em 2005, Dilma assumiu o cargo de ministra-chefe da Casa Civil no lugar de José Dirceu, demitido em meio às denúncias relacionadas ao mensalão. Lá coordenou importantes ações do governo, particularmente dos Programas Luz para Todos, Minha Casa, Minha Vida e de Aceleração do Crescimento (PAC). O alcance dos programas deu visibilidade a Dilma, escolhida por Lula para ser sua sucessora política.

No discurso de posse como presidente, em 2011, ela retribuiu o apoio do padrinho político garantindo que daria continuidade ao seu projeto de governo. Firmou como “compromisso supremo” honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos. Dilma, de fato, aumentou os programas sociais — em especial o Bolsa Família — e criou uma rede de cuidado à população considerada em extrema pobreza.

Dilma é a 42ª pessoa a ocupar a Presidência da República, tendo como vice-presidente o deputado paulista Michel Temer, do PMDB. O período de seu primeiro governo foi marcado por duras críticas aos gastos com a Copa do Mundo e aos gargalos de infraestrutura. Além disso, houve um forte movimento de reivindicação social ocorrido em junho de 2013. Na área econômica, o Brasil cresceu menos do que o projetado, mas o índice de desemprego se manteve relativamente baixo, de acordo com os números do próprio governo.

Vida pessoal

Filha do engenheiro búlgaro Pedro Rousseff (falecido em 1962) e da professora fluminense Dilma Jane Silva, a presidente nasceu em Belo Horizonte, no dia 14 de dezembro de 1947, numa família de classe média alta. Os pais de Dilma tiveram outros dois filhos: Igor e Zana Lúcia, falecida em 1976. Ainda em seu país natal, o pai da presidente — parente do famoso escritor búlgaro Ran Bosilek — teve um filho com a dona de casa Evdokia Yankova, chamado Luben, que morreu em 2007.

Ao separar-se da esposa búlgara, Pedro Rousseff mudou-se para o Brasil no final da década de 30, fixando-se em São Paulo. Numa viagem a Uberaba (MG), conheceu a mãe da presidente, criada no interior de Minas Gerais, onde seus pais eram pecuaristas. Ao se casarem, os pais de Dilma fixaram residência em Belo Horizonte.

Dilma estudou em escolas tradicionais da capital mineira, como o Colégio Estadual Central (atual Escola Estadual Governador Milton Campos).

Atualmente divorciada, Dilma foi casada com o advogado gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo, com quem teve sua única filha, Paula, nascida em 17 de março de 1976. O primeiro neto de Dilma nasceu em setembro de 2010, em Porto Alegre. Antes de Araújo, Dilma foi casada durante dois anos (1967–1968) com o jornalista Claudio Galeno, que também pertenceu à Polop.

Em abril de 2009, revelou que estava se tratando de um câncer linfático. O tratamento, feito num hospital em São Paulo, incluindo sessões de quimioterapia e radioterapia, foi concluído em setembro daquele ano.

Com informações da Agência Senado.

Redação do Jornal Grande Bahia
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