Operação Lava Jato: ex-contadora afirma que deputado federal Luiz Argôlo recebeu mais de R$ 1 milhão de Alberto Youssef

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João Luiz Correia Argôlo dos Santos (Luiz Argôlo).
João Luiz Correia Argôlo dos Santos (Luiz Argôlo).
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados ouve a ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava Jato, da Polícia Federal, Meire Bonfim da Silva Poza.
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados ouve a ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava Jato, da Polícia Federal, Meire Bonfim da Silva Poza.
João Luiz Correia Argôlo dos Santos (Luiz Argôlo) é apontado como membro da organização de Alberto Youssef.
João Luiz Correia Argôlo dos Santos (Luiz Argôlo) é apontado como membro da organização de Alberto Youssef.

Em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, Meire Bonfim da Silva Poza, ex-contadora de Alberto Youssef, disse ontem (13/08/2014) que, em uma das viagens a Brasília, o doleiro ficou hospedado no apartamento do deputado André Vargas (sem partido-PR), que também é investigado pelo colegiado. Convidada ontem (13/08/2014) para prestar depoimento sobre o processo que investiga a relação de Youssef com o deputado Luiz Argôlo (SD-BA), ela ainda afirmou que o parlamentar recebeu mais de R$ 1 milhão do doleiro. “Eu sei que passaram outros valores, mas não pela minha empresa”, explicou.

Meire, que é dona de uma empresa de contabilidade, trabalhou por quatro anos para Youssef, prestando serviços contáveis ao doleiro. Segundo ela, o dinheiro era entregue em papel, mas algumas transferências bancárias foram feitas para um parente do parlamentar. “Para Manuelito Argôlo, foram R$ 60 mil”, acrescentou.

Durante o depoimento à Polícia Federal, a contadora explicou que citou outros parlamentares que também receberam dinheiro do doleiro, mas no depoimento de hoje preferiu se limitar ao caso Argôlo.

Partidos de oposição já convidaram Meire Poza para falar na CPMI da Petrobras e sinalizou interesse em falar para o colegiado misto, mas preferiu deixar as conclusões para os parlamentares. “Pelas investigações talvez vocês possam ter respostas bem melhores”, disse, e confirmou que, nas gravações obtidas pela polícia, as siglas “LA” representam Luiz Argôlo e “Primo” é Alberto Youssef.

Meire Poza ainda afirmou que não conhece pessoalmente o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e que apenas soube que ele esteve na sede da empresa GFD, de Youssef, pelas reportagens publicadas pela imprensa. “Nunca o vi lá e nem sabia que tinha relação com Alberto”, disse.

João Procópio, segundo ela, era funcionário da GFD e tinha uma relação antiga com Youssef. “É cunhado de um presidente do conselho da Camargo Corrêa e foi a pedido dele que Alberto o empregou. Foi sem função definida. E nunca entendi realmente qual era a função dele ali”, explicou.

Meire garantiu que, diretamente, ninguém tinha envolvimento com a destinação do dinheiro dos negócios do doleiro. “Alberto tinha esse núcleo só dele. As pessoas que estavam ali não participavam diretamente. Poderiam ajudar”, acrescentou. A contadora ainda reafirmou que Alberto declarava sua “grande facilidade em entrar em prefeituras do PT” e tinha ótima relação com o PP. “Era onde ele tinha as melhores relações”, afirmou.

Ao ser perguntada sobre o que a motivou a depor, Meire Poza explicou que tentou deixar os negócios com Youssef por três vezes. Segundo ela, no primeiro pedido, ela explicou que estranhava alguns negócios mas foi convencida a ficar. Na segunda e terceira tentativas, “eles receberam mal o pedido para sair e acabei continuando”.

“Tenho família e filhos. Vi muitas coisas entre 17 março [data de deflagração da Operação Lava Jato] e 23 de julho, que foi a data  em que fui à sede da Polícia Federal. Vi muitas coisas que me deixaram estarrecidas. A PF me ofereceu proteção. Esses últimos dias tem sido muito difíceis”, afirmou, acrescentando que não tem medo.

*Com informações da Agência Brasil.

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