Tony Jarbas, o Menestrel de Deus, inaugura a Casa de Oração São Francisco de Assis

Juarez Duarte Bomfim.
Juarez Duarte Bomfim.

Oficialmente ele é o Engº Agro. PhD. em Ciência do Solo, pesquisador da Embrapa Tony Jarbas Ferreira Cunha. Mas o que Tony é mesmo é irmão, amigo, aparelho mediúnico receptor de belos hinos, caboclo sertanejo e beiradeiro, conterrâneo do poeta hoasqueiro Luiz Galvão e do mito juazeirense João Gilberto… poeta, ator, músico, mágico, palhaço… estar ao lado dele é só festa e alegria. Momentos especiais de cânticos, acordes dissonantes e dança sagrada para papai Oxalá e mamãe Iemanjá.

O doutor em Ciência do Solo, Tony Jarbas Ferreira Cunha, pesquisador da Embrapa, chegou à comunidade do Matutu (MG) para realizar um levantamento do solo local, quando ouviu falar pela primeira vez da bebida de “poder inacreditável” — o Santo Daime — comungada cerimoniosamente pelos moradores daquela vila.

Como ele gostava de experimentar substâncias expansoras da consciência, quis conhecer. Apresentaram o Tony ao líder da comunidade religiosa do lugar, o senhor Guilherme França.

— O que é o Daime? Perguntou Tony.

— É a morte. Você vai morrer… mas num vai desencarnar não. Tu vai é renascer.

Tony Jarbas temeu. Mesmo assim permaneceu interessado.

À noite, o Guilherme enviou um litro de Daime para o doutor Tony Jarbas, que bebeu com mais dois colegas.

Corria o ano de 1994, quando Tony bebeu o Daime pela primeira vez. Dá-se início a graça da sua cura.

Vinho das almas, liana dos espíritos, cipó dos mortos. O Daime é o vinho do êxtase espiritual. E depois que provou do vinho do êxtase espiritual Tony soube que nenhuma outra experiência podia ser igual.

Ele reconheceu que os prazeres que o álcool lhe proporcionava eram transitórios, e lhe traziam infelicidade. Mas a sagrada bem-aventurança da Luz do Daime nunca teria fim.

Na miração Deus fez com que Tony experimentasse um sagrado estado mental, imerso na paz curativa. A alegria divina o elevou em Espírito. Ao sobrevir o profundo êxtase de Deus os seus pensamentos se aquietaram, banidos pelo comando mágico da alma. Ao beber a bem-aventurança Divina, que é o Daime, Tony experimentou uma embriaguez de alegria que nem todo álcool do mundo poderia lhe proporcionar.

A miração é o estado de comunhão com Deus, quando se transcende a consciência mundana e se percebe o seu ser como Espírito, feito à imagem do Divino. A consciência expandida levou Tony Jarbas ao despertar da sua destinação espiritual, e começar a compreender a Missão que lhe era reservada. O Daime lhe levou a viajar por outros planos e dimensões.

Ao entrar na vida corporal, por disposição Divina o Espírito perde, momentaneamente, a lembrança de suas existências anteriores e o compromisso espiritual assumido perante Deus. É como se um véu os ocultasse, para que o homem passe pelas provas terrestres — assim como o Nosso Senhor Jesus Cristo foi destinado a passar. Deus em Sua sabedoria quis assim.

Porém, na Santa Luz do Daime Tony compreendeu que a memória divina é eterna. E a memória divina residia nele como Uma parte do Todo que se individualiza através do Espírito. Ao retirar o véu que encobre a Verdade Tony ligou-se firmemente ao seu aspecto eterno, a sua essência — que é Deus. E assim começou o seu retorno à casa do Pai.

Humildemente Tony relata:

— Naquele dia eu vi que Deus existia, pois eu não acreditava em Deus nem na vida após a morte. Vi os seres divinos se apresentarem para mim. Chorei copiosamente.

Quando voltou à casa do pai — pai em matéria — lhe declarou:

— Meu pai, Deus existe e é meu Amigo!

Feliz, o seu pai perguntou:

— Qual o santo que lhe fez acreditar nele?

— O Santo Daime!

— Não conheço este santo, mas que bom que ele O revelou!

Assim, com as bênçãos paternas, Tony Jarbas começou a cumprir a sua destinação espiritual.

Quando foi residir no Rio de Janeiro, fazendo doutorado pela URFRJ/USP, passou a frequentar a igreja daimista Céu do Mar, na qual se fardou, e ali realizou um estudo fino por mais de dez anos.

Conta Tony Jarbas:

— Certa vez o padrinho Paulo Roberto me apareceu num sonho e me chamou para viajar com ele, para conhecer o mestre dele. Me levou para um lugar em Minas Gerais (Viçosa) e aí entramos num galpão. Ele me apresentou a um velho de longas barbas como seu padrinho. Conversamos. Saímos do local e era noite de linda lua cheia. Comecei a receber a estrofe de um hino e o padrinho outra estrofe, eu recebia uma estrofe e ele outra. Perguntei se aquilo era hino mesmo e ele me disse: “se quando você acordar se lembrar da letra é um hino”. Quando acordei a casa estava girando e o hino desceu completo.

Lua Branca

Cristalina

Lua Branca

Oh! lua tão linda

Lua Branca

Cristalina

Lua Branca

Oh! lua menina

Lua Branca

Eu te reparo

Lua Branca

Eu te consagro

Aqui na terra

Onde estou

Lua Branca

Enchei-me de amor.

(Hino 09 – Lua Branca, Hinário Louvores e Agradecimentos)

Porém, Tony tinha um sonho, uma quimera. Caboclo sertanejo, beiradeiro das barrancas do Velho Chico, desejava retornar à sua terra natal, Juazeiro da Bahia, e ali firmar a sua Missão Espiritual.

Conversou com o dirigente da Igreja Céu do Mar, Paulo Roberto Souza e Silva, pedindo sua orientação, apoio e benção.

Eu disse ao Padrinho Paulo

Que queria o Santo Daime

Na terra onde nasci, para curar

Ele me perguntou:

— Filho meu tu tens coragem, de segurar esta missão?

(Hino 56 – Casa de Oração, Hinário Louvores e Agradecimentos)

Do Padrinho Paulo Roberto seu afilhado dileto recebeu sessenta litros de Daime e muitas instruções:

Disse ainda que era preciso

Ser guerreiro e se humilhar

e ter amor no coração, para lutar

Contra os maus fasejos

E as forças negativas que vem da escuridão.

(Hino 56 – Casa de Oração)

Tony retornou à Bahia com a sua companheira, Maira Magaly Alves Costa Cunha — a Amada Lila — em 2004, e nesta oportunidade tive a felicidade de conhecer este lindo casal, de passagem por Salvador da Bahia.

Foram reunindo um povo, um grupo de amigos, e realizavam os trabalhos de Daime na confortável residência do casal, às margens do Rio São Francisco.

De certa maneira contribuí modestamente para firmar esta irmandade, pois aqui em Salvador, onde Brilham as Águas da Bahia, conheci a advogada Monalisa Cardoso, residente em Petrolina (Pernambuco), e a aproximei do Tony e da Lila.

A Gioconda começou a cruzar a ponte que divide Pernambuco e Bahia para ir tomar Daime lá no Juazeiro, junto com seu marido Alexandre Rubens. Daí surgiu uma grande amizade entre os casais, e estes dois guerreiros se alistaram na Casa de Oração São Francisco de Assis, que nascia.

Comecei quase sozinho

encontrei outros irmãos

E bem devagarinho

(Se) fez a Casa de Oração.

(Hino 56 – Casa de Oração)

Quem é Tony Jarbas?

Oficialmente ele é o Engº Agro PhD. em Ciência do Solo, pesquisador da Embrapa Tony Jarbas Ferreira Cunha. Mas o que Tony é mesmo é irmão, amigo, aparelho mediúnico receptor de belos hinos, caboclo sertanejo e beiradeiro, conterrâneo do poeta hoasqueiro Luiz Galvão e do mito juazeirense João Gilberto… poeta, ator, músico, mágico, palhaço… estar ao lado dele é só festa e alegria. Momentos especiais de cânticos, acordes dissonantes e dança sagrada para papai Oxalá e mamãe Iemanjá.

Mas… ainda paira a pergunta… quem é Tony Jarbas?

No seu hinário Tony se revela:

Eu sou todo amor

Eu sou todo amor

Do meu Senhor

Quem seguir na minha linha

Está com o Mestre Ensinador.

Eu sou todo luz

Eu sou todo luz

Do meu Jesus

Com ele no coração

Eu busco a minha perfeição.

Eu sou todo amigo

Eu sou todo amigo

Eu sou um bom irmão

Aquele que seguir comigo

Nunca vai ficar na mão.

Eu sou de papai

E tenho mamãe

No meu coração

Sou a luz que ilumina

As trevas e a escuridão.

(Hino 46 – Todo Amigo, Hinário Louvores e Agradecimentos)

Agora, neste ano da graça de 2014, ano do seu cinquentenário (19.09.1964), Tony Jarbas realiza o seu sonho e, junto com a irmandade, constrói e entrega à humanidade um novo ponto de luz, a confortável e bela sede de serviços da Casa de Oração São Francisco de Assis, em Juazeiro da Bahia.

Voou

Da floresta encantada meu beija flor

Pousou

Nesta terra semiárida e ficou

Firmou

O amor do meu São João

E do meu Mestre Ensinador.

Realizou, o sonho que eu sonhei

Realizou

A plantinha que plantei desabrochou

Cresceu

Em cada flor uma estrela

Um guerreiro do amor

Realizou o sonho que eu sonhei

Realizou

A plantinha que plantei desabrochou

Cresceu

Em cada flor uma estrela

Uma guerreira do amor.

Tony nos convida para a festa de inauguração. Vamos?!

Tô dentro, papai!

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Sobre Juarez Duarte Bomfim 747 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: juarezbomfim@uol.com.br.