Salvador | Preservação da Pedra de Xangô conserva tradições do candomblé

Componentes da mesa de trabalho do Seminário Pedra de Xangô.
Componentes da mesa de trabalho do Seminário Pedra de Xangô.
Componentes da mesa de trabalho do Seminário Pedra de Xangô.
Componentes da mesa de trabalho do Seminário Pedra de Xangô.
Seminário Pedra de Xangô reuniu comunidade para debate.
Seminário Pedra de Xangô reuniu comunidade para debate.

Autoridades, estudiosos, profissionais e seguidores do candomblé reuniram-se na quarta-feira (06/08/2014), no Espaço Cultural da Barroquinha, para expressar a relevância da Pedra de Xangô para as religiões de matriz africana, bem como da necessidade da sua preservação para a manutenção das tradições e dos rituais dos terreiros que atuam na região de Cajazeiras e em Salvador.

“Eu só quero dizer aqui que existe um compromisso real de fortalecimento das nossas relações de africanidade”, afirmou a vice-prefeita de Salvador, Célia Sacramento, ao mencionar a importância da realização do seminário “Pedra de Xangô – Território Sagrado” e das ações de reivindicações dos direitos da população negra de Salvador.

No evento, foi destacada a importância da preservação do meio ambiente como condição para a manutenção do candomblé, visto que é uma religião baseada nos aspectos da natureza. Neste sentido, o crescimento desordenado da cidade, com a crescente diminuição e abandono das áreas verdes, rios, lagoas e orla marítima representam uma ameaça à sociedade em geral e às tradições da comunidade negra.

Segundo o professor de Arquitetura da UFBA, Fábio Velame, aos poucos os terreiros de candomblé vão sendo destituídos de vegetação ao redor e são construídos em locais marcados por construções de concreto. Dessa forma, os espaços públicos de preservação ambiental tornam-se também locais sagrados. Assim, “faz-se necessário pensar a legislação não somente em relação ao direito ambiental, mas também aos direitos étnico-culturais”, pontuou.

Para a especialista em Gestão Pública e representante da Associação Pássaro das Águas Jassilene Nascimento, a preservação da Pedra de Xangô e do seu entorno já é responsabilidade dos terreiros e deve ser extrapolada para as esferas do poder público “Nós da religião do candomblé exigimos o direito da preservação estatizada”. Ela se referia ao tombamento do monumento como patrimônio cultural de Salvador.

Já  o coordenador-geral da Irmandade Beneficentes de Ojés, Ogans e Tatás (Siobá), Walter Rui Pinheiro, destacou a dificuldade em dialogar com a administração pública sobre a importância do monumento para a comunidade do candomblé. “Quem não conhece a religião não entende a importância da pedra para nós”, explicou. Para ele, o tombamento do local é um exemplo do reconhecimento da contribuição dos negros para a cidade.

“Santuários Perdidos” foi o tema da fala do economista, escritor, dramaturgo e educador Everaldo Duarte, que mostrou de forma poética a importância de diversos locais da cidade, como o Dique do Tororó, a Av. Bonocô, a Lagoa do Abaeté, a encruzilhada do Retiro, a cachoeira de São Bartolomeu, a Pedra do Buraco do Tatu e a Pedra de Xangô para o povo de santo, e como as intervenções de infraestrutura têm alterado gradativamente os rituais sagrados.

O presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro, destacou a necessidade de conscientizar as pessoas sobre a relevância do local. “O município já conta com a lei do Patrimônio Cultural (lei nº 8550/2014). Torna-se necessário, portanto, divulgar a importância da Pedra de Xangô e buscar o engajamento da população para que esta seja uma reivindicação de toda cidade”, afirmou Guerreiro.

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