Operação Lava Jato | Termo ‘Máfia’ é citado por Meire Poza

Meire Bonfim Poza: "Aqui é como a máfia, quem entra não sai".
Meire Bonfim Poza: "Aqui é como a máfia, quem entra não sai".
Meire Bonfim Poza: "Aqui é como a máfia, quem entra não sai".
Meire Bonfim Poza: “Aqui é como a máfia, quem entra não sai”.

Em depoimento a parlamentares, contadora diz ter sofrido ameaças de Alberto Youssef

O doleiro Alberto Youssef chegou a ameaçar sua ex-contadora Meire Poza após ela tentar, pela terceira vez, pedir demissão do grupo comandado por ele. A informação foi dada por Poza em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras nesta quarta-feira (08/10/2014): “Youssef perguntou em tom de brincadeira se eu já tinha visto o filme O Poderoso Chefão, ele disse: “Aqui é como a máfia, quem entra não sai”.

A conversa teria ocorrido em setembro de 2013. A primeira tentativa de Meire Poza para se desvincular das empresas de Youssef dataria de 2012. “Eu recebi o recado para ficar quietinha porque tinha uma filha para criar”, disse. Entre as duas tentativas, ela chegou a fazer outro pedido formal de desligamento no início do ano passado, também ignorado pelo grupo.

“Eu comentei com o Enivaldo [Quadrado, sócio de Youssef] que, se um dia acontecesse qualquer problema, contaria tudo aquilo que eu soubesse”, respondeu Meire Poza ao deputado Afonso Florence (PT-BA) após ser questionada sobre o porquê teria resolvido falar sobre a sua relação com o doleiro.

Poza afirma que guardou contrato que seria usado para chantagear o PT

Em seu depoimento à CPMI da Petrobras, Meire Poza afirmou que Enivaldo Quadrado, sócio da corretora Bônus Banval e que seria participante do esquema do doleiro Alberto Youssef, pediu a ela que guardasse um contrato que teria sido usado por ele para chantagear o PT. Quadrado foi condenado no processo do mensalão e cumpre pena alternativa.

“O Enivaldo pediu para eu guardar o contrato. Só soube do teor depois”, afirmou a contadora. Segundo a revista Veja, o contrato de Quadrado teria informação sobre envolvimento de membros do partido com o desvio de R$ 6 milhões da Petrobras.

A contadora disse que buscou, ao longo de três meses, ajuda do diretor do site Opera Mundi, Breno Altman, para ajudar a pagar a multa de R$ 45 mil de Quadrado no processo do mensalão. Em valores atuais, a multa devida seria de cerca de R$ 232 mil.

Segundo Meire, ela foi na casa do jornalista em São Paulo, a pedido de Enivaldo, em maio, junho e julho deste ano. “Em agosto eu não fui porque o Enivaldo passou a receber direto. Era sempre no último dia do mês, o senhor Breno avisava. Ele entregava no portão (de casa), primeiro em pasta, depois em envelope.”

A reunião é realizada no plenário 2, Ala Senador Nilo Coelho, no Senado.

Meire Poza confirma informações vazadas de depoimento à Polícia Federal

Informações divulgadas pela imprensa do depoimento de Meire Poza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, à Polícia Federal (PF) foram confirmadas durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras nesta quarta-feira (8).

Uma delas seria de que o doleiro Alberto Youssef já teria acertado R$ 25 milhões da parte prometida pelo PT para saldar dívidas de uma empresa dele, a operadora de turismo Marsans, segundo Poza. O dinheiro viria do Postalis, o fundo de pensão dos Correios, por meio de acordo entre PT e PMDB.

“A pessoa do Postalis nomeada pelo PT já havia resolvido [o acordo] e faltava a ponta do PMDB”, disse a contadora. Ela acrescentou que a afirmação de Youssef foi feita em março deste ano, pouco antes de ser preso. Youssef teria vindo a Brasília para negociar com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Empréstimo

A empresa de Poza também intermediou o empréstimo de R$ 4 milhões de Youssef com o banco Stock Máxima para pagar salários atrasados de funcionários da Marsans. “Os R$ 4 milhões eram algo urgente”, frisou Poza. Segundo ela, nem a operadora de turismo pagou o que devia a Poza nem ela quitou a dívida com o banco. A contadora também declarou que não foi acionada pelo banco para quitar suas dívidas.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou em 16 de setembro a falência do Grupo Marsans, operadora de turismo que fechou as portas em junho e deixou cerca de 4,5 mil clientes na mão. A decisão foi tomada porque a companhia não apresentou o plano de recuperação judicial no prazo previsto. As dívidas da corporação estão estimadas em R$ 57 milhões.

Parlamentares

Poza também falou do relacionamento de Youssef com parlamentares. Segundo ela, o deputado Luiz Argôlo (SD-BA) recebeu de presente do doleiro Alberto Youssef um helicóptero no valor de R$ 800 mil.

“Está em nome da GFD. Foi adquirido de uma empresa chamada Cardiomédica. O deputado utilizava o helicóptero. Não foi transferida a titularidade”, afirmou. A informação tinha sido dada em setembro pelo advogado Carlos Alberto Pereira da Costa à Justiça, em um acordo.

Em agosto, Meire esteve no Conselho de Ética da Câmara, onde disse que Argôlo recebeu dinheiro do doleiro e que os dois mantinham “negócios ilícitos”.

A contadora informou ainda que fez pagamentos para familiares de parlamentares. “Fiz pagamento ao deputado André Vargas (PT-PR), que depois eu soube que era do jatinho [emprestado pelo Youssef para uma viagem ao Nordeste]; para familiares do Luiz Argôlo; e outras operações que eu não sei quem são as pessoas”, apontou. A lista com os nomes de cidadãos a quem Poza transferiu dinheiro a pedido de Youssef foi apreendida pela Polícia Federal durante a operação Lava Jato.

*Com informações da Agência Câmara.

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