Operação Lava Jato: contadora divulga aúdio em que advogado do deputado Luiz Argôlo oferece dinheiro por silêncio

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Meire Poza afirmou que o pagamento para a empresa cearense somava mais de R$ 980 mil e que o problema era a falta de provas de que a empresa havia prestado o serviço para o qual foi contratada.
Meire Poza afirmou que o pagamento para a empresa cearense somava mais de R$ 980 mil e que o problema era a falta de provas de que a empresa havia prestado o serviço para o qual foi contratada.
Meire Poza afirmou que o pagamento para a empresa cearense somava mais de R$ 980 mil e que o problema era a falta de provas de que a empresa havia prestado o serviço para o qual foi contratada.
Meire Poza afirmou que o pagamento para a empresa cearense somava mais de R$ 980 mil e que o problema era a falta de provas de que a empresa havia prestado o serviço para o qual foi contratada.

A contadora Meire Bonfim da Silva Poza inverteu ontem (03/09/2014) a acusação do deputado federal Luiz Argôlo (SD-BA) de que ela havia pedido dinheiro para não denunciar o envolvimento do parlamentar com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato. Com um gravador na mão, ela apresentou áudio em que o advogado de Argôlo, Aluisio Lundgren, faz proposta financeira em troca do silêncio dela.

Meire Poza fez a apresentação do conteúdo da gravação no Salão Verde da Câmara dos Deputados, um dia depois que Luiz Argôlo, em depoimento à Comissão de Ética da Casa, disse que a contadora pediu dinheiro para não incriminá-lo. Para defender-se da denúncia, ela mostrou a jornalistas trechos de uma conversa de mais de quatro horas com o advogado, que teria ocorrido em um jantar em julho deste ano.

“Em todo o momento do jantar, eu disse que não queria dinheiro. Eu não sou ré da ação da Operação Lava Jato e não tive prejuízos. Disse que não queria extorquir ninguém e que queria só resolver o problema [de repasse de dinheiro] em relação ao Grande Moinho Cearense”, disse a contadora, citando a empresa que também está sendo investigada pela PF.

Meire Poza afirmou que o pagamento para a empresa cearense somava mais de R$ 980 mil e que o problema era a falta de provas de que a empresa havia prestado o serviço para o qual foi contratada. “A nota quem emitiu fui eu [para a empresa] e a solução foi fazer relatórios como se os serviços tivessem sido prestados e não foram”, afirmou.

A gravação, segundo ela, não foi entregue à Polícia Federal porque ela não considerou “necessário” na época. Perguntada sobre o motivo de não ter denunciado Youssef antes, a contadora admitiu que não teve coragem e que só se sentiu segura quando soube da operação conduzida pela Polícia Federal. “Os quase quatro anos que passei prestando serviços para GFD [empresa do doleiro] só eu sei exatamente o que passei, as coisas que ouvi e não tive coragem”, alegou.

O relator do processo contra Argôlo no Conselho de Ética, deputado Marcos Rogério (PDT-RO), disse que não pode considerar nada do que foi dito pela contadora hoje. “As novas provas não podem ser consideradas no processo, porque já está em fase de instrução”, disse. Marcos Rogério ainda explicou que um parlamentar ou partido teria que pedir aditamento para apresentação de novas provas ou a abertura de um novo processo.

A Agência Brasil tentou falar com o advogado Aluísio Lundgren antes da publicação da matéria, mas o telefone celular dele estava desligado. O gabinete do deputado informou que Argôlo está em viagem ao interior da Bahia e não estava acessível por telefone.

*Com informações da Agência Brasil.

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