Os “jegues” invadem o centro de Feira de Santana

Antônio Alberto de Oliveira Peixoto.
Antônio Alberto de Oliveira Peixoto.

Seria deveras sarcástico dizer que os jegues se adunaram do centro de Feira de Santana, tamanha a quantidade de equídeos – jegues – pastando nas ruas e canteiros das praças da Cidade Princesa mas, infelizmente, é a triste realidade que, estimulada pelo descaso que assola a cidade, jegues e outros bichos estão passeando, passo a passo, e desfrutando do caos em que foi transformado o trânsito e as diversas praças e artérias, invadidas pelas “gôndolas” distribuídas nos espaços públicos que, também foram privatizados.

De repente, como se estivessem a observar alguma vitrine ou os diversos buracos existentes, não só nas calçadas mais nas vias, param sempre aos pares e lançam o seu olhar crítico, com certeza comentando entre si: estes caras são uns verdadeiros jumentos. Onde já se viu tamanha desorganização, um descaso “horrorível”.

E lá se vão eles, em formação de Cosme e Damião, certamenteao encontro dos bois, vacas, burros e congêneres que costumam pastar nos canteiros centrais da conturbada Avenida Getúlio Vargas, atualmente, para piorar, em meio aos cavaletes dos parceiros que fazem campanha para o pleito eleitoral que se aproxima.

Deixando os “jegues” de Feira de Santana em seu lugar, deve-se entender que o sarcasmo pode ter duas funções: criticar uma situação inusitada de forma irônica, ou às vezes de forma mais dura até considerada insultuosa. Em certos casos o sarcasmo pode ser considerado um mecanismo de defesa, neste caso em defesa da sociedade que não suporta mais os desmandos dos gestores municipais e a falta de punição seja no trânsito, na feira livre que invadiu o centro da cidade, na insegurança entre tantos problemas cotidianos que a cidade tem apresentado.

Infelizmente para uns e felizmente para outros, ainda falta um tempinho para que se possa dizer a frase de Oscar Wilde: “Alguns causam felicidade onde quer que vão. Outros, sempre que se vão.”

Alberto Peixoto
Sobre Alberto Peixoto 488 Artigos
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.