Sangue, suor, lágrimas e 200 milhões em dívidas | Por Sergio Furquim

Sergio Furquim é Vice- Presidente do Instituto dos Auditores Fiscais do Estado da Bahia (IAF) e sócio do Esporte Clube Bahia e candidato ao conselho fiscal.

Sergio Furquim é Vice- Presidente do Instituto dos Auditores Fiscais do Estado da Bahia (IAF) e sócio do Esporte Clube Bahia e candidato ao conselho fiscal.

No próximo sábado, dia 13 de dezembro de 2014 os sócios tricolores elegerão o novo presidente do Bahia. São sete candidatos almejando gerir o maior clube do Nordeste do Brasil.

O clube há mais de uma década sofre de uma permanente decadência em campo, reflexo direto de gestões desastradas que ao longo de todo o período geriram o clube de forma irresponsável, culminando em 10 anos sem título e com campanhas medíocres na série A.

Rebaixamentos, goleadas humilhantes são reflexo da bagunça financeira imposta ao Esporte Clube Bahia por estas gestões.

Assusta saber que na porta da eleição os candidatos não tenham ideia do que irão encontrar no dia 01 de janeiro de 2015.

Além do rebaixamento, irão encontrar um clube atolado em dívidas de curto e médio prazo, que diariamente tornarão a gestão do clube um problema.

Compreender este processo é fundamental para solucionar os problemas em campo. O clube não pode, anualmente, gerar prejuízos que se acumulem. Este processo se esgotou!

O Bahia precisa de um forte e doloroso processo de ajuste em suas finanças, onde anualmente, deverão ser gerados superávits para, aos poucos, reduzir o imenso prejuízo acumulado ao longo das últimas gestões.

Acompanhado com este processo de ajuste nas finanças, o Bahia tem de ter na sua gestão de futebol profissional, o aproveitamento da divisão de base com a garimpagem de talentos ainda jovens, já que não terá dinheiro para investimentos.

É possível visualizar abaixo, com base no balanço de 2013, a situação financeira em que o clube se encontra. As contas analisadas foram as de 2013, pois 2014 ainda não encerrou.

1.  Ativo Circulante x Passivo Circulante

Ativo Circulante 14.800.008

Passivo Circulante 94.589.447

*Fonte: Balanço Bahia 2013

Para quem não é da área pode compreender isto da seguinte forma: ao iniciar o ano de 2013, o Bahia possuía para cada um real, seis reais e trinta e nove centavos de dívidas de curto prazo. Entendam que, por isto os salários não conseguem ser pagos em dia, refletindo nos resultados em campo e contratações pífias;

2.  Dívida total do Bahia em 2013 importava pouco mais de 187 milhões de reais, que abatidos do Ativo total, geram um passivo a descoberto de mais de 159 milhões de reais ao final de 2013;

O que quer dizer isto? Que tudo que o Bahia possuía no final de 2013 não era suficiente para pagar sua dívida, restando pouco mais de 159 milhões que não teriam fundos para serem pagos;

3.  Considerando que em 2014, o Esporte Clube Bahia também apresentará prejuízo na sua operação, a dívida total ao final do ano deve ultrapassar a casa dos 200 milhões de reais.

4.  Quanto a Demonstração de Resultado de 2013, constata-se:

i)    Que a demonstração não apresenta detalhamento de nenhuma de suas rubricas, o que impossibilita uma análise mais apurada;

ii)   Clube apresentou déficit operacional de 6,7 milhões no exercício antes mesmo da inclusão de despesas operacionais de mais de 94 milhões de reais;

iii)  Cabe destacar o item da despesa operacional chamado de Itens Extraordinários no valor de mais de 84,8 milhões de reais,significando uma verdadeira caixa preta, com esqueletos estão contidos nesta rubrica;

iv) Soma-se a isto um resultado financeiro negativo de mais de 12 milhões;

v)  Chega-se a um imenso déficit de mais de 113 milhões no exercício de 2013;

vi)       Déficit acumulado de 161 milhões contidos no Balanço;

Esta situação que foi encontrada ao final de 2013, vai se somar ao que aconteceu em 2014, devendo aumentar sobre maneira o prejuízo já acumulado.

A torcida precisa entender que os resultados em campo são reflexo da gestão e enquanto isto não for resolvido o time sonhado por todos torcedores não voltará.

Os novos gestores do Bahia deveriam ter a coragem de falar a verdade e dizer o que a futura gestão espera é sangue, suor, lágrimas e 200 milhões em dívidas e só com muito trabalho, união e competência conseguirá sair deste atoleiro.

*Sergio Furquim é Vice- Presidente do Instituto dos Auditores Fiscais do Estado da Bahia (IAF) e sócio do Esporte Clube Bahia e candidato ao conselho fiscal.

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