Morre no Rio Lúcia Rocha, mãe do cineasta Glauber Rocha

Lúcia Rocha, mãe do cineasta baiano Glauber Rocha, morreu ontem (03/01/2014) no Rio de Janeiro.
Lúcia Rocha, mãe do cineasta baiano Glauber Rocha, morreu ontem (03/01/2014) no Rio de Janeiro.
Lúcia Rocha, mãe do cineasta baiano Glauber Rocha, morreu ontem (03/01/2014) no Rio de Janeiro.
Lúcia Rocha, mãe do cineasta baiano Glauber Rocha, morreu ontem (03/01/2014) no Rio de Janeiro.

A mãe do cineasta baiano Glauber Rocha morreu ontem (03/01/2014) no Rio de Janeiro. Lúcia Rocha tinha 94 anos e sofreu uma parada cardíaca. Pelo Facebook, a filha de Glauber, Paloma Rocha, informou a morte da avó: “Com muita tristeza aviso aos amigos que minha avó está partindo”, disse. Também por meio da rede social ela declarou que o velório será hoje à noite no Tempo Glauber, em Botafogo, na zona sul do Rio. “Para àqueles que quiserem se despedir…”, completou.

Lúcia Rocha foi responsável por preservar grande parte do acervo do filho cineasta, morto em 1981, que se destacou nos anos 1960 e 1970. Entre outras obras, ele dirigiu Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe. Glauber ganhou o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes com o filme O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro.

O Tempo Glauber foi criado para manter a história de um dos mais importantes artistas do Cinema Novo. No local há exposição permanente de fotos de Glauber Rocha, textos guardados por Lúcia Rocha e a filmografia do cineasta.

Governador Jaques Wagner presta solidariedade aos familiares da mãe de Glauber Rocha

O governador Jaques Wagner, ao ser informado do falecimento da mãe do cineasta baiano Glauber Rocha, dona Lúcia Rocha, de 95 anos, nesta sexta-feira (3), no Rio de Janeiro, expressou sua solidariedade aos familiares da matriarca.

“Em nome de todos os baianos e da primeira-dama do Estado, Fátima Mendonça, quero me solidarizar com a família de dona Lúcia Rocha, mãe de Glauber Rocha, um dos maiores cineastas brasileiros de todos os tempos e reconhecido no mundo pela genialidade do seu trabalho na sétima arte. De Vitória da Conquista, Dona Lúcia tinha 95 anos e participava ativamente da Fundação Tempo Glauber, com sede no Rio de Janeiro, dedicada à memória da obra do cineasta. Mãe de três filhos, D. Lúcia sobreviveu a todos os filhos, e soube, como ninguém, manter viva a esperança e a coragem de seguir em frente com determinação. Sempre incentivou o filho na sua carreira de cineasta e lutou, como uma guerreira, para preservar a memória das obras do cineasta, após a sua morte. Merece o respeito de todos nós, pela sua coragem, ousadia e determinação, seguindo sempre em frente, mesmo com todas as tragédias familiares que suportou.”

Confira entrevista concedida por Lúcia Rocha a Agência Senado durante as comemoração dos 30 anos de morte de Glauber Rocha

“Os artistas não morrem jamais”

Desde a morte de Glauber Rocha, em 1981, a missão de sua mãe, Lúcia Rocha, é procurar e guardar todo e qualquer material referente a seu filho. Aos 92 anos, ela é a guardiã do Tempo Glauber, um centro cultural no Rio dedicado ao cineasta, com um acervo que já chega a 100 mil peças.

– Muita gente se interessa. Um professor francês de Cinema vem aqui todos os anos. Ele passa três meses pesquisando e depois volta para casa – conta, orgulhosa.

Lúcia Rocha participará nesta terça-feira (23/08/2011), no Senado, da sessão em homenagem a Glauber, proposta pela senadora Lídice da Mata (PSB-BA). Leia abaixo entrevista da mãe do cineasta para o Jornal do Senado.

Como era o filho Glauber Rocha?

Enquanto todas as crianças da idade dele estavam na rua, brincando de peteca ou bola de gude, ele ficava dentro de casa, lendo e escrevendo. Aquilo me chamava a atenção. “Minha mãe, minha cabeça é um vulcão”, ele explicava. Eu entendi que, lendo e escrevendo, ele dava um jeito de expelir todas as ideias que tinha dentro da cabeça. O curioso é que Glauber detestava a escola. Uma vez, ele brigou com a professora e veio para casa dizendo que não queria mais voltar. Ele achava a professora fraca. Queria que eu o ensinasse a ler e escrever. E, de fato, fui eu que o alfabetizei.

Dos filmes de Glauber, qual é seu favorito?

Meu favorito é Barravento. Sabia que ele planejou esse filme quando tinha sete anos? Estávamos passeando na praia de Buraquinho, na Bahia, e ele, criança, disse: “Quando crescer, vou fazer um filme aqui”. Anos mais tarde, ele voltou lá para fazer Barravento. O filme é muito bonito. Eu participei de todos os filmes que Glauber fez no Brasil. Eu costurava as roupas, fazia comida para os atores… Ajudei com dinheiro também. Eu era rica e, por causa do cinema, fiquei pobre. Mas não me arrependo. Valeu a pena. Se outro filho quisesse fazer cinema, ajudaria do mesmo jeito.

A senhora cuida do Tempo Glauber, um espaço que guarda 100 mil documentos. Foi difícil reunir um acervo tão amplo?

Eu comecei a juntar o material quando ele tinha nove anos. O primeiro documento é o roteiro de uma peça de teatro que ele encenou no colégio. Tenho até anotações que ele fazia em papel, amassava e jogava fora. Eu corria ao lixo, pegava o papel, passava com ferro e guardava. Minha missão, hoje, é reunir, conservar e divulgar toda a produção de Glauber. Tenho fotos, poemas, cartas, entrevistas publicadas, desenhos, roteiros que nunca chegaram a ser filmados. As pessoas vêm aqui, interessam-se pelos roteiros, mas ninguém tem coragem de fazer os filmes. Seria muita responsabilidade. Quando Glauber foi morar na Europa, ele me pediu que eu cuidasse de todo o material dele. Jurei que cuidaria de tudo e que, assim, ele nunca morreria. E, de fato, ele nunca morreu – porque o artista nunca morrem.

Redação do Jornal Grande Bahia
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