Feira de Santana e seu IPTU exagerado e desumano

Antônio Alberto de Oliveira Peixoto.
Antônio Alberto de Oliveira Peixoto.

Infelizmente Feira de Santana cresceu desordenada, virando uma metrópole sem infraestrutura e com um Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, igual à linha do equador: todos sabem que existe, mas ninguém vê. A confirmação deste fato é a desorganização generalizada no trânsito e no espaço público das artérias do centro da cidade, que foi privatizada pelos feirantes e camelôs, impossibilitando o acesso dos clientes aos diversos estabelecimentos comerciais.

O cidadão feirense além de ter que enfrentar todos os dias os imbróglios impostos por uma gestão municipal caótica, foi “premiado” por mais um de proporções alarmantes: o aumento exagerado e desumano do IPTU, sob a alegação de que o referido imposto está defasado há treze anos.

É até admissível que haja esta defasagem, mas isto não justifica aumentos absurdos de até 1.500% de uma só vez, provocando um verdadeiro “tsunami” no bolso da maioria da população, que reclama indignada. Esta reclamação generalizada advém dos diversos segmentos comerciais e sociais.

“A culpa deste aumento abusivo é do prefeito e de seus gestores que parecem não possuir experiência em economia pública, e que vem impossibilitar resultados desejados para o empresariado feirense. O que se produz atualmente, mal dá para pagar a folha e os custos operacionais, principalmente os impostos sempre exagerados” – desabafa Célio Cerqueira Nery, comerciante instalado na Rua Marechal Deodoro.

Muitas pessoas simplesmente se preocupam em quanto o imposto vai sobrecarregar o seu orçamento, seus custos, mas não atentam para onde vai ou deveria ir e como são gastos os valores pagos pelo contribuinte. É óbvio que “deveriam” retornar ao cidadão, na reparação de serviços e de melhorias estruturais, ou seja: reformas no trânsito, rede de esgoto, escolas municipais, saúde, apoio a cultura, pavimentação de ruas, entre outros segmentos de igual relevância.

Centro de Feira de Santana: “Outlet” urbano.
Centro de Feira de Santana: “Outlet” urbano.

“O IPTU cai em uma conta única e se soma ao conjunto de recursos com os quais a Prefeitura financia todas as suas atividades, e não apenas aquelas de interesse do proprietário do imóvel”, explica o professor da UnB – Universidade Nacional de Brasília – Roberto Piscitelli.

Notadamente em Feira de Santana este retorno não acontece como deveria. É evidente que os Gestores Públicos não podem cogitar em solucionar todos os problemas do município, com o aumento do IPTU sem antes se preocupar com a população.

A pavimentação de grande parte das vias públicas é deficiente, esburacadas, empoçando água quando chove; os projetos destinados à melhoria do trânsito que se ouve dizer, se existem, não sai da prancheta; fala-se na criação de um “Shopping a Céu Aberto”, mas para quê, se as calçadas do centro da cidade já foram transformadas em um “Outlet” urbano?

Vamos aguardar pronunciamento do Ministério Público sobre os fatos narrados.

Sobre Alberto Peixoto 488 Artigos
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: reyapeixoto@yahoo.com.br. Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.