Divaldo Franco, Você e a Paz

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Juarez Duarte Bomfim.
Juarez Duarte Bomfim.

Há 17 anos que Divaldo Pereira Franco organiza em Salvador – Bahia o evento intitulado Você e a Paz, com uma concentração na Praça do Campo Grande, que neste ano de 2014 acontecerá na sexta-feira, 18:30h de 19 de dezembro.

Há 17 anos que Divaldo Pereira Franco organiza em Salvador – Bahia o evento intitulado Você e a Paz, com uma concentração na Praça do Campo Grande, que neste ano de 2014 acontecerá na sexta-feira, 18:30h de 19 de dezembro.

A novidade para 2014 foi que Divaldo realizou alguns encontros preparatórios nos bairros e, ontem, noite de domingo (14/12), tivemos a honra de recebê-lo aqui na Boca do Rio, embalado pela brisa marinha, no Parque Atlântico inaugurado no local da antiga sede de Praia do Esporte Clube Bahia.

Nesta Cidade do Salvador, listada como uma das áreas urbanas mais violentas do mundo, eventos e mobilizações deste porte adquirem um significado emergencial. E Divaldo nos alerta que a Paz começa no íntimo de cada individuo.

Na Terra de Todos os Santos e Orixás, em Feira de Santana, Bahia, nasceu há 87 anos Divaldo Pereira Franco, um “santo” baiano (as aspas aí são para apaziguar os mais ortodoxos), pois o Livro Sagrado afirma que santo é “aquele que é limpo de mãos e puro de coração; que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente”. Os homens santos de Deus “falam inspirados pelo Espírito Santo”, nos ensina Pedro.

Divaldo Pereira Franco, médium e orador espírita, é um verdadeiro apóstolo de Cristo. Juntamente com seu saudoso amigo Nilson de Souza Pereira, Divaldo fundou o Centro Espírita Caminho da Redenção e a Mansão do Caminho, que atendem a toda a comunidade do bairro de Pau da Lima, em Salvador, beneficiando milhares de doentes e necessitados.

Divaldo vive para a caridade e o seu currículo revela um exímio e devotado educador com mais de 700 filhos adotivos e mais de 200 netos, atendendo atualmente a cerca de 3.000 crianças, adolescentes e jovens de famílias de baixa renda, por dia, em regime de semi-internato e externato.

De volta ao começo, um coral infantil abriu o evento “Você e a Paz” naquele final de tarde praiano; crianças da Mansão do Caminho, que cantaram em homenagem ao tio Divaldo, servo de Jesus.

Oradores se sucederam, entre eles o sr. Marcel Mariano, que citou o Mestre Espiritual indiano Sai Baba, que afirmou: “mãos que servem são mais úteis que lábios que oram”.

DIVALDO FRANCO E SAI BABA

Atendendo um convite do mestre iogue brasileiro, Professor Hermógenes, Divaldo franco foi à Índia conhecer pessoalmente Bagavan Sri Sathya Sai Baba, o Mestre que ele, Divaldo, tinha invocado espiritualmente durante uma crise de angina, que lhe apareceu e socorreu.

Em sua frente, quando abençoava (Darshan) os presentes, Sai Baba lhe falou:

— Já nos conhecemos.

E o convidou para uma audiência privada, isto é, com alguns poucos visitantes.

Nestas audiências Sai Baba costumava materializar objetos e presentear os seus devotos e visitantes. Anéis, cordões de ouro, pulseiras etc. Me comoveu muito a história que ouvi de um devoto Sai que, ao ser perguntado por Ele:

— Que queres de mim?

Respondeu:

— Quero ser o maior de seus devotos.

Este rapaz faz parte de uma família de devotos Sai cuja mãe traz consigo um valioso tesouro, um anel materializado e presenteado por Sai Baba e, tesouro maior ainda, a cura obtida para a sua filha “desenganada pelos médicos”.

Os discípulos e devotos de Sai Baba acreditam ser Ele o Avatar, o próprio Deus na Terra. Quando é perguntado a Sai Baba se de fato Ele é Deus, responde:

— Eu Sou Deus, mas vocês também o são; a diferença é que eu sei disso e vocês não!

Em um passado distante, os judeus tentaram matar Jesus, dizendo-lhe:

— Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo.

Respondeu-lhes Jesus:

— Não está escrito na vossa lei? Eu declarei: vós sois deuses, todos vós sois filhos do Altíssimo (João 10: 33-34 e Salmos 82: 6).

Nesta audiência, Sai Baba perguntou a Divaldo Franco:

— Você crê que Eu Sou Deus?

Humildemente Divaldo lhe respondeu:

— Swami, de onde eu venho Deus não se manifesta desta forma.

Sathya Sai Baba apontou para o coração doente de Divaldo Franco e repetiu três vezes em télugu, sua língua natal:

— Deus! Deus! Deus!

Quando Divaldo voltou à Bahia, e realizou os exames periódicos do seu gravíssimo problema cardíaco, os médicos não atestaram mais nenhum problema, nenhuma doença. O notável orador espírita está encarnado até hoje, muito saudável em idade provecta.

HISTÓRIAS DE DIVALDO FRANCO

Divaldo é um exímio contador de histórias, contador de causos, com as quais transmite valiosos ensinos aos seus ouvintes. Lá em cima denominei-o um homem “santo”. O mestre ensinador que assisti palestra ontem também me pareceu um bodisatva, que é a mesma coisa: um iluminado budista.

Certa noite, em uma Sessão Doutrinária, ouvi comovente história sobre um dos filhos adotivos de Divaldo.

Era um jovem muito rebelde, agressivo e violento, que vivia “aprontando” e por isso despertava particular interesse no médium feirense.

Nas conversas o jovem se abria com o tio Divaldo, afirmava ter muito ódio e rancor no coração e vontade de tirar sangue e matar. Divaldo pacientemente lhe aconselhava:

— Quando tiveres à beira de matar alguém, venha aqui a minha sala e mate a mim, que falhei na sua educação.

Ao atingir a maioridade, o jovem resolveu deixar a Mansão do Caminho, e foi se despedir do tio Divaldo. Este aproveitou para perguntar-lhe:

— Ainda tens ódio e rancor no coração?

 – Tenho sim, meu Tio.

— Tens vontade de matar seu semelhante?

— Sim, meu tio…

— Pois não esqueça, quando sentires esse desejo, venha a mim e me mate primeiro, pois eu falhei na sua educação.

Muitos anos se passaram, Divaldo estava em visita a uma cidade do sul do país, fazendo mais uma das 13 mil conferências até os dias de hoje quando, ao final, os anfitriões do Centro Espírita anunciaram que tinham um presente para Divaldo, doado por um dos seus inúmeros filhos da Mansão do Caminho.

Era uma gravura de um artista plástico de relativa fama naquele Estado. Primeiro foi apresentado o quadro — um retrato do orador espírita — e depois o seu autor.

O artista plástico era aquele mesmo filho adotivo de Divaldo Franco, um ex-rebelde e agora adulto estabelecido socialmente e profissionalmente, que o homenageava — em gratidão pela educação recebida.

Numa conversa paternal, Divaldo Pereira Franco o perguntou:

— Ainda sentes ódio no coração? Ainda pensas em matar alguém?

O artista plástico lhe respondeu.

— Sim, tio. Tenho raiva de ser explorado por ambiciosos comerciantes de arte, os marchands, mas lembro de suas palavras: “venha aqui e me mate primeiro”. Como poderia fazer mal a ti, tio Divaldo, se te amo? Aí a minha raiva passa e vem o consolo.

Sobre Juarez Duarte Bomfim 745 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]