Deputada Graça Pimenta cobra cumprimento de Lei para combater obesidade

Presidente da Comissão de Saúde e Saneamento, deputado estadual, José de Arimatéia durante audiência pública.
Presidente da Comissão de Saúde e Saneamento, deputado estadual, José de Arimatéia durante audiência pública.
Presidente da Comissão de Saúde e Saneamento, deputado estadual, José de Arimatéia durante audiência pública.
Presidente da Comissão de Saúde e Saneamento, deputado estadual, José de Arimatéia durante audiência pública.
Tereza Arruti: “faz educação com obesidade o ano inteiro com criança, adolescente, adulto jovem e com adulto. O Estado está com uma linha de cuidado com atenção a obesidade no sentido também de fazer um fluxo de prevenção para um tratamento mais prévio”.
Tereza Arruti: “faz educação com obesidade o ano inteiro com criança, adolescente, adulto jovem e com adulto. O Estado está com uma linha de cuidado com atenção a obesidade no sentido também de fazer um fluxo de prevenção para um tratamento mais prévio”.

Durante audiência pública sobre obesidade realizada pela Comissão de Saúde nesta terça-feira (22/10/2013), a vice-presidente do colegiado, deputada Graça Pimenta (PMDB), cobrou da coordenação do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), ligado a Sesab, o cumprimento da Lei 12.634. A norma é resultado de um projeto de Lei elaborado pela parlamentar e institui a Semana Estadual de Educação Preventiva e do Enfrentamento da Obesidade Mórbida.

“A semana proposta na Lei deveria ter sido realizada na última semana do mês de setembro, só que isso não ocorreu. A proposta é promover uma maior conscientização das pessoas através de ações como palestras e exibição de filmes. Aproveito a audiência para cobrar o cumprimento dessa norma”, frisa.

Representando o Cedeba, a médica endocrinologista Tereza Arruti declarou que não tinha informações sobre a causa do não cumprimento da Lei 12.634. Conforme a profissional, o Cedeba “faz educação com obesidade o ano inteiro com criança, adolescente, adulto jovem e com adulto. O Estado está com uma linha de cuidado com atenção a obesidade no sentido também de fazer um fluxo de prevenção para um tratamento mais prévio”.

Segundo o cirurgião bariátrico Marcelo Zollinger, do Hospital da Bahia, os pacientes que reengordam após o emagrecimento através dos procedimentos cirúrgicos são aqueles que não voltam à unidade de saúde para fazer o acompanhamento. “A cirurgia bariátrica não é estética, o foco final é emagrecer com saúde. As complicações cirúrgicas são graves. O paciente tem que ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar formada por cirurgião, endocrinologista, psicólogo, nutricionista especializado, fisioterapeuta, cardiologista, enfermeiro treinado e assistente social, além de um hospital preparado para qualquer tipo de situação. É preciso manter também uma rotina de atividade física”, pontua.

O endocrinologista Sérgio Braga, da Clínica da Obesidade, caracterizou o problema. “Conforme dados do Ministério da Saúde, o excesso de peso já está presente em 51% da população brasileira, sendo que a obesidade está presente em 17,4%. A obesidade é uma doença crônica que causa sérios riscos à saúde. Os obesos têm o risco aumentado do desenvolvimento de patologias como o diabetes, hipertensão e doenças do coração. Todas essas doenças existem por conta da obesidade ou são agravadas por ela”, declara.

Os maus hábitos alimentares, principalmente os das crianças, foram apontados como favoráveis ao desenvolvimento do problema. Ciente da necessidade dos cuidados alimentares que algumas crianças precisam, durante a audiência a deputada Graça Pimenta também explanou sobre o projeto de Lei nº 19.616/2011 que obriga a rede pública estadual de ensino a fornecer merenda diferenciada para estudantes clinicamente considerados diabéticos tipo 1 (infanto junvenil), hipoglicêmicos e celíacos. Essa proposição já teve parecer favorável aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Casa e está tramitando nos demais colegiados competentes.

Audiência Pública discute obesidade na ALBA  

A obesidade e sua prevenção foram colocadas em pauta na manhã, desta terça-feira (22), através da Audiência Pública na Assembleia Legislativa da Bahia. O propositor do tema foi o presidente da Comissão de Saúde e Saneamento, deputado estadual, José de Arimatéia (PRB). As causas, consequências e tratamento de combate à doença, foram debatidos amplamente, com especialistas e comunidade. A ocasião aconteceu pontualmente às 10h15, na Sala Eliel Martins.

Na Bahia há 90 mil obesos mórbidos. Segundo dados do Ministério da Saúde, as soteropolitanas são maioria entre as mulheres com obesidade da região Nordeste, representando 13,7% no ranking das capitais nordestinas. Preocupado com essa situação Arimatéia deu entrada no Projeto de Lei nº 19.110/2011, que visa implantar na rede estadual de saúde do Estado da Bahia o Programa de Enfrentamento da Obesidade Mórbida.

“Somente em Salvador temos 400 mil pacientes obesos. Deixo o alerta também para os pais porque precisamos estar atentos e trabalhar com a obesidade desde a infância. Acredito que essa audiência pública trouxe a conscientização em torno da prevenção, algo fundamental”, ressaltou Arimatéia.

A obesidade é uma doença crônica caracterizada por excesso de peso corporal. Para uma maior explanação sobre a doença o diretor médico Executivo e Chefe da Cirurgia Bariátrica do Hospital da Bahia – além de Membro Titular da Federação Americana de Cirurgia Bariátrica e da Sociedade Brasileira e Metabólica -, Marcelo Zollinger, fez uma explanação em torno da situação da doença no estado, e solicitou uma atenção maior com a alimentação das crianças em escolas públicas.

“Precisamos prevenir e educar a população para fomentar a atividade física e bons hábitos alimentares, principalmente nas escolas porque a obesidade infantil já representa cerca de 20% na Bahia, e está cada vez mais crescente”, alertou Zollinger.

Embora a sociedade esteja mudando, ainda é muito comum as pessoas identificarem a obesidade como um problema estético e não um problema de saúde. A advogada Nelia Almeida é prova disso. Ela falou que sofreu muito com o Bullying na infância, e hoje após ter perdido 90 quilos, diz ter sentido na pele a questão da desigualdade.

“As pessoas obesas não contam com macas e cadeiras apropriadas em hospitais públicos, estrutura adequada nos transportes públicos e nos elevadores de diversos locais”, disse Nelia.

 O Membro Titular da Sociedade Brasileira Bariátrica e Metabólica, Arivaldo Alves, contou que já realizou 6600 cirurgias bariátricas em 12 anos, e a procura tem aumentado imensamente. Ele afirmou ainda que há pouco tempo 18 pessoas eram operadas, hoje são de 60 a 80 pacientes por mês. “A população precisa estar atenta para a importância do acompanhamento multiprofissional e adotar a consciência do que é a cirurgia”, enfatizou.

Após a audiência pública o presidente do Colegiado definiu, que alguns Projetos de Lei serão criados para instituir uma Campanha mais ostensiva nas Escolas Públicas começando pela mudança na merenda escolar. Outra iniciativa será a elaboração de indicação solicitando ao Governo do Estado a construção de um Centro de Referência de Obesidade na Bahia e o acompanhamento desses pacientes.

Também participaram do evento a médica endocrinologista, metabologista e coordenadora do Centro de Controle da Obesidade do Centro de Diabetes e Endocrinologia do Estado da Bahia (Cedeba), Tereza Arruti e o presidente do Instituto Márcio Café e médico cirurgião bariátrico, Márcio Café.

Redação do Jornal Grande Bahia
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