O economês decifrado | Por Paul Krugman

Paul Krugman: Existe muita confusão derivada das expressões caras aos especialistas.
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O que temos aqui é um problema de comunicação. Na verdade, em geral isso não é verdade. A maioria das discussões sobre política econômica envolve debates reais sobre como o mundo funciona. Às vezes são debates inteligentes, como aquele sobre a eficácia da facilitação quantitativa, e às vezes são idiotas, como aquele sobre se o Federal Reserve está degradando a moeda, mas de qualquer modo os debates são sobre algo real.

Mas a esses argumentos devemos acrescentar uma camada extra de confusão que surge do modo como os economistas usam as palavras. Com bastante frequência, uma expressão que está profundamente incrustada na linguagem profissional parece estranha para leigos ou pode ser mal interpretada.

Um exemplo da primeira situação é “estagnação secular”.  Sei que muitos de meus leitores não gostam dela. Ela conta com a definição 3(c) de “secular” no dicionário Merriam-Webster’s: “Próprio de ou relacionado a um longo período de duração indefinida”, não exatamente o significado que vem à mente da maioria das pessoas. Infelizmente, esse é o termo que os economistas usam para o conceito desde que Alvin Hansen o popularizou nas décadas de 1930 e 1940, e é muito difícil mudá-lo.

Suponho que eu poderia tentar pôr em circulação uma opção atraente. Afinal, coloquei na roda a “fadinha da confiança”. Talvez Taxas de Juro de Equilíbrio Negativo Sustentado, ou Sneer (desdém, em inglês)? Não sei, é realmente difícil mudar uma coisa como essa depois de estabelecida.

Outro exemplo é o uso do termo “estrutural”, como em “desemprego estrutural”.

Agora, um aspecto desse significado é “difícil de mudar”. Mas um número razoável de pessoas acredita ter encontrado uma pegadinha: eu venho negando que os Estados Unidos têm um grande problema de desemprego estrutural, e agora estou dizendo que o país pode ter um problema sustentado de estagnação econômica. Contradição!

Ora, não.

O desemprego estrutural tem um significado muito mais específico que isso. Significa o desemprego que não pode ser eliminado apenas por meio do aumento da demanda agregada. Ele está intimamente ligado à noção de uma curva de Phillips, uma compensação entre desemprego e inflação.

É quase a mesma coisa, mas não exatamente, que a Nairu, a taxa de desemprego que não acelera a inflação, não exatamente, porque agora estou convencido de que a curva de Phillips a longo prazo se achata quando a inflação é baixa. Por isso, é mais parecida com o índice de desemprego mínimo (razoavelmente) consistente com inflação baixa e estável.

O ponto crucial, porém, é que é um conceito econômico pelo lado da oferta. Tem a ver com os limites do que se pode alcançar aumentando a demanda agregada. Não se trata de estagnação secular, que tem a ver com por que poderia ser difícil aumentar a demanda agregada, em primeiro lugar.

Uma moral da história é tomar cuidado: o economês pode parecer português, mas às vezes há diferenças cruciais. A principal moral da história é que, em última instância, não se trata de palavras, e sim do modelo.

Para os republicanos, o Obamacare é a nova Bengasi

O HealthCare.gov (site da Saúde dos EUA) está funcionando muito melhor. Não tão bem, por exemplo, quanto o Amazon.com, mas, lembre-se, o governo está principalmente tentando dar dinheiro às pessoas, na forma de seguro subsidiado, em vez de lhes vender alguma coisa, por isso não precisa se equiparar ao desempenho comercial imediatamente. Ainda há problemas sérios na outra ponta, a entrega de informação às seguradoras. Mas o site não é mais motivo de piada, ele vai melhorar, e muitas pessoas terão se inscrito quando terminarem as matrículas em 31 de março.

Em suma, a crise terminou, para o presidente Obama e para os democratas. Está apenas começando para os republicanos, que não conseguirão abandonar a ideia de que o programa é um escândalo criminoso, e que multidões com forcados vão marchar sobre a Casa Branca se puderem encontrar as palavras certas.

Eles vão tentar de tudo. Vão realizar audiências intermináveis; farão os suspeitos de sempre publicarem muitos editoriais. Talvez consigam que 60 Minutos apresente uma reportagem que tenha de ser desmentida.

E sim, talvez os republicanos ganhem alguns assentos nas eleições de meio de mandato, embora estas ainda estejam muito distantes. Mas a reforma da saúde, quase certamente, superou o pio

*Paul Krugman, do The New York Times .

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