Fenômeno eleitoral se avizinha: Marina Silva

Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima.
Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima.

Um fato novo despertou o interesse do eleitorado e, quiçá, a esperança dos brasileiros: Marina Silva acena com a Nova Política, isto é, nova forma de fazer política.

Com a trágica morte de Eduardo Campos, candidato do PSB à presidência da República, um novo e surpreendente fato surgiu no cenário político nacional: o fator Marina Silva. Lembremos que a candidata foi fenômeno eleitoral nas eleições de 2010, com aproximadamente vinte milhões de votos, representando um partido nanico e pouquíssimo tempo de exposição na propaganda eleitoral gratuita.

Talvez como uma predestinação, esta ilustre acreana, após o rude golpe sofrido há cerca de um ano atrás, por ter o seu partido, a Rede Sustentabilidade, impugnado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é, agora, alçada novamente a condição de candidata à presidência, pelas circunstâncias, e já lidera a corrida eleitoral de 2014.

Fenômenos assim são passíveis de acontecer apenas na singular democracia brasileira, e inconcebíveis nas estáveis democracias europeias, por exemplo. Isto porque as democracias representativas dos séculos XX e XXI são sustentadas por um sistema político partidário, e a relação do líder político com o eleitor intermediada pelo partido. Mas este não é o caso brasileiro.

A democracia representativa brasileira se sustenta num frágil e artificial sistema político partidário. São dezenas de legendas de ocasião, ou legendas de aluguel, sem real representação na sociedade brasileira, legalizadas pelo estrito cumprimento das exigências normativas do TSE, regulamentadas pelo fiel atendimento às exigências burocráticas do sistema eleitoral, e só. Após esta autorização de funcionamento, passam a servir para as “tenebrosas transações” do qual nos fala o cancioneiro popular.

Esta situação leva a que o líder político em ascensão se dirija diretamente às massas, tenha uma relação direta com o povo. A Sociologia Politica denominou este fenômeno de “populismo” ou “política populista brasileira”. Lembremos que Marina Silva nem partido político tem.

Pergunta: surpreende este fato político que se avizinha? De votação expressiva da candidata Marina?

Para entendermos isto, é preciso entender a imagem que a atividade política e a classe política gozam no nosso país.

A imagem que atualmente a atividade política e a classe política têm entre o senso comum não é das melhores, para não dizer que às vezes chega a ser a pior possível. Mesmo entre estudantes universitários, encontra-se uma certa aversão à política e aos políticos.

Percebo isso logo ao início de cada semestre escolar quando, em aulas introdutórias, busco sensibilizar resistentes alunos para a importância da política. Noto que não importa que eu utilize aqueles argumentos clichês que o professor “guarda” dentro da manga, tipo: “o problema de quem não gosta de política é ser governado por quem gosta”…; ou coisas como: “falo de Política com P maiúsculo”… Sempre tenho a sensação de que os estudantes “não estão comendo nada”… como se diz em correto baianês.

Esse desencanto para com a política e os políticos levaram as massas urbanas a grandes manifestações de rua no ano passado, um fenômeno ainda não compreendido pelas Ciências Sociais.

Como consequência da imagem negativa que o homem comum cultiva da política vem a apatia do cidadão em épocas eleitorais. Apatia tentada extrair-se a fórceps pela massificação midiática da propaganda eleitoral e da participação compulsória através do voto obrigatório.

Porém, um fato novo despertou o interesse do eleitorado e, quiçá, a esperança dos brasileiros: Marina Silva acena com a Nova Política, isto é, nova forma de fazer política.

Num país onde semanalmente pululam graves denúncias de corrupção envolvendo homens públicos, a candidata à presidência da República do Brasil Marina Silva é percebida como uma reserva moral da nação, luz no fim do túnel. Isto pode pesar bastante já no primeiro turno e, principalmente no segundo turno das eleições — se houver segundo turno.

Charge política – Fonte:

http://araripinaemfoco.blogspot.com.br/2014/01/charge-do-dia_15.html

Sobre Juarez Duarte Bomfim 741 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]