Eleições 2014 – Bahia: Feira de Santana perde representatividade na Assembleia Legislativa e apenas dois feirenses são eleitos

Zé Neto e Carlos Geilson disputam espaço político em Feira de Santana e foram reeleitos com mandatos de 2015 a 2018.
Zé Neto e Carlos Geilson disputam espaço político em Feira de Santana e foram reeleitos com mandatos de 2015 a 2018.
Zé Neto e Carlos Geilson disputam espaço político em Feira de Santana e foram reeleitos com mandatos de 2015 a 2018.
Zé Neto e Carlos Geilson disputam espaço político em Feira de Santana e foram reeleitos com mandatos de 2015 a 2018.

O segundo maior colégio eleitoral da Bahia, Feira de Santana, perde força política na representação estadual ao não eleger uma significativa bancada de deputados. Com o resultado da votação de 5 de outubro de 2014 foram reconduzidos apenas dois feirenses natos, José Cerqueira de Santana Neto (Zé Neto, PT) e Carlos Geilson dos Santos Silva (PTN), como representantes do povo feirense na Assembleia Legislativa da Bahia.

Ao se analisar o resultado dos votos para deputado estadual e federal em Feira de Santana, observa-se que Zé Neto (PT) obteve a segunda maior votação no município, com 41.991, o que equivale a 15,31% dos votos destinados aos candidatos a deputado estadual. Também observa-se que Zé Neto obteve a maior votação no município para deputado estadual e que os feirenses contribuíram com cerca de 50% do total de votos necessários à eleição do petista. Zé Neto foi eleito com 88.817 (1,30%) votos, ficando na sétima colocação. Em relação à eleição de 2010, quando obteve 81.223 (1,2%) votos totais, ele ampliou a votação com 7.549 votos a mais. Em relação a Feira de Santana, Zé Neto também cresceu eleitoralmente, saindo de 31.802 (11,75%) votos em 2010, para 41.991, em 2014.

Terceiro mais votado entre os candidatos a deputado federal e estadual em Feira de Santana, e segundo mais votado como candidato a deputado estadual no município, Carlos Geilson (PTN) obteve o total de 47.401 (0,69 %) votos. Observa-se que, em Feira de Santana, ele obteve 35.273 (12,86%) votos, ou seja, 75% dos votos necessários à eleição de Geilson foram concedidos por eleitores de Feira de Santana. Comparado com o resultado de 2010, quando obteve 37.205 (0,55%) votos, sendo que Feira de Santana lhe garantiu a eleição com 32.192 (11,90%) votos, observa-se que Geilson ampliou a votação de 2010 para 2014 em 10.196 votos totais, sendo que em Feira de Santana ampliou em 5.013 votos.

Comparando as votações de Zé Neto e Carlos Geilson, conclui-se que ambos tiveram crescimento eleitoral em Feira de Santana, sendo que Zé Neto consegui superar eleitoralmente Geilson em 2014, invertendo a posição de segundo mais votado em 2010, para o mais votado em 2014.

Os não feirenses

Além de Zé Neto e Carlos Geilson, foram reeleitos, para mandatos de 2015 a 2018, dois políticos radicados em Feira de Santana, José de Arimateia Coriolano de Paiva (PRB), natural de Alexandria (Rio Grande do Norte) e Targino Machado Pedreira Filho (DEM), natural de Salvador, mas com trajetória política vinculada ao município de São Gonçalo dos Campos.

Perda

Neste período legislativo que se encerra no dia 31 de dezembro de 2014, o município de Feira de Santana, conta com cinco deputados estaduais. Além dos nomes citados anteriormente, faz parte da bancada de oposição ao governo Wagner a feirense Maria das Graças Pessoa Pereira Pimenta (Graça Pimenta, PMDB). Ela desistiu da reeleição alegando questões pessoais.

Liderança em cheque

Observando o resultado da eleição para deputado estadual, a liderança política do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (DEM), evidencia-se como um verdadeiro fiasco do ponto de vista da capacidade de construir um grupo político com mandatos vinculados ao alcaide. Todos os quatro deputados eleitos possuem trajetória própria, desvinculada do pseudo cacique feirense.

Os eleitos

O positor

Existem algumas curiosidades a serem rememoradas. Zé Neto é um ferrenho opositor de Ronaldo, e mantém-se como a principal liderança do Partidos dos Trabalhadores no município. Mas, se no auge do poder como líder do governo Wagner na ALBA Zé Neto não conseguiu construir um grupo político, em Feira de Santana, sob a própria liderança, sendo contestado internamente por Angelo Almeida, terá a difícil tarefa de mudar a forma de agir, ou continuará a perder eleições para prefeito.

O fiel

Carlos Geilson mantém uma relação ambígua com o alcaide. Durante o mandato, manteve uma fidelidade “canina” ao magalhismo, mas esta fidelidade não encontrou ressonância antes ou durante a campanha de reeleição, e em vários momentos teve lideranças cooptadas pelo pseudo neo-magalhista-ronaldista Targino Machado.

Em busca de espaço político próprio, Geilson articula, em conjunto com vereadores, a construção de um nome capaz de concorrer no próximo pleito municipal, e não será surpresa se o mesmo se lançar como candidato a prefeito de Feira de Santana pelo PTN.

O pseudo neo-magalhista-ronaldista

Experiente politicamente, Machado não poupou esforços na cooptação de lideranças feirenses com a finalidade de ampliar a votação em Feira de Santana, transformando o município na principal base eleitoral, com a finalidade de que em algum momento consiga pavimentar a chegada ao Paço Municipal Maria Quitéria. Mas, no meio do caminho tinha uma pedra, a pedra foi o próprio Ronaldo, que sabedor do histórico político de Machado, manteve uma relação ambígua, entre o apoio e o distanciamento. Targino retribuiu a ambiguidade com severas críticas ao governo de Ronaldo, principalmente no setor de saúde.

O pastor

Ligado ao protestantismo da Igreja Universal, José de Arimatéia é um destes políticos que mistura facilmente política e religião, durante a campanha usava, antes do nome, a profissão, ‘pastor’, em uma alusão a religiosidade que professa. Mas, o curioso é que o partido do pastor, PRB, “mamou nas testas profanas do poder”, ou seja, fez parte da bancada de apoio ao governo Wagner. Ao iniciar o processo eleitoral de 2014, rompeu com o governo Wagner, negando apoio a Rui Costa (PT), mas mantendo-se no apoio à candidatura presidencial de Dilma Rousseff (PT). Bom, se para ser protestante tem que ser fiel, faltou a mesma prática no campo da política. E se para ser político é necessário ter identidade ideológica e programática, também lhes faltou a visão de política e de Estado.

Dentre os deputados eleitos por Feira de Santana, Arimatéia obteve a menor votação no município, ficando na quarta posição, com 11.695, ou seja, com 4,26% dos votos registrados para deputado estadual em Feira de Santana.

Baixe

Eleições 2014 – Bahia – Resultado final da votação para deputado estadual

Sobre Carlos Augusto 9759 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).