Carta aberta à população – Exposição de motivos pra desistência de candidatura | Por Carlos Gaban

Carlos Gaban: "Mesmo orgulhoso de ser deputado pela Bahia, confesso começar a ter vergonha de admitir um certo desencanto. ...Jamais desanimarei da virtude ou admitirei qualquer postura que insinue e ameace mergulhar a minha honra, história de vida e de parlamentar, num “mar de lama e corrupção” que atualmente envolve a classe política.".
Carlos Gaban: "Mesmo orgulhoso de ser deputado pela Bahia, confesso começar a ter vergonha de admitir um certo desencanto. ...Jamais desanimarei da virtude ou admitirei qualquer postura que insinue e ameace mergulhar a minha honra, história de vida e de parlamentar, num “mar de lama e corrupção” que atualmente envolve a classe política.".
Carlos Gaban: Mesmo orgulhoso de ser deputado pela Bahia, confesso começar a ter vergonha de admitir um certo desencanto. ...Jamais desanimarei da virtude ou admitirei qualquer postura que insinue e ameace mergulhar a minha honra, história de vida e de parlamentar, num “mar de lama e corrupção” que atualmente envolve a classe política.".
Carlos Gaban: “Mesmo orgulhoso de ser deputado pela Bahia, confesso começar a ter vergonha de admitir um certo desencanto. …Jamais desanimarei da virtude ou admitirei qualquer postura que insinue e ameace mergulhar a minha honra, história de vida e de parlamentar, num “mar de lama e corrupção” que atualmente envolve a classe política.”.

Caros (as) amigos (as),

Tomei a iniciativa de escrever esta carta, respaldado por uma sólida história de vida pública construída ao longo de 21 anos de trabalho árduo e muito sério, dedicados integralmente ao Estado da Bahia.

Em 1993, quando resolvi abraçar a política por convite, incentivo e apoio pessoal de Antônio Carlos Magalhães, trazia fortemente arraigados em minha formação pessoal e profissional, princípios éticos e morais que serviram de colunas mestras e robusta sustentação aos meus ideais, compromissos, atos e atitudes durante estas duas últimas décadas, e que, cada vez mais, vejo crescerem e fortalecerem com o passar do tempo e da idade.

Portanto, com muita honra e orgulho, trago na minha consciência limpa de cidadão e conduta de homem público, a sensatez e a coerência política de ter-me filiado e permanecido no mesmo partido até os dias atuais, por absoluto respeito e fidelidade a estes princípios, incluindo-se a sensação do dever cumprido e a, então, valorização dos serviços prestados.

Com grande tristeza e profunda decepção diante das minhas limitações, sinto-me pequeno diante do volume e das forças crescentes da impunidade e corrupção em nosso Estado, que insistem avançar livres e desenfreadas, numa absurda e inconcebível inversão de valores.

Assistir, completamente a contragosto e de privilegiado “camarote” outorgado pelo povo, as incontáveis denúncias feitas e não devidamente apuradas, ou ainda, o próprio Estado não cumprir nenhuma ação transitada em julgado pelo foro competente, onde nada, absolutamente nada, acontece, é de uma impotência inquietante e inominável revolta. Para dar o devido lastro a estas indignações e pessoal frustração, cito aqui um ilustre baiano, jurista, diplomata, escritor e político, Rui Barbosa que, certa ocasião, assim se expressou: “A força do direito deve superar o direito da força”.

Editais escancaradamente direcionados ao favorecimento de determinadas empresas, em contraponto com as múltiplas denúncias que cumprem rigorosamente o papel de apontar estas fraudes, associados, infelizmente, à execrável inoperância complacente das leis ou à suspeita de subserviente conivência contratada, – por também não apurar devidamente estes fatos – fazem da impunidade resultante um poderoso instrumento fomentador de novos e viciados contratos superfaturados. Em 2014, ano eleitoral, algumas empresas multiplicaram em até oito vezes a média dos últimos anos em volume de contratos com o Governo e, mesmo com preços escorchantes e vergonhosamente superfaturados, nem assim, foram obstaculadas ou sequer inqueridas pelos tribunais de direito.

Por outro lado, a despudorada forma que os Partidos são cooptados com o objetivo de se obter maior tempo nos programas eleitorais de rádio e TV, nos leva a acreditar que o TRE faz de conta que não sabe, ou que não enxerga estas evidências. Nesta insana busca pelo poder, não é difícil inferir que a lealdade de um parlamentar a seu grupo politico, passa a um plano absurdamente secundário.

Se fizermos agora um rápido cálculo: para se eleger um Deputado Estadual é necessário aproximadamente R$ 2.600.000,00 (Dois milhões e seiscentos mil reais). O salário mensal de um deputado é de R$ 20.042,00 (Vinte mil e quarenta e dois reais). Ao final de quatro anos de mandato, considerando a soma total acumulada de salários e décimo terceiro, obteríamos um valor da ordem de R$ 1.042,184,00 (hum milhão, quarenta e dois mil, cento e oitenta e quatro reais). Como então conseguir se eleger com recursos próprios? Esta conta, simplesmente não fecha…

Para concluir esta carta, permito-me, mais uma vez, parafrasear o polímata Rui Barbosa, utilizando trecho de seu célebre discurso no Senado Brasileiro, em 1914 (há 100 anos, portanto), que adiciona extrema legitimidade ao conteúdo desta exposição de motivos:

De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

Mesmo compreendendo o lato sentido destas sábias palavras, eu não tenho, sob nenhuma hipótese, tanto por índole, quanto por formação, vergonha de ser honesto. Mesmo orgulhoso de ser deputado pela Bahia, confesso começar a ter vergonha de admitir um certo desencanto. Nunca admitiria ver o meu nome descabidamente vinculado a qualquer mínima possibilidade que se possa permitir “prosperar a desonra ou crescimento da injustiça”. Jamais desanimarei da virtude ou admitirei qualquer postura que insinue e ameace mergulhar a minha honra, história de vida e de parlamentar, num “mar de lama e corrupção” que atualmente envolve a classe política.

Ainda que parcialmente desencantado, continuarei exercendo dignamente este meu último mandato até o fim desta legislatura, com muito afinco, altivez, compromisso, responsabilidade e, sobretudo, independência, trabalhando pela vitória de Paulo Souto, por acreditar ser ele o único candidato ao Governo do Estado, a reunir reais e lídimas condições para a reconquista da esperança perdida, sob a favorável e viva forma de resgate do merecido e verdadeiro conceito da classe política baiana.

DEPUTADO GABAN 

Salvador, 17 de junho de 2014.

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Biografia de Carlos Ricardo Gaban

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