Governo Rousseff bate meta de 750 mil cisternas no semiárido brasileiro

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Maria Valdina dos Santos e José Vandail do Nascimento irrigam sua horta com a cisterna de segunda água.
Maria Valdina dos Santos e José Vandail do Nascimento irrigam sua horta com a cisterna de segunda água.

O programa Cisternas, que integra o Água Para Todos, cumpriu, com antecedência, a meta de construir 750 mil cisternas entre 2011 e o fim de 2014, chegando a 750.565 no último mês.

A iniciativa do governo federal é um enfrentamento direto dos efeitos da seca no Brasil. As 569 cidades do semiárido brasileiro, por exemplo, tiveram seu pedido 100% atendido.

Só no mês de outubro, foram feitas 24,7 mil entregas, com média de 798 cisternas/dia. Com a meta alcançada, as novas unidades contam com uma capacidade de armazenamento de 12 bilhões de litros.

De 2003 até outubro, o governo construiu 1,08 milhão de cisternas.

O programa

Trata-se de uma tecnologia simples e de baixo custo, na qual a água da chuva é captada do telhado por meio de calhas e armazenada em um reservatório de 16 mil litros, capaz de garantir água para atender uma família de cinco pessoas em um período de estiagem de aproximadamente oito meses.

Com a observância de cuidados básicos – que são comunicados aos beneficiados em treinamentos específicos –, o líquido é próprio para saciar a sede e para uso no preparo de alimentos.

Nas localidades em que a estiagem tem sido mais severa, as cisternas estão permitindo que as famílias guardem com segurança a água provida por caminhões-pipa.

Benefícios

Com as construções, a população não precisa mais andar horas em busca d’água ou mesmo migrar devido à seca. É o caso de Maria Valdina Santos, 46 anos, moradora de Itapipoca, no Ceará.

Ela mora com o marido e dois filhos na Comunidade Mergulhão dos Norberto. A família tem cisterna para beber e para produzir, além de água encanada do poço para utilizar em casa. Atualmente, plantam mais de 25 produtos e criam animais.

“Hoje eu posso dizer que quem tem um projeto desse em casa (cisterna) não precisa ter mais nada na vida. Tem tudo. Só de ver um quintal verde como esse, de ver que estamos produzindo, dá uma paz muito grande”, afirma Maria.

Para a Secretária de Desenvolvimento Regional, Adriana Alves, o programa mudou o paradigma da convivência com a seca.

“Existe uma mudança bastante significativa de paradigma em relação à implantação de tecnologias do Água para Todos no semiárido. Se durante muito tempo falou-se em combate às secas, hoje o modelo é outro. Hoje, busca-se por meio do Água para Todos criar uma cultura de convivência com a semiaridez”, afirma a secretária.

Segundo Adriana, o próximo passo é levar o programa, por meio de cisternas ou outras tecnologias, para todo o Brasil.

A demanda por água se concentra principalmente no semiárido, mas hoje todas as regiões precisam cada vez mais de abastecimento de qualidade.

“A região Norte, por exemplo, onde há abundância de água, mas há o problema de qualidade da água, onde o programa também se faz essencial. O Rio Grande do Sul ou outros estados da região Sul, também vem passando por fenômenos de estiagem, o que exige também tecnologias principalmente nas comunidades rurais”, diz Adriana.

Ela ainda fala que “o fenômeno de problema relacionados é presente no Sudeste hoje. Um importante passo para o programa é a sua nacionalização. Um programa com esse êxito, ele tem que trabalhar com tecnologia adaptada a diferentes realidades regionais.”

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