Trajetória da presidenta Dilma Rousseff é de luta por valores democráticos e pela autodeterminação do povo

Cartaz estilizado apresenta Dilma Rousseff quando jovem, ao atuar em movimentos de esquerda.
Cartaz estilizado apresenta Dilma Rousseff quando jovem, ao atuar em movimentos de esquerda.
Cartaz estilizado apresenta Dilma Rousseff quando jovem, ao atuar em movimentos de esquerda.
Cartaz estilizado apresenta Dilma Rousseff quando jovem, ao atuar em movimentos de esquerda.

Com 100% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral, a atual presidenta da República, Dilma Rousseff (PT), foi reeleita neste domingo (26) com 51,64% dos votos válidos (54.500.287). O candidato Aécio Neves (PSDB) obteve 48,36% dos votos (51.041.146). Votos brancos e nulos somaram 6,34% (7.141.416) e as abstenções atingiram 21,10% (30.137.317).

A presidenta foi reeleita junto com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), com o apoio da coligação formada por PT, PMDB, PDT, PCdoB, PR, PP, PRB, PROS e PSD. No primeiro turno, Dilma ficou em primeiro lugar, com 43.267.668 votos (41,59% dos votos válidos).

Em seu primeiro discurso depois da reeleição à Presidência da República, Dilma Rousseff agradeceu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Michel Temer, aos parceiros de partidos coligados e, principalmente, ao povo brasileiro.

Reforma Política

Durante seu primeiro discurso como presidenta reeleita na noite deste domingo em Brasília, Dilma Rousseff apontou a reforma política como uma das mais importantes medidas a serem tomadas durante seu novo governo.

“Entre as reformas, a primeira e mais importante deve ser a reforma politica. Meu compromisso é deflagrar esta reforma, que é responsabilidade do congresso nacional e que deve mobilizar a sociedade, por meio de uma consulta popular. Como instrumento dessa consulta, nós vamos encontrar a força e a legitimidade exigida nesse momento para levarmos à frente a reforma política. Com um novo Congresso e com toda a população, tenho convicção de que haverá interesse dos setores das sociedade, de todas as forças ativas da nossa sociedade, para abrir a construção e encaminhar medias concretas. Quero discutir com todos os movimentos sociais e forças da sociedade civil”, afirmou.

A presidenta anunciou também medidas a serem tomadas na economia. “Promoverei com urgência ações localizadas em especial na economia, para retomarmos nosso ritmo de crescimento, continuar garantindo níveis altos de emprego e assegurando também a valorização dos salários.”

Dilma afirmou também que encarou sua reeleição como sentimento de esperança de um País melhor. Ressaltou a importância da união do povo brasileiro em prol do crescimento. “O Brasil saiu maior dessa disputa e eu sei da responsabilidade que pesa sobre meus ombros. Vamos fazer um Brasil que valoriza o trabalho, um Brasil que cuida das pessoas com olhar especial para as mulheres, negros e jovens. Um Brasil cada um vez voltado para educação, cultura, ciência e inovação.”

Conheça a trajetória política de Dilma Rousseff

Primeira mulher a se tornar presidenta da República do Brasil em 2010 e a primeira a ser reeleita, Dilma Rousseff nasceu em 14 de dezembro de 1947, na cidade de Belo Horizonte (MG). É filha do imigrante búlgaro Pedro Rousseff e da professora Dilma Jane da Silva, nascida em Resende (RJ). O casal teve três filhos: Igor, Dilma e Zana.

A filha do meio iniciou os estudos no tradicional Colégio Nossa Senhora de Sion, e cursou o ensino médio no Colégio Estadual Central, então centro da efervescência estudantil da capital mineira. Aos 16 anos, Dilma dá início à vida política, integrando organizações de combate ao regime militar.

Em 1969, conhece o advogado gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo. Juntos, sofrem com a perseguição da Justiça Militar. Condenada por “subversão”, Dilma passa quase três anos, de 1970 a 1972, no presídio Tiradentes, na capital paulista.

Livre da prisão, muda-se para Porto Alegre em 1973. Retoma os estudos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul após fazer novo vestibular.

Em 1975, Dilma começa a trabalhar como estagiária na Fundação de Economia e Estatística (FEE), órgão do governo gaúcho. No ano seguinte, dá à luz a filha do casal, Paula Rousseff Araújo.

Dedica-se, em 1979, à campanha pela Anistia, durante o processo de abertura política comandada pelos militares, ainda no poder. Com o marido Carlos Araújo, ajuda a fundar o Partido Democrático Trabalhista (PDT) no Rio Grande do Sul. Trabalhou na assessoria da bancada estadual do partido entre 1980 e 1985. Em 1986, o então prefeito da capital gaúcha, Alceu Collares, escolhe Dilma para ocupar o cargo de Secretária da Fazenda.

Com a volta da democracia ao Brasil, Dilma, então diretora-geral da Câmara Municipal de Porto Alegre, participa da campanha de Leonel Brizola ao Palácio do Planalto em 1989, ano da primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar. No segundo turno, Dilma vai às ruas defender o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT).

No início da década de 1990, retorna à Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul, agora como presidente da instituição. Em 1993, com a eleição de Alceu Collares para o governo do Rio Grande do Sul, torna-se Secretária de Energia, Minas e Comunicação do Rio Grande do Sul.

Em 1998, inicia o curso de doutorado em Economia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mas, já envolvida na campanha sucessória do governo gaúcho, não chega a defender tese.

A aliança entre PDT e PT elege Olívio Dutra governador e Dilma ocupa, mais uma vez, a Secretaria de Energia, Minas e Comunicação do Rio Grande do Sul. Dois anos depois, filia-se ao PT.

O trabalho realizado no governo gaúcho chamou a atenção de Luiz Inácio Lula da Silva, já que o Rio Grande do Sul foi uma das poucas unidades da federação que não sofreram com o racionamento de energia em 2001.

Em 2002, Dilma é convidada a participar da equipe de transição entre os governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Lula (2003-2010). Depois, com a posse de Lula, torna-se ministra de Minas e Energia.

Entre 2003 e 2005, comanda profunda reformulação no setor com a criação do chamado marco regulatório (leis, regulamentos e normas técnicas) para as práticas em Minas e Energia. Além disso, preside o Conselho de Administração da Petrobrás, introduz o biodiesel na matriz energética brasileira e cria o programa Luz para Todos.

Lula escolhe Dilma para ocupar a chefia da Casa Civil e coordenar o trabalho de todo ministério em 2005. A ministra assume a direção de programas estratégicos como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o programa de habitação popular Minha Casa Minha Vida.

Coordenou ainda a Comissão Interministerial encarregada de definir as regras para a exploração das recém-descobertas reservas de petróleo na camada pré-sal e integrou a Junta Orçamentária do Governo, que se reúne mensalmente para avaliar a liberação de recursos para obras.

Em março de 2010, Dilma e Lula lançam a segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), que amplia as metas da primeira versão do programa. No dia 03 de abril do mesmo ano, Dilma deixa o governo federal para se candidatar à Presidência. Em 13 de junho de 2010, o PT oficializa a candidatura da ex-ministra.

No segundo turno das eleições, realizado em 31 de outubro de 2010, aos 63 anos de idade, Dilma Rousseff foi eleita a primeira mulher presidenta da República Federativa do Brasil, com quase 56 milhões de votos.

Ao longo do primeiro mandato, Dilma criou diversos programas de governo como, por exemplo, o Pronatec, o maior programa de formação profissional da história do Brasil. Foram mais de 8 milhões de jovens e trabalhadores matriculados em cursos técnicos e de qualificação profissional, feito em parceria com o sistema S – Senai, Senac, Senar e Senat.

A presidente criou também o programa Ciência sem Fronteiras, que oferece bolsas de estudo nas melhores universidades do exterior para os melhores estudantes brasileiros das áreas tecnológicas, de engenharia, exatas e biomédicas. Até o final de 2014, 101 mil bolsas serão concedidas.

Na saúde, o destaque fica com o programa Mais Médicos, lançado em 2013. O programa integra um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do SUS, com o objetivo de aperfeiçoar a formação de médicos na Atenção Básica, ampliar o número de médicos nas regiões carentes do País e acelerar os investimentos em infraestrutura nos hospitais e unidades de saúde.

Os profissionais do programa cursam especialização em atenção básica, com acompanhamento de tutores e supervisores. Para participar da iniciativa, eles recebem bolsa formação de R$ 10,4 mil por mês e ajuda de custo pagos pelo Ministério da Saúde. Em contrapartida, os municípios ficam responsáveis por garantir alimentação e moradia aos participantes.

Além da ampliação imediata da assistência em atenção básica, o Mais Médicos prevê ações estruturantes voltadas à expansão e descentralização da formação médica no Brasil. Até 2018, serão criadas 11,4 mil novas vagas de graduação em medicina e mais de 12 mil novas vagas de residência médica.

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