Um favelão chamado Feira de Santana

Favela da Avenida Senhor dos Passos FOTO: Apeixoto
Favela da Avenida Senhor dos Passos FOTO: Apeixoto
Favela da Avenida Senhor dos Passos
FOTO: Apeixoto

O crescimento desordenado de Feira de Santana a transformou em uma metrópole sem infra-estruturar e com um Plano Diretor Urbano – PDL – sempre em “Off”. O espaço público do centro da cidade – praças e principais artérias – foi privatizada pelos feirantes, camelôs e todo tipo de ambulante, impossibilitando ao pedestre o seu direito de ir vir sem nenhum constrangimento.

E o favelaço do centro da cidade? As barracas de verduras, a falta de um projeto para carga e descarga na Rua Marechal Deodoro e adjacências? As calçadas invadidas pelas mesas dos bares? Quando serão tomadas as devidas providências?

A falta de acessibilidade em algumas calçadas da cidade leva as pessoas e até mesmo os PNE`s – portadores de necessidade especiais – a disputar um espaço com os veículos nas diversas artérias do centro da cidade. “Ainda é melhor andar pela rua, mesmo com o risco de ser atropelado. Na calçada temos que ficar tentando descobrir se do outro lado terá acessibilidade. Por que as ruas estão quase sempre melhor adaptadas para a circulação de veículos do que para pedestres? Os pedestres não deveriam ter na calçada uma condição tão boa quanto os veículos têm para circular na rua?” – questiona o cadeirante José Martins.

Veículos carga pesada fazem manobras no centro da cidade FOTO: Apeixoto
Veículos carga pesada fazem manobras no centro da cidade
FOTO: Apeixoto

Pelas condições precárias em que se encontram as principais artérias de Feira de Santana, conclui-se que não há nenhum projeto de renovação urbana, visando recuperar as praças e vias públicas da “Cidade Princesa”. Observa-se que gradativamente começam a se instalar nas diversas praças da cidade, um conjunto de “favelões”, dando margem a que um farto comércio de objetos furtados e, em muitas delas a disseminação do tráfico de drogas se torne um fato cotidiano.

Feira de Santana se destaca no cenário baiano e nacional por possuir um mercado que se encontra em forte expansão de competitividade, dispõe de um grande pólo de educação, concentrando uma universidade estadual, diversas faculdades e projeto para instalação de uma universidade federal em andamento, além de colégios com destaque nacional na qualidade e métodos de ensino/aprendizagem, mas falta estrutura física para aportar as pessoas que vivem nela.

No início do ano houve mais um dos diversos imbróglios, com o aumento pela prefeitura, de forma exagerada do IPTU, com a desculpa de sempre, que o mesmo estava defasado. Esperava-se que a receita deste imposto de proporções astronômicas, fosse usado em obras que beneficiassem o contribuinte; que fosse criado um shopping a céu aberto ou camelódromo; um mercado para que os verdureiros que invadiram o centro da cidade tivessem Box para comercializar seu produto, esvaziando as calçadas, melhorando a circulação de pedestres pela cidade.

Outro grande problema, causado pela impunidade – que ande de mãos dadas com a má gestão do município – se encontra espalhado por toda a cidade. Carros estacionados em filas duplas e sobre as calçadas, dificultando ainda mais o conturbado trânsito feirense e a circulação dos transeuntes. Sem fiscalização adequada, nos finais de semana este problema se alastra adquirindo proporções absurdas: as calçadas viram estacionamentos dos diversos bares e restaurantes, principalmente, na Avenida Getúlio Vargas.

Paulatinamente, o trânsito de Feira de Santa, ao lado da violência que assola a “Cidade Princesa”, vem se transformando em um problema para a população. Estacionar em fila dupla, invadir semáforo, estacionar sobre a calçada e a tradicional “roubadinha”, passou a ser uma opção aceita pela SMTT – Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte – que a tudo vê e nada faz. Observa-se isso pela falta de providências tomada por este órgão. Falando em semáforos, Feira de Santana é a única cidade no mundo que possui “quebra molas” sob as sinaleiras.

Bitrem circulam livremente pelo centro da cidade FOTO: Apeixoto
Bitrem circulam livremente pelo centro da cidade
FOTO: Apeixoto

Para generalizar a bagunça que se instalou, indefinidamente, em Feira de Santana, conta-se também com a ajuda dos “pseudos cidadãos” – na realidade vândalos inconsequentes – que não medem sacrifícios para depredar os bancos das praças, árvores, parques infantis, depósito coletivo para lixos, lâmpadas da iluminação pública, passeios e tudo que lhes ficar à frente. Sem falar, que não achando suficiente estes danos, picham e destroem monumentos públicos e as paredes de todo tipo de estabelecimento particular. Estas ocorrências traduzem a falta de segurança e fiscalização na cidade.

Infelizmente, Feira de Santana virou terra de ninguém. Desculpem o termo:  virou um mangue”. Existe lei municipal que proíbe o transito de veículos pesados no centro e principais avenidas da cidade, mas não é cumprida por causa da inoperância ou empecilho legal ou estrutural que desconhecemos. Na realidade, o grande culpado, por toda esta situação, somos nós que nada fazemos, nada cobramos e assim, a bagunça continua.

Alberto Peixoto
Sobre Alberto Peixoto 488 Artigos
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.