A MPB na onda do lepo lepo.

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Antônio Alberto de Oliveira Peixoto.
Antônio Alberto de Oliveira Peixoto.

Houve uma época em que a MPB – Música Popular Brasileira – era realmente popular e se fazia presente em todas as paradas de sucesso. Como dizem os mais jovens, estava bombando. Nesta mesma época surgiu o movimento tropicália, em meados da década de 60, capitaneados por Caetano Veloso e Gilberto Gil. Invadiram o Brasil, principalmente nos ambientes universitários, transformando o modo de ser dos jovens e passando a ser um estilo de vida.

Este tipo de música possuía um estilo ambíguo que associava a brasilidade em suas letras, aos problemas políticos da época, causando entusiasmo e desconfiança. Eram musicas e letras compostas para os que possuíam, ao menos, uma cultura razoável. Sempre havia nestas canções uma dose de crítica ao atual sistema, mixado com romantismo. Não se pode deixar de citar as canções de Chico Buarque, que teve algumas delas censuradas pelo DCDP – Divisão de Censura de Diversões Públicas do Governo Militar e não menos censuradas as canções de “resistência” de Geraldo Vandré e Taiguara – Pra não dizer que não falei das flores.

Hoje vivemos a era do Lepo Lepo, Reboletion, Vou não, quero não, Toda Enfiada, Relaxe na Bica entre outras “desgraças” do mesmo nível, que não podem ser censuradas (?) e são as mais tocadas nas emissoras de rádio e as mais vendidas, talvez por ser o Brasil um país com pouco investimento em educação e cultura ostentando um índice alarmante de analfabetos e maior ainda: de analfabetos funcionais – aquele que escreve, lê, mas não entendem o que leram. Dá pena ver a MPB que um dia já representou o Brasil até no exterior, através de nomes como: Milton Nascimento, Betânia, Caetano e Gil, cair de vez no esquecimento, no descaso; Sucumbiu à futilidade.

Deus é brasileiro: Forró Três encantos. Timbaúba, Cecé e Paulinho Jequié
Deus é brasileiro: Forró Três encantos.
Timbaúba, Cecé e Paulinho Jequié

Graças a Deus – e aí é que se prova que Ele é mesmo brasileiro – nós, nordestinos, ainda temos o forró para servir de inspiração e de bálsamos para nossos ouvidos. “O velho Luiz” se foi, mas ainda temos nomes como: Flávio José, Targino Gondim, Timbaúba, Cecé, Adelmário Coelho, Paulinho Jequié, entre tantos outros “monstros” deste segmento verdadeiramente musical.

O Lepo lepo, com certeza, é o “Túmulo da MPB”; é uma apologia ao mau gosto; um sinal de que, a cada dia que passa, o brasileiro se afunda ainda mais na falta de cultura. O senso crítico foi para o espaço, a MPB tomou no “pissirico” e os que ainda possuem uma réstia de bom gosto também.

Sobre Alberto Peixoto 488 Artigos
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.