Em entrevista à revista Época, governador Jaques Wagner descarta o “volta Lula” e diz que greve da PM é uma violência contra a sociedade

Governador Jaques Wagner em entrevista a revista Época.
Governador Jaques Wagner em entrevista a revista Época.
Governador Jaques Wagner em entrevista a revista Época.
Governador Jaques Wagner em entrevista a revista Época.

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), em entrevista concedida à revista Época, publicada em 9 de maio de 2014, responde sobre temas polêmicos, a exemplo das eleições de 2014 e as greves da Polícia Militar da Bahia.

Confira trechos da entrevista

Sobre as eleições de 2014

Jaques Wagner – Os candidatos do PT e dos partidos aliados preferem disputar eleição no cenário mais confortável possível. De todos os políticos brasileiros, o ex-presidente Lula é o que tem o melhor desempenho nas pesquisas eleitorais. Se tem um cara com 50% e outro com 30%, tor­na-se natural o surgimento de uma marcha a favor de quem aparece à frente. O estilo de governar também entra nessa avaliação. Lula é mais afeito à confraria e ao diálogo que a presidente Dilma. É outro ponto que deixa os aliados mais confortáveis ao lado dele.

A queda na avaliação positiva da presidenta Dilma é uma fotografia do momento. As pesquisas na Bahia mostram que 91% dos entrevistados ainda não decidiram seus candidatos. Repare: isso quer dizer que a taxa de volatilidade beira a totalidade do eleitorado.

Em 2010, quando a presidenta Dilma foi escolhida para disputar o Planalto, também havia esse temor entre os petistas e os aliados. As pessoas lembravam que ela não tinha sido testada no voto. Falavam que ela não tinha tarimba política. Muitos disseram que não daria. No final, deu.

Revela que o PT sempre será um partido de grande diversidade. Também temos de admitir que o contexto atual é adverso. Depois dos protestos do ano passado, o povo está mais rigoroso no julgamento da classe política. Todos os políticos foram rebaixados. Quem era avaliado como excelente passou a ser visto como bom, e daí para baixo. Quem está no exercício do mandato perdeu crédito. A sociedade despertou para seu poder. Desconfia e cobra mais dos políticos. Talvez Lula seja a exceção. Ele é uma referência no imaginário popular. Por isso, muitos pedem sua volta. O “Volta, Lula” é natural, mas não é bom para a política. O Brasil é uma democracia grande demais para ficar refém de um único nome. Esse movimento é ruim para Lula. Ele saiu do governo com 80% de aprovação. Não tem sentido pegar esse patrimônio e botar em teste, a não ser numa situação de absoluta desarrumação, e não é o caso. Definitivamente, a página do “Volta, Lula” foi virada.

Sobre as greves da PM/BA

Jaques Wagner – Temos uma escalada de violência no país inteiro. A curva é linear. Subiu no meu governo tanto quanto no anterior. No ano passado, pela primeira vez em duas décadas, houve uma inflexão na curva de crescimento dos homicídios dolosos. Tivemos uma queda de 7,8%. Hoje, temos uma estrutura de segurança mais profissional. Temos prêmio por desempenho policial, contratamos 14 mil homens, a frota da PM foi renovada e os policiais tiveram um aumento salarial de 60% acima da inflação.

Porque a gente precisa melhorar mais. Há uma série de vícios na administração, e também existem erros de relacionamento. É uma questão que depende de regulamentação nacional. Defendo que a Polícia Militar, como linha auxiliar das Forças Armadas, não tem direito de abandonar a população a sua própria sorte. Portanto, não existe a figura da greve na PM. Não adianta falar que houve greve pacífica. A greve da polícia não pode ser pacífica, porque entrega o Estado aos bandidos.

Confira a entrevista

Jaques Wagner: “A página do ‘Volta, Lula’ foi virada”

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