Gilma e Gilmara Reis: Eu amo minhas raízes e tradições

Juarez Duarte Bomfim.
Juarez Duarte Bomfim.

Por Gilma Reis e Gilmara Reis

Cultura é o sistema de ideias vivas que cada época possui. Melhor: o sistema de ideias das quais o tempo vive (José Ortega y Gasset)

A cultura é alma do seu povo, um povo sem cultura é um povo sem memória. “Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro”.  Infelizmente, a cada dia que se passa vemos o quanto nos distanciamos das nossas raízes culturais e nos aproximamos da cultura do descartável e do vazio.  “É prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas, do modo mais simples”.   Mas eu afirmo: sou do tempo em que se acendia fogueira e a família ficava rodeada, assava milho, via casamento na roça, bandeirolas aos céus, bolo de milho feito em uma forma de lata de óleo com brasas em cima, ouvia as músicas de Luiz Gonzaga, Dominguinhos e companheiros e escutar as histórias da minha a vó Joaninha sobre o Sertão. “A música oferece à alma uma verdadeira cultura íntima e deve fazer parte da educação do povo”. François Guizot

Quantas saudades eu tenho de ouvir as músicas que falavam a respeito da nossa gente, de suas lidas do dia a dia e de seus costumes mais profundos. Mas, em nome do lucro e das vantagens que a maioria quer levar. Investe-se em grupos e bandas que nada têm a nos oferecer a não ser falar de pornografia “calcinhas, bunda…” que vão contra os valores da família.  É como diz Louis Bonald: A cultura forma sábios; a educação, homens.

 Mas eu digo e repito: sou da geração do “Olha pro céu, me amor/ Vê como ele tá lindo”! De uma música que forma consciência, alegra os corações, reúne pessoas e evoca a memória de suas raízes. Os festejos juninos é uma das tradições mais belas de nossa cultura, a mesma foi trazida pelos portugueses e se transformou numa festa comunitária interiorana, afinal de contas, todas as pessoas que vivem nas grandes cidades, têm o prazer de visitar o interior durante essa época para visitar os parentes e rever os amigos e é claro tomar aquele licor, comer canjica, milho verde e dançar o tradicional forró. É uma beleza isso!

Chegada das festas Juninas a nossa terra

Na época da colonização do Brasil, após o ano de 1500, os portugueses introduziram em nosso país muitas características da cultura européia, como as festas juninas. Mas o surgimento dessas festas foi no período pré-gregoriano, como uma festa pagã em comemoração à grande fertilidade da terra, às boas colheitas. Essas comemorações também aconteciam no dia 24 de junho, para nós, dia de São João. Recebeu-se então, o nome de Joaninas em homenagem a João Batista, primo de Jesus, tornando-se uma comemoração da igreja católica onde como centro havia três santos: no dia 13 a festa é para Santo Antônio, dia 24 para São João e no dia 29 para São Pedro. Aos poucos, as festas juninas foram sendo difundidas em todo o território do Brasil, mas foi no nordeste que se enraizou, tornando-se forte na nossa cultura.

Para celebrar as nossas raízes sertânicas não podemos esquecer da beleza das cores e formas que compõem a nossa cultura.  Para Araújo:

As manifestações das tradições culturais do sertão/Sertões. Como já anunciei, se configuram como formas expressivas de celebração da vida em que estes povos compartilham suas crenças e valores, seus sentires e cosmovisões, suas dores e prazeres, suas angustia e satisfações. As agruras da sina dura, as labutas travadas nos desafios afiados de suas sagas agridoces. (2013)

Para nós do interior é uma satisfação vivenciar as brincadeiras do nosso povo nas festas sertanejas como quadrilhas, arraias, forró… nos sentimos felizes e realizados por celebrar quem somos.

Para Cafucio, a cultura está acima da diferença da condição social no entanto, de algumas décadas para cá vimos uma onda de tentativa de anulação da dessas magnifica tradição, aparecerão alguns oportunista “empresários” que nada tem de compromisso com a sociedade e a cultura, mas, apenas de ganhar dinheiro fácil e difundir a destruição dos valores mais nobres, tentam desprezar e extinguir as nossas mais ricas tradicionalmente falando.

É como afirma Eduardo Galeno, Vivemos em plena cultura da aparência: o contrato de casamento importa mais que o amor, o funeral mais que o morto, as roupas mais do que o corpo e a missa mais do que Deus. Também podemos afirmar que as dançarinas nuas nos palcos são mais importantes do que a nossa gente dançando. Investe-se em grupo e bandas que descaracterizam a nossa tradição e raízes. Mas, volto afirmar que um povo sem raízes culturais, é um povo sem memoria e sem alma, o mesmo fica a merecer da violência psicologia, e das doenças psíquicas.

O Nordeste é uma das regiões que mais valoriza os festejos as juninos, também é nessa mesma região,a onde acontecem vários concursos  que elegem as quadrilhas mais alegres e bonitas do Brasil.“A cidade de Campina Grande, na Paraíba, é onde acontece o maior festejo do país. Com uma área de quarenta e dois mil metros quadrados, podemos encontrar o “Parque do Povo”, onde acontecem exposições artesanais, a queima da fogueira gigante, a cidade cenográfica com réplica de uma igreja, há um espaço para a apresentação das quadrilhas, a casa do milho e a corrida de jegue”.

Por isso, nós devemos apoiar a idéia da Deputada Eloíza Maia, não devemos aceitar que o poder público gaste o nosso dinheiro com banda e grupos musicais fúteis e banais, que só incentivam o consumo de drogas, a pornografia e a violência.  Acreditamos que quando se investe em cultura, eliminamos muitos problemas da nossa sociedade, sobretudo dessa sociedade que gira em torno de uma cultura do lucro sem limites, da riqueza sem trabalho, do prazer sem compromisso. Descartando a pessoa humana, sobre tudo os mais idosos. O filosofo Aristóteles já dizia: A cultura é o melhor conforto para a velhice.

            Nós cidadãos devemos participar mais das gestões públicas, dando a nossa opinião e fazendo parte das decisões. Afinal o “nome já esta dizendo Público” e tudo que é publico, é nosso e de todos! Nesse sentido, queremos ser consultados na hora de fazer as escolhas das atividades e manifestações culturais, temos o direito de dizer se queremos ou não tal grupo.  Muitas vezes nos enfiam goela abaixo aquilo que não queremos e nem escolhemos.  Muitos ficam insatisfeitos, falando nas esquinas e no anonimato. Isso, nada muda! Participe, cobre, emita sua opinião, valorize o seu imposto, valorize sua cultura, suas raízes! Diga não a desnaturalização da nossa historia cultural.

Quem tem imaginação, mas não tem cultura, possui asas, mas não tem pés (Joseph Joubert)

 Fontes:

http://www.mensagenscomamor.com/datas-especiais/festa_junina.htm

http://pensador.uol.com.br/frases_que_falam_sobre_cultura/

ARAÚJO, Miguel Almir Lima de. Sertania: sabenças de uma saga agridoce. Feira de Santana: UEFS Editora, 2013.

 

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Sobre Juarez Duarte Bomfim 742 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]