Em entrevista exclusiva, prefeito José Ronaldo fala sobre planejamento de Feira de Santana e comenta candidatura ao governo do estado

Carlos Augusto entrevista José Ronaldo de Carvalho sobre a necessidade de planejamento de longo prazo. Foto: Fernanda Garcez | Jornal Grande Bahia)
Carlos Augusto entrevista José Ronaldo de Carvalho sobre a necessidade de planejamento de longo prazo. Foto: Fernanda Garcez | Jornal Grande Bahia)
Carlos Augusto entrevista José Ronaldo de Carvalho sobre a necessidade de planejamento de longo prazo. Foto: Fernanda Garcez | Jornal Grande Bahia)
Carlos Augusto entrevista José Ronaldo de Carvalho sobre a necessidade de planejamento de longo prazo. Foto: Fernanda Garcez | Jornal Grande Bahia)
José Ronaldo: "Outra questão do meio ambiente, e que hoje ainda existe, é a agressão ao rio Jacuípe, na ponte indo para Ipuaçu. A SEMAM pediu um estudo, contratou uma empresa no sentido de fazer estudos sobre a poluição da água para poder agir, então é algo que estamos esperando.". (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
José Ronaldo: “Outra questão do meio ambiente, e que hoje ainda existe, é a agressão ao rio Jacuípe, na ponte indo para Ipuaçu. A SEMAM pediu um estudo, contratou uma empresa no sentido de fazer estudos sobre a poluição da água para poder agir, então é algo que estamos esperando.”. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
José Ronaldo comenta sobre a possibilidade de sair candidato ao governo em 2014: "Na minha cabeça, essa chance não tem passado, só está passando ficar até o final do governo.". (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
José Ronaldo comenta sobre a possibilidade de sair candidato ao governo em 2014: “Na minha cabeça, essa chance não tem passado, só está passando ficar até o final do governo.”. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
José Ronaldo: "Abrir um diálogo com a China é sem dúvida nenhuma algo extremamente positivo, já que outros estão tentando há muito tempo e nós conseguimos este diálogo.". (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
José Ronaldo: “Abrir um diálogo com a China é sem dúvida nenhuma algo extremamente positivo, já que outros estão tentando há muito tempo e nós conseguimos este diálogo.”. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

Ocupando o cargo de prefeito de Feira de Santana pela terceira vez, José Ronaldo de Carvalho (DEM) concedeu entrevista exclusiva ao diretor e editor do Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto. A entrevista foi gravada no gabinete do prefeito, no dia 25 de setembro de 2013, e abordou diveresas temáticas.

Durante a entrevista, Ronaldo não poupou críticas ao governo do estado, e cobrou investimentos da EMBASA no saneamento, além de atribuir a falta de um estudo e planejamento sobre o sistema sanitário do município. O prefeito destacou o papel da imprensa e do Jornal Grande Bahia com relação aos crimes ambientais que ocorrem no município.

Outro aspecto que merece nota, é o fato do prefeito reconhecer a necessidade de planejamentos em vários setores, inclusive a necessidade de uma política de resíduos. Com relação ao Feira Tênis Clube, Ronaldo disse que o município estuda um projeto para o local. A entrevista também abordou a visita da delegação chinesa, os investimentos em transporte público e a possibilidade de Ronaldo sair candidato a governador da Bahia, em 2014.

Confira a entrevista

Jornal Grande Bahia – O senhor ocupa esse cargo pela terceira vez, e nenhum estudo denso sobre o planejamento urbano e rural, ou seja, do município, as formas de ocupação econômica, industrial, comercial, residencial, de que maneira o município deve tratar o meio ambiente. Então, por que até hoje a sua administração não contratou uma grande consultoria de uma grande universidade no sentido de produzir um estudo que norteasse as ações das suas administrações?

José Ronaldo de Carvalho – Têm duas ações para gente trabalhar nessa linha. Uma é você ajudar a manter o que você tem, não permitir mais determinadas agressões. Então eu acho que dentro desse processo nós atuamos e por diversas e diversas vezes nós temos agido no sentido de preservar estas áreas, inclusive derrubando construções, não permitindo novas construções nas áreas. Mas, infelizmente, tivemos um período em que esse processo não foi feito, e como oito anos de prefeito que fui, não houve nenhuma invasão, em nenhuma área de terra pública do município de Feira de Santana. Nós retomamos, nesses nove meses, também não houve, e o que se tentou, nós não permitimos.

Na questão do meio ambiente, nós temos em Feira de Santana algumas ações concretas. Nós fizemos o Parque do Geladinho, que foi concluído pelo prefeito anterior, aonde a gente preserva uma área bonita dentro da cidade de Feira de Santana. Fizemos o Parque da Cidade aonde a gente preserva outra área muito bonita no nosso município, tanto área verde como de água. Nós lutamos muito na questão do rio Subaé, e trabalhamos muito nessa linha, e na lagoa Salgada, através da secretaria de Meio Ambiente que tem trabalhado diuturnamente, tem fiscalizado, tem cobrado multas e recebido o pagamento dessas multas, dessas últimas que acontecerão e foram divulgadas na cidade inclusive por você. Assuntos foram parar no ministério público na área do meio ambiente que tem feito um esforço hercúleo.

Agora, existem coisas que ao longo dos anos se deteriorou totalmente, então ficou uma dificuldade gigantesca na antiga lagoa do Prato Raso, por exemplo, que já vem ocorrendo desde as décadas de 70, 80 e 1990, praticamente inviabilizaram a recuperação dessa lagoa. Lembro-me quando assumi em 2001, nós recebemos um documento da Embasa dizendo que a recuperação daquela lagoa era impossível de ser feita, por tanta coisa que já tinha acontecido naquela região, naquele local.

Outra questão do meio ambiente, e que hoje ainda existe, é a agressão ao rio Jacuípe, na ponte indo para Ipuaçu. A SEMAM pediu um estudo, contratou uma empresa no sentido de fazer estudos sobre a poluição da água para poder agir, então é algo que estamos esperando, este resultado e a depender do resultado recebido a gente vai tomar uma atitude até mais dura é inadmissível que ainda tenha naquela região, com esgotos sendo jogado sem tratamento. Não há mais necessidade para isso, não é que nunca teve, mas a verdade é que hoje com as obras de saneamento básico da cidade ter ainda nessa região alguma coisa que esteja indo para o rio, um rio que a gente sabe que vai para o Paraguaçu, para a barragem Pedra do Cavalo que abastece a maior população da Bahia, mais de quatro milhões de pessoas são abastecidas por esta barragem, então é extremamente preocupante

Agora eu vejo outras lagoas de Feira perfeitamente viáveis ainda no sentido da recuperação, e ainda tem possibilidade de fazer isso. Algumas ações estão sendo feitas no sentido de que isso aconteça, alguns projetos estão sendo liberados. Estamos tendo um cuidado gigantesco de não agredir o meio ambiente, e a nossa orientação é que façamos tudo rigorosamente dentro dos princípios técnicos. O secretário Roberto Tourinho (Meio Ambiente) está fazendo isso com muita competência, com muito cuidado, com muito zelo, e acredito que esse trabalho continuando e a participação da imprensa dentro desse processo tornando público essas coisas ajuda muito a preservar o que ainda temos.

JGB – Eu volto à questão da necessidade de planejamento, de um estudo.

José Ronaldo – Nós temos um desejo que é fazer, desde o governo anterior, o plano diretor da cidade. Naquela época ainda não se exigia muito a questão do plano e do saneamento, hoje, já tem uma lei que exige que se faça o plano do saneamento. Acontece que quem explora o saneamento em Feira e na Bahia é a Embasa. Então nós estamos esperando um procedimento legal, por que nós entendemos que quem tem que fazer esse plano na cidade de Feira de Santana, é a Embasa. Marcamos uma audiência coma embasa para tratarmos dessa questão.

A gente entra na questão do meio ambiente também, tem o plano dos resíduos sólidos, que está praticamente elaborado, e todas essas coisas nós estamos estudando. O Plano Diretor da cidade é outra coisa que nós estamos querendo a participação da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana) por ser um instrumento legítimo representativo, além disso, vamos fazer um amplo debate. A verdade que a gente convoca e provoca o debate, mas aparece um número pequeno de pessoas. Nós não temos o interesse nenhum de fazer o plano fora dos princípios da legalidade, da moralidade, do respeito a todas essas questões, a todos os pleitos e princípios da lei. Então nós estamos intensificando e buscando essa participação.

Eu espero que nesse governo a gente possa fazer todos esses planos e entregar a comunidade de Feira de Santana. Aonde vai se encaixar todo esse processo de meio ambiente, da legalidade, de um estudo mais profundo.

JGB – Não foi um equívoco ocupar praças com quiosques, barracas. Está prática não terminou estimulando as ocupações desordenadas das áreas públicas?

José Ronaldo – Totalmente não. É o inverso, por exemplo, a Praça de Alimentação não era uma praça, e sim um estacionamento subutilizado, e as pessoas que faziam o comércio nos trailers, estes sim estavam localizados dentro das áreas verdes da Avenida Getúlio Vargas. Então nós tiramos todos eles ao longo da avenida e colocamos no local que era simplesmente asfalto, não tinha mais nada de área verde. Nós fizemos uma belíssima Praça de Alimentação (Gilson Alves), plantamos árvores que estão lá hoje, frondosas, e fizemos em um local central, inclusive com sanitário para atender a comunidade.  A mesma coisa na Praça Gastão Guimarães, que nós não acabamos a praça, inclusive ampliamos o verde da praça, e fizemos dentro da praça, no centro, alguns quiosques.

Com relação a questão de quiosques ou barracas em praças, nós recebemos um projeto do parque do centro da cidade, a empresa nos entregou o projeto executivo, está nas mãos dos técnicos da prefeitura fazendo um estudo profundo desse projeto. Então já adiantou uma boa parte, agora é ver a viabilidade  e os recursos sobre uma boa parte do centro da cidade. E arrumar o centro de Feira de Santana sem diálogo, é 100% impossível, só vai resolver com o diálogo e com coisas viáveis para todos os lados. Se não for assim, não vai, e a gente espera em breve fazer uma belíssima praça chamada Bernardino Bahia.

JGB – Com relação à necessidade de uma nova política de resíduos para o município. O que o senhor pensa a respeito disso?

José Ronaldo – A nossa política, em nível de Brasil, é aplicada em 99,9% das grandes cidades brasileiras, é a mesma que está sendo aplicada em Feira de Santana. Entendo que é uma política de resíduos sólidos que precisa evoluir, crescer e melhorar. Para isto nos estamos estudando, buscando e detectando onde precisa melhorar os projetos nessa linha. Nós não estamos descuidando, estamos pesquisando muito esse processo. Espero que nesse governo a agente possa implantar um projeto novo em Feira de Santana.

Agora o que está sendo feito hoje no município é semelhante ao que está sendo feito em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Curitiba, Porto Alegre, essas regiões, que são regiões que saíram na frente. Nós estamos bem à frente da maioria esmagadora das cidades do Nordeste e do Norte. Agora, com certeza absoluta, nós precisamos evoluir e posso lhe assegurar que estamos pesquisando muito esse assunto.

JGB – Com relação ao Feira Tênis Clube, ele ocupa uma área muito importante no centro da cidade, e foi arrematado por um valor, extremamente baixo, R$ 1,6 milhão, é um área estratégica para o município. Não existe a possibilidade do município desapropriar e indenizar as pessoas que se habilitaram no processo licitatório, mantendo esse patrimônio para a comunidade?

José Ronaldo – O Feira Tênis Clube inegavelmente é uma área nobre na cidade de Feira de Santana. O município tem uma lei que nós aprovamos no início do governo, que cria até uma dificuldade para certas construções me Feira de Santana. O Tênis se encaixa dentro desse perfil. O fato de ter sido adquirido por pessoas, adquirido em um processo legítimo e honesto, agora posso assegurar que nós estamos fazendo um estudo profundo sobre isso. Não posso lhe adiantar essa questão ainda, porque ainda estamos exatamente no processo de levantamento. Agora, enquanto esse processo durar, certamente que nada vai ser feito no local.

JGB – O senhor recebeu, recentemente, uma delegação da China, eles têm um modelo econômico diferente do nosso, embora se fale que existe um capitalismo chinês, mas lá é um comunismo, e uma economia que é controlada pelo estado. Que benefícios esta relação estabelecida entre sua administração e esse município Chinês traz de benefício para os feirenses?

José Ronaldo – A China é o país que mais cresce no mundo. É um dos países que mais investe no exterior, em vários países, de vários continentes do mundo, quer seja no americano ou no continente europeu. Abrir um diálogo com a China é sem dúvida nenhuma algo extremamente positivo, já que outros estão tentando há muito tempo e nós conseguimos este diálogo.

Embora seja um país totalmente comunista, mas é um país hoje de mercado aberto que tem recebido inúmeros brasileiros que tem ido lá investir, e tem recebido inúmeros brasileiros emprenhados em trazer empresários para investir no Brasil.

E existem empresas outras no Brasil, trabalhando em vários setores também lutando para se implantar no Brasil, seja do ramo da mineração, o que não é o caso que nos interessa, ou no ramo de automobilismo. Então nós plantamos uma semente, nós conseguimos abrir uma porta, nós conseguimos sermos recebidos lá, e muito bem recebidos. Eles estiveram na nossa cidade e foram muito bem recebidos, senti que houve uma boa abertura de diálogo, agora é tocar o barco para frente para a gente ver o que é que isso vai dar.

JGB – O senhor pertence ao partido Democratas. O DEM durante muito tempo comandou o governo do estado e teve uma posição extremamente destacada no comando das forças políticas do estado. Mas há um bom tempo que o DEM e as forças de direita estão afastados, não só do plano estadual, como do plano federal. Como o senhor analisa o processo eleitoral de 2014, para estas forças?

Prefeito José Ronaldo – O processo político ele está se aprofundando. Começa-se a falar muito sobre política. Criaram-se novos partidos e novas oportunidades de mudanças de políticos. A situação, hoje, ela é bem melhor que em 2010. Vislumbrasse a possibilidade de poder, melhor do que 2010, isso provoca um debate maior, um debate mais intenso, dentro desse processo eleitoral visando 2014.

O que sempre defendo é que esse diálogo seja uma coisa forte, cada vez maior, dentro desse contexto político que a gente fala. E que lá para março se definam e se apoiem candidatos com possibilidade eleitoral de vitória. Eu acredito nisso, basta que as pessoas continuem discutindo e debatendo e fazendo um bom diálogo.

JGB – Quais são as chances do senhor sair candidato ao governo do estado, ou compor uma chapa majoritária?

José Ronaldo – Na minha cabeça, essa chance não tem passado, só está passando ficar até o final do governo.

JGB – Quais as chances da oposição construir uma candidatura única?

José Ronaldo – Eu acho que são amplas. Se falam em alguns nomes, e todos são abertos e bons de diálogo. O que sinto, hoje, é que a gente tem dialogado e as pessoas tem se mostrado muito abertas.

JGB – Finalizando a nossa entrevista. Eu comecei afirmando que o senhor chegou ao terceiro mandato. Qual será a sua grande marca ao final da sua terceira gestão?

José Ronaldo – Essas coisas são muito prematuras para a gente fazer. Na cabeça tem alguma coisa, nos planejamentos tem várias coisas, e na prática tem muita coisa sendo executada. Eu sempre disse que administração, nem sempre a coisa é grande, mas sim aquilo que satisfaz ao cidadão, onde ele mora. Então se o cidadão que mora numa rua que não tem pavimentação, ele quer pavimentação. Se eu for fazer uma coisa que não seja isso, ele não fica satisfeito.

Agora, nós temos projetos como o BRT, que eu acho que muda e vai mudar, não só o sistema de transporte público, mas vai mudar muito dentro do trânsito da cidade, algumas obras serão feitas, obras importantes dentro desse contexto. Mas temos algumas coisas que o município apoia e poderá continuar apoiando, por exemplo, o aeroporto, essa questão do Centro de Convenções todas elas o município apoia ou deseja, a abertura de novas grandes avenidas para proporcionar a expansão da cidade em novos vetores de crescimento, então tudo isso nós estamos executando. Existem projeto prestes a serem licitadas e que vão permitir outras ações dentro da cidade, que são coisas de extrema importância. Eu acredito na força desses projetos.

JGB – Não houve possibilidade do governo federal entrar com investimentos diretos na questão da mobilidade em Feira de Santana?

José Ronaldo – Em nível de Brasil, todas as pesquisas que eu fiz, encontramos que no caso da mobilização tem sido feito encima de financiamentos, que é o nosso caso específico de Feira de Santana. Como ele é um financiamento, que eu entendo, com uma boa capacidade de parcelamento, uma boa linha de ação administrativa. Então eu acho que o município viabiliza isso. É muito melhor você ter a certeza do financiamento, que você possa resolver os problemas, do que ter a esperança de um recurso que seja cedido pelo governo federal que depois falhe e na frente a coisa não aconteça, como acontece com frequência.

Sobre Carlos Augusto 9514 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).