Rainha das Águas. Rainha do Mar

Iemanjá é o orixá do povo Egba, divindade da fertilidade originalmente associada aos rios e desembocaduras. Seu culto principal estabeleceu-se em Abeokuta após migrações forçadas, tomando como suporte o rio Ògùn de onde manifesta-se em qualquer outro corpo de água.
Iemanjá é o orixá do povo Egba, divindade da fertilidade originalmente associada aos rios e desembocaduras. Seu culto principal estabeleceu-se em Abeokuta após migrações forçadas, tomando como suporte o rio Ògùn de onde manifesta-se em qualquer outro corpo de água.

iemanjaNeste mês de fevereiro se festeja na Bahia, em diversos municípios litorâneos ou ribeirinhos, a Rainha Iemanjá. Louva-se também a deusa Oxum, rainha das águas doces.

Em outros Estados brasileiros se comemora em datas diferentes. Nas areias da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, se celebra Iemanjá nos dias 30-31 de dezembro.

Neste breve artigo, antes de escrever sobre a deusa das águas Iemanjá, discorrerei sobre os principais elementos da natureza e os seus elementais,

São quatro os elementos principais da Natureza: Terra, Água, Ar e Fogo. Ligados a esses quatro elementos estão os elementais. Elementais são habitantes do mundo invisível aos olhos humanos. São como espíritos que possuem ligação direta com os elementos da natureza.

Elementais são seres correspondentes a estes quatro elementos da natureza — Terra, Água, Ar e Fogo.

A teosofia e outras doutrinas reconhecem o mundo dos elementais como sendo uma parte do mundo espiritual oculto, que coexiste com o nosso mundo.

A definição dos seres elementais deriva-se do princípio de que os quatro elementos descritos na antiguidade (Terra, Água, Ar e Fogo), possuíam, em verdade, duas naturezas: a natureza “física”, passível de avaliação pelos cinco sentidos do corpo humano (visão, audição, tato, olfato e paladar) e a outra, a natureza “espiritual”, relativa à essência dos elementos.

Os corpos dos elementais são formados de uma matéria mais sutil que a matéria física: quando se tornam visíveis estão no plano etérico (mais sutil que o gasoso); e quando ficam invisíveis eles estão no plano astral (plano mais sutil que o etérico).

Com o olho espiritual aberto podemos ver essas entidades manifestas — o olho espiritual ou terceiro olho encontra-se sob a testa, entre as sobrancelhas.

 

Elementais do ar – Fadas e silfos

Sócrates descreve esses elementais no Fédon de Platão. Diz Sócrates:

— Acima da Terra existe seres vivendo em torno do ar, tal como nós vivemos em torno do mar, alguns em ilhas que o Ar forma junto com o Continente; e numa palavra, o ar é usado por Eles, tal qual a água e o mar são por nós, e o Éter é para nós.

Com minúcia de detalhes, o filósofo grego explica em detalhes a organização social desses seres e seus mundos, que constituem as muitas moradas da Casa do Pai, que nos ensinou o Mestre Jesus.

Elementais do fogo: salamandras

No Ramakhata, Sathya Sai Baba descreve a “prova de fogo” que Sita é obrigada a passar para o encontro com o seu marido Rama, após ser libertada do cativeiro imposto pelo rei-demônio Ravana. Era o teste da pureza de Sita.

E é o próprio Deus do Fogo, Agni, que apareceu na forma de um brâmane, que acompanha Sita pelo corredor de fogo, para ofertá-la aos pés de Rama.

Em diversas culturas e civilizações, estes elementais existem com distintos nomes. E o termo “elementais” aqui usado é apenas uma classificação possível para se entender esses mistérios da natureza.

 

Elementais da terra – gnomos e duendes

Ainda citando o Ramakhata, quando Sita sobe aos céus, no final da saga escrita por Sai Baba, quem vem recebê-la para elevação aos planos superiores é a própria Mãe Terra, que se apresenta como uma formosa mulher sentada em um majestoso trono.

 

O elemento água e os elementais da água

Água é vida. É a prova inconteste da existência do Criador. A água é fonte da vida. Sendo Deus ao mesmo tempo imanente e transcendente, a água é o próprio Deus, é a prova material da existência de Deus. Se a água existe Deus também existe.

Sendo a água fonte da vida, símbolo feminino, materno, de origem da existência, é no útero maternal, nadando no líquido amniótico, que o ser humano tem a primeira relação íntima com a importância vital da água. Ela está ali, garantindo temperatura aconchegante, acariciando e protegendo o novo ser vivente e assegurando-lhe condições para desenvolver-se. Aquele é um “mar” particular do embrião.

No livro sagrado judaico-cristão, a Bíblia, quando o Criador Divino, no principio de tudo, resolve criar os céus e a terra, é através da água que a criação se manifesta, anterior à própria luz: “o Espírito de Deus pairava sobre as águas. E disse Deus: haja luz. E houve luz”.

 

Elementais da água – sereias, ondinas e nereidas

As sereias são cultuadas por diversos povos do globo. A obra literária mais antiga que existe sobre elas é a Odisseia de Homero (850 a. C.) na qual o herói Ulisses tapa os ouvidos para não ser seduzido pelo “canto das sereias” e se amarra no mastro do navio.

Nos cultos afro-brasileiros o elemento água é representado por seres míticos como os orixás Oxum e Iemanjá. Sendo o orixá Iemanjá associado às águas do mar, símbolo materno. Muitos outros significados também lhe são dados.

Iemanjá é representada por uma sereia ou por uma mulher, vestida de azul da cor do mar. O culto a Iemanjá é muito difundido em todo o Brasil, tanto no litoral como no interior do país.

Nos cultos afro-brasileiros, outro orixá feminino, Nanã Buruquê, é considerado a divindade das águas primordiais, dos pântanos e brejos. Associada ao limo fertilizante e a vida, a sua condição primeva lhe levou a ser sincretizada com a Senhora Santana, mãe da Mãe de Deus — a Mãe das Mães.

Na religiosidade hindu, é o Senhor do Oceano quem oferece a deusa Lakshmi aos pés do Senhor Vishnu.

Os elementais da água têm vida própria. Onde há água, há seres aquáticos. Existem guardiões das fontes, ondinas que vivem nos movimentos de água, sereias que penteiam seus cabelos nas rochas, muitos tipos de ninfas, nereidas que mantêm a água limpa e dirigem suas correntes. As sereias e ondinas vivem nos riachos, nas fontes, no orvalho das folhas sobre as águas e nos musgos.

Os seres da água são belos, sedutores, atrativos, sensuais, românticos, brincalhões, porém, também podem ser perversos. Gostam de cantar e adoram música. São símbolos mitológicos das artes da sedução e da atração feminina.

Quando esses seres passam por evolução espiritual, por doutrinação, manifestam apenas os aspectos positivos da personalidade: paz, amor, verdade e justiça. É assim a Rainha Iemanjá que tem a sua imagem associada à Mãe de Jesus, Nossa Senhora da Conceição.

Essa associação pode ser vista como sincretista. Porém, pode ser também uma associação a partir dos três mistérios ou planos de existência: Céu, Terra e Mar. Em muitas doutrinas cristãs e ecléticas no Brasil, há uma hierarquia divinal onde a Mãe Divina — a Mãe de Deus — é rainha dos três planos, Céu, terra e Mar.

Respeitando a hierarquia, Iemanjá, Oxum, Nanã e outros orixás e seres de panteões de povos que cultuam os encantados, como caboclos, pretos-velhos e encantos, vêm a seguir, pois à Mãe Divina, que é o próprio Deus Criador no seu aspecto feminino, é dado a condição de Rainha Soberana.

Como já dissemos, outros nomes se dão a esses seres elementais: encantos, encantados e o conjunto deles também pode ser chamado de encantaria. Existem muitos outros seres marinhos: botos, tubarões, peixes…

Quem são esses seres? O que são esses seres?

Em sânscritos, a linguagem milenar da Índia, são todos “lila” (brincadeira) de Deus. Seres que o Pai Divino criou para o seu e o nosso deleite.

 

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Sobre Juarez Duarte Bomfim 740 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]