Crise na Indústria Naval da Bahia causa demissão de 500 trabalhadores e férias coletivas de mil trabalhadores

Trabalhadores da Enseada Indústria Naval são demitidos.
Trabalhadores da Enseada Indústria Naval são demitidos.
Trabalhadores da Enseada Indústria Naval são demitidos.
Trabalhadores da Enseada Indústria Naval são demitidos.

A crise política que atingiu a economia brasileira e provocou uma crise na Indústria Naval no país e no estado, afetou duramente o Estaleiro Naval baiano com o anúncio de dificuldades em função da ausência de recebimento de mais de 210 milhões de dólares da Sete Brasil. A empresa anunciou o corte de trabalhadores com a demissão de 1.800 operários em dezembro de 2014. O Sintepav BA e os trabalhadores reagiram buscando alternativas as demissões, através de mobilizações e conversas com as autoridades públicas ao considerarem que este é um importante empreendimento econômico da Bahia.

Com a suspensão das demissões, os trabalhadores retornaram ao trabalho em dezembro de 2014 para dar continuidade ao processo de negociação na medida em que as empresas trabalhavam com duas alternativas, uma consistia na liberação do empréstimo ponte via a Sete Brasil e a outra seria a contratação do empréstimo direto junto ao Banco do Brasil por parte dos acionistas do Estaleiro Naval.

Lamentavelmente, a despeito de todos os esforços dos trabalhadores para evitar um mal maior, o Sintepav BA foi notificado no dia 26 de dezembro de 2014 com a informação de que a empresa não obteve êxito nas tratativas com os organismos financeiros e que no retorno das atividades em 05 de janeiro de 2015, dada à largueza da crise que atinge o empreendimento, adotaria duas medidas, a demissão de 500 trabalhadores, o que deve ocorrer a partir de hoje (06), e a adoção de férias coletivas para 1.000 trabalhadores no esforço de manter no empreendimento o quantitativo de 1.200 operários e com a expectativa de construir uma adequação financeira para o Estaleiro Naval, a fim de garantir que as obras possam ser retomadas. No entanto, os representantes do empreendimento ressaltam que não havendo solução para a crise financeira, não restará alternativa a não ser a desmobilização total da obra.

Com a demissão de 500 trabalhadores e a concessão de férias coletivas para 1.000, apenas 1.200 permanecerão na obra, o que gerará a desmobilização completa do empreendimento. Com esta iniciativa serão paralisadas as atividades das Oficinas 06, 09 e 10; o Dique Seco; Underground, Prédios administrativos; Instalações elétricas; instalações eletro mecânicas e o pior, a desmobilização de 90% da frota de equipamentos como um claro indicativo da paralisação total das atividades.

Para o sindicato é lamentável assistir a um empreendimento importante economicamente para o estado, que tem gerado bens e serviços, e que tem ainda hoje em torno de 3.000 trabalhadores, ter as suas atividades encerradas, causando prejuízos econômicos e sociais a Bahia e a Região do Recôncavo.  É inadmissível que pessoas tenham cometido erros e a Bahia e o Brasil paguem por tais atitudes , quando o BNDES retém empréstimo, o Banco do Brasil mesmo aprovando empréstimo não contrata e a ausência de uma atitude mais forte por parte das lideranças econômicas e políticas da Bahia fazem com que os trabalhadores tenham que pagar o preço e o Estado sinalizar negativamente, por ausência de atitude mais forte, para manter o empreendimento que consideramos uma conquista da Bahia.

Hoje (06/01/2015) será realizada uma assembleia com a categoria em que a empresa apresentará a lista dos demitidos.  Para as demissões os critérios adotados serão dos trabalhadores que não possuem férias vencidas, os que são de outros estados (90% são da Bahia) e os que residem nas cidades baianas mais distantes. O encerramento destas atividades, já é o prenúncio do encerramento total do empreendimento.

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