Eleições 2014 | Debate na TV Band entre Aécio Neves e Dilma Rousseff é marcado por críticas mútuas

Dilma Rousseff:
Dilma Rousseff: "Quem vê agora as suas propostas, pensa que o senhor é um candidato da continuação, porque as únicas propostas que apresenta são a continuidade dos meus projetos.".
Dilma Rousseff: “Quem vê agora as suas propostas, pensa que o senhor é um candidato da continuação, porque as únicas propostas que apresenta são a continuidade dos meus projetos.”.
Aécio Neves: "E vou lhe dizer algo, talvez a senhora deve saber, talvez não queira admitir. O maior programa de transferência de renda da nossa história contemporânea não foi o Bolsa Família, fruto do bolsa escola, bolsa alimentação. Foi o Plano Real, estabilidade da moeda, que vocês combaterem com toda força.".
Aécio Neves: “E vou lhe dizer algo, talvez a senhora deve saber, talvez não queira admitir. O maior programa de transferência de renda da nossa história contemporânea não foi o Bolsa Família, fruto do bolsa escola, bolsa alimentação. Foi o Plano Real, estabilidade da moeda, que vocês combaterem com toda força.”.

A TV Band promove na noite desta terça-feira (14/10/2014), às 22h15, o primeiro debate do segundo turno entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB).

O primeiro debate do segundo turno indica a postura os candidatos estão adotando na reta final da campanha, avalia o diretor de Jornalismo do Grupo Bandeirantes, Fernando Mitre. Ele também explica que uma das novidades do debate são as considerações iniciais. Cada candidato obteve dois minutos livres para falar logo no início do encontro.

Mitre também comenta que foram programados 48 momentos, oportunidades em que um candidato vai perguntar, ou responder, ou replicar ou treplicar no confronto direto com o outro. Ele avalia que o formato do debate apresenta inovações e será uma oportunidade singular para que o telespectador veja as diferenças e faça as comparações entre os presidenciáveis.

Confira a transcrição do debate

1º Bloco

Considerações iniciais de Dilma Rousseff:

Boa noite Boechat, boa noite candidato, boa noite. E eu agradeço à Band. Nessa eleição, eu acredito que dois projetos e duas visões de Brasil estarão se apresentando. Nós fizemos o mais profundo processo de distribuição de renda e inclusão social das últimas décadas. Tiramos 36 milhões de pessoas da pobreza extrema, da miséria, e elevamos 42 milhões de pessoas à classe média. Uma Argentina inteira.

Ao mesmo tempo criamos o maior e um grande mercado de consumo de massa que beneficiou extremamente a economia. Todos ganharam. Mas ganharam mais os que mais precisavam. Eu acredito que nós lançamos as bases para um novo ciclo de desenvolvimento. Um Brasil moderno, mais inclusivo, mais produtivo e mais competitivo. Nesse novo ciclo haverá uma prioridade para a educação. A educação estará no centro de tudo. Isso significa que, da creche à pós graduação, nós continuaremos dando extrema importância à educação, à saúde, e também à Segurança Pública.

Considero ainda ser muito importante para o Brasil a discussão de dois valores fundamentais, dois valores morais. Um que é igualdade de oportunidades para todos os brasileiros. Igualdade de oportunidades na educação, na saúde, igualdade de oportunidades em todos os serviços públicos. E um combate sem tréguas à corrupção. Eu venho aqui hoje apresentar as minhas propostas, e pedir o seu voto. Tenho certeza que se você conhecer as minhas propostas, você vai entender que isso é necessário para fazer o Brasil avançar ainda mais.

Considerações iniciais de Aécio Neves:
Meu boa noite a todos os telespectadores em primeiro lugar, boa noite a candidata, a você, Boechat. Na verdade esse momento, esse debate da Band inaugura a fase final de uma campanha onde os brasileiros terão a oportunidade de dizer de uma forma muito clara, o que querem para seu futuro, a continuidade do que está ou uma mudança profunda.

A grande realidade é que o Brasil avançou muito ao longo das últimas décadas, desde a estabilidade da moeda, conquistada no governo do PSDB, com uma ferrenha oposição do PT, mas de lá para cá, do governo do próprio Presidente Lula, avanços sociais importantes vieram, a partir dessa estabilidade, da modernização da nossa economia, da privatização de setores que necessitavam ser privatizados, da Lei de Responsabilidade Fiscal.

A grande verdade é que nos últimos quatro anos o Brasil parou de melhorar. Infelizmente, qualquer que seja o próximo Presidente da República, terá como herança uma inflação saída de controle, uma recessão na economia, uma perda crescente de credibilidade do país, e uma piora de todos os nossos indicadores sociais.

Eu venho aqui hoje, esse debate da Band, representar não um partido político ou uma coligação de partidos, mas um sentimento, um sentimento crescente na sociedade brasileira que quer ver o governo reconciliado com a nossa gente, um governo que olhe para o futuro, um governo que seja generoso, que não caia nessa armadilha da divisão do Brasil entre nós e eles, entre norte e sul.

Eu acredito muito que nós podemos ter um governo que una a eficiência com a decência, que tenha coragem para manter o Brasil numa rota de crescimento resgatando a credibilidade que nós perdemos. Eu me preparei ao longo desses últimos 30 anos não para fazer o governo de um partido político, mas um governo que tire o Brasil da lanterna de crescimento econômico e dos piores indicadores sociais de toda a nossa região, estou aqui para apresentar as nossas propostas.

Dilma Rousseff pergunta:

Candidato Aécio, vocês na oposição votaram contra a CPMF, e com isso a saúde brasileira perdeu R$ 260 bilhões. Quando o governo de Minas foi dirigido pelo senhor, vocês não cumpriram o que manda a Constituição, que é destinar um mínimo para a saúde. Desviaram em torno de R$ 7,6 bilhões, é o que diz o Tribunal de Contas do Estado, da Saúde.

E aí eu pergunto para o senhor, o senhor foi contra o mais médicos, agora a sua proposta para os mais médicos inviabiliza completamente o programa mais médicos.

Eu pergunto para o senhor, o que o senhor acha da minha proposta de criar o programa mais especialidades?

Aécio Neves responde:

Candidata, lamento que a senhora esteja tão desinformada. Na verdade todas as nossas contas, inclusive os investimentos em saúde foram aprovados pelo Tribunal de Contas.

O a senhora se lembrará que antes da implantação da emenda 229, que infelizmente o seu governo demorou muito, cada estado definia com muita clareza quais eram os investimentos na saúde, como fizeram os investimentos do governo do PT.
Governo da senhora chegou num determinado momento a considerar os investimentos no Bolsa Família como investimentos em saúde. Na verdade, candidata, Minas Gerais é reconhecida pelo Ministério da Saúde do seu governo como estado que tem a melhor qualidade de saúde de toda a região Sudeste.

A grande verdade é que o Governo Federal vem diminuindo a sua participação ao longo dos últimos doze anos no financiamento da saúde. Na verdade, quando o governo do PT assumiu, não era ainda a senhora, era o Presidente Lula, 56% do conjunto dos investimentos em saúde pública vinha do Governo Federal.
Doze anos se passaram, hoje são 45%.

Candidata, eu vou lhe dizer algo de forma muito clara. Eu vi uma declaração que a senhora deu outro dia de que esses tucanos veem os bons projetos e querem continuar.

É claro que nós queremos, os bons projetos estão aí para serem continuados. Ninguém é dono de bons projetos. O Bolsa Família vai continuar porque, porque vocês continuaram e unificaram, o que eu quero é saúde, com mais investimentos do Governo Federal.

Essa proposta do Mais Especialidades é a nossa proposta. Agora, eu lamento que a senhora tenha cuidado disso ou se preocupado com isso no momento em que seu governo termina. Não cuidou disso nos últimos doze anos. Na verdade, a impressão que eu tenho, candidata, é que nós temos aqui dois candidatos de oposição. Nós não temos um candidato de continuidade.

Quem vê a sua campanha acha que a senhora não governou o Brasil ao longo dos doze anos. Lamento que não tenha feito ao longo do seu mandato o que se propõe fazer agora.

Dilma Rousseff faz a réplica:

Quem vê agora as suas propostas, pensa que o senhor é um candidato da continuação, porque as únicas propostas que apresenta são a continuidade dos meus projetos. Pode entrar no site do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais e lá vai estar claro que governo de Minas foi obrigado a assinar um termo de justamente de gestão e que considerou se que vocês desviaram em torno de 7,6 bilhões de reais da saúde.

Aliás em Minas Gerais, vocês não cumprem os principais programas que existem. O Samu, por exemplo, vocês têm o pior, um dos piores desempenhos, o terceiro pior desempenho. O Samu, que é um sistema de transporte de urgência de pessoas que são feridas nas ruas, vocês só têm em 28% dos municípios, e 45% da população não tem Samu. Como é que eu posso acreditar que o senhor vai fazer o Mais Especialidades?

Aécio Neves faz a tréplica:

Candidata, não sei quem tem lhe dado esses números, não repita aquela oposição tão desqualificada que o PT fez ao nosso governo. A senhora repete os mesmos números, não são verdadeiros. Aliás, não falar a verdade se tornou uma tônica da sua campanha desde o primeiro turno. Nós temos propostas, sim, apresentadas e debatidas com enorme intensidade no Brasil afora. O Ministério da Saúde do seu governo é quem diz que Minas Gerais, governada por mim, tem a melhor qualidade de atendimento de saúde de toda a região Sudeste.

Nós vamos aumentar por exemplo o programa saúde da família, que o seu governo abandonou, um programa extraordinário, criado no governo do presidente Fernando Henrique. Vamos criar, vamos tratar de formar mais médico no Brasil. E em relação ao Mais Médicos o que nós não podemos aceitar é essa discriminação odiosa em relação aos médicos cubanos que recebem cerca de um terço do que recebem os médicos de outros países. Vamos cuidar das Santas Casas, vamos reajustar a tabela do SUS, vamos cuidar com seriedade da saúde.

Aécio Neves pergunta:

Candidata, desde o primeiro turno, a sua campanha tem sido marcada pelos ataques, pelas ofensas, pelas mentiras. Foi assim com Eduardo campos, foi assim com Marina e tem sido assim comigo. Inverdade, nas redes sociais, inverdades nas redes, na sua proposta eleitoral. A senhora diz que vamos acabar com o Bolsa Família. Não vamos acabar com o Bolsa Família.

A senhora diz que vamos privatizar o Bolsa Família. Nós vamos profissionalizar, seja em relação à mortalidade (infantil) (…) Nós estamos apresentando a todo o Brasil para debater o futuro, para apresentar propostas, para tentar dar às pessoas novamente esperança em relação ao que vai acontecer com os seus filhos. A senhora não se arrepende, candidata, de ter feito uma campanha com ataques tão violentos e tão cruéis no primeiro turno contra seus adversários?

Dilma Rousseff responde:

Candidato, eu acho que quem faz ataques cruéis é o senhor, e acho que o senhor distorce todos os fatos e realidades. Vocês fizeram e dizem que foram os pais do Bolsa Família quando fizeram um programa que não é compatível com tamanho do Brasil, não tem escala nem dimensão. Fizeram um chamado bolsa escola que tratava apenas de cinco milhões de pessoas.

O Bolsa Família trata de 50 milhões de pessoas. É completamente diferente.
Nos bancos públicos, não sou eu que estou dizendo. O seu candidato a ministro da Fazenda, ele vai a público e diz o seguinte: ‘Temos de mudar os bancos públicos, e no final não sei o que vai sobrar’.

E coloca um conjunto de mentiras, candidato, sobre os bancos públicos. O BNDES é o terceiro maior banco público do Brasil. O BNDES só está atrás do banco alemão e do chinês. O BNDES empresta para a indústria e para a infraestrutura. Das mil maiores empresas, 753 são empresas em que o BNDES investe.

O Banco do Brasil é o banco que faz toda a política para o setor agrícola, dos R$ 180 bilhões que hoje vão ser emprestados, R$ 180 bilhões, quem faz a maior parte do crédito, tanto para o agronegócio quanto para a agricultura familiar, é o Banco do Brasil. A Caixa (Econômica Federal), a Caixa, candidato, eu fico impressionada. Vocês quererem reduzir o papel da Caixa no setor habitacional, no financiamento habitacional.

Sem a Caixa não tem (o programa) Minha casa, Minha vida. Então é fantástico. Vocês têm dois pesos e duas medidas. Nunca fizeram programas sociais quando puderam, sempre deixaram a desejar. É o caso da saúde em Minas, que vocês devem 7,6 bilhões para a saúde.

Aécio Neves faz a réplica:

Não é verdade, candidata. A senhora falta com a verdade. Ninguém deve nada para a Saúde. Nós temos a melhor saúde da região Sudeste segundo o seu governo. E vou lhe dizer algo, talvez a senhora deve saber, talvez não queira admitir. O maior programa de transferência de renda da nossa história contemporânea não foi o Bolsa Família, fruto do bolsa escola, bolsa alimentação. Foi o Plano Real, estabilidade da moeda, que vocês combaterem com toda força.

A senhora deturpa aqui palavras do ex presidente do banco Armínio Fraga. O que nós vamos dar é transparência aos bancos públicos.
Hoje o tesouro deve a Caixa Econômica Federal R$ 10 bilhões de reais porque a Caixa não está conseguindo, aliás, a Caixa está pagando com seus recursos próprios até o Bolsa Família.

Os subsídios adequados para Minha Casa Minha Vida vão avançar no nosso governo, inclusive na faixa que o seu governo não avançou, na faixa até três salários mínimos. Eu vou dar transparência aos financiamentos, que seu governo não vem dando.

Dilma Rousseff faz a tréplica:

Candidato, eu acho fantástico a sua forma de colocar as questões. (…)No governo de Minas, está claramente caracterizado pelo próprio Ministério da Saúde, no próprio Samu, eles são a terceira maior economia em termos de estado no que se refere ao atendimento de urgência do Samu, algo que é fundamental.

Além disso, candidato, vocês, quando o seu candidato a ministro da Fazenda entrou no governo, vocês estavam com uma inflação, com uma dívida, aliás, de em torno de 28%, e ele saiu do governo com uma dívida de 60%. O senhor tem a segunda maior dívida, é recorde, a segunda maior dívida dos Estados brasileiros, é o Estado de Minas Gerais, governado pelo senhor.

2º Bloco

Aécio Neves pergunta:

Candidata, vamos falar agora de temas que interessam aos brasileiros, a vida real, cotidiana, da dona de casa, do trabalhador.

Há mais de um ano eu venho alertando para a volta da inflação. A senhora tem dito que isso é conversa de pessimistas. Pois bem. A inflação de setembro está aí de volta, novamente inflação alta, estourando o teto da meta.

O seu secretário deu uma sugestão sui generis. Ele disse simplesmente que as pessoas deveriam parar de comer carne e passar a comer ovo.

Será que essa é a política econômica para controle da inflação do seu governo? E será que não é hora, candidata, de reconhecer os equívocos, as falhas para que você possa corrigir?

Não é vergonhoso alguém resolver admitir os erros, mostrar que falhou, falhou na condução da economia, falhou porque não conseguiu fazer o Brasil crescer e falhou porque não conseguiu controlar a inflação.

Qual a proposta do seu governo para que nós possamos ter menos inflação no Brasil?

Dilma Rousseff responde:

Candidato, eu proponho que a gente pare de discutir quem está mentindo e peço à pessoa que nos assiste hoje até essa hora, que entre no site do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, e nos arquivos dos jornais, e olhem quem está falando a verdade e quem está falando mentira. Candidato, eu acredito que o senhor tem uma memória curta.

O meu governo garantiu, neste período que nós estamos vivendo, uma inflação controlada dentro dos limites da meta. É claro que quando há um choque de ofertas por conta do clima, ou seja, tanto preços de alimentos quanto preços da energia sobem, isso significa uma pressão sobre a inflação, mas como é profundamente passageiro, a inflação volta para a meta novamente. Para o limite superior da meta.

Eu acredito que o senhor esqueceu o que ocorria no governo Fernando Henrique Cardoso. O senhor indicou um ministro da Fazenda que por duas vezes deixou a inflação superar o limite superior da meta. No primeiro ano foi 7,7%. No segundo ano foi 12,5%.

Nós investimos profundamente na criação de empregos, na valorização dos salários, na estabilidade macro econômica do país, diminuindo dívida, garantindo que o povo brasileiro tivesse novas oportunidades.

Diante de uma grave crise, candidato, nós mantivemos emprego, nós mantivemos salário, e nós continuamos investindo. No passado, o que acontecia? O desemprego era extremamente grave, as pessoas que buscavam emprego davam voltas no quarteirão, como se diz em Minas Gerais, era isso.

Aécio Neves faz a réplica:

Candidata, eu tenho a impressão que muitas vezes a senhora olha para mim e enxerga o presidente Fernando Henrique. Me sinto honrado. Mas a verdade não pode ser alterada. A história está aí. Candidata, sejamos honestos. Quando o presidente Fernando Henrique Cardoso assumiu o governo a inflação era de 916% ao ano, ela chegou a 7%, e aumentou para 12 depois da eleição do Presidente Lula.

Essa é a verdade, as pessoas que estão aqui todas acompanharam a história, o que aconteceu, mas vamos falar do presente, candidata, e vamos olhar para o futuro.

A senhora disse no último debate que a inflação está sob controle e não está, eu pergunto a senhora, mais uma vez a dona de casa que aí está, a senhora indo no mercado compra hoje a mesma coisa que comprava há seis meses atrás com o mesmo dinheiro?

É claro que não compra. É preciso, candidata, ter humildade para admitir que vocês fracassaram na condução da política econômica. A herança será muito ruim para o próximo sucessor, por isso eu me sinto mais preparado para enfrentá la.

Dilma Rousseff faz a tréplica:

Candidato, eu não escolhi o candidato a ministro da fazenda que o senhor escolheu. Como é que o senhor quer que eu acredite que com a mesma receita, o mesmo cozinheiro, vocês vão entregar um prato diferente do que já entregaram para o Brasil. Vocês, candidato, gostam de cortar. Gostam de cortar e sempre cortam.

Cortam emprego, cortam salários. Agora, sobretudo, candidato, o senhor não fala nos 900%, quando o seu candidato a ministro da fazenda entrou no governo, a inflação estava sob controle.

Quando ele deixou o governo, um ano antes, quando o Presidente Lula não era candidato oficial ainda, a inflação chegou a 7,7%. O que eu estou dizendo, candidato, é que nós estamos vivendo um momento especial, um choque tanto de alimentos e de energia, que vai passar, e eu tenho certeza que até o final do ano a inflação estará em 6,5%.

Dilma Rousseff pergunta:

Olha, eu queria perguntar, candidato, sobre a educação. A educação é prioridade no meu governo. Se considerar eu e o Presidente Lula, nós triplicamos o valor gasto na educação. Da creche a pós graduação. Gostaria de saber, candidato, o que o senhor acha de um programa como o Pronatec, um programa que foi baseado nas escolas técnicas, que nós acabamos com a proibição feita durante o seu governo.

Por isso, durante o governo Fernando Henrique Cardoso vocês construíram onze escolas técnicas, no meu governo, eu construí e está funcionando, candidato, 208 escolas técnicas.

E isso é simplesmente 1600% mais. Foi por causa dessas escolas técnicas, que nós pudemos dar oportunidades para os jovens de fazer um curso técnico, para os adultos também. O Pronatec é isso, é baseado nessas escolas e em parceria com o sistema S.

Aécio Neves responde:

Candidata, antes de responder sua pergunta, quero registrar aqui que estou impressionado com sua obsessão pelo futuro ministro da Fazenda Armínio Fraga. Talvez por ter sido tão elogiado pelo ministro Palocci quando assumiu o governo. O Presidente Lula quando assumiu o governo pediu que Armínio Fraga ficasse mais um tempo no Banco Central.

É a história, candidata.

Felizmente eu já tenho um nome que sinaliza para a previsibilidade da nossa política econômica, já é mais uma grande diferença entre nós dois. Já tenho o meu futuro ministro da Fazenda, a senhora tem apenas o ex futuro ministro da Fazenda, a senhora conseguiu demitir no cargo, que já não tinha tanta credibilidade.

Educação, candidata, é essencial para que qualquer país avance na busca de um país melhor. Se me perguntar, o orgulho que tenho foi ter levado Minas Gerais a ser o melhor, tendo o maior número de municípios entre todos os Estados brasileiros.

O Pronatec é um bom programa, mas precisa ser aperfeiçoado. A grande maioria dos alunos do Pronatec tem uma carga horária muito pequena, até 120 horas.

Nós precisamos fazer cursos técnicos de maior duração porque muitos que estão se formando no Pronatec não estão encontrando uma colocação adequada.
Seu governo gosta muito de estatística, candidata, e vou dizer algo que talvez a senhora não saiba.

O Pronatec é uma inspiração nas ETEC’s do governador Geraldo Alckmin e nas PECs do meu governo, de ensino profissionalizante, que começaram muito antes e foram levados ao Ministério da Educação.

Eu me orgulho muito de ter contribuído para seu governo fazer um bom programa mas que precisa ser aperfeiçoado e rapidamente.

Dilma Rousseff faz a réplica:

Candidato, o Pronatec tem oito milhões de matrículas realizadas. Oito milhões. Os programas que o senhor se refere são pequenos programas pilotos, não têm escala.

E mais, muitos deles não eram sequer gratuitos. O Pronatec é um programa gratuito para todos os brasileiros que precisam de ter formação técnica.

No que se refere à previsibilidade, eu acredito que a gente de perguntar: para quem a previsibilidade? Para ter a maior, a segunda maior taxa de desemprego e número de desempregados em 2002 em relação ao mundo? Só ganhamos da Índia. Que tinha 41 milhões. Vocês conseguiram ter 11,4 milhões de desempregados em 2002.

Então, previsibilidade para o desemprego?

Aécio Neves faz a tréplica:

Candidata. Tire os olhos do retrovisor, vamos falar para o futuro, vamos falar para quem está em casa até essa hora nos ouvindo, vamos falar de um Brasil que pode crescer muito mais do que está crescendo.

Não é razoável, não é adequado que nós sejamos o lanterna do crescimento ao lado da Venezuela na nossa região. Nós vamos crescer nada esse ano. O reajuste real do salário mínimo de 2016, por exemplo, já está estabelecido, porque é o crescimento do PIB este ano, é nada.

O seu governo, candidata, infelizmente perdeu a capacidade de atrair investimentos, perdeu a confiança dos mercados. Quando eu falo em mercados é porque esses investimentos é que vão gerar empregos para os brasileiros. Os empregos de boa qualidade estão indo embora, candidata.

O seu governo chega ao final, a meu ver, de forma melancólica, a grande verdade é essa, porque fracassou na condução da economia, inflação alta, crescimento baixo, fracassou na melhoria dos nossos indicadores sociais e nós estamos aí com essas denúncias de corrupção que assustam e trazem indignação a todos os brasileiros.

Aécio Neves pergunta:

Eu fico nesse tema, candidata. Corrupção. Todos nós, brasileiros, acordamos a cada dia surpresos com novas denúncias. Em relação à Petrobras, é algo absolutamente inacreditável.

Eu vi um momento apenas de indignação da candidata ao longo de todo esse período em que essas denúncias sucessivas chegaram aos brasileiros. Momento em que houve o vazamento de alguns depoimentos nesses últimos dias.

Não vi a mesma indignação da candidata em relação ao conteúdo desses vazamentos, no momento em que um diretor nomeado pelo seu governo e que está devolvendo R$ 70 milhões aos cofres públicos, portanto, que assume que roubou, que desviou dinheiro da Petrobras, esse diretor que roubou esse dinheiro diz que distribuía para que partidos políticos e, em especial, o seu partido fossem beneficiados.

Quero saber, quais foram os bons serviços prestados por esse diretor segundo atesta o seu ato de exoneração da Petrobras?

Dilma Rousseff responde:

Candidato, a minha indignação em relação a tudo o que acontece, inclusive no caso da Petrobras, é a mesma de todos os brasileiros. A minha determinação, candidato, de punir todos os investigados, que sejam culpados, os corruptos e os corruptores é total.

O que eu considero, candidato, é que fundamental que nós saibamos tudo sobre esse processo da operação lava jato. Considero ainda, candidato, que é fundamental que o país pare de ter impunidade, investiga ou finge investigar e não pune. Nós mudamos essa realidade.

Quero lembrar que duas leis aprovadas no meu governo no ano passado dão base para esse processo de investigação da Petrobras. A primeira, a lei 12830, que garante a independência do delegado. Por quê? Antes, no passado, por exemplo na ‘pasta rosa’, o delegado começava a investigar, mandavam ele para um exílio dourado.

A outra, que regulamentou justamente a delação premiada, a nº.12.850.

Além disso, candidato, eu me pergunto, aonde estão todos os envolvidos com o caso Sivam? Todos soltos. Onde estão todos os envolvidos na compra de votos durante a reeleição? Todos soltos. Onde estão os envolvidos na Pasta Rosa? Todos soltos.

Aonde estão aqueles envolvidos no mensalão tucano, mineiro? Todos soltos. Onde estão os envolvidos nos metrôs e na compra de trens de São Paulo? Todos soltos.

O que eu não quero é isso, candidato, eu quero todos aqueles culpados presos, candidato, é essa a minha indignação e o senhor não enxerga.

Aécio Neves faz a réplica:

Candidata, acho que não sou eu que não enxergo. Na verdade a senhora busca comparar coisas muito diferentes.

Não queira nos igualar. O que acontece na Petrobras é algo extremamente grave, que jamais ocorreu nessa República e a senhora não respondeu a minha pergunta, aqui está na minha frente a ata em que o diretor Paulo Roberto renuncia ao, ao contrário do que a senhora disse na sua propaganda eleitoral e em outros debates, ele não foi demitido, essa é a data Petrobras, e no final é dito o seguinte, agradecemos o senhor Paulo Roberto pelos relevantes serviços prestados a companhia.

Eu quero saber, e os brasileiros querem, quais foram esses relevantes serviços? Foi a sua relação com o tesoureiro do partido, onde segundo ele, dois ou três pereciam para o partido?

É preciso muito mais do que um conjunto de boas intenções. A senhora infelizmente não tem tomado atitude que o Brasil espera nesse caso.

Dilma Rousseff faz a tréplica:

Candidato, eu tenho uma vida toda de absoluto combate a corrupção e de nenhum envolvimento com maus feitos. Candidato, quero dizer ao senhor que quando este diretor foi demitido, o conselho da Petrobras, do qual eu não participava, não sabia dos atos, porque ele foi demitido em abril de 2012, os fatos estão ocorrendo, graças ao meu governo e a minha investigação em 2014.

Agora, candidato, eu gostaria muito que o senhor explicasse aqui para o telespectador por que aquilo tudo que eu elenquei é outra coisa? É outra coisa porque não foi investigado nem punido. Além disso, candidato, seria importante também que o senhor relatasse para o telespectador o que ocorreu em Cláudio, quando o senhor construiu um aeroporto na fazenda de um familiar e entregou a chave para ele.

Dilma Rousseff pergunta:

Vou continuar nessa questão dos aeroportos. Eu gostaria de saber, candidato, como é que o senhor explica ter construído um aeroporto que na época custava R$ 13,9 milhões, e que agora custa R$ 18 milhões a preços de hoje, e que esse aeroporto foi construído num terreno de sua família, num terreno de um tio seu e a chave fica em poder dele, e isso não foi denunciado por mim, foi denunciado pela Folha de S. Paulo.

Também gostaria de saber sobre a pavimentação e a sinalização feita no aeroporto de Montezuma, em que também, coincidentemente, é uma obra do Governo do Estado de Minas, e surpreendentemente quem tem uma agropecuária lá é o senhor e suas irmãs.

Eu não acho, candidato, isso nada moral nem ético.

Aécio Neves responde:

Eu quero responder a candidata Dilma olhando nos seus olhos. A senhora está sendo leviana, candidata, leviana.
O Ministério Público Federal atestou a regularidade dessa obra, eu tenho que agradecer a oportunidade de falar sobre isso. Eu fiz milhares de obras no meu governo, milhares, todas elas atestadas como obras corretas para beneficiar as pessoas.

Essa obra de Cláudio que a senhora existe em repetir de forma leviana na sua propaganda eleitoral, tanto que o TSE a retirou do ar foi uma obra feita em uma obra desapropriada em favor de um tio meu, onde estão mais de 150 indústrias.

O Estado determinou o valor da desapropriação em um milhão de reais. Este senhor de mais de noventa anos de idade reivindica até hoje R$ 9 milhões por esse terreno.

Beneficiada foi a população de Minas Gerais. Se a senhora tivesse alguma familiaridade com Minas Gerais saberia que essa e todas as outras obras, inclusive de pavimentação asfaltica, o Ministério Público Federal disse que a obra é correta.

Diferente das obras do seu governo, candidata. As obras do seu governo estão todas elas questionadas ou grande parte delas.

Recentemente o Tribunal de Contas da união disse que na refinaria Abreu e Lima, quando a senhora era presidente do conselho de administração da Petrobras, não fuja dessa responsabilidade, foi feito sobrepreço para pagar propina, propina para pagar partidos políticos que a apoiam, propinas para seu partido político.

A minha vida pública é uma vida honrada, candidata, eu deixei o governo de Minas com 92% de aprovação, porque nós transformamos o Estado com ética e com eficiência, candidata.

Dilma Rousseff faz a réplica:

Candidato, eu quero dizer que o senhor está extremamente enganado com a decisão do Ministério Público. O Ministério Público disse que não aceitou a ação criminal, mas mandou se investigar a obra do aeroporto de Cláudio no que se refere a impropriedade administrativa. Sabem o que é impropriedade administrativa?

Mau uso dos recursos públicos. Isso é a verdade. É só ver a decisão do Ministério Público que mandou o Ministério Público Federal de Minas Gerais fazer essa investigação. De outro lado, candidato, eu acredito que o senhor também deveria responder, porque hoje no Brasil é proibido o nepotismo. E o nepotismo se caracteriza por emprego de familiares no governo.

E o senhor tem uma irmã, um tio, três primos e três primas no governo. O senhor pode olhar o Governo Federal, o senhor não vai achar um parente meu.

Aécio Neves faz a tréplica:

Candidata, a senhora está com a obrigação agora de dizer aonde a minha irmã trabalha. Não pode, candidata, não pode fazer uma campanha com tantas inverdades, é mentira atrás de mentira, a sua propaganda é só mentira. A senhora mente aos brasileiros para ficar no governo.

Não pode ser esse vale tudo em que a senhora transformou a campanha eleitoral, como a senhora dizia, numa campanha faz se o diabo, não é verdade, eleve o nível do debate.

Os brasileiros estão aqui para saber o que vamos fazer para o nosso futuro, eu terminei o meu mandato sem qualquer denúncia, não respondo nenhum processo, ao contrário do seu governo que virou um mar de lama.

A grande verdade é essa. Eu trago aqui a indignação dos brasileiros e brasileiras com os quais eu encontrem toda a parte do Brasil que me pedem que diga isso. Sabe qual a palavra candidata que eu mais tenho ouvido?

Libertação. Aécio, nos liberte desse governo do PT, nós não merecemos tanta irresponsabilidade, tanto descompromisso com a ética e tanta incompetência.

3º Bloco

Dilma Rousseff pergunta:

Candidato, leviano neste caso, último que nós estávamos discutindo foi o senhor. Queria lhe perguntar agora como o senhor vê a questão da violência contra a mulher. Para mim, é um compromisso fundamental. Acredito que a violência que afeta a mulher atinge os lares, destrói os laços familiares, inclusive prejudica jovens e crianças. Ela deve ser combatida em todas as suas dimensões.

A lei Maria da Penha foi um grande avanço nesse sentido, aprovada no governo do Presidente Lula e reaprovada no meu governo, porque ganhamos no supremo. Se o senhor, se o senhor olhar a questão da violência contra a mulher, o senhor seria capaz de extinguir a secretaria que protege os direitos da mulher dentro do Governo Federal?

O senhor faria o que para garantir que essa luta contra a violência continue?

Aécio Neves responde:

Candidata, ninguém pode se apropriar de uma lei tão importante como essa, fruto de uma profunda discussão no Congresso Nacional, que envolveu gerações de parlamentares.

Eu me lembro quando essa discussão se iniciou, muito antes até do governo do Presidente Lula, foi um avanço extremamente importante, que tem que ser mantido e aprimorado.

Mas nós vemos que avançar no apoio, candidata aos estados e aos municípios que não têm tido a estrutura e a condição necessária ao enfrentamento da violência contra a mulher, seja nos programas disque denúncia, seja nas delegacias próprias que nós temos que avançar.

Em Minas até avançamos razoavelmente. O que eu tenho dito, candidata, independente dessa ou de outra área, é que as políticos públicas para terem resultados, elas não precisam ter a conduzi la um carro preto com chapa verde e amarela e tampouco um conjunto de ideais, tenho absoluta convicção de que nós temos como avançar muito no que diz respeito a proteção a mulher, a oportunidade para as mulheres terem um salário mais justo, mais próximo do que têm os homens, nós estamos extremamente longe disso.

Mas infelizmente na questão da Segurança Pública também o seu governo fracassou porque apenas 13% do conjunto dos investimentos em Segurança Pública no Brasil vem da união, vem do Governo Federal. 87% vem dos estados e dos municípios.

E os próprios fundos, seja fundo penitenciário, fundo de segurança, extremamente importantes para apoiar os estados a fazerem investimentos, até mesmo para ampliar por exemplo as delegacias de proteção à mulher não chegam. Portanto não há planejamento.

Eu fui governador de estado, não sou mais. A impressão, às vezes com algumas das suas perguntas que sou governador, há quatro anos não sou mais. Sou senador. Infelizmente a ausência de planejamento, de transferência dos recursos da área de segurança para os estados vem impedindo que eles avancem nessa e em outras áreas.

Eu tenho uma proposta que proíbe o contingenciamento dos recursos de Segurança Pública que pretendo implementar no meu governo.

Dilma Rousseff faz a réplica:

Candidato, eu estou falando de violência contra a mulher. Nós não nos apropriamos da lei Maria da Penha, pelo contrário, nós incentivamos sua aprovação, participamos juntos com a sociedade e com o movimento de mulheres dessa aprovação. Agora, candidato, nós encaminhamos toda uma política de proteção à mulher, de proteção a mulher vítima de violência.

A Casa da Mulher Brasileira que nós estamos construindo em todos os Estados, unificando todos os órgãos, o Ministério Público, todos os órgãos de proteção, as defensorias, que vai acolher e proteger a mulher vítima de violência, ela é algo que nós realizamos.

Além disso, candidato, no Bolsa Família, no Minha Casa Minha Vida, nós priorizamos as mulheres. No Pronatec, as mulheres hoje são a maioria. E além disso, também em toda a política com as mulheres empreendedoras, as micro e pequenas empresas hoje são sobretudo lideradas por mulheres.

Aécio Neves faz a tréplica:

Candidata, essa é uma questão extremamente importante, vejo avanços ao longo dos últimos anos produzidos a partir inclusive de votações importantes no Congresso Nacional, e vou voltar ao tema inicial, candidata, as boas administrações públicas, elas avançam naquelas experiências que deram certo.

Mas nós estamos muito distantes ainda de fazer com que a proteção a mulher chegue principalmente nas regiões mais distantes do país, falta sim uma ação do Governo Federal no campo da Segurança Pública, e incluso aí também a proteção a mulher. Não houve ao longo de todo esse período do seu governo um esforço maior para que os investimentos da área da Segurança Pública pudessem ser investidos na sua totalidade.

Como não houve na saúde, por exemplo. Tribunal de Contas diz que no seu governo foram R$ 20 bilhões de reais que deixaram de ser gastos, e por falar em saúde, coloquei no meu site agora a aprovação de todas as nossas contas relativas a saúde em Minas Gerais pelo Tribunal de Contas do Estado.

Aécio Neves pergunta:

Candidata, vamos falar de políticas sociais. Falar das questões que interessam de perto a vida das pessoas. Andei por todo o Brasil, como a senhora também andou durante todos esses últimos meses, e não foram poucas as vezes que eu encontrei pessoas dizendo: Mas senador, se o PSDB vencer as eleições é verdade que o senhor vai acabar com os programas sociais?

É claro que não. Eu disse isso inicialmente e quero aqui reafirmar, claro que não vamos acabar, nós vamos aprimorar. É claro que nós não vamos privatizar os bancos públicos, nós vamos sanear, dar transparência.

Em relação ao BNDES, quem sabe não era hora de tirar o carimbo de secreto daquele financiamento que o seu governo deu a Cuba?

Mas volto a uma questão essencial, a senhora não acha que além do Bolsa Família nós não poderíamos ter outras propostas, outras medidas que permitissem aí sim a superação efetiva da pobreza, candidata?

Dilma Rousseff responde:

Candidato, eu acredito que transparência virou sinônimo de redução do papel dos bancos públicos. O senhor me desculpa, mas eu não concordo com isso. Acho que o senhor está querendo é de fato reduzir o papel dos bancos públicos, porque é isso que o senhor dizem todas as circunstâncias.

Queria dizer que é uma leviandade tratar a questão de Cuba dessa forma. Aliás, no governo Fernando Henrique Cardoso fizeram o mesmo financiamento do BNDES, só que para vender ônibus.

Nós fizemos o mesmo financiamento a empresas brasileiras, não foi a Cuba, foram a empresas brasileiras, para gerar empregos aqui, e disputamos esses financiamentos de serviços porque é uma área estratégica no mundo.

Qual é a área? Vender serviços de engenharia na América Latina. Hoje nós estamos na frente, e queremos continuar. Quem não exporta no mundo, candidato, não ganha.

Eu queria dizer que no caso dos programas sociais, que nós temos imenso compromisso, nós não condicionamos nossos programas a outras razões como a medidas anti populares ou impopulares e ajustes fiscais e choque de gestão.

O senhor, me desculpa, mas nós não fizemos um programa Bolsa Família para cinco milhões, fizemos para 50 milhões. No Minha Casa Minha Vida, candidato, nós chegamos a três milhões, 750 mil moradias construídas, é o maior programa habitacional do Brasil até hoje.

Fizemos também, candidato, o Pronatec, são 8 milhões. Se eleita, farei mais 12 milhões. Por quê? Porque fizemos escolas técnicas federais e fizemos convênios com sistema S.

Aécio Neves faz a réplica:

Candidata, não consigo entender essa sua dificuldade em reconhecer o mérito dos outros. O Bolsa Família é um avanço, vai ser continuado no nosso governo, vai ser aprimorado com o programa família brasileira que eu já apresentei, mas se nós fizermos aí um DNA do Bolsa Família, candidata, me desculpe, mas o pai será o presidente Fernando Henrique e a mãe será a dona Ruth Cardozo porque foi ali que nós mudamos a compreensão em relação às necessidades das pessoas.

No programa do seu governo, do governo do seu PT, era o Fome Zero, candidata, vocês aproveitaram adequadamente o início do cadastro único que beneficiava cinco milhões de pessoas e avançaram. Parabéns.

O Presidente Lula tem esse mérito. Mas eu volto aqui ao que disse inicialmente, o BNDES financiou um porto em Cuba, será que essa venda de serviços não poderia ter sido feitas em portos no Brasil, com todos eles ou grande parte deles precisando de investimentos? Por que a senhora não tira o caráter de secreto desse financiamento para Cuba?

Dilma Rousseff faz a tréplica:

Candidato, o senhor está tentando distorcer as minhas palavras. Vou repetir o financiamento não foi a Cuba porque não pode ser feito a Cuba. O financiamento só pode ser feito a empresas brasileiras.

Assim como no governo Fernando Henrique fizeram um financiamento para vender ônibus, nós fizemos um financiamento para vender serviços de engenharia. Agora, candidato, o povo brasileiro jamais vai acreditar nessa história que o pai do Bolsa Família, o senhor me desculpe.

Aí passou de todos os limites, chegamos a fabulação. Nós estamos no perigoso terreno da lenda. É impossível que alguém acredite que um programa do porte e da envergadura do Bolsa Família tenha origem num programa completamente distorcido.

Vocês jamais aplicaram nenhum recurso em grandes programas sociais, candidato. Vocês acabaram, vocês impediram a construção de escolas técnicas federais.

Dilma Rousseff pergunta:

Candidato, vou fazer uma pergunta sobre segurança. O Ministério Público, o conselho do Ministério Público em 2009 disse que minas tinha o terceiro pior índice de solução de inquéritos, 2,9% só dos inquéritos eram resolvidos, e isso é algo muito perigoso, porque é o princípio da impunidade.

Outra constatação é que nos dez anos do governo do senhor e do próximo governador, as taxas de homicídio cresceram 52%. 56% eram jovens de 15 a 29 anos.

Candidato, o senhor sabe que a constituição estipula que é para os municípios, aliás, para os estados a responsabilidade constitucional da segurança. O que senhor acha disso?

Aécio Neves responde:

Senhora candidata, apesar de muita confusa a sua pergunta, eu vou tentar respondê la aqui. A senhora está mais uma vez enganada, ou mentindo. Vou preferir que nesse ponto a senhora está enganada. Durante os meus oito anos de governo, oito anos de governo honrado em Minas Gerais, os crimes de homicídios em Belo Horizonte, a capital do nosso estado, diminuíram em 37%.

Os crimes violentos no estado diminuíram 48%, candidata. O Ministério da Justiça, cheque lá, cheque com o ministro Cardozo, demonstrou que Minas Gerais foi o estado que proporcionalmente mais investiu em Segurança Pública dentre todos os estados da Federação. Mas a coisa vai bem?

Claro que não vai, não vai em Minas, não vai em parte alguma do Brasil. E o Governo Federal? O que diz? Terceiriza responsabilidades. Esta é a marca principal do seu governo. Na economia, o problema é da crise internacional. Não importa se vários vizinhos nossos, países que habitam o mesmo planeta estejam crescendo num ritmo muito mais acelerado do que o nosso.

Na Segurança Pública, é sempre a terceirização de responsabilidades. Eu quero dizer a senhora telespectador que no meu governo eu vou assumir o comando de uma política nacional de Segurança Pública, controlando as nossas fronteiras, fortalecendo as nossas forças armadas, também abandonadas no seu governo, dando também a Polícia Federal a estrutura que ela deixou de ter.

Ela tem o pior orçamento de investimento dos últimos cinco anos. Nós vamos enfrentar numa discussão altiva os países que hoje produzem drogas ou matéria primas de drogas que vem matar gente aqui no Brasil. Nós não temos uma política nacional de segurança.

Vou proibir o contingenciamento, o represamento dos recursos de Segurança Pública para que cada estado possa saber com que contar e planejar os seus investimentos. Este é um ótimo tema, candidata, mas mais um tema em que seu governo fracassou.

Dilma Rousseff faz a réplica:

Confuso é o senhor, candidato, porque os 52% de aumento dos homicídios está no mapa da violência de 2014, que é um documento oficial. O senhor também, governador, ex governador, gosta muito de evitar ser governador, mas o senhor foi.

O senhor tem de responder por isso. Por exemplo, o senhor tem de responder a uma pergunta que a imprensa está fazendo, por que é que não se tem noção de quanto foi investido na propaganda nas redes de emissoras que vocês possuem em Minas Gerais?

Agora, o que eu quero dizer sobre segurança é que nós vamos, sim, mudar a constituição. O Governo Federal, que hoje não tem responsabilidade constitucional, passará a ter, e fará um modelo integrado de segurança, criando centros de comando e controle em todas as cidades dos 27 Estados da Federação, e tornando isso uma proposta de integração com as Forças Armadas, a Polícia Federal, e as polícias estaduais.

Aécio Neves faz a tréplica:

Mais uma vez a impressão que eu tenho é que temos dois candidatos de oposição. Seu partido governou doze anos no Brasil, a senhora está quatro anos no governo. Por que não fez isso?

Por que não assumiu a responsabilidade de por exemplo executar o orçamento da área de Segurança Pública? O fundo nacional de segurança foi executado em menos de 40%.

O fundo penitenciário, muito menos do que isso. Isso é essencial para que os governos do Estado possam planejar os seus investimentos. Fui governador de Minas com enorme orgulho, transformamos o estado, saí de Minas, candidata, com 92% de aprovação. Elegemos o nosso sucessor. Eu vejo essa sua campanha eleitoral que quem conhece Aécio não vota em Aécio, anuncia a senhora que inclusive hoje, a senhora não tem conhecimento muito das coisas de Minas, duas pesquisas divulgadas já mostram que eu estou mais de dez pontos na sua frente.

O mineiro reconhece o que foi feito em Minas Gerais. E a senhora perdeu em Minas, porque as candidaturas de oposição, portanto contra o seu governo, foram amplamente vitoriosas.

Aécio Neves pergunta:

Candidata, vamos mais uma vez dar oportunidade aos brasileiros de conhecerem propostas. Educação. Não há nenhuma fronteira maior do que qualquer partido que queira encontrar um lugar adequado no mundo tenha que ultrapassar.

Eu acho que a senhora concordará comigo. Infelizmente em todos os rankings internacionais, onde é avaliada a qualidade de educação no Brasil, nós estamos na lanterna. Houve um esforço de estados, houve um esforço de municípios ao longo dos últimos anos, mas nós fracassamos.

Nós falhamos por exemplo na melhoria da qualidade do ensino médio. É preciso nós resgatarmos a qualidade da escola brasileira. É preciso que nós possamos fazer uma regionalização, uma flexibilização dos currículos por exemplo do ensino médio.

O que eu pergunto a senhora, candidata, já que não foi feito até aqui, o que pretende fazer para melhorar a qualidade da educação no Brasil para as futuras gerações?

Dilma Rousseff responde:

Candidato, eu acredito que o senhor também não vai querer que eu diga que a responsabilidade do ensino médio é principalmente dos estados, e que neste quesito, nós temos uma situação lamentável.

O que nós temos insistido, candidato, primeiro, fizemos o Pronatec para tratar a questão do ensino médio também como uma questão de formação profissional.

Garantindo o ensino técnico de nível médio, que há um ano e meio, não é 120 meses, candidato, e faz parte integrante do Pronatec. Agora, eu considero que é fundamental reformar os currículos de tanto do ensino fundamental, mas sobretudo do ensino médio.

Por quê? Porque hoje uma pessoa que faz as doze matérias, se for reprovada em uma delas, é obrigada a repetir todas as outras onze matérias, por exemplo. Isso vai levar a uma perda de estímulo, a um nível de evasão. Ademais, doze matérias não é algo que nós possamos considerar adequado para o Ensino Médio.

Nós temos feito, talvez, candidato, o maior esforço, não vou dizer que é o maior, mas vou dizer que são os melhores resultados dos últimos anos em educação. Nós multiplicamos por dois o número de estudantes universitários.

Nós voltamos a criar escolas técnicas e a construir o Pronatec. Nós temos um programa de creches que está construindo, que já construiu e entregou mais de duas mil e que está em construção mais de quatro mil, em parceria com os municípios.

Ao mesmo tempo, nós temos extrema atenção a necessidade de formação cientifica e tecnológica, com o ciências sem fronteiras, levando os nossos estudantes a estudar nas melhores universidades do mundo.

Aécio Neves faz a réplica:

Pois bem, telespectador, telespectadora, a nossa proposta para a educação começa exatamente por cumprir uma promessa que não foi cumprida pela candidata oficial. A construção das seis mil creches, que ficaram pelo caminho. Nós temos que garantir a universalização do acesso das crianças de quatro anos na pré escola.

Estamos infelizmente longe disso. Temos que avançar no ensino fundamental, e eu discordo da senhora, a questão da flexibilização do currículo deve se dar no ensino médio, é essa a discussão, e nós discutimos a meritocracia, algo que seu governo descuidou ao longo dos anos.

Minas Gerais, toda cadeia envolvida nesse processo também, por isso levamos Minas a ter a melhor educação fundamental de todo o Brasil, e o grande desafio, candidata, é enfrentarmos a candidata no ensino médio. É preciso, sim, a flexibilização dos currículos, que lamentavelmente não foi feita nos doze anos de governo do PT.

Dilma Rousseff faz a tréplica:

Candidato, essa questão da flexibilização dos currículos é uma proposta que eu apresentei logo no início da campanha, e quero te dizer que nós vamos cumpri-la.

Agora, é importantíssimo lembrar que essa história das creches está muito mal contada. O senhor então não entende direito dessa questão. Porque quantas criança de quatro a cinco anos estão nas pré escolas? 89%, candidato.

Por isso é que é possível universalizar até 2016, e nós estamos fazendo um esforço imenso para colocar as crianças na escola. Aí sim tem um déficit, só 30% das crianças estão nas creches.

Eu acredito, candidato, que o senhor não sabe que se faz creche em parceria com o município dando dinheiro para os municípios, fazendo a manutenção das creches enquanto eles não recebem o dinheiro do Fundeb, que vocês nunca trataram disso, vocês nunca fizeram creche nem pré-escolas.

4º Bloco

Aécio Neves pergunta:

Candidata, todos os telespectadores e todos os cidadãos brasileiros percebem hoje a baixíssima qualidade dos serviços públicos em todas as áreas, educação, na saúde, na Segurança Pública.

Eu introduzi em Minas Gerais a meritocracia. Nós passamos, candidata, a remunerar melhor aqueles que apresentavam melhores resultados, esta foi a razão pela qual nós tivemos os resultados que tivemos extremamente positivos na educação, outros na saúde.

Infelizmente nenhuma proposta no campo da valorização do servidor que presta serviço de boa qualidade foi incorporado no seu governo, existem experiências exitosas em vários estados da Federação, uma delas no estado do meu amigo, companheiro Eduardo Campos, e em outros estados, inclusive do seu partido.

Por que o Governo Federal ao longo desses doze anos não buscou incorporar absolutamente nada que privilegiasse o serviço de boa qualidade nas suas propostas na área administrativa?

Dilma Rousseff responde:

Candidato. O senhor recentemente teve uma condenação no Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional o senhor ter contratado sem concurso um conjunto de funcionários públicos e determinou que esses funcionários públicos fossem afastados das suas funções.

Ora, esses funcionários públicos, se eu não me engano, em torno de 98 mil, eles são importantes porque prestam serviços na área educacional. Eu quero dizer, candidato, que o senhor não pode usar pesquisas para contrariar resultados da urna. O senhor perdeu as eleições em Minas Gerais e foi muito mal avaliado por ter perdido. O senhor pode fazer qualquer outra sofisma, mas o senhor perdeu, e é um fato inconteste.

Além disso eu queria dizer que é muito importante esclarecer para o telespectador, para a pessoa que até agora está nos assistindo, dona de casa, que de fato nós estamos discutindo muito Minas Gerais porque o senhor teve a sua vida política lá em Minas Gerais. Eu de fato saí de Minas Gerais, mas eu não saí a passeio, viu, senador.

Eu saí porque eu fui perseguida pela Ditadura Militar, que posteriormente me deteve por três anos. Agora, candidato, eu quero dizer para o senhor, que eu acredito fundamentalmente que o Brasil precisa de políticas sociais consistentes, e políticas de serviço público. Por quê? Porque tem um acúmulo de atraso.

Não investiam no Brasil em mobilidade urbana. O meu governo foi o primeiro governo que investiu R$ 143 bilhões. Nove metrôs, vários VLT, 189 corredores de ônibus. É isso que aconteceu, candidato, é um déficit nos serviços públicos brasileiros.

Aécio Neves faz a réplica:

Candidata, voltando a Minas Gerais com muita alegria. A senhora está enganada, todas as eleições que eu disputei em Minas Gerais nos últimos anos eu venci. E venci no primeiro turno o PT.

Venci como governador, na sucessão, e vamos deixar que os mineiros possam decidir o que vai acontecer na eleição presidencial. Isso é apenas um registro em razão da sua propaganda eleitoral.

Essa lei a qual a senhora se refere, provavelmente muito mal informada, chama se lei 100, na verdade ela permitia a proteção de serventes de escolas na sua grande maioria e de pessoas que não tinham a proteção previdenciária. Sabe com quem foi feita essa negociação, candidata? Com o governo do Presidente Lula.

Sabe quem votou a favor dessa lei na Assembléia Legislativa? O seu partido. O PT, um grande negociação que foi feita em favor dessas pessoas que em idade avançada não tinham proteção previdenciária. O supremo toma uma decisão que tem que ser respeitada. Não é possível a senhora trazer um tema desse sem conhecê lo em profundidade.

Dilma Rousseff faz a tréplica:

É porque isso não tem sequer parentesco com a meritocracia, sinto muito, candidato. Vocês não podem falar em meritocracia quando fazem uma ação dessas. Além disso eu queria dizer uma coisa, eu acredito que o Brasil precisa de avançar. E acho que esse avanço é fundamental que seja feito.

Agora, não podemos ficar mudando os fatos. O senhor perdeu na eleição do primeiro turno. Foi isso que aconteceu. Por algo será que o senhor tenha perdido, até acredito que o senhor ficou muito surpreso.

Eu queria voltar a uma questão que eu considero muito importante. As creches.

Eu queria dizer que nenhum dos governos tucanos fizeram creches em número suficiente para as crianças brasileiras. Acho estarrecedor que o senhor venha falar para mim de creches.

Nós fizemos um imenso esforço. Mais de duas mil creches construídas e mais de quatro mil em construção.

Dilma Rousseff pergunta:

Candidato, de uma coisa nós, do meu governo, e dos governos, do governo do Presidente Lula temos muito orgulho. O fato de termos mudado a lógica no Brasil. Que era a lógica do desemprego, a lógica do retrocesso.

Acho que o povo brasileiro tem de ter muito medo porque está em questão se vai ou não vai continuar havendo emprego. Nós, nesse período de crise, em que o mundo desempregou 60 milhões de pessoas, nós empregamos 12 milhões.

Agora, que numa reunião do G20, dizem que as 20 maiores economias têm cem milhões de desempregados, nós criamos no mesmo período, 5 milhões e 600 mil empregos. Essa é uma realidade que ninguém pode dizer que ou está confusa ou não é bem ou assim, ou criar uma lenda. Candidato, o que o senhor fez e fará para criar empregos?

Aécio Neves responde:

Candidata, a senhora volta com o discurso do medo. Realmente há medo hoje na sociedade brasileira. Há medo do PT governar por mais quatro anos. Porque a grande verdade é que os empregos estão indo embora por uma lógica muito simples, país que não cresce não gera empregos, candidata. Os empregos de melhor remuneração nesse país foram embora, porque a indústria participa hoje na constituição do nosso produto interno com menos do que participava há 60 anos atrás quando Juscelino era o Presidente da República.

É o pior desempenho da indústria de todos esses últimos 50 anos, candidata. O que eu vou fazer é resgatar a credibilidade do país, eu vou atrair de novo investimentos que vão ser nossos parceiros na infraestrutura, nas políticas sociais quando for o caso. Nós temos a capacidade, candidata, pelos quadros que nós temos, pela capacidade que já demonstramos no passado, de acenar para um futuro diferente desse que nós aí hoje estamos vendo.

E vamos fazer crescimento garantindo sim o avanço nas políticas sociais. Eu não sei por que lhe incomoda tanto eu dizer aqui que no DNA do Bolsa Família está sim o PSDB.

A história não se muda, candidata, está aqui, a lei que criou o Bolsa Família, a Lei nº 10.836 diz simplesmente o seguinte, o Bolsa Família será criado a partir da unificação do bolsa escola, do vale gás, do bolsa alimentação, e do cadastro único, e vou abrir aspas, candidata, é preciso um pouco de generosidade.

Para o Presidente Lula no dia do lançamento do Bolsa Família. Lembro aqui o governador Marconi Perillo, disse Lula, faço justiça, além de ser o estado que mais tem essa política de renda, do PSDB, foi o companheiro que na primeira reunião de renda que tivemos dos governadores que sugeriu, não sei se foi ele também que sugeriu que fosse colocado na gaveta o programa social chamado fome zero do PT. Portanto generosidade não faz mal a ninguém, candidata.

Dilma Rousseff faz réplica:

De fato, candidato, o presidente Lula é generoso. O senhor está fabulando, inventando uma história. O Bolsa Família não tem nenhum parentesco com os governos sociais dos governos tucanos. Nós de fato temos a nossa taxa de desemprego hoje da história das últimas três décadas.

E, candidato, essa é uma taxa próxima do pleno emprego. Aí o senhor disse que era pleno emprego de dois salários mínimos. Eu quero dizer para o senhor, 70% dos trabalhadores brasileiros ganham dois salários mínimos. Nós queremos avançar nisso. Por isso criamos o Pronatec, que vocês tinham proibido. Além disso, candidato, só quem nunca esteve desempregado ou quem não tem sensibilidade pode achar que uma pessoa sem emprego está melhor que um pessoa com emprego.

Por isso eu acredito no seguinte, eu acredito que esse nível de emprego é fundamental para o país poder avançar.

Aécio Neves faz a tréplica:

Eu não considero também achar que possa alguém considerar que alguém sem emprego está melhor do que alguém com emprego, não sei quem disse isso, candidata. O que eu quero aqui reafirmar é que nós precisamos melhorar sim a qualidade do emprego no Brasil. E não será crescendo zero como nós vamos crescer esse ano que isso vai acontecer.

Lamentavelmente, candidata Dilma, o seu governo perdeu a capacidade de inspirar confiança. O seu governo perdeu a capacidade de fazer com que os investimentos voltem ao Brasil. Sem investimento, candidata, não há emprego. E os mais penalizados serão os mais pobres, os mais penalizados serão inclusive os detentores hoje dos programas de transferência de renda.

O Brasil precisa encerrar essa fase. Vamos tentar entrar numa fase virtuosa, onde nós possamos unir o Brasil, onde nós possamos fazer esforços sim para que o Brasil volte a ser respeitado e isso passa exatamente por atitudes de um governo que venha reconhecer os equívocos que seu governo infelizmente não demonstra capacidade de reconhecer que fracassou.

5º Bloco

Considerações finais de Aécio Neves:

Eu quero já ao final cumprimentar o grupo Band pela iniciativa. Cumprimentar a candidata Dilma Rousseff e me dirigir a você que nos acompanha até essa hora. Nesses últimos dias foram dias de muita emoção para mim e toda a minha família. Há nove dias atrás mais de 30 milhões de brasileiros confiaram na nossa proposta de mudança, acreditaram que nós temos condições sim de reconciliar o Brasil com seu futuro.

Eu sou imensamente grato a cada um, a cada uma desses companheiros. De lá para cá várias forças políticas extremamente importantes se somaram a nós, agradeço a cada uma delas, na figura de dois companheiros aqui presentes, Beto Albuquerque, candidato a vice de Marina Silva e Walter Feldmann, porta voz da rede.

Mas quero agradecer a esse apoio que venho recebendo em todo o Brasil através de duas mulheres, duas brasileiras que honram e orgulham o Brasil. A você, Renata campos, eu quero agradecer a singeleza, a forma extremamente leve e corajosa com que manifestou apoio a nossa candidatura.

E a você, Marina, tenha absoluta certeza de que eu saberei a cada dia dos próximos quatro anos, se vier a ser o Presidente da República, honrar cada um dos compromissos que juntos assumimos. Eu me preparei. Me preparei para dar aos brasileiros um governo honrado, um governo eficiente, que avance na qualidade da saúde pública, que enfrente com coragem o drama da criminalidade, que melhore a nossa qualidade da educação.

Eu não permitirei que esse país seja dividido entre nós e eles. Eu quero fazer o governo da convergência, o governo da solidariedade, da generosidade. É possível sim nós termos um governo que permita que você viva melhor, que dê novas oportunidades para seus filhos, que respeite a obra de outros governos, é para isso que eu me preparei e vou assumir a presidência da República para honrar cada apoio e cada voto que vier a receber.

Considerações finais de Dilma Rousseff:

Agradeço aos organizadores da Band, agradeço ao candidato, agradeço a todos que nos assistiram até agora. Uma campanha, uma eleição, é um momento decisivo para que todos nós reflitamos sobre o futuro do Brasil.

Acredito que você que está agora para decidir, você deve se perguntar algumas coisas. Se perguntar: quem tem mais capacidade e experiência para garantir o que conquistamos e avançar nas mudanças?

Quem tem compromisso verdadeiro com os trabalhadores para manter seus, suas conquistas e seus direitos, mas também para avançar em ganhos e protegê los tanto nos tempos difíceis quanto nos tempos fáceis?

Quem tem apoio político para fazer as reformas que o país exige? Quem tem firmeza para garantir a projeção do Brasil no cenário internacional? Quem tem hoje o compromisso de gerar um novo ciclo de desenvolvimento para um país mais moderno, mais inclusivo, mais produtivo e mais competitivo?

Eu, como todos os brasileiros, quero um tempo novo. Eu, como todos os brasileiros, acredito que o fundamento desse novo tempo é a educação da creche à pós graduação, estimulando a ciência, a tecnologia, a inovação, garantindo melhores empregos, melhores salários.

Quero uma segurança em que todos, Governo Federal, governo estadual, participem. Quero um programa de Mais Especialidades. Quero avançar ainda mais na educação. Peço humildemente o voto de vocês, e vamos continuar levando o Brasil para frente.

Confira o vídeo do debate acessando: http://noticias.band.uol.com.br/eleicoes/2014/100000714037/dilma-e-aecio-fazem-debate-cheio-de-ataques-e-acusacoes.html#foto1

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