Confira a relação de praias de Salvador inadequadas para banho de mar

Vista aérea de Salvador. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
Vista aérea de Salvador. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
Vista aérea de Salvador. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
Vista aérea de Salvador. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
Vista aérea de Salvador. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
Vista aérea de Salvador. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
Vista aérea de Salvador. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
Vista aérea de Salvador. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

Na estação mais movimentada para o turismo e mundialmente conhecida por sua beleza natural, Salvador lamenta a exclusão de doze praias do roteiro dos banhistas devido a poluição das águas. Buraquinho, na RMS, também sofre com a sujeira da água, perdendo frequentadores a cada ano. Embora seja um panorama temporário, as causas da contaminação são recorrentes na capital baiana e na RMS e incluem poluição das ruas, ação das chuvas, existência de esgotamento clandestino e o descarte irregular do lixo na praia.

Conforme o Inema – Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos o monitoramento das praias é feito continuadamente, mas apenas o resultado das últimas cinco semanas é considerado, de acordo com a norma internacional. Ainda de acordo com a Assessoria de Imprensa do órgão, a praia é considerada própria para banho quando pelo menos 80% das amostras têm menos de mil coliformes fecais por 100 ml de água. Em relação à falta de sinalização, o Inema informou que as placas fincadas nas praias foram apedrejadas e arrancadas, algumas degradadas pelo tempo.

O órgão alerta os banhistas sobre os perigos de contaminação do mar no período em que o tempo estiver chuvoso, devido a presença de detritos diversos, carregados das ruas através das galerias pluviais, o que pode causar doenças. Além disso, é desaconselhável ainda em dias de sol, o banho próximo à saída de esgotos, desembocadura dos rios urbanos, córregos e canais de drenagem.

Já os esgotos dos imóveis de Salvador estão conectados ao sistema de esgotamento sanitário da Embasa (SES) e depois de passarem por coleta, transporte e condicionamento prévio, são enviados para o emissário do Rio Vermelho ou da Boca do Rio e lançados ao mar em profundidades e distâncias seguras, sem causar nenhum dano ao Meio Ambiente ou a banhistas. O sistema conta com mais de 450 mil ligações de esgoto.

No Ranking Nacional do Saneamento divulgado em setembro deste ano pelo Instituto Trata Brasil, organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) voltada para a universalização do serviço de coleta e tratamento de esgoto, Salvador ocupa a 11ª posição em tratamento de esgotos entre os cem maiores municípios brasileiros, alcançando um índice de 81%.

Para ampliar este índice, a Embasa informa que continua trabalhando, executando uma média de 2.500 ligações por mês. A empresa conta, também, com sistemas de captação em tempo seco, que possibilita, em períodos não chuvosos, que os esgotos lançados por moradores em rios e córregos da cidade sejam tratados e tenham destinação adequada.

Após a divulgação da última análise feita pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), que classificou 12 praias impróprias para banho em Salvador e Região Metropolitana, a equipe de reportagem da Tribuna da Bahia foi à Orla investigar quais as principais causas do problema.

Confira como estão as praias

Amaralina – Próximo à famosa praça das baianas, em Amaralina, o mar também não está para banhistas esta semana por conta da grande concentração de coliformes fecais e bactérias encontradas nas amostras coletadas nas últimas cinco semanas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). Com as típicas chuvas de verão e a habitual concentração de lixo em toda zona urbana da cidade, o sistema de drenagem pluvial que desemboca no mar acaba levando, além do acumulo de água, muito lixo e microorganismos, conforme informa o coordenador de monitoramento do Inema, Eduardo Topázio. “Se não fosse pela falta de educação das pessoas em relação ao descarte do lixo, a saída nas praias seria de água limpa”, afirmou.

Vendedora ambulante da região, a aposentada Ana Maria Oliveira da Silva, 75 anos, confirma as informações prestadas pelo órgão estadual. “A boca de lobo fica sequinha, mas quando chove começa a sair uma água preta de lá de dentro e vai direto para o mar”, contou a vendedora. Morador da região, Paulo Siqueira também confirmou o problema. “Sempre batemos o baba aqui nos finais de semana, mas quando a areia está preta de sujeira a gente deixa pra outro dia ou vai pra outra praia”, enfatizou.

Pituba – Considerado bairro de classe média alta, a praia da Pituba também não escapa da poluição. Duas bocas de lobo grandes são responsáveis por desembocar muita água suja, motivo de queixa dos frequentadores, conforme atesta o pescador Dásio Primo de Oliveira, 53 anos. “Já cansei de ver o pessoal tomando banho de mar e de repente sair correndo da água por causa do aparecimento da mancha preta na água”, disse.

A mancha apontada por ele é proveniente de esgotos clandestinos ligados a rede de drenagem da água da chuva, conforme informou o Inema.  “Construções irregulares que não têm o saneamento básico ligado ao sistema da Embasa acabam vinculando o sistema de esgoto a rede de drenagem de água da chuva, sendo responsáveis pela poluição de muitas praias”, explicou o técnico do Inema.

Com a neta de dois anos, a professora Norma Cardim desconfiou das condições de balneabilidade da praia da Pituba, mas insistiu em permanecer no local por ser perto de casa. “Estranhei a cor da areia, mas ela insistiu para ficar então acabei cedendo. Mas é fato que se eu soubesse que esta praia estava sem condições para banho, jamais viria, principalmente com ela”, confessou.

De acordo com a Embasa, os problemas dos esgotos clandestinos são da alçada da prefeitura, responsável pelo ordenamento e uso do solo. Mas ainda sobre o assunto, o órgão informou que “estes lançamentos são indevidos pois são provenientes de imóveis cujas ruas já contam com rede pública de esgotamento sanitário. A obrigação de ligar o imóvel à rede da Embasa é do morador ou do proprietário, de acordo com a lei estadual n° 7.307/1998. A mesma lei proíbe a ligação de esgotos à rede de águas pluviais, cuja função é coletar água de chuva”, diz nota enviada pelo órgão.

Armação e Boca do Rio – Embora pouco frequentada devido a agressividade do mar, a praia de Armação também está na lista suja do Inema e deve ser evitada  para banho nos próximos dias, assim como as da Boca do Rio. Os motivos, segundo o órgão, são semelhantes à situação encontrada nas praias citadas anteriormente, no entanto, outros fatores também são responsáveis por poluir o mar. “O próprio contato das pessoas com o mar, a frequência, o abandono de resíduos sólidos, tudo isso pode influenciar na balneabilidade da praia”, continuou o técnico.

O contato com sujeira dos rios também são responsáveis pela poluição do mar, um dos problemas encontrados pela equipe da Tribuna na Boca do Rio, onde desemboca o Rio das Pedras. Ao longo do seu trajeto, o Rio Cascão como também é conhecido recebe esgoto clandestino de vários bairros.

Corsário e Patamares – Não precisa ser um especialista em poluição para saber por que estas duas praias estão excluídas da rota de banho do Inema. A enorme quantidade de lixo encontrada nestas praias vizinhas é suficiente para entender a poluição no mar, no entanto, não é o bastante para afastar os banhistas. Apesar do serviço municipal de limpeza realizado diariamente, na manhã de ontem, a praia do Corsário mais parecia uma central de reciclagem, tamanha a presença de resíduos de plásticos, latas e demais objetos abandonados na areia no último domingo.

“Esta pior do que na noite do réveillon. As pessoas se acham no direito de usar a praia, desfrutar dela e até ganhar dinheiro, mas sequer se preocupam em conservá-la limpa para voltar outro dia”, desabafou o vendedor ambulante Ademário Macedo de Jesus, 50 anos. O lixo produzido pelo ser humano também é um dos fatores responsáveis pela poluição do mar, segundo o Inema.

Buraquinho, em Lauro de Freitas – Pauta da Tribuna em janeiro de 2013, a falta de saneamento básico em praticamente todo o município de Lauro de Freitas continua sendo um problema que gera prejuízos incalculáveis ao meio ambiente. E este também é o principal motivo da poluição do mar da Praia de Buraquinho, na Região Metropolitana de Salvador. Com a inexistência de esgotamento sanitário em pelo menos 90% da cidade, conforme denunciado pela Tribuna, todo o dejeto produzido, inclusive pelos condomínios de luxo da região desemboca no Rio Joanes e, automaticamente, nas praias do município.

Preferida por soteropolitanos e turistas pelo encontro do Rio com o mar e pela formação de piscinas naturais, Buraquinho tem sido abandonada pelos frequentadores justamente por conta do problema, como informam comerciantes da região. “É uma coisa tão absurda que não tem explicação. Dá pra ver até o tipo de lixo que sai dos canos dos condomínios, água suja de cozinha, de banheiro, lixo de tudo quanto é tipo, mas ninguém faz nada”, afirmou a comerciante Joselita Couto de Andrade.

No caso específico de Buraquinho, a Embasa informou que “alocou recursos da ordem de R$ 170 milhões e realizou licitação para implantação do sistema de esgotamento sanitário de Lauro de Freitas (SES). No entanto, em virtude de não cumprimento de prazos pelo consórcio responsável pela execução da obra, a Embasa rescindiu o contrato em setembro de 2011. Atualmente, uma liminar da parte contratada na 28ª Vara Cível de Salvador está impedindo a Embasa de relicitar a obra”.

Ainda segundo o órgão, o sistema implantado atenderá a sede municipal de Lauro de Freitas. O projeto de implantação do SES prevê a implantação de 222 quilômetros de rede coletora, 33 estações de bombeamento, 33 quilômetros de linha de recalque (ligação da rede ao interceptor da Paralela) e 40 mil ligações domiciliares. O sistema também será integrado ao de Salvador e os esgotos do município serão enviados para o emissário submarino da Boca do Rio.

Periperi  – atrás da estação Férrea – Qualquer pessoa que vai à praia de Periperi, se depara com um esgoto a céu aberto. Lixo, fezes de animais e até fezes humanas podem ser encontradas na areia da praia. Comerciantes afirmam que, vez em quando, a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) faz limpeza no canal de esgoto. Entretanto, nos períodos de chuva, a situação piora e o lixo jogado no canal de esgoto vai parar no mar. Até pouco tempo atrás havia placa sinalizando que a praia era imprópria para banho, mas foi arrancada.

Bogari – em frente ao Colégio João Florêncio Gomes – Não há presença de placas de sinalização informando que a praia de Bogari é imprópria para banho. Em uma área da praia, há desemboque de esgoto. Bogari costuma ser muito frequentada, mas, assim como boa parte das praias daquela região, está com a água contaminada. Apesar da presença de uma lixeira, é grande a quantidade de lixo espalhado pela praia.

Pedra Furada – atrás do Hospital Sagrada Família – Sem manutenção ou limpeza, é grande o acúmulo de limo por quase toda a praia, além do problema de quase todas as outras praias impróprias para banho: esgoto a céu aberto. Moradores reclamam do mau cheiro e afirmam que, mesmo com a presença de esgoto e limo, pessoas tomam banho no local.

“Nunca houve manutenção aqui na região. Tem dias que o mau cheiro é insuportável, mas ainda assim há pessoas mergulhando”, desabafou o motorista Pedro Augusto, 57.

Roma – atrás do Hospital São Jorge – Quem passa nas proximidades da praia de Roma, não consegue visualizá-la.  Há muitos anos, casas foram construídas em áreas de praia e, se não fosse pelo quebra-mar, as casas seriam invadidas pelas águas. Nos períodos de muita chuva, o estado da praia se agrava por conta do lixo que avança pelo Sistema de Drenagem Pluvial, contaminando a água.

O comerciante Celso de Jesus, 62, que mora nas proximidades e costuma ir à beira da praia admirar o mar, reclama da situação. “É um mau cheiro horrível, tem dias que a água está preta. E não deixam de tomar banho por isso. Principalmente pescadores que ficam jogando tarraxas. Havia sinalização no local, mas como podem ver, a placa foi cerrada”, disse Celso, enquanto mostrava a placa arrancada.

Canta Galo – atrás da antiga fábrica da Brahma, atual FIB – A praia de Canta Galo é uma das mais precárias. Decorrente do crescimento desordenado da cidade, a praia basicamente não tem caixa de areia. O esgoto das casas vai direto para o mar, causando um intenso mau cheiro. O problema gerado pela falta de saneamento básico é antigo, e perturba diariamente os moradores da região.

Reportagem de Kelly Cerqueira e Rayllana Lima | Jornal Tribuna da Bahia – Parceiro do Jornal Grande Bahia.

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