Audiência Pública sobre Transporte Coletivo de Feira de Santana evidencia incompetência da gestão municipal

Na manhã desta sexta-feira (18/07/2014) representantes públicos e comunidade feirense participaram de audiência, solicitada pelo Ministério Público, para fazer um diagnóstico da situação do transporte coletivo em Feira de Santana. As críticas apontam para a incompetência da gestão pública municipal ao não proporcionar à população um serviço com qualidade. Observando que o prefeito José Ronaldo de Carvalho está há uma década no poder e que os usuários pagam uma das tarifas mais caras do país.

MP

Segundo o promotor público Sávio Damasceno, responsável por presidir a Audiência Pública, o evento tem como objetivo colher provas para que o ministério público possa saber um prognóstico das deficiências, de forma mais pontual. “Sabemos das deficiências, mas para que as melhorias possam ser mais efetivas, é necessário ouvir a população e elaborar um planejamento revisando horários, linhas e quantidades de veículos”.

Críticas

Dezenas de usuários do transporte público usaram o microfone para fazer suas queixas e denúncias quanto a má prestação do serviço. As reclamações partem de questões elementares como as condições de higiene e segurança dos veículos, até a quantidade de ônibus disponíveis e seus horários.

A usuária Solange Guerra resumiu o sentimento da população feirense. “É preciso elaborar o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Plano de Mobilidade para rever o sistema, pois como está não temos direito a cidade! São horários não cumpridos, frota sucateada e ônibus em quantidades reduzidas”.

Zé Neto avaliou a audiência como fundamental para saber onde está o problema. “Estas audiências públicas possibilitam a compreensão real da situação do transporte coletivo e suas problemáticas. Parabéns ao Ministério Público que trouxe para o foco este debate importante para os interesses da cidade”.

Segundo Zé Neto, a solução para este problema histórico de Feira de Santana é a integração dos modais. “Infelizmente o que vivemos há décadas, independente de quem seja o prefeito da cidade, é um transporte coletivo comandado por interesses que não são os da sociedade. É preciso mudar o sistema como um todo, ou veremos o BRT – que é noticiado como um avanço – integrar esta lógica errada. É preciso maturidade para levar a mesma mesa, representantes das vans, mototaxis, taxistas e transporte coletivo, para que possam combinar as ações, neste conjunto que faz a cidade se movimentar”, finalizou.

Defesa

De acordo com secretário de Transportes e Trânsito, Ebenezer Tuy, mostrou que a SMTT vem fazendo desde o ano passado, a fiscalização das condições dos veículos, bem como a apreensão e a retirada do sistema daqueles que estavam com mais de dez anos de uso – a lei municipal limita há uma década a vida útil, e a apreensão de mais de 70 ônibus, mais a renovação da idade da frota local.

Na oportunidade o Vereador Edvaldo Lima, destacou que um dos seus projetos que está na Câmara Municipal para ser votado, tem como finalidade acaba com o monopólio do sistema de Transporte Público na cidade. O principal objetivo do projeto é realizar uma nova licitação para que Feira de Santana deixe de operar apenas com uma empresa de ônibus, e passe a ter cinco novas empresas.  Dessa forma acabando de vez com os transtornos sofrido pela população feirense.

Depois de ouvir as inúmeras reclamações sobre as péssimas condições do transporte e o atraso na circulação dos ônibus, o promotor Sávio Damasceno, destacou que a partir de agora, com as informações colhidas na audiência pública, será necessário fazer uma revisão no quadro de horários das empresas e nas linhas, além de levantar a quantidade de ônibus contratados pelo poder público e empresas concessionárias.

Presenças

Fizeram parte da mesa o promotor de justiça, Sávio Damasceno; promotora Márcia Moraes; secretário de transportes do município Ebenezer Tai; secretário de desenvolvimento urbano, José Pinheiro; vereador Edvaldo Lima; vereador Alberto Nery, representando o Sindicato dos Rodoviários de Feira de Santana e Ronaldo Mendes, representando o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano – SINCOL.

Audiência Pública sobre transporte público de Feira de Santana evidência crise no setor.
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Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).