Eleições 2014: durante entrevista, Dilma Rousseff declara: “o governador Jaques Wagner foi uma pessoa que deu muita força para conquistar realizações”

Dilma Rousseff: "Essa história, por exemplo, de falar que os nossos votos são de pessoas ignorantes. Como foi falada pelo ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Mostra simplesmente o preconceito e o desconhecimento. As pessoas não são ignorantes coisíssima nenhuma. Esse povo brasileiro é esperto, informado e tem ideias próprias, não precisa ninguém vir explicar o que ele deve fazer.".
Dilma Rousseff: "Essa história, por exemplo, de falar que os nossos votos são de pessoas ignorantes. Como foi falada pelo ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Mostra simplesmente o preconceito e o desconhecimento. As pessoas não são ignorantes coisíssima nenhuma. Esse povo brasileiro é esperto, informado e tem ideias próprias, não precisa ninguém vir explicar o que ele deve fazer.".
Dilma Rousseff: "Essa história, por exemplo, de falar que os nossos votos são de pessoas ignorantes. Como foi falada pelo ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Mostra simplesmente o preconceito e o desconhecimento. As pessoas não são ignorantes coisíssima nenhuma. Esse povo brasileiro é esperto, informado e tem ideias próprias, não precisa ninguém vir explicar o que ele deve fazer.".
Dilma Rousseff: “Essa história, por exemplo, de falar que os nossos votos são de pessoas ignorantes. Como foi falada pelo ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Mostra simplesmente o preconceito e o desconhecimento. As pessoas não são ignorantes coisíssima nenhuma. Esse povo brasileiro é esperto, informado e tem ideias próprias, não precisa ninguém vir explicar o que ele deve fazer.”.

Confira a entrevista concedida pela presidenta Dilma Rousseff a pool de rádios, tendo como entrevistador Mário Kertesz. A entrevista foi concedida em Salvador, no dia 9 de outubro de 2014.

Radialista Mário Kertesz – É com enorme alegria que eu vou conversar mais uma vez com a candidata a presidência, à reeleição, a presidente da República, Dilma Rousseff. Presidente bom dia, que alegria falar com a senhora.

Dilma Rousseff – Bom dia, Mário, que alegria falar com você e com os nossos ouvintes aqui de toda a Bahia e de Salvador.

Radialista Mário Kertesz – Presidente, o desempenho seu e do PT aqui na Bahia foi muito bom, não foi?

Dilma Rousseff – Olha, Mário, eu vou te dizer, foi um dos melhores do Brasil. E eu fiquei muito satisfeita ao ver que aqui, tanto o Rui Costa, quanto o Otto se elegeram o governador e senador respectivamente.  Fiquei muito feliz. São grandes parceiros que nós tivemos sucesso em eleger, e eleger bem com uma diferença grande.

Radialista Mário Kertesz – E a senhora também teve uma votação muito expressiva aqui na Bahia, não foi presidente?

Dilma Rousseff – Foi, e você sabe Mário, eu vim aqui inclusive agradecer essa votação que mais uma vez a Bahia me dá. A Bahia na eleição de 2010 já me deu uma votação maravilhosa e agora repete essa votação no primeiro turno da eleição. E eu vim agradecer, e óbvio não é Mário, como eu estou no segundo turno, é demais.

Radialista Mário Kertesz – Presidente, a senhora tem investido muitos recursos aqui na Bahia. Tem o problema da mobilidade, o metrô, tem a via expressa que a senhora veio já inaugurar, tem o Porto Sul, a ferrovia oeste e leste e tantas outras obras. A senhora pretende, ganhando a eleição, continuar investindo maciçamente na Bahia e no Nordeste?

Dilma Rousseff – Nós temos um compromisso, tanto com a Bahia, quanto com Nordeste. O Nordeste e a Bahia hoje são uma prova que a Bahia e o Nordeste precisavam era de oportunidade. Nós fizemos investimentos importantes em infraestrutura aqui e no Nordeste como um todo. Eu fico muito feliz de ver que a linha 1 do metrô da estação Lapa até Retiro está funcionando. Mas eu vou ficar mais feliz ainda quando eu vir aqui inaugurar a linha 2 até o aeroporto. Eu também acho que a via expressa foi uma grande conquista para a cidade, porque ela melhora o trânsito, alivia o trânsito pesado, mas também beneficia todo o transporte de cargas que sai do porto.

E eu tenho especial atenção para uma questão que eu acho que vai ser fundamental para mudar a realidade da região inteira, que é a questão de dar investimento em água. Por que? Porque conviver com a seca implica em ter todos os investimentos na área de segurança hídrica, e aí, não é só a interligação do São Francisco, são todas as obras. Por exemplo, a primeira etapa da adutora do Algodão, a adutora e os sistemas adutores de Jacobina e Carparnaú, aqui, na Bahia. Esses serão investimentos que vão garantir obras muito importantes no futuro, que é a segunda e terceira etapa da adutora do Algodão e todas as demais obras que dizem respeito a esse grande desafio que é o projeto de água aqui na região. Queremos tornar perenes 1.000 km de rios em todo o Nordeste.

São investimentos que transformam a vida das pessoas e região, como é o caso da integração da ferrovia que você disse, a Oeste-Leste. Porque a Oeste-Leste vai não só viabilizar uma estrutura ferroviária na Bahia, mas vai colocar a Bahia e portanto, toda a região na qual a Oeste-Leste passa, porque nós pensamos em ligar a Oeste-Leste a Norte-Sul depois de Luís Eduardo Magalhães, do município de Luís Eduardo Magalhães, nós chegaríamos até a Norte-Sul e com isso você teria de fato uma integração ferroviária. O VLT, as vias estruturantes, o BRT, Águas Claras, Paribe e Lapa, Iguatemi aqui em Salvador. Mas sabe Mário, eu tenho muito orgulho dos programas sociais também.

E eu fico muito satisfeita quando eu vejo que o Pronatec na Bahia bate recorde. São 472.000 matrículas e aí eu vou te explicar o por quê.

Radialista Mário Kertesz – Isso é fantástico, presidente. Porque muita gente que faz crítica, ao PT se preocupou muito com o Bolsa Família, se preocupou muito com a redistribuição de renda. Com a população que realmente teve acesso a consumo, viagens de avião, outras coisas, mas que não investiu adequadamente na Educação. Essa é uma crítica que eu vejo que às vezes me deixa arrepiado e eu queria que a senhora falasse então sobre esse negócio do Pronatec, presidente.

Dilma Rousseff – Nós fizemos aqui também uma parceria muito bem sucedida, porque o governador Jaques Wagner foi uma pessoa que deu muita força para a gente conquistar na Bahia algumas realizações. Então eu vou te falar aqui um orgulho meu, o Pronatec. O Pronatec é um programa muito importante.  No governo dos tucanos, e no governo do candidato adversário, eles proibiram a gente de construir escolas técnicas. A gente quem? O Governo Federal. Então eles fizeram uma lei que dizia o seguinte: “O Governo Federal não pode construir escolas técnicas.” Com isso, eles só construíram onze escolas técnicas em todo o período de governo deles. Onze, em oito anos. Aí, no meu período de governo eu fiz 208 escolas técnicas, porque nós acabamos com essa lei. Fizemos também, no período do Lula, 214 escolas técnicas. Somando os oito anos do Lula com os meus quatro anos, dão 422 escolas técnicas federais pelo Brasil todo. Isso possibilitou que a gente fizesse uma parceria com o Sistema S.

Radialista Mário Kertesz – Comércio, indústria e agricultura, não é isso?

Dilma Rousseff – Isso. O Senai, da indústria; o Senac do comércio; o Senat, do transporte e o Senar, da agricultura. E construímos, junto com eles, essa parceria. De um lado, as nossas escolas técnicas federais e, de outro, o sistema deles de ensino técnico. E o governo fez uma outra coisa que é importante quando se trata do Brasil e, para dar a dimensão e beneficiar a todos nós, fizemos o Pronatec, que é gratuito. Então, são cursos de qualificação técnica e cursos de ensino técnico de nível médio gratuitos e o governo investiu R$ 14 bilhões nisso. Isso permitiu que aqui, na Bahia, 462.000 matrículas fossem realizadas. Nós então propomos fazer mais 12 milhões de vagas. Beneficia quem? Beneficia, tanto os jovens de ensino médio, que tem agora uma alternativa para complementar o curso, fazendo com que os jovens já tenham a possibilidade de entrar no mercado de trabalho, como beneficiar adultos que estão no mercado e que querem melhorar o seu curso. Se qualificam para o emprego, é isso que esse curso faz. Beneficia a classe média, beneficia o microempreendedor individual, beneficia todo mundo.

Além disso, aqui também na Bahia, tem um número muito importante, entre os alunos do Prouni e do FIES, que ganham bolsa e crédito. O Fies é um financiamento que a pessoa só paga depois que concluiu o curso, muitos anos depois. Por exemplo, a cada curso, vamos supor Direito, você multiplica cinco anos, vezes três dá 15, mais 1, dá 16. Significa que a pessoa que tomou o empréstimo, vai pagar com o fruto do seu trabalho, só dezesseis anos depois. É quando começa a pagar o empréstimo.

Isso garante o acesso de milhares de jovens que nunca puderam sonhar em entrar numa faculdade privada. Estão, aqui na Bahia, quase 200 mil jovens. São 197.800 jovens que usaram esse recurso do Prouni e do Fies. Eu te dou esses dois exemplos porque, como você diz, nós temos de fato foco nos mais pobres, mas nós fizemos uma política também para a classe média ascendente que nós mesmos criamos. Porque essa classe média que hoje tem um outro padrão de vida, é uma aspiração que nós criamos. Na época em que meu adversário esteve no governo, eles sucatearam o ensino universitário federal.

Radialista Mário Kertesz – Isso é verdade presidente. Isso aí a gente vê nas ruas, nos aeroportos em todos os lugares. Aliás, com uma certa classe média meio reacionária que até reclama, entra no avião e diz que tem muita gente que não sabe nem fazer isso e nem aquilo. Pois é, o povo está tendo acesso a coisas que não tinha, isso é visível.

Dilma Rousseff – E o povo aprende ligeirinho. Pode não saber hoje, mas amanhã já está sabendo.

Radialista Mário Kertesz – Agora, presidente, eu queria falar com a senhora só um minuto. Nós estamos também com a Tudo FM aqui e várias emissoras do interior conectadas. Segurança pública, eu vi que a senhora disse que segurança pública constitucionalmente é uma atribuição do estado, mas que a senhora vai mudar isso e vai passar também para ser uma atribuição do Governo Federal, é isso?

Dilma Rousseff – É isso. Sabe por que? Por um motivo simples, Mário. O crime organizado age no Brasil de forma coordenada. Por exemplo, quando a gente faz uma operação forte em determinado estado o que acontece? Muitas lideranças do crime organizado fogem para outros Estados. Então é como se você enxugasse gelo. Eles agem de forma coordenada nacionalmente, nós agimos agora, ainda, de forma fragmentada.

O Governo Federal, nos últimos anos, tem uma atuação mais efetiva, em parceria com os estados, fazendo GLO, aquelas operações que a gente faz com as Forças Armadas de garantia da Lei e da Ordem. Nós tivemos uma grande experiência na Copa que foi dentro dos Centros de Comando e Controle. Não por causa deles em si, mas porque nós atuamos integradamente. Quem atuava no Centro de Comando e Controle? Atuavam Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, Força Nacional de Segurança Pública, integrados às polícias militares e civis, com o apoio das Forças Armadas. E demos de fato um exemplo de uma ação coordenada, positiva para o Brasil durante a Copa. Nós achamos que isso tem de ser mantido e, para que isso aconteça, o Governo Federal vai ter de alterar a Constituição para se responsabilizar solidariamente com os estados.

Por ações conjuntas, inteligência, recursos, coordenação, inclusive recentemente nós fizemos uma operação aqui no Nordeste, todas as polícias dos nove estados do Nordeste, mais a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Força Nacional e também as Forças Armadas, porque nós vamos ter de fazer uma operação entre os estados conjunta, porque eles têm fronteiras. Então, a polícia só age até ali, aí a outra só age dali para frente. A integração é algo crucial. Agora mesmo a gente está fechando parceria lá em Santa Catarina que está um problema grande.

Nós estamos fechando as fronteiras para pegar a estrutura do crime organizado, é isso que a gente faz. Então, eu acredito que essa coordenação integrada das polícias é absolutamente imprescindível. É o único jeito da gente ter uma ação forte, consistente contra o crime organizado. E não deixar que se você aperta aqui, eles saem por ali, você aperta lá, eles vão para acolá. Então essa integração, a presença e responsabilidade conjunta da União vai ser muito importante. Não sei se vocês lembram, que antes do Lula quando se falava: “Ah e segurança pública?”, o Governo Federal lavava as mãos. Nós não vamos lavar as mãos não. Nós aprendemos com o exemplo extremamente positivo, que foi a Copa.

Então, nós vamos integrar a polícia sim e vamos agir em conjunto e não dá descanso, o Brasil pode se livrar do crime organizado.

Radialista Mário Kertesz – Nós estamos precisando muito disso. Estou conversando aqui com alegria com a presidente Dilma Rousseff. Presidente, tem dois temas que são extremamente importantes para o Nordeste, não somente em termos de desenvolvimento cultural, mas também de emprego e renda que, no meu ver não foram suficientemente exauridos ou debatidos ao longo das campanhas. Cultura e turismo, especialmente para o Nordeste, é claro que para o Brasil todo. Rio de Janeiro é o grande centro de atração turística do Brasil, mas aqui no Nordeste nós temos uma cultura fantástica. Na Bahia nós temos destinos, mais de nove ou dez destinos turísticos de imenso valor, não somente Salvador ou Porto Seguro, mas no interior tem vários lugares. E eu gostaria muito de pedir a atenção da senhora, no seu programa de governo e no seu eventual segundo governo, para ajudar, inclusive os nossos governadores a trabalhar com mais afinco nisso. O que a senhora acha?

Dilma Rousseff – Eu acredito que a Cultura é uma das áreas estratégicas para um País, uma nação que está em processo de consolidação de desenvolvimento. Se transformando numa nação mais rica e com necessidade de afirmar e de olhar para si mesma. Então eu acho que, no caso da Cultura, nós temos de ter, tanto aquela política que incentiva pontos de cultura, e que explora essa imensa criatividade, diversidade que tem no Brasil, principalmente entre os jovens, entre os diferentes rios que formaram esse mar de diversidade que é a nação brasileira. E, ao mesmo tempo, combinar os pontos de cultura com algumas políticas que dizem respeito ao  incentivo e ao estímulo de formação de um quadro cultural maior. Por exemplo, o Programa Brasil de Todas as Telas, com o qual fazemos dois movimentos: um movimento maior, que é dar condições para a produção audiovisual própria no Brasil.

É fato que a Lei do Cabo, que obrigou as empresas de TV a cabo a comprar conteúdos locais e a divulgá-los, criou uma demanda muito forte. Mas além disso, tem todo um processo hoje de incentivo à produção audiovisual, que vai do cinema a todas as demais formas de expressão na área do audiovisual. E, ao mesmo tempo, criou também um incentivo à recuperação do cinema, dos locais de projeção de filmes no interior do País, que tinham desaparecido praticamente. O que é importante, porque é um espaço que fica, não só para a projeção do filme, mas fica também para convívio em que se pode fazer várias atividades como teatro e dança. E eu acredito também muito que a cultura tem por base essa diversidade. Aqui na Bahia vocês têm uma cultura fantástica, eu inclusive já falei que depois que eu deixar de ser presidenta eu vou ver se eu consigo ali um espaço para tocar lá no Olodum. Perguntei se o pessoal aceitava branco, porque eu sou parda, então acho que eu passo lá.

Eu acho o Olodum uma das manifestações que saiu ali da formação baiana, mas que ganhou uma projeção maior.. É óbvio que muitos governos ajudaram, mas eles têm aquela força imensa e me encanta. Além disso, eu queria dizer para vocês que eu acho importantíssimo o PAC Cidades Históricas, que dá grande importância para a recuperação. Por exemplo, a reforma da Igreja do Bonfim que está no PAC Cidades Históricas e custa em torno de R$ 70 milhões. Ao todo nós estamos investindo, com o PAC Cidades Históricas, R$ 200 milhões aqui em Salvador.

É muito importante o turismo religioso com as visitas, por exemplo, ao Santuário da Irmã Dulce. O turismo religioso é uma realidade no País. A Irmã Dulce atrai milhões de fiéis, milhões de pessoas que reconhecem nela um exemplo e um padrão de moralidade, de dedicação aos pobres, de solidariedade e de fraternidade. Ou seja, todos aqueles valores que a gente quer ver cultivados na sociedade brasileira.

Radialista Mário Kertesz – A senhora está tranquila nessa reta final com essa coisa de apoios, um partido vai para lá, outro vem para cá. A senhora acredita mais no apoio dos partidos ou no apoio da população? E como é que vão ser essas três semanas, a senhora está tranquila para enfrentar esse segundo turno?

Dilma Rousseff – Eu estou extremamente tranquila e quero te dizer o seguinte, eu acredito que é importante o apoio dos partidos, mas eu sei também que numa democracia ninguém controla o voto das pessoas. E aí eu confio muito no voto da população. Eu acho que a população vai, de fato, olhar ali no dia 26, olhar para a urna e vai pensar: o que é bom para o futuro do nosso País, o que é bom para o meu povo e o que é bom para mim mesma? Que, segundo, a população vai pensar, o que é bom? O que é que vai conduzir o Brasil para um caminho da prosperidade, de maior desenvolvimento e direito das pessoas? Ao pensar, eles vão lembrar uma coisa, eles vão fazer o gotejo do que tinham e que ganharam nesses doze anos, porque conquistas, a gente tem que lutar por elas. Muitas pessoas acham que é conquista afadada, e que depois de estar dada nada vai mudar. Pelo contrário, conquista você sempre luta por ela e é absolutamente necessário que se lute por mais direitos, mais oportunidades, mais políticas sociais, mais emprego.

É claro que nós estamos chegando a um dos patamares mais baixos de desemprego no Brasil, que é 5%. Eu acredito muito que as pessoas vão fazer um gotejo, aqui no Nordeste.  Por que a gente tem que lutar pelas conquistas? Você veja a história da Europa em que está havendo um dos maiores retrocessos de direitos sociais, um desemprego violento entre os jovens. Então aqui no Brasil nós enfrentamos a mesma crise que a Europa enfrentou. Diferente dela, nós não desempregamos, não reduzimos salários. Apesar de ter gente dizendo que o salário mínimo cresceu demais, diz o meu adversário.

Já começaram a olhar para o salário mínimo e culpá-lo por tudo, que é a velha retórica do conservadorismo no nosso País. Eu tenho certeza que a população vai comparar, vai pensar e no fim vai decidir por quem ela acredita que fez. Porque tem uma coisa engraçada nessa eleição, que é a seguinte: perguntam para o candidato: E o Bolsa Família?“Ah, eu vou fazer e melhorar.” E o Minha Casa, Minha Vida? “Eu vou fazer e melhorar.” E o Pronatec? Agora, a minha pergunta é: Por que não fizeram antes quando puderam e tiveram oito anos para fazer? Porque nós, que construímos a duras penas, escutando eles dizerem que era “Bolsa Esmola”.

Eles entraram com uma ação no Supremo Tribunal Federal contra o Prouni e o Minha Casa, Minha Vida porque não queriam aprovar os subsídios numa determinada época. As escolas técnicas eles proibiram que fossem construídas. Agora, vem cá, por que é que eu vou achar que eles, que nunca fizeram quando puderam, quando puderam não realizaram, o que eles vão fazer melhor do que nós que lutamos deoze anos, diariamente para construir cada um desses programas?

Jaques Wagner – Oh Mário posso entrar aqui um minutinho?

Radialista Mário Kertesz – Epa, já ia fazer uma pergunta sobre você, rapaz, ia perguntar aí à Presidente…

Jaques Wagner – Não, não, só quero falar.

Radialista Mário Kertesz – Diga.

Jaques Wagner – Eu estou vendo a Presidenta falar, porque eu estou aqui acompanhando ela na entrevista…

Radialista Mário Kertesz – Esse é Jaques Wagner.

Jaques Wagner – Quero cumprimentar a todos, aqui quem fala é o governador Jaques Wagner. Você não está achando que está parecido com a campanha do Rui quando ele perguntava ao ex-governador: “E por que não fez nos seus oito anos?”. Aí a pergunta também que a presidenta Dilma está fazendo: “E por que não fez?”

Dilma Rousseff – E por que não fizeram quando puderam? Essa é uma questão que também eu acho que o povo vai olhar a urna e vai perguntar. Acho que, na eleição, essa discussão é fundamental. Isso não significa baixar o nível, porque eu defendo que a discussão de propostas políticas é a que o povo precisa para decidir e para tomar uma posição. Agora, eu discordo das propostas, da discussão feita no baixo nível destilando ódio, que muitas vezes aparece. Essa história, por exemplo, de falar que os nossos votos são de pessoas ignorantes. Como foi falada pelo ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Mostra simplesmente o preconceito e o desconhecimento. As pessoas não são ignorantes coisíssima nenhuma. Esse povo brasileiro é esperto, informado e tem ideias próprias, não precisa ninguém vir explicar o que ele deve fazer. Tem de ter respeito, principalmente porque eles estão fazendo uma oposição, que é ridícula, entre o Sudeste e o Nordeste. Em termos de votos mesmo. Primeiro que é uma mentira, porque eu ganhei do meu adversário em Minas Gerais, onde ele tinha seu berço político. O meu berço, propriamente dito, é em Minas Gerais, que eu sou de Belo Horizonte. Ganhei dele no Rio de Janeiro, dois estados importantes do Sudeste. Perdi em São Paulo. Agora, o Sudeste não está oposto ao Nordeste. Quem me deu os votos foi também o Rio Grande do Sul, lá embaixo.

Ganhei nos estados do Sudeste, ganhei no Nordeste, ganhei no Norte. Então é uma visão absolutamente preconceituosa e elitista o que estão dizendo, que os meus votos são dos ignorantes e os letrados são deles. É um desrespeito com a população, é uma forma velha que eles têm de tratar as questões. Como eles não andam no meio do povo, como eles não dão importância ao povo, eles querem desqualificar o povo brasileiro. Isso é de fato destilar ódio.

Radialista Mário Kertesz – Presidente começa o programa eleitoral hoje à noite, não é isso?

Dilma Rousseff – É isso, hoje começa o primeiro programa eleitoral e vai, eu acho até às vésperas da eleição.

Radialista Mário Kertesz  – Inclusive nos domingos, 10 minutos para cada um. A senhora vai agora no Bonfim, é Presidente?

Dilma Rousseff – Eu vou sim, eu vou agora no Bonfim, porque eu vou subir a ladeira vou lá agradecer também os meus votos.

Radialista Mário Kertesz – E o nosso querido amigo, comum amigo, que está aí ao seu lado, o grande Jaques Wagner que teve uma vitória fantástica aqui na Bahia, ele é peça importante aí nessa reta final da senhora?

Dilma Rousseff – Ele é uma peça muito importante na reta final da minha campanha e você sabe que eu tenho uma relação especial com o Jaques Wagner. Nós fomos ministros juntos e construímos, desde o início do governo, lá por 2002, nós construímos uma grande amizade. Então eu tenho um grande respeito pelo Jaques, além de gostar muito dele e da Fátima.

Radialista Mário Kertesz –Presidente muitíssimo obrigado, boa sorte para a senhora. Quando a senhora tiver disponibilidade e quiser conversar aqui com a gente, estamos à sua disposição, viu.

Dilma Rousseff – Eu fiquei muito feliz de estar aqui falando com você, vou abusar, hein! Vou abusar, vou ligar muitas vezes e falar com você.

Radialista Mário Kertesz – Pode ligar, presidente, aqui a senhora manda viu. Muito obrigado.

Dilma Rousseff – Eu agradeço muito e queria mandar um beijo grande e um agradecimento para toda a população da Bahia, toda a população de Salvador. Dizer que também eu agradeço à militância, que sustentou a minha campanha, aos prefeitos e os vice-prefeitos, aos vereadores e vereadoras. Agradeço a todos aqueles que me apoiaram aqui e também agradeço e peço a consciência dos que não apoiaram, dizendo o seguinte, nós receberemos eles de braços abertos.  No dia 26 vamos votar com consciência, com paz e amor no coração. Obrigada.

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