Eleições 2014: morte de Eduardo Campos muda corrida eleitoral, dizem analistas políticos

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Marina Silva e Eduardo Campos. Apesar de Marina ser mais conhecida a nível nacional, não há certeza de que votos de Campos irão para ela.
Marina Silva e Eduardo Campos. Apesar de Marina ser mais conhecida a nível nacional, não há certeza de que votos de Campos irão para ela.
Marina Silva e Eduardo Campos. Apesar de Marina ser mais conhecida a nível nacional, não há certeza de que votos de Campos irão para ela.
Marina Silva e Eduardo Campos. Apesar de Marina ser mais conhecida a nível nacional, não há certeza de que votos de Campos irão para ela.
Marina Silva veio do PT e tem trajetória de oposição histórica ao PSDB, de Aécio Neves.
Marina Silva veio do PT e tem trajetória de oposição histórica ao PSDB, de Aécio Neves.
Eduardo Campos ao lado de familiares.
Eduardo Campos ao lado de familiares.

Perto do início da campanha na TV, PSB tem que correr para definir substituto. Escolha provável é Marina, que já chegou a ficar à frente de Aécio nas pesquisas. Ela, porém, teria que conquistar eleitores do pernambucano.

A trágica morte do candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, torna o resultado das eleições ainda mais indefinido. Segundo especialistas, a ex-senadora e candidata a vice-presidente na chapa do partido, Marina Silva, deve ser escolhida para assumir o comando da campanha.

“Não há outra pessoa na coligação que possa substituí-lo, não dá para inventar alguém agora”, diz o professor de ética e filosofia política da Universidade de São Paulo Renato Janine Ribeiro.

A opção pela candidatura de Marina tem potencial para alterar a corrida eleitoral. Para os analistas políticos, a ex-senadora é um nome mais forte que o do ex-governador de Pernambuco e pode até disputar um possível segundo turno com a candidata à reeleição Dilma Rousseff.

Dez dias para apontar candidato

Em outubro de 2013, uma pesquisa do Ibope apontou que Marina teria 21% das intenções de voto, à frente de Aécio Neves, do PSDB, com 13%. Dilma liderava com 39%. Já Campos aparecia atrás do candidato tucano.

“Nas ultimas eleições, em 2010, Marina teve cerca de 20 milhões de votos. Campos tinha uma liderança mais regional, principalmente em Pernambuco. Fora do estado ele não era tão conhecido”, afirma o cientista político Pedro Fassoni da PUC-SP.

Segundo a lei eleitoral, o PSB tem até dez dias para escolher um novo candidato. “É facultado ao partido político ou à coligação substituir candidato que tiver seu registro indeferido, inclusive por inelegibilidade, cancelado ou cassado, ou, ainda, que renunciar ou falecer após o termo final do prazo do registro”, diz a resolução do Tribunal Superior Eleitoral.

A decisão, entretanto, deve ser tomada ainda antes do prazo de dez dias, aposta o cientista político da Unicamp Valeriano Costa: “Estamos a uma semana da campanha eleitoral na televisão, que é o principal elemento de divulgação no Brasil. A Marina não tinha propaganda gravada, por isso, eles têm pouco tempo para correr atrás do atraso.”

Ele afirma ainda que a opção por Marina não será fácil. Antes de se unir a Campos, a ex-senadora tentou lançar a sua própria candidatura à Presidência pela Rede, projeto de partido que não obteve o registro a tempo.

“Ela é candidata pelo PSB, mas está montando uma nova legenda e vai claramente jogar a favor da Rede. Além disso, ela tem uma relação complicada com os quadros partidários do PSB. Diferentemente da que mantinha com Campos, mais equilibrada e tranquila. Sem ele, Marina vai ter que enfrentar diretamente os quadros do partido”, acredita Costa.

Vazio na liderança do partido

Outra dificuldade que será enfrentada, segundo especialistas, é o vazio que a morte do ex-governador de Pernambuco deixará na liderança política do PSB. “Isso vai desencadear uma disputa interna no partido, porque Campos tinha um projeto hegemônico, que outros grupos vão tentar substituir”, diz Antonio Carlos Mazzeo, cientista político da Unesp e da PUC-SP.

Segundo especialistas, morte do ex-governador de Pernambuco deixará vazio na liderança do PSB.

Apesar de Marina Silva ser mais conhecida a nível nacional, não há certeza de que os votos de Campos migrariam para ela. “O ex-governador de Pernambuco construiu toda uma base empresarial, mas os empresários não gostam da Marina”, afirma Renato Janine Ribeiro, da USP.

Já Valeriano Costa lembra que o eleitorado de Campos está muito concentrado em Pernambuco e pode não transferir o voto para Marina. “A ex-senadora não é muito famosa no Nordeste. Então esses eleitores podem voltar a votar no PT, como faziam antes”, argumenta.

Mesmo sem herdar os votos de Campos, o potencial eleitoral de Marina é maior, o que aumenta a probabilidade de um segundo turno com Dilma. Segundo os especialistas, Marina deve atrair os indecisos, que buscariam uma mudança no cenário político.

Para Fassoni, é possível também que a ex-senadora roube votos dos candidatos do PT e do PSDB. “Alguns eleitores que pretendiam votar na Dilma podem votar na Marina. E é um sinal vermelho para o Aécio, que pode perder a vaga que tinha quase garantida no segundo turno”, diz o especialista da PUC-SP.

Costa concorda que Marina pode prejudicar o desempenho dos outros candidatos, ainda que considere este cenário mais improvável. “É preciso ver se ela vai conseguir reconstruir a sua imagem, que ficou desgastada com a tentativa fracassada de lançar a Rede nestas eleições”, diz o cientista político.

Já Mazzeo acredita que Marina só tem o potencial de conquistar os votos de Aécio, mas não de Dilma. “Para a atual presidente, muda pouco”, afirma.

Alianças em xeque no segundo turno

A entrada de Marina também pode afetar as alianças em caso de um segundo turno entre Dilma e Aécio. Segundo os especialistas, Campos e o PSB tendiam a apoiar o candidato do PSDB, unindo forças contra a candidata do PT.

Com Marina, afirmam, essa possibilidade é remota. “Ela veio do PT e tem uma trajetória de oposição histórica ao PSDB. A ex-senadora vem forçando uma separação clara entre PSB e PSDB desde que entrou para a chapa”, defende Costa.

Para alguns especialistas, a trágica morte de Campos poderá ser usada com fins eleitorais. “Será feito um apelo emocional na campanha. Isso é ruim, mas é inevitável”, assegura Mazzeo.

Outros acreditam que a figura de Campos não tinha a relevância política necessária para uma estratégia desse tipo. “Não vai haver uma grande comoção nacional, como ocorreu com a morte do Tancredo Neves. Campos não estava tão cotado nas eleições e não era tão conhecido. Então vai ser difícil explorar isso para fins eleitorais”, aponta Fassoni.

*Com informações do Deutsche Welle.

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