Bancada do PMDB na Câmara fala em crise política

Eduardo Cunha fala em crise política entre governo Rousseff e PMDB.

Eduardo Cunha fala em crise política entre governo Rousseff e PMDB.

A bancada do PMDB na Câmara dos Deputados decidiu ontem (11/03/2014) votar a favor da proposta de criação de uma comissão externa para viajar até a Holanda a fim de acompanhar investigação sobre denúncias de pagamento de propina de uma empresa daquele país à Petrobras. Na reunião, os peemedebistas também votaram contra a aprovação do projeto de lei que cria o marco regulatório da internet e aprovaram moção de apoio ao líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). A votação do Marco Civil da Internet e a criação da comissão externa constam da pauta do plenário da sessão desta terça-feira.

Segundo Cunha, amanhã (12), os parlamentares do PMDB vão votar favoravelmente à aprovação do requerimento de convite para que a presidenta da Petrobras, Graça Foster, compareça à Câmara para prestar esclarecimentos. Cunha informou que, também amanhã, os peemedebistas votarão pela convocação do ministro da Saúde, Arthur Chioro, para comparecer à Câmara.

Na reunião, da qual participaram mais de 60 dos 76 deputados peemedebistas, foi aprovada nota oficial reiterando que o “único interlocutor da bancada é o líder Eduardo Cunha” e propondo a convocação da Executiva Nacional para debater a atual crise, “com vistas a reavaliar a qualidade da aliança com o PT e a adotar providências visando ao fortalecimento do PMDB”. A nota reafirma a decisão anterior da bancada de não indicar nomes para os ministérios e a intenção dos peemedebistas de se conduzir com independência nas votações, de acordo com a maioria em cada votação.

No inicio da reunião, os deputados aprovaram moção de apoio ao líder Eduardo Cunha, que, segundo eles, tem sofrido “ataques e agressões que extrapolam o patamar da civilidade em quaisquer das relações”. Os ataques ao líder, diz o texto, são “ataques ao PMDB. A bancada manifesta solidariedade a Cunha e reafirma a confiança nele depositada” quando de sua recondução à liderança do partido.

Eduardo Cunha disse aos jornalistas que não cabe à bancada decidir sobre a aliança política com o PT, mas admitiu que “há uma crise política” e que, para solucioná-la, é preciso ter gestos e ações. Segundo ele, na reunião, a bancada externou sua insatisfação com o governo e com a aliança com o PT. “O que está em discussão é a qualidade da aliança”, afirmou.

Câmara deve votar hoje criação de comissão externa para investigar a Petrobras

Mesmo com todas as tentativas do governo de barrar a criação de uma comissão externa para investigar denúncias de pagamento de propina a funcionários da Petrobras, a Câmara dos Deputados aprovou a proposta ontem (11), por 267 votos a favor, 28 contra e 15 abstenções. O governo ainda tentou barrar a iniciativa da oposição por meio de um requerimento pela retirada da proposta, mas o plenário rejeitou o pedido e os parlamentares mantiveram em pauta a proposta da oposição.

A oposição comemorou a aprovação da proposta, que teve o apoio do PMDB, um dos partidos da base aliada ao governo. “É fundamental a aplicação do Congresso Nacional na fiscalização dessas coisas que aparecem e que dizem respeito a denúncias graves, como esta contra a Petrobras, que é um patrimônio do povo brasileiro”, disse o líder do PSDB, Antonio Imbassahy (BA).

Com a criação da comissão, os deputados devem ir à Holanda para acompanhar a apuração das denúncias de irregularidades relacionadas à Petrobras. Segundo a oposição, funcionários da estatal receberam propina da empresa holandesa SBM Offshore, que aluga plataformas flutuantes a companhias petrolíferas. Imbassahy informou que a oposição já definiu os nomes de dois deputados para compor a comissão: Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Fernando Francischini (SDD-PR).

A aprovação da comissão foi o lance decisivo na crise instalada entre a bancada do PMDB na Câmara e o Palácio do Planalto, gerada por impasses na liberação de emendas parlamentares e na formação de alianças regionais para a eleição deste ano.

No domingo (9) e na segunda-feira (10), a presidenta Dilma Rousseff se reuniu com líderes do PMDB para tratar da reforma ministerial e dessas aliança. O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), não foi chamado para nenhuma das reuniões e o gesto foi entendido pela bancada como uma tentativa de isolar o parlamentar fluminense, que tem reclamado da postura do governo.

Como resposta, hoje durante reunião da bancada, os peemedebistas disseram que votariam a favor da aprovação da comissão. Segundo Cunha, amanhã (12), os parlamentares do PMDB vão votar a favor do requerimento de convite para que a presidenta da Petrobras, Graça Foster, compareça à Câmara para prestar esclarecimentos.

O líder informou que, também amanhã, os peemedebistas votarão requerimento pela convocação do ministro da Saúde, Arthur Chioro, para comparecer à Câmara.

Já o líder do governo Arlindo Chinaglia (PT-SP), informou que os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, deverão comparecer amanhã à Câmara para falar aos deputados sobre o que o governo tem feito para apurar as denúncias referentes à Petrobras.

De acordo com Chinaglia, os ministros vão ao gabinete da presidência para informar aos líderes partidários do governo e da oposição e ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), as iniciativas tomadas pelo governo no caso da Petrobras, inclusive no plano internacional.

*Com informações da Agência Brasil.

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