Em Feira de Santana, mais três vítimas da ditadura fazem relato de dor e prisão

Comissão Estadual da Verdade em Feira de Santana.
Comissão Estadual da Verdade em Feira de Santana.

Mais três vítimas da ditadura militar prestaram depoimento na manhã de ontem (06/08/2014) ao Grupo de Trabalho da Comissão Estadual da Verdade em Feira de Santana, no Centro Paroquial de Santana – Antônio Carlos Daltro Coelho, Moacir Cerqueira e Jaime Cunha – perfazendo um total de 22 pessoas já ouvidas no município.

Na sessão, que contou com a presença do coordenador do GT em Feira, Sinval Galeão, a professora Amabília Almeida, representando a Comissão Estadual da Verdade – Bahia, ressaltou que os depoimentos servirão de base para o relatório que será entregue à Comissão Nacional da Verdade, “para lembrar a todos a memória de uma época que não queremos que jamais aconteça”.

“COMUNISTA SÓ ASSINA” 

“Comunista não precisa ler nada, comunista só precisa assinar”, disse o major Hélvio a Antonio Carlos Daltro Coelho, que acabara de ser interrogado e pediu para ler o texto do depoimento prestado no 35º Batalhão de Infantaria, em Feira de Santana. Coelho era, em 1964, estudante e oficial de gabinete do então prefeito Chico Pinto.

Filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), Antonio Coelho tomou pancadas e ainda teve que passar por um “corredor polonês” de soldados. Ficou preso em Salvador durante 45 dias.

Contou ainda o caso do primeiro suplente de vereador, Humberto Mascarenhas, impedido pela VI Região Militar, em 1974, de tomar posse no lugar do vereador Roque Aras, eleito deputado estadual.

INSEGURANÇA CONSTANTE 

Em depoimento, o advogado Jaime Almeida da Cunha, que militou na Ação Popular (AP) e no movimento Política Operária (Polop), contou muito emocionado sua experiência: “Vivíamos um medo constante, um clima de insegurança em todo lugar onde a gente ia”.

Tinha 20 anos de idade e era procurado como “o terrorista que aliciava menores”. Ficou preso quase uma semana no 35º Batalhão de Infantaria. Depois, viveu na clandestinidade alguns anos até que a advogada Ronilda Noblat conseguiu obter a prescrição das duas penas a que havia sido condenado, num total de quase três anos.

Prestou depoimento ainda o comerciante Moacir Cerqueira, militante político e fundador do MDB de Feira de Santana em 1966. Não foi preso, mas sofreu muitas restrições no comércio e até na Maçonaria, “que no princípio apoiou o golpe militar”.

Redação do Jornal Grande Bahia
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