Juventude e projeto de vida, por Gilma Almeida dos Reis

Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)

JUVENTUDE E PROJETO DE VIDA

Gilma Almeida dos Reis[1]

Resumo

O presente estudo investiga a construção do projeto pessoal na vida dos jovens e a participação da família e da escola nesse processo. As principais questões que busquei analisar neste trabalho, se referem à existência do projeto de vida e da existência ou não do projeto pessoal no público juvenil de classe baixa e a sua concepção sobre a participação da família e da escola na sua construção. O presente artigo, em seu conjunto, procura discutir um tema que é pouco considerado em pesquisa e estudos acadêmicos.

Palavras-chave: Juventude; família; escola; projeto de vida.

Abstract

The present study investigates the construction of the project staff in the lives of young people and participation of family and school in this process. The main questions that sought to analyze in this work, refer to the existence of life plan and whether or not the project staff in lower-class youngsters and their design on the participation of family and school in its construction. This article in its entirety, discusses a topic that is rarely considered in research and scholarship.

Keywords: youth; family;school; life project.

 

  1. 1.      Introdução

A sociedade atual, o mundo moderno caracteriza-se por grandes mudanças, quer seja no campo da economia, quer seja na cultura ou ainda na política todos esses elementos têm grandes repercussões bastante significativas, atingindo a pessoa humana em sua totalidade. Nesse contexto, os jovens são os mais atingidos e vulneráveis, pois se encontram em fase de desenvolvimento e que por sua vez vem fazendo descobertas.

Os jovens contemporâneos vivenciam um processo de alienação na nova sociedade apresentada como a sociedade do espetáculo, do lúdico, do efêmero e do irreal. Esse fenômeno, tem se espalhado por toda parte do mundo, contagiando a todos, afinal jovens são motivados pela busca do prazer e da aventura. Contudo, ao problematizar a ação trazida neste contexto é a investigação relacionada ao jovem  na construção e  a clareza do seu projeto de vida. Para Bourdieu (1983), isso só vem confirmar o que foi dito anteriormente: o referencial normatiza dor dos jovens é, realmente, o consumo.

A fase da juventude é uma das mais importantes por que é nesse período, que acontece a grande explosão da vida, pois, saímos da infância e da dependência dos nossos pais para ir à busca da autonomia, ou seja, não necessitamos mais dos mesmos para trocar a nossa roupa, pentear nosso cabelo, isso já podemos fazer sozinhos. É claro que vamos continuar precisando da presença deles para orientar melhor o nosso caminho.

No entanto, é no início da fase da jovem que devemos traçar bem nosso projeto de vida, saber o que queremos e a onde se pretende chegar. E isso é fundamental, pois a ausência de um projeto de vida pode levar à perda da própria historia, correndo o risco de perder a própria identidade, assim como as perspectivas futuras. Sonhar o futuro, mobilizar a razão e coração frente ao novo que nos desafia, fazer parte da vida, é uma experiência saudável e estimulante para todos nós seres humanos, sobre tudo para os jovens que tem um itinerário a percorrer.

A elaboração do projeto pessoal de vida é um processo contínuo que se faz no cotidiano, pois, o mesmo cresce de acordo com as experiências do dia a dia, como as escolhas dos amigos, participação da família e da escola. O assunto sobre projeto de vida é pouco explorado no meio acadêmico, embora seja necessário alavancar essas discussões, todos nós precisamos elaborar o nosso próprio projeto, no entanto, quando nos referimos aos jovens é porque estes se encontram em processo de formação da personalidade.

  1. 2.      JUVENTUDE

A sociedade brasileira, ao longo do seu desenvolvimento sociocultural não pensou ou priorizou o público juvenil, principalmente os jovens das classes mais desfavorecidas. Percebe-se que o processo de colonização das terras em nosso país teve sempre como principal lógica a da exploração, tanto de suas riquezas quanto do seu povo. Já a criação das universidades e das escolas foi pensada para os filhos da coroa portuguesa, nesse caso os jovens das famílias pobres estariam condenados a viverem sem ter direito à ascensão social.

Contudo, ao longo da história o olhar em relação ao público juvenil tem se modificado. Atualmente, as políticas de juventude se dividem entres duas modalidades: as que visam o encaminhamento dos jovens para o mercado de trabalho e as que visam recuperar os jovens da defasagem escolar, assim como das drogas, para inseri-los no mercado de trabalho, no entanto, isso se dá numa lógica capitalista.

O conceito de juventude vem sendo discutido atualmente na sociedade, mas o termo juventude começou a ser categorizado no inicio do século XX, por se tratar de uma categoria socialmente construída, ele se manifesta de modos diferentes e de acordo com o momento em que a sociedade se modifica.

Nesse caso, podemos dizer que existem jovens e juventude, pois, as manifestações se diferenciam em seus aspectos variantes. Segundo Dayrell (2007), a juventude é uma categoria socialmente construída, ganha contornos próprios em contexto históricos, sociais (…), culturais (…), e de gênero e até mesmo geográficas, dentre outros aspectos. Nesse sentido, não podemos padronizar a juventude.

A fase juvenil é uma das mais belas da vida humana, pois, a mesma proporciona o tempo de descobertas, buscas de independência e autonomia, assim como a explosão das energias mais vitais que empurram os jovens em busca de algo.

Segundo Dayrell (2007), a juventude além de ser marcada pela diversidade, é uma categoria dinâmica, transformando-se de acordo com as mutações sociais que vem ocorrendo ao longo da historia. Assim, temos uma diversidade de jovens espalhados por toda parte do mundo, necessitando de orientação.

Dessa maneira, podemos analisar o conceito de juventude de outra forma, segundo Sousa (2006), ser jovem é viver um contato original com a herança social e cultural, constituída não apenas por uma mudança social, mas por fatores biológicos. Sendo assim, a experiência dos jovens se dá numa dinâmica de grandes energias que pulsa a cada instante de dentro para fora em direção à sociedade.

Nesse caso, são os jovens que, por terem acesso a diversas experiências, herdada de seus antepassados e com a disponibilidade de uma vida inteira pela frente, podem aproveitar o conhecimento adquirido para construírem o seu projeto pessoal e assim contribuir com a sociedade.

A falta de políticas públicas para os jovens compromete o seu desenvolvimento. Segundo Santos (2010), podemos perceber que há riscos acentuados quanto à integridade física e psicologia dos jovens, dada a vulnerabilidade e exposição á precariedade de condições que essa prática encerra.

A juventude precisa de direitos, oportunidades para vivenciar as fases da vida, investimentos de atenção, já que estamos em processo de envelhecimento. Soares (2004) aponta de maneira mais incisiva a situação da juventude brasileira em relação à violência e repercussões em sua amplitude:

Está em discurso no Brasil um verdadeiro genocídio. A violência tem se tornado um verdadeiro flagelo para toda a sociedade, difundindo o sofrimento, generalizando o medo e produzindo danos profundos na economia. Entretanto, os efeitos mais graves de nossa barbárie não se distribuem aleatoriamente. Como tudo no Brasil, também a vítimização letal se distribui de forma desigual: são, sobretudo, os jovens pobres e negros, do sexo masculino, entre 15 e 24 anos, que têm pagado com a vida o preço de nossa insensatez coletiva. O problema alcançou um ponto tão grave que já um déficit de jovens do sexo masculino na estrutura demográfica brasileira. Um déficit que só se verifica nas sociedades que estão em guerra (…) (SOARES, 2004, p. 130-131).

A entrada de alguns jovens no mundo do tráfico, sobretudo os jovens menos favorecidos, estão atreladas as mais diversas situações, como: falta de orientação familiar, de escolaridade, de trabalho, acesso a lazer, cultura, entre outros. Santos (2010. p. 53), relata depoimento de um jovem.

– Na feira é um pouco difícil: sair três horas da manhã, receber dinheiro o dia que o cara quer, quando tem, quando não tem, não ter horário de sair, ainda o cara acha ruim o que você faz. É tipo uma selva, porque lá você ta para comer e ser comido. É um quando cortar o outro, é briga, um ofendendo a mãe do outro, mas quem sabe viver na feira  ali vive numa boa, não procurar ousadia, não procurar muita brincadeira, vive numa boa. É difícil, trabalhar, acordar três horas da manhã, estudar, por isso que eu não estudo mesmo. Acordar três horas da manhã, depois chegar, vamos supor, eu vou chegar aqui uma hora, três horas. Durmo, quando vou pra escola, ainda tô com sono. Aí fica ruim esse negocio de ir pra escola, chegar na escola fico cochilando…(C.P.,20 anos, sexo masculino).

Nesse caso, uma juventude despida dessas oportunidades, só lhes restara à marginalização, pois lhes pergunto, qual é o jovem que vê outro tendo acesso a um carro, a roupas bonitas, ao lazer que não sentirá vontade de tê-las? Daí quando vemos a violência se manifestar em nossa sociedade, ficamos estarrecidos e achamos que a culpa é somente sujeito, e não refletimos sobre nossas ações enquanto cidadãos, sobretudo o papel dos governantes, responsável pela promoção do bem estar social. Contudo, não queremos fazer nem um tipo de apologia à violência e a impunidade.

Para que a questão da violência entre os jovens seja compreendida, é necessário sair da ideologia do senso comum e da concepção, de que a violência está simplesmente atrelada à situação de exclusão ou situações de risco. No entanto, é necessário que realizemos diagnósticos sobre a realidade de cada localidade, que contemple informações precisas sobre os autores, as vitimas envolvidas na violência, assim podemos contribuir para que se encontre o caminho mais eficaz dessa situação.

Segundo Dayrell (2007), falar das condições que os jovens precisam para se inserirem na sociedade, como: o trabalho, culturas juvenis, sociabilidade, espaço e tempo para a transição da vida adulta. É necessário um olhar maior destas questões por parte da sociedade e dos governos.

  1. 3.      FAMÍLIA

O conceito de família é denominado e conhecido como um grupo de pessoas normalmente ligado por relações de afeto ou parentesco. A família tradicional era composta por marido, mulher e filhos, quer sejam naturais ou adotados, mais dependendo de cada sociedade terá uma organização diferente.

Para definir de forma extensa o conceito de família podemos dizer que é um conjunto de pessoas que convivem no mesmo teto e que estão organizados e contam com regras e normas para o correto funcionamento dela, além de contar com vínculos afetivos ou consanguíneos.

A família conta com obrigações e direitos, como todo grupo social. A família durante muito tempo foi considerada como a célula da sociedade, ou seja, a base de tudo. Com as mudanças sociais na sociedade ocidental ao longo do tempo, mais precisamente nos últimos cinquenta anos, surgiram novos modelos familiares. As famílias atuais podem ser monoparental, homoparental e nuclear. Petrini cita Saraceno:

A família contemporânea caracteriza-se por uma grande variedade de forma que documentam a inadequação dos diversos modelos da tradição, para compreender os grupos familiares da atualidade (PETRINI in SARACENO, 2005, p. 42).

O século XX nos deixou como herança uma realidade tão evidente quanto densa de ambiguidade no contexto familiar. As mudanças foram tão grandes no que diz respeito às políticas familiares, que hoje, não se sabe ao certo o que significado dessa instituição.

Petrini (2005) afirma que as mudanças atingem simultaneamente os aspectos institucionais da realidade familiar, bem como as identidades pessoais e as relações mais intimas entre membros da família.

No entanto, tais mudanças no eixo familiar estão atreladas as ideologias hostis dos meios de comunicação e do mercado capitalista. Nesse sentido, as políticas familiares perdem o seu significado por causa das ideologias que têm em vista, de maneira consciente, eliminar a família enquanto vínculo social estável e fundamental para a pessoa humana.

A verdade é que toda a sociedade moderna jogou conta a instituição família, ela fomenta as relações supra-individuais, negando-a enquanto relação social que tem uma realidade sui generes. A sociedade contemporânea é individualista e não está preocupada com o contexto de comunidade.

Outros fatores que afetam à família é o secularismo. O secularismo tem papel determinante nos processos sociais, culturais e econômicos bem mais amplo do que os estritamente referidos à família, como: o consumismo, modernização e globalização. Assim, até mesmo os pesquisadores encontram dificuldades para identificar o fenômeno família.

Por outro lado, as políticas familiares são elaboradas por pessoas que se inspiram em modelos de legislação e intervenção social que tem pouco a ver com o que de fato se aproxima da identidade familiar. Conforme Donati:

A crise atual da modernidade pode ser lida como produto daquela profundíssima ambivalência que a sociedade do século XX teve para com a família: de um lado, a exaltou como lugar dos afetos privados, célula do mercado e do consenso político; de outro, a combateu como esfera caracterizada por laços fortes e estáveis (DONATI, 2008, p.182).

Apesar de vivermos numa sociedade democrática, as políticas públicas não atendem as necessidades do eixo familiar, pois, mesmo possuindo boas intenções de solidariedade e justiça social, a mesma esta atrelada a uma cultura de individualismo e consumismo própria da sociedade capitalista.

3.1.FAMILIA E ORIENTAÇÃO DOS FILHOS NA SOCIEDADE MODERNA

A entrada da mulher no mercado de trabalho deixou grandes lacunas dentro do lar. No Brasil não há políticas que valorize o papel da mulher no mercado de trabalho, possibilitando-lhe condições para assumir o trabalho e a maternidade, onde a mesma pudesse conciliar ambos, sendo isso possível com a redução da jornada de trabalho.

Para a psicologia a presença dos pais é fundamental na formação do ego, e da subjetividade dos seus filhos, pois, nenhum objeto os substituirá. Os filhos necessitam de afeto, carinho, atenção correção e limites para sua disciplina.

Segundo Berger (2000), o ambiente pode afetar de várias maneiras as tendências de temperamento da criança. No entanto, se os pais se despirem de suas responsabilidades paternas e maternas, os filhos terão grandes dificuldades de fazerem suas escolhas.

Atualmente a educação dos filhos ficou terceirizada, ou seja, as crianças e adolescentes vivem sobre os cuidados das babas, auxiliares, professores e outros. Estes acabam recebendo orientações pela mídia devido à ausência dos seus pais. Para Medhus (2005), o ambiente familiar é principal responsável pela construção do caráter dos filhos, nesse sentido, os pais devem ser vigilantes de si mesmo.

Durante a infância a criança vai absorvendo as situações vivenciadas dentro de casa e na adolescência e juventude, tudo aquilo que foi internalizado começa a ser externalizar através do comportamento. Nesse sentido, é importante que os pais procurem oferecer à criança um lar saudável, ainda que este tenha poucos recursos econômicos, o que importa para essa construção são os valores que lhes foram dados durante a sua infância.

Outra fase muito importante é a adolescência onde a orientação dos pais é de suma importância, pois, os jovens necessitam de pessoas que sejam referencias positiva para fazerem as suas escolhas. Nesta fase é comum os jovens distanciar-se da família e se aproximar do grupo de amigos.

Medhus (2005), afirma que a tarefa dos pais como mentores dos filhos, é de ajudá-los a construir senso de identidade e incentivá-los a expressar e celebrar sua própria singularidade. Nesse caso, são os pais os principais responsáveis para lidar diretamente com o comportamento dos seus filhos.

Na sociedade moderna percebemos muitos jovens desorientados, muitos deles, jovens de classe média alta que gozam de melhores condições de vida, no entanto, estes jovens também, se encontram perdidos frente a esta sociedade perversa, cometendo pequenos e grandes delitos por falta de orientação.

A juventude de classe baixa é a mais sacrificada, além de não serem assistidos em suas necessidades básicas, ainda sofrem com a ausência dos pais que precisam trabalhar ficando várias horas fora de casa. Assim, os jovens ficam por conta de si mesmo diante dos males que lhes cercam.

Na pesquisa promovida pelo UNESCO em 1997, discute-se violências de jovens da classe média. Jovens que quando perguntados – os assassinos do  índio Galdino, como é que se deu isso, recorreram a uma expressão que foi bem difundida pela imprensa: “foi uma brincadeira, não sabíamos que era um índio. Pensávamos que era um mendigo”, outros de “ assustáveis”,  e outros de protegidos. Se fosse um índio caberia apenas assustar, mas se fosse um mendigo, por que não queimar?  (CASTRO, 2002).

Os pais do século XXI oferecem aos seus filhos bens materiais com objetivo de compensar a sua ausência em casa, pois os mesmos não conseguem cumprir com suas obrigações devido o mercado de trabalho que lhes rouba o tempo. Por isso, trabalham cada vez mais na linha do consumo, criando, um círculo vicioso.

Já dizia Içami Tiba, quem ama educa. Porém, no Brasil existe uma cultura de superproteção dos filhos, dificultando o seu processo de crescimento e autonomia. Sabemos que a dor e o sofrimento são necessários para o amadurecimento do sujeito. Entretanto, encontramos jovens adultos, muito dependentes de seus pais, e isso, dificulta a elaboração do seu projeto de vida, pois, o medo da vida, a insegurança e o comodismo, são fatores que não contribui para a maturidade e emancipação do sujeito.

Segundo Medhus (2005), os pais têm o papel de preparar seus filhos para que possam ser responsáveis e felizes na vida adulta, e essa tarefa, só os mesmos podem realizar. Nesse sentido, é importante, empoderá-los para assumir os desafios da vida.

 

  1. 4.      ESCOLA E JUVENTUDE

 A educação é uma mola propulsora ela vai sofrendo transformações. É um bem maior que o sujeito pode adquirir na vida, sem ela, as pessoas ficam condenadas as situações de misérias e despidas de seus direitos.  O direito à educação é garantido na legislação brasileira, sendo que ela é um bem comum a todos os seres, pois sem educação não há nação desenvolvida e nem povo civilizado.

O Brasil é um país que não priorizou a educação como ferramenta principal de crescimento da nação. Nesse sentido, o processo de colonização da população se deu numa lógica de exploração do trabalho escravo, de serventia para com os senhores de engenhos, nesse caso, a educação se secundarizava na vida dos servos, hoje, maculados na classe proletária. Por isso, temos no país um número altíssimo de pessoas analfabetas*, e esses dados tendem a se manter, pois, não há preocupação e interesse por parte dos governantes. A educação em nosso país foi pensada para os burgueses e a coroa de Portugal.

A população brasileira não consegue acompanhar as mudanças do mundo globalizado por conta de educação defasada. Temos um mercado trabalho favorável, com muitas vagas, mas, o déficit da mão de obra qualificada inviabiliza o processo.

O governo não investido muito pouco na educação. Os recursos destinados à mesma, além de insuficientes, são mal geridos, sem falar dos grandes desvios de verbas por todo o país, sucateando mais ainda a educação brasileira. Os investimentos aplicados na educação em todas as suas modalidades não atendem às necessidades da juventude quer sejam, professores, alunos e demais funcionários da área.

Outro fator que não tem contribuído para a melhoria da educação e vida dos nossos alunos, é a desqualificação dos professores, no Brasil existe na comunidade escolar quadro de profissionais desatualizados e com um pé na aposentadoria, além de déficit de professore, pois, não há candidatos se preparando para este mercado educacional devido às questões salariais, carga horária extensa e as condições de trabalhos não estimulam a busca da área.

Segundo Morin (2003), existe uma grande separação entre a cultura cientifica e as pessoas, esta age de maneira privada de reflexões relacionadas aos problemas globais da vida. Dessa maneira podemos analisar que a ciência, não tem cumprido com seu papel que é de contribuir para o melhoramento da sociedade.

Precisamos de profissionais comprometidos com as causas importantes da nossa sociedade, que estes busquem saídas para os problemas que nos cercam.

A cultura cientifica, bem diferente por natureza, separa as áreas do conhecimento; acarreta admiráveis descobertas, teorias geniais, mas não uma reflexão sobre o destino humano e sobre o futuro da própria ciência. (MORIN, 2OO3, P.17).

Muitos jovens ingressam na escola todos os anos, principalmente no ensino médio, mas o abandona, antes mesmo de findar o ano letivo por falta de motivação, orientação. Eles, muitas vezes, não se veem naquele espaço. A escola caminha na contramão de suas necessidades e expectativas de vida.

Segundo Freire (2002), ensinar é a forma como toma o ato de conhecimento que o professor (a) necessariamente faz na busca de saber ensinar para provocar nos alunos seu ato de conhecimento.  Assim, ensinar é um ato criador, crítico e não mecânico.

A escola brasileira não estimula seus alunos a refletir, a formar opiniões, debater, fomentar a capacidade infinita do sujeito de aprender e de transformar o mundo e de resolver os principais problemas da sociedade e da vida. Para Freire (1984), não nascemos prontos e não viemos ao mundo com um manual de funcionamento, pois todo ser humano é inacabado. Nesse caso, um novo modelo de escola que estimule os alunos a pensar é fundamental.

[…] pensar certo que supera o pensar ingênuo tem que ser produzido pelo próprio aprendiz em comunhão com o professor formador. É preciso, por outro lado, reinsistir em que a matriz do pensar ingênuo como crítico é a curiosidade mesma, característica do fenômeno vital. (FREIRE, 1996, p.36 – 39).

Os conteúdos programáticos e as práticas pedagógicas não atendem às necessidades dos estudantes, pois há discrepâncias entre teoria e prática, ou seja, as mesmas, não se aproximam da realidade dos alunados, sobretudo aqueles estudantes que querem ou precisam trabalhar e estudar. Nesse caso, as práticas pedagógicas podem ser compreendidas através do pensamento de Freire, (1984, p.263)

Já não se estuda para trabalhar nem se trabalha para estudar; estuda-se ao trabalhar. Instala-se aí, verdadeiramente, a unidade entre prática e teoria. Mas, instala-se, o que a unidade entre prática e teoria elimina não é o estudo enquanto reflexão crítica (teoria) sobre prática realizada ou realizando-se, mas a separação entre ambas.

Nesse sentido, os jovens que deveriam ser os protagonistas de uma nova sociedade, são alienados frente a esse mundo corrompido pelo capitalismo selvagem, que os mantém aprisionados no “Cárcere” e tantas futilidades. Muito dos conteúdos que são abordados na escola, não tem nenhuma utilidade para a vida dos alunos, as suas experiências não são levadas em conta.

Segundo Freire (1996), porque não aproveitar as experiências que tem os alunos, já que trazem seus próprios saberes, e estes devem ser levando em conta no processo de aprendizagem. Nesse sentido, porque não estabelecer uma relação intimidade entre os saberes curriculares fundamentais aos nossos alunos e as experiências sociais que os mesmos têm como indivíduos?

Atualmente a tendência pedagógica é o multiculturalismo que aponta para o modo no qual o ser humano se situa no mundo, ou seja, busca o reconhecimento de formas especificas que todos os indivíduos ou grupos têm de viver no cotidiano.

Assim, os sujeitos procuram através do conhecimento adquirir poder, ideologia, linguagem e construir sua história para combater o racismo e o preconceito à homofobia e assim, a segurar a dinâmica das relações sociais. No entanto, a nova tendência propõe um desafio à sociedade contemporânea, que é de reverter às políticas homogêneas e articular os valores da autonomia, liberdade, identidade, solidariedade e de igualdade entre os sujeitos.

Nesta perspectiva podemos ressaltar as investigações socio-antropológicas como ações concretas da escola. Para Azevedo (2007), trazendo para a atividade curricular a cultura e as experiências do contexto social, transformando em matéria prima curricular e, através do complexo temático, procurando despertar a curiosidade epistemológica.

Atualmente as políticas educacionais têm dado mais acesso aos jovens, quer nas escolas públicas, nos cursos técnicos, nas universidades e outros. Contudo, há muito que se fazer pela educação. Pois, os jovens das classes populares, em sua maioria, enfrentam três grandes dificuldades: a primeira é a de adentrar nas instituições, a segunda é a de se manter dentro delas e a última é a de se inserir no mercado de trabalho.

A escola deve ser um ser um espaço coletivo, democrático, participativo e de boa gestão e permanência do aprendizado. Para Morin (2003), a reforma do ensino deve levar à reforma do pensamento, e a reforma do pensamento deve levar à reforma do ensino. Assim, os dois se completam. Nesse sentido, a escola deve a finalidade de ensinar a repensar o pensamento, seu currículo, metodologia e ideologia.

A escola para vivenciar a democratização se dimensiona em três eixos básicos, segundo Azevedo (2004) do acesso, da gestão, e da permanência. Nesse sentido, é fundamental que a escola tenha abertura para o processo de crescimento de seus alunos.

Nesta dimensão a escola que temos e a que queremos deve se basear em quatros eixos temáticos: currículo e conhecimento; gestão; avaliação e princípios de convivência.

A miséria continua a assolar a nossa população, jovens e crianças são obrigados a abandonar a escola cada vez mais cedo para trabalhar e ajudar no sustento de suas famílias. Em consequência desse abandono, surge a marginalização, segundo Kawaguti (2012), o Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo e um sistema prisional superlotado, são cerca de 500 mil presos pressas e com um déficit de (quase 200 mil), segundo a ONU é um desrespeito aos direitos humanos.

No entanto, sabemos que um presidiário custa mais caro do que manter um aluno na escola, neste sentido, precisa-se de maiores investimentos preventivos contra a violência e exclusão social. Pois, o sistema carcerário brasileiro é um dos mais perversos do mundo, que não possui uma política de reinserção social dos sujeitos, sendo em sua maioria jovens que não concluíram o ensino médio.

 Segundo Educa censo (2011), o Brasil tem uma população de 61,8 milhões de pessoas com mais de 15 anos que não freqüentam a escola e que não têm o Ensino Fundamental completo. Já o número de pessoas matriculadas na modalidade de Jovens e Adultos, está em torno de 3.484.912. Nesse caso, percebemos o quanto a educação precisa ser priorizada.

Fanon (1979), a firma que o dia novo que já desponta deve nos encontrar firmes, avisados e resolvidos. Pois, queremos marchar o tempo todo, noite e dia, em companhia do homem, de todos os homens, em busca de justiça e paz.

A escola que queremos deve promover uma pedagogia que promova a cultura da paz, do cooperativismo, da solidariedade, da justiça, um espaço sócio afetivo, um lugar para a escuta e valorização das idéias, reflexão e de humanização. A escola que queremos deve promover uma pedagogia que promova a cultura da paz, do cooperativismo, da solidariedade, da justiça, um espaço sócio afetivo, um lugar para a escuta e valorização das idéias, reflexão e de humanização. A reformação do pensamento é que permitiria o pleno emprego da inteligência para responder a esses desafios e permitiria a legislação de duas culturas dissociadas. Trata-se de uma reforma não programática, mas pragmática, concernente a nossa aptidão para organizar o conhecimento. ( MORIN, 2003, P.20).

Sendo assim, a escola como um lugar social tem por obrigação, contribuir na construção do projeto de vida dos jovens. No entanto, sabemos que um presidiário custa mais caro, do que manter um aluno na escola, neste sentido, precisa-se de maiores investimentos preventivos contra a violência e exclusão social. Pois, o sistema carcerário brasileiro é um dos mais perversos do mundo, que não possui uma política de reinserção social dos sujeitos, sendo em sua maioria jovens que não concluíram o ensino médio.

Fanon (1979), a firma que o dia novo que já desponta deve nos encontrar firmes, avisados e resolvidos. Pois, queremos marchar o tempo todo, noite e dia, em companhia do homem, de todos os homens, em busca de justiça e paz. Sendo assim, a escola como um lugar social tem por obrigação, contribuir na construção do projeto de vida dos jovens.

  1. 5.      JUVENTUDE E PROJETO DE VIDA

A sociedade atual, apesar de fomentar os contra valores, também tem incentivado as pessoas a buscarem a dignidade humana, liberdade, e autonomia frentes às realidades temporais.   Pois, estamos na era da pós-modernidade em que temos maior acesso as informações.

A sociedade inicia um novo sentido histórico juntamente com as mudanças ideológicas e culturais, com a nova sensibilidade e mentalidade, com um novo modo de estar presente na vida que nos impulsiona a  mudar nosso modo de viver, olhando o futuro com oportunidades e maior liberdade.

O ser humano tem necessidade de  encontrar seu espaço na vida para sentir-se incluído neste universo no entanto,  para tanto, precisamos buscar  comunhão com Deus, com a natureza e com nós mesmo, para  chegar à felicidade que é o nosso maior projeta de vida.

Nesse caso é muito importante sabermos para onde vamos e aonde queremos chegar. Todos nós devemos traçar metas, e para isso é necessário planejar, definir bem o que se quer, ter visão de futuro e buscar um plano de ação.

O projeto é a ordenação inteligente da dinâmica de crescimento de valores, o mesmo é determinado pelos valores que professamos. Para Martínez (1998), ficar sem os valores é mergulhar no vazio, a nossa existência fica sem horizontes e a imagem de si mesmo fica quebrada, na desgraça. Por isso, o projeto pessoal de vida é fundamental, todo homem e toda mulher deve construí-lo, ele é a bússola norteadora do nosso rumo, cominho e direção durante a nossa existência.

A nossa felicidade perpassa pelo processo das escolhas que fazemos ao longo da vida. O discernimento e as opções que fazemos são elementos importantes. Pensar e escrever o projeto de vida implica na tomada de decisões amadurecidas e acertadas, pois a pessoa realizada pode contribuir melhor com a sociedade.

A maneira de ser de cada um está atrelada a educação, cultura e experiências vividas, são elas que nos dão significados e determinam parte da nossa vida. Um bom projeto deve ser norteado por valores que nos ajudam a crescer em dignidade do próprio eu, na autoaprovação existencial, levantar o nosso ânimo e ilumina o nosso futuro.

O projeto pessoal tem função decisiva na aquisição de valores. Convergem nele fatores importantes: a própria imagem dos valores, influenciada pelos valores do entorno; a forma pessoal de captar o horizonte de valores e de referir-se pessoalmente a eles; a capacidade e possibilidade, pessoais e ambientais, aparam incorporá-los à sua vida. É o jogo do eu e a circunstancia. Por um lado está a consciência e a liberdade interior, a fortaleza e a fraqueza do eu. (MARTÍNEZ, 1998, p. 63).

A elaboração do projeto pessoal de vida perpassa por uma questão existencial, ou seja, é necessário fazer reflexões, experimentações para que se possa dar o primeiro passo.

O sentido de vida se dá no processo das nossas escolhas conscientes e amadurecidas. A nossa vida não pode ficar por conta do acaso, da sina e do destino, o planejamento é indispensável, ele nos poupa de situações indesejadas e embaraçosas, pois na vida humana existem situações que não temos como evitá-las, chamadas drama da existência humana.

Sendo a juventude uma fase do maior ciclo de vida em que se concentram os maiores desafios, a mesma, também é a de maior energia, criatividade e potencialidade de engajamento social, pois trata-se de um processo de inserção social e de definição de identidade. Nesse sentido, há uma exigência no processo de maturação e maturidade que se dá a partir das experiências intensas em diversas áreas da vida.

Nesse caso, temos a intenção de considerar que a fase da juventude é rica em potencialidades, sendo um grande instrumento de renovação da sociedade. Contudo, a juventude requer estrutura adequada para seu o desenvolvimento integral e assim poder construir seu projeto de vida.

A sociedade contemporânea tem incentivando a juventude a andar na contra mão dos valores familiares e sociais, na linha do consumo, em busca dos prazeres momentâneos e no espetaculoso, fomentando o comportamento de desconstrução das gerações passadas.

Segundo Martinez (1998), a era moderna nos trouxe coisas muito boas, tanto no âmbito pessoal como no coletivo, no entanto, as novidades também introduziram a cizânia. Assim, também os contra valores, como materialismo, o pensamento burguês e a negação de Deus e da cosmologia.

Apesar de tantas controvérsias nesse sentindo, muitos jovens não perderam de vista a proposta da construção de uma nova sociedade a través da democracia, do diálogo, da busca da felicidade humana, da transparência, dos direitos individuais, da liberdade, da diversidade, da sexualidade, igualdade e justiça.

A juventude brasileira tem suas peculiaridades, é distinta, diversa e também desigual, nesse caso, existe uma juventude que precisa de uma atenção maior e até de reparações, como é caso dos jovens negros, rurais, periféricos, entre outros, pois para que haja o protagonismo juvenil são necessários investimentos, por parte da família, escola, poder público, ONGs e Igrejas.

A crise da sociedade pós-moderna traz consigo, desorientação, inquietação, perplexidade, tensão interior e um acúmulo de problemas, afetando as nossas vidas e interferindo em nosso projeto pessoal. Essa crise tem nos levado a questionar várias instituições, entre elas a família, a escola e as religiões.

Os jovens antes de iniciar a construção do seu projeto de vida devem  fazer algumas perguntas a si mesmo: quem ou eu? O que quero? Para onde vou? Qual o meu lugar neste mundo? Respondendo a estas questões, fica mais fácil construir o projeto pessoal, no entanto, projetar-se para o futuro é dar um sentido à própria vida, é construir a felicidade com valores autênticos e com a certeza de que com ele posso errar menos, pois a felicidade é uma dimensão em perspectivas que corresponde à realização do nosso ser.

A ausência do projeto de vida pode levar à perda da própria história, correndo o risco de perder a própria identidade, assim como as perspectivas da vida futura. Sonhar o futuro, mobilizar a nossa razão e o coração frente ao novo que nos desafia faz parte da condição humana.

Depoimentos e experiências com Jovens

Durante 17 anos venho trabalhando com juventude. É claro que o trabalho que tenho desenvolvido é fruto de parceria com outras pessoas e instituições, que também gostam de trabalhar com o público juvenil como é o caso da pastoral da Juventude e o Coletivo Regional de Jovens e outros.

Os jovens com os quais costumo trabalhar são de comunidades rurais, urbanas, descendentes de Quilombos, jovens geralmente de famílias de baixa renda e de poucas oportunidades. No entanto, temos alcançado bons resultados durante esse tempo, nessa lógica, conseguimos inserir muitos jovens nas universidades, associações, na política e no mercado de trabalho.

São lideranças novas, que surgem na sociedade com um perfil diferente, jovens com comprometimento social.  Eles têm histórias de superação fantástica como é o caso de Barreto.

Análise de dados

A análise de dados constitui-se em técnica valiosa de abordagem e reflexão em pesquisa qualitativa. Para tanto, o material obtido durante a pesquisa, ou seja, os relatos das observações, as transcrições das entrevistas, as análises de documentos e demais informações obtidas serão de suma importância. Pois, através dos mesmos podem ser retiradas ou ratificadas evidências que fundamentam afirmações e declarações.

Com base em tal perspectiva e devido à mesma ligação direta com o objeto de estudo, utilizarei no processo de decodificação dos documentos, não só o documento formal, lógico, mas também, um conhecimento experiencial onde estão envolvidas sensações, percepções e impressões.

Enfim, este capítulo tem como objetivo apresentar analisar e refletir sobre Juventude: família, escola e projeto de vida, bem com as relações sociais e educacionais na realidade pesquisada, a partir das concepções dos alunos e autores trabalhados na fundamentação teórica.

Caracterização do campo

 

A pesquisa objeto deste artigo foi realizada no o Colégio Estadual Hamilton Rios, situado na zona rural do Povoado de São João no município de Conceição do Coité.

A escola é de pequeno porte, possui seis salas de aula, uma biblioteca, uma sala de vídeo, uma diretoria, uma cantina e dois banheiros. Funciona nos três turnos com a oferta do Ensino Médio.

Os recursos humanos da unidade escolar são formados por uma diretora, uma vice-diretora, onze professores, seis efetivos da rede estadual de ensino e cinco com contrato PST, provenientes da sede do município. Apenas cinco desses professores possuem graduação e os demais estão cursando. O quadro docente é insuficiente em número e qualidade, o que dificulta o processo ensino aprendizagem.

O colégio possui aproximadamente 211 alunos, na grande maioria filhos de lavradores não letrados, ou que possuem apenas as primeiras séries do ensino fundamental. São oriundos de classe social de baixa renda, que tem como o sustento a lavoura. Desde pequenos estes alunos são obrigados a ajudarem os seus pais no preparo da terra, plantio e colheita. Chegam muitas vezes à escola cansados, com fome e desanimados para estudar.

5.1.CONCEPÇÕES DOS JOVENS EM RELAÇÃO A SEU PROJETO DE VIDA

Todo projeto deve ser bem sucedido, para tanto, ele precisa ser bem planejado, nem um empresário bem sucedido obtém êxito sem antes fazer um bom planejamento. Por isso, o projeto de vida precisa ser bem planejado e orientado, o mesmo deve ser priorizado para que este dê sentido à vida e conduza à felicidade. No entanto, todo projeto deve existir uma razão de ser, ele não pode ser fruto da emoção, mas, uma ação que nos leve a atingir algo que tenha significado para nossa existência.

Essa “razão”, no entanto, está implicada como efeito da realização de um sentido, não como algo alcançável por si mesmo. Ser-se “digno” da felicidade é um efeito colateral da realização de sentido que é, sim, o fim em si, independentemente dos efeitos que acarreta. Isto é, a vontade de sentido orientar para uma realização de sentido, a qual acaba por prover uma razão para se ser feliz. Com uma razão para se ser feliz, a felicidade surge automaticamente como efeito colateral. (PEREIRA, 2007, p.129).

Na construção da ficha de inscrição para os jovens, foi feita a seguinte pergunta: quem já pensou na construção do projeto de vida? Dos 61 jovens entrevistados, a maioria disse ter pensado no projeto, no entanto, os mesmos afirmaram não saber como desenrolar seu próprio projeto de vida. Mediante as respostas obtidas na entrevista, confirma-se a necessidade que os jovens têm em receber orientação por parte dos seus responsáveis. Durante as discussões os jovens abordaram elementos que atrapalham a construção do projeto de vida, como as diversas formas de distração oferecida pelos meios de comunicação. Eles gostaram da proposta do tema abordado na escola, disseram que o mesmo foi de grande relevância e que a escola deveria promover outros encontros dessa natureza.

5.2.CONCEPÇÕES DOS ALUNOS EM RELAÇÃO À PARTICIPAÇÃO DA FAMILIA NA CONSTRUÇÃO DO SEU PROJETO DE VIDA

Devido à importância da família no processo de orientações das escolhas para o futuro dos jovens, fora feita a seguinte pergunta: qual foi a contribuição da família na construção de seu projeto de vida?

Nesta parte foram analisadas as respostas dos questionamentos feitos aos 61 alunos, dos sexos femininos e masculinos, entre quatorze e vinte e um anos das três séries do Ensino Médio. Para tanto, foram realizados dois encontros com estes jovens na própria unidade escolar. As abordagens dos autores escolhidos concomitantes com minhas observações foram recursos fundamentais.

Ao longo da historia, a família não se atentou para a necessidade de orientar seus filhos na construção do seu projeto de vida, embora os pais demonstrem o desejo que seus filhos sejam bem sucedidos em todas as áreas da vida. No entanto, estes não procuram trabalhar com intensidade e compromisso essa proposta.

Por se tratar de um contexto pós-moderno, é urgente que a família e toda sociedade perceba a importância e trabalhe o projeto de vida dos jovens, pois os mesmos precisam de uma boa orientação para fazer escolhas conscientes e amadurecidas, sobretudo a juventude que se encontra desorientada e confusa frente à nova sociedade. Por outro lado, é papel da família educar seus filhos para toda a vida.

Para Caetano (2011), não é possível educar uma criança sem planejamento. Nesse caso, os pais precisam se preparar para trazer seus filhos ao mundo, pois a educação de um ser humano é um projeto duradouro que tem seu desfecho na fase adulta, quando estes estarão prontos para assumir a própria vida. Nenhuma criança vem ao mundo com prazo de validade, esta precisa atenção e de cuidados.

Os pais quando geram um filho ou adotam uma criança para criá-la, deve assumir com ela todas as responsabilidades frente a toda sociedade, deve contribuir para o seu desenvolvimento sócio-cognitivo e auxiliá-la na transformação do mundo.

Os jovens entrevistados disseram que a família é insubstituível em suas vidas, no entanto a maioria, afirmou que a mesma tem pouco contribuído para a sua a construção do seu projeto de vida e que  sentem  dificuldades no relacionamento com seus  pais, havendo conflitos intergeracionais.

Em meio à complexidade das relações humanas em particular em relação à família, percebemos que esta não está cumprindo o seu papal na orientação de seus filhos, deixando-os por conta da formação do mundo.

 

5.3.CONCEPÇÃO DOS ALUNOS EM RELAÇÃO À PARTICIPAÇÃO DA ESCOLA NA CONSTRUÇÃO DO SEU PROJETO DE VIDA

O diálogo reafirma as relações estabelecidas entre as pessoas. Nesta etapa do trabalho, realizada no contexto escolar os jovens foram questionados sobre se a escola contribui e orienta no processo de escolhas do seu projeto de vida. Nas falas abaixo citadas, observa-se que a escola não contribui para a construção do projeto de vida do aluno. Perceber-se que assuntos de ordem pessoal e emocional nem sempre são tratados na vida escolar, prevalecendo apenas os relacionados a conteúdos e procedimentos metodológicos:

 “A escola é um espaço muito bom para frequentarmos, no entanto, muitas vezes não encontramos respostas para a nossa vida aqui”.

“Gosto dos professores, mas não encontro na escola, incentivo para além dos conteúdos cognitivos.”

Nesse caso, cabe a todos os professores e responsáveis pela comunidade escolar  atentar-se, ou seja, conscientizar-se para a questão da necessidade e de importância do diálogo e da aproximação com os alunos para auxiliá-los em seus projeto de vida. Lembo enfatiza que:

“Quando o professor escuta atentamente o que o aluno está dizendo, ele não ouve apenas as palavras, mas também os sentimentos e significados que possui. (…) ouvir com atenção e simpatia é talvez, a condição fundamental e mais necessária para possibilitar o desenvolvimento de um relacionamento franco e confiante e para permitir ao estudante alcançar níveis mais construtivos do comportamento”. (1975, p. 88).

 Através das colocações dos alunos é possível perceber a ênfase dada pelos entrevistados, como também as relações estabelecidas nesse contexto. Observa-se que o professor idealizado pelos discentes entrevistados é aquele que estabeleça com eles uma relação direta, harmoniosa e dinâmica pautada na construção do ser. Portanto, urge por parte dos docentes uma reflexão acerca das relações estabelecidas no cotidiano escolar, bem como na sua prática pedagógica subjacente e as suas implicações no processo de ensino aprendizagem, o que implica numa tomada de decisões por parte de toda comunidade escolar.

Enfim, como afirma Harper em educação:

“A preocupação com a criança, com o destinatário do processo de formação com o educando, seja ela cognitiva afetiva ou social, implica em geral uma reflexão sobre o lugar onde se situa o educador e uma modificação se seu papal dentro da sala de aula”. (1993, op. Cit., p. 115).

O processo educacional marca profundamente o ser humano. Neste sentido, o professor deve conhecer a história de vida do aluno, consequentemente, a sua realidade social e cultural para que a relação entre professor aluno, não se torne tão distante e fria. Pois, os alunos são mais que alunos, são seres humanos em fase de desenvolvimento, com necessidades físicas, intelectuais, emocionais e sociais. Desta forma, mais que uma mudança na metodologia de trabalho, constitui-se essencial uma mudança de olhar do professor sobre este aluno para construir uma práxis renovada e contextualizada.

A capacidade de aprendizagem do aluno é sustentada por estímulos e pelas relações estabelecidas com o meio. Neste sentido, se fazem necessárias novas propostas pedagógicas com a sustentação de um processo de ensino aprendizagem mais significativas e reais.

Conclui-se, portanto, que a questão levantada se os jovens na sociedade pós-moderna, não possuem ou não têm clareza sobre o seu projeto de vida, está atrelada a maneira de como as famílias orientam seus filhos no processo de escolhas e como a escola falha no processo de ajudar ao jovem a pensar em seu projeto de vida ao deixar de estimular o aluno a construir seu futuro. A comunidade escolar é chamada a uma reflexão e tomada de decisões quanto a possíveis implicações dos mesmos e das relações estabelecidas entre professor e alunos no processo de ensino aprendizagem. Todavia, vale salientar que tais questões abordadas não se esgotam nessa síntese, mas abrem espaço para novas discussões e múltiplas ações que podem subsidiar novas práticas pedagógicas.

Para ilustrar as afirmações supracitadas, colhi o depoimento de uma jovem que teve a oportunidade de ser orientada em seu projeto de vida:

“Tenho 23 anos, nasci numa comunidade rural de Tapuio município em Araci, tenho apenas uma irmã, que é excepcional, meu pai sempre foi muito ausente e quando eu tinha nove anos idade, após inúmeros conflitos com a minha mãe, ele resolveu ir embora”. Passamos por sérias dificuldades, era apenas a minha mãe para provê a nossa subsistência, trabalhadora de motor de sisal e agricultora familiar nas horas vagas.

Estudei até a 8ª série na minha comunidade e despertei o gosto pela leitura ainda na 3º série. O Ensino Médio,  tive que ir estudar na cidade, pois na minha comunidade não dispunha desta modalidade. Acordava todos os dias 5:30h tomava café e  saia da comunidade 6:10h, era uma hora de estrada de chão da zona rural para a cidade.

Aos 14 anos entrei num grupo jovem da Igreja católica e posteriormente me tornei coordenadora deste, aos 15 recebemos o convite para participar do Coletivo Municipal de Jovens que era até então um projeto do Movimento de Organização Comunitária – MOC em parceria com Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF. Neste espaço discutíamos sobre a situação da nossa comunidade, do nosso município, éramos provocados a pensar sobre a nossa realidade e em medidas para solucionar os seus problemas: Fazíamos ofícios à Câmara Municipal, usávamos a Tribuna, apresentávamos propostas, passamos a lutar coletivamente. O Coletivo foi o meu principal espaço de formação, lá eu aprendi a fazer análise de conjuntura, leitura de mundo. A televisão que era a minha principal companhia nas minhas horas de confinamento em casa já não era vista da mesma forma, assistia de forma desconfiada, imaginando o que estava por traz da informação, o que estão querendo ocultar? Era a visão crítica despertada. Eu que antes era moldada pela televisão, tinha vontade de adquirir roupas e acessórios parecidos, passei a questionar e enxergar enquanto bobagem a maioria da programação da TV, comecei a ser seletiva quanto à mesma.

Quando completei 16 anos, passei a ser coordenadora do Coletivo Municipal e posteriormente fui coordenadora Regional (existem 25 municípios que possuem coletivo de jovens). E  no Coletivo que despertei o interesse pelo Serviço Social, num dos cursos sobre conselhos que foi ministrado por uma Assistente Social no ano de 2005. Tinha decidido a minha profissão, mas quando fui pesquisar apenas uma faculdade particular oferecia o curso, eu não teria  condição de pagar. Desde então, sempre tentei ENEM para ver se em algum momento conseguiria pontuação boa para concorrer bolsa do Programa Universidade Para Todos – PROUNI, contudo, era muito difícil porque era a única faculdade da região que oferecia o curso e por isso era muito concorrido. Em 2008 vi que tinha começado a primeira turma de Serviço Social na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB, entretanto nunca me imaginei ocupando uma cadeira nesta universidade. Eu, pobre, rural, a vida toda estudei em escola pública, “uma aula sim e oito não” me subestimei e nem tentei vestibular. Nesse processo eu construí o sonho de fazer Serviço Social a minha realidade só me permitia fazer o curso à Distância e mesmo assim, era difícil pra mim porque só tinha em Feira de Santana. Fui pra Feira de Santana intencionando trabalhar, não tinha experiência em área nenhuma e todas as vagas exigiam experiência mínima de no mínimo 06 meses, não tinha nenhum conhecido influente, ninguém que me desse um “empurrãozinho” amargurei um bocado.

Fiz o ENEM novamente em 2010, com a nota eu me inscrevi no curso de Nutrição e no curso de Serviço Social à Distância (faculdade a qual já estava cursando) e ainda me inscrevi no processo seletivo da UFRB, ainda que muito desacreditada. Saiu o resultado fui aprovada para os dois, fiz todos os trâmites para a efetivação do processo, embora o curso de Nutrição fosse presencial, o sonho construído havia sido Serviço Social eu optei por ele. Após toda tramitação quando tudo já estava certinho e eu era bolsista do PROUNI qual não foi a minha surpresa recebi um e-mail dizendo que eu havia sido aprovada no curso de Serviço Social da UFRB, aquela!Então, fui a desconhecida cidade Cachoeira BA, local do curso.

Na universidade descobrir que tinha Assistência Estudantil para aqueles que não têm condição de permanecer na universidade, me inscrevi no programa e consegui! Atualmente, sou residente universitária, no 5º semestre de Serviço Social da UFRB e estagiária da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia – SESAB. E serei a 3º turma da Universidade da UFRB a formar!!!

O meu projeto de vida fora traçado a partir da insistência da minha mãe em não me retirar da Escola e consequentemente foi o lugar onde tomei gosto pela leitura. Sem dúvida o espaço do coletivo de jovens me direcionou quanto à minha profissão e foi onde eu pude ter referenciais que me inspiraram bastante. Os amigos foram muito importantes nesse processo porque são pessoas que escolhemos para partilhar as vitórias e angústias são eles também referenciais e influenciam bastante nesse processo! Todos esses atores sociais contribuíram para o meu projeto de vida, que hoje é graduar, fazer mestrado, doutorado, passar num concurso público. Quanto a minha vida pessoal desejo constituir família e contribuir com a transformação da sociedade de alguma maneira, mas antes de tudo, desejo está sempre perto dos amigos que escolhi pra minha vida, sem os mesmos, não haveria realização, porque sempre estiveram comigo quando eu não consegui então desejo que participem das minhas conquistas”.

(Barreto. E. B. 2012).

CONCLUSÃO

O presente artigo realizado tem por objetivo, despertar na família e na escola o compromisso de priorizar e de se trabalhar o projeto de vida dos jovens. Pois os mesmos carecem de auxilio nessa demanda, para orientar bem o seu caminho. No entanto, o objeto pesquisado não se esgota neste artigo, ao contrário, apenas abre caminhos para um debate mais amplo e consistente.

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[1] Psicóloga pela Faculdade de Tecnologia e Ciência – FTC, pós- graduada do curso de Especialização em Família: Relações familiares e contexto Social da Universidade Católica de Salvador. Orientador: Professor Dr. José Eduardo Ferreira Santos.

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Sobre Juarez Duarte Bomfim 757 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: juarezbomfim@uol.com.br.