Feira de Santana: vereador Pablo Roberto é intimado à depor por crime comum e diz que é vítima de perseguição política

Pablo Roberto: "só posso concluir que as motivações que levaram a montagem desta farsa que tenta me envolver, foram políticas.".
Pablo Roberto: "só posso concluir que as motivações que levaram a montagem desta farsa que tenta me envolver, foram políticas.".
Pablo Roberto: "só posso concluir que as motivações que levaram a montagem desta farsa que tenta me envolver, foram políticas.".
Pablo Roberto: “só posso concluir que as motivações que levaram a montagem desta farsa que tenta me envolver, foram políticas.”.

Na manhã de 17 de fevereiro de 2014, primeiro dia dos trabalhos legislativos da Câmara Municipal de Feira de Santana, um episódio emergiu do cenário policial e tomou conotações políticas. Membros da polícia civil levaram intimação para que o vereador Pablo Roberto (PT) comparecesse à audiência em que é acusado de crime comum.

A acusação foi feita por parte de um ex-interno do Centro de Atendimento Socioeducativo (CASE) Juiz Melo Matos, vítima de tentativa de homicídio. Segundo relato do próprio vereador Pablo Roberto, o menor acusou ele e mais cinco pessoas de fazerem parte de grupo de extermínio.

Mas, o que parece ser um caso de polícia ganhou conotação política, quando o vereador foi à tribuna da Câmara e atribuiu perseguição política, através do aparelhamento do Estado. Ao criticar a situação, o vereador não apenas atingiu o deputado local, mas, o próprio Partido dos Trabalhadores e o Governo da Bahia. No discurso, Pablo afirmou que busca em Brasília, na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, apoio para que as investigações transcorram através da Polícia Federal. O que, na visão do vereador, trará a segurança jurídica necessária ao caso.

Durante todo o discurso, evitou citar o nome do político a que caberia a possível manipulação do aparato do Governo da Bahia. Mas, ao lembrar que naquela mesma tribuna tinha feito duras críticas e acusações ao político, deixou transparecer na entrelinhas o nome do Líder do Governo Wagner, deputado José Cerqueira Neto (Zé Neto, PT).

O nível interno de debates do Partido dos Trabalhadores em Feira de Santana ganha novo componente com as declarações do edil. A sociedade espera que ocorra a devida elucidação do caso, e que, caso existam responsáveis, estes paguem pelos erros que cometeram.

O caso segue em segredo de justiça. Confira a seguir a nota emitida pelo vereador Pablo Roberto

Nota de esclarecimento

Acredito que quando um homem opta por assumir um cargo público eletivo, opta também por exercer uma vida de transparência, responsabilidade e honradez, em respeito a todas e todos aqueles que fizeram deste seu representante. Sendo assim, sinto-me no dever de comunicar os últimos fatos que tem ocorrido comigo, principalmente por estes não dizerem respeito exclusivamente à minha vida pessoal. E foi baseado nisto, o nosso pronunciamento na Câmara Municipal de Vereadores de Feira de Santana, nesta terça-feira, dia 18 de Fevereiro de 2014.

Tive conhecimento de que um adolescente  assistido da CASE Zilda Arns, alegou que teria sido cooptado por mim, em uma reunião supostamente ocorrida naquela unidade, onde Ediney Gomes (ex-Coordenador de Segurança da Case Zilda Arns) teria lhe feito proposta para matar o atual Diretor e promover uma rebelião. De antemão, esclareço que, a última vez que estive nas dependências da unidade após a demissão do diretor Danilo Araújo, foi enquanto representante da Comissão de Direitos Humanos desta Casa, acompanhado dos outros membros da mesma, durante o processo de invasão à Unidade – como pode ser constatado através de registro da Portaria. Reitero que, JAMAIS, participei de qualquer reunião deste teor com o adolescente ou qualquer outra pessoa.

Tivemos conhecimento ainda que o adolescente em questão, dias depois, teria fugido da unidade, sendo baleado enquanto esteve em liberdade. A fuga foi narrada amplamente pela imprensa local, a exemplo de postagem no site Central de Polícia, no dia 29 de dezembro de 2013, com informações do jornal, Folha do Estado, a qual transcrevo o seguinte trecho: “Durante a fuga, ‘ele’ atravessou a guarita do Centro Socioeducativo e escalou o muro do local de 7m de altura, após pular outro muro da parte interna de 2,20 m. Dois menores que estavam com ele também tentaram fugir, mas foram pegos”.

Julgo que esta é mais uma questão que deve ser investigada, para avaliar se possui ou não relação direta com o caso. Todos estes fatos me fizeram iniciar um processo de constatação da verdade. Para isso, busquei orientação jurídica e dei entrada em uma Petição, solicitando a investigação do Ministério Público sobre os fatos. Acredito que a verificação dos mesmos pelos representantes do MP alcançará a verdade da situação, e, naturalmente ficará provada a ausência do meu envolvimento sob qualquer aspecto, neste caso.

Nesta segunda-feira (17/02/2014), fui comunicado pela presidência da Câmara de Vereadores de Feira de Santana, da entrega de intimação para que eu me apresentasse na 1. Coordenadoria de Polícia de Feira de Santana, no dia 19 de Fevereiro, às 15h, com o objetivo de “prestar declarações”. Ao buscar mais informações, nosso advogado foi comunicado de que o inquérito, no qual devo prestar esclarecimentos, segue em segredo de Justiça, e que portanto, não teria acesso a nenhum peça do suposto inquérito. Ocorre que, inexplicavelmente, ainda que corra em segredo de justiça, boatos foram repercutidos envolvendo o meu nome, dando conta dos fatos acima apresentados, assim como de que eu estaria sendo supostamente acusado de comandar grupo de extermínio contra menores na cidade.        Reitero que, durante a minha gestão de seis anos nas CASES Melo Matos e Zilda Arns, todas as ações foram pautadas dentro da legalidade, inclusive atendendo as normativas nacionais e internacionais dos Direitos Humanos. Estabelecendo sempre um bom relacionamento com a rede de proteção à criança e o adolescente.

Comunico publicamente que não poderei me fazer presente na audiência marcada, por já ter agendado previamente em Brasília, outra audiência com a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Desde o recebimento da intimação, tentamos, junto ao coordenador da Polícia Civil, antecipar a data agendada, o que até o momento não foi possível ainda. Meu advogado segue tratando do reagendamento junto com o delegado solicitante, pois, tenho total interesse em prestar os esclarecimentos necessários à Polícia.

Diante de todos os fatos apresentados, só posso concluir que as motivações que levaram a montagem desta farsa que tenta me envolver, foram políticas. Uma tentativa de descrediblizar a mim e ao meu grupo político, diante da sociedade, atribuindo falsamente atos à minha pessoa. No entanto, tenho certeza de que a verdade prevalecerá nesta ou qualquer outra situação. Não temo, e lutarei honradamente para que cada cidadão e cidadã conheça à realidade.

Pablo Roberto, Vereador pelo PT

Feira de Santana, 18 de fevereiro de 2014.

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Confira o áudio do pronunciamento de Pablo Roberto

Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9318 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).