André Barboni: discutindo a questão da legalização do aborto

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Aborto NãoO Prof. Dr. André Renê Barboni defendeu a sua Tese de Progressão na Carreira para Professor Pleno da UEFS com o tema “Discutindo a questão da legalização do Aborto”.

Resumo do trabalho apresentado:

No Brasil, estima-se que anualmente ocorram mais de um milhão de abortos provocados a cada
ano. A grande maioria se dá de forma clandestina e em condições higiênico-sanitárias que põe em risco a
vida da mulher. Reconhecidamente, este é um grave problema de saúde publica cuja solução requer uma
ampla discussão da nossa sociedade.

Neste trabalho, procuramos uma forma mais leve de discutir um assunto polêmico que envolve questões religiosas, científicas, culturais e filosóficas. Desta forma o tema
da legalização ou não do aborto é tratado na forma de um diálogo entre o espírito de um avô e o seu neto
quando estes estão dormindo.

De convicção espírita e formação filosófica o avô aproveita a indagação do seu neto sobre “quem somos nós?” para demonstrar que existem dois tipos de visão de mundo: uma
espiritualista que parte da noção de que somos dotados de uma essência, um princípio inteligente, que é a
nossa alma imortal que sobrevive à morte do corpo físico e; a outra materialista que afirma que este princípio inteligente nada mais é do que o resultado das próprias leis que regem a matéria e que uma vez que o corpo físico morre este princípio também se finda com ele. Estas duas visões de mundo representam dois referenciais onde o conhecimento, mesmo produzido de forma fragmentada, tem neles a
sua unidade.

Somente um destes referenciais pode estar certo. Não há como os dois serem verdadeiros ou falsos ao mesmo tempo. Embora tenhamos a impressão de que no passado o referencial espiritualista estivesse mais presente e que agora o referencial materialista assume ares de estar com a verdade, em todos os tempos eles sempre se mostraram presentes.

Durante a conversa com o seu neto, o avô procura
mostrar que existem três tipos personalidades em toda a humanidade: duas delas são egoístas e agem pela
força ou pela astúcia; a outra é altruísta e procura fazer sempre o que é certo e justo, mesmo quando isso
lhe traz grandes prejuízos. Uma questão, então, se apresenta – qual referencial está com a verdade: o
materialista ou o espiritualista?

Não é objetivo do avô provar qual deles é o correto, mas ele aponta o estudo sério e aprofundado das obras de Allan Kardec como um caminho seguro para se constatar que se
temos uma alma imortal que sobrevive à morte do corpo físico, se esta alma imaterial se reveste de um
perispírito semi-material e que juntos eles formam o espírito, que pode estar ligado, ou não ao corpo físico. E se o espírito das pessoas que aqui viveram e já passaram pelo fenômeno da morte podem se comunicar com quem vive aqui na Terra por meio de pessoas conhecidas como médiuns (intermediários).

Então, esta comunicação é a prova viva de que o referencial correto é o referencial espiritualista. Para Kardec, Espiritismo não é religião, pois não tem templos, dogmas nem sacerdotes e é totalmente baseado em leis naturais, é uma ciência positiva e uma doutrina com implicações éticas, morais e filosóficas.

Com base neste arcabouço de conhecimento o avô analisa com o neto a questão do aborto induzido. Utilizando-se de dados da literatura científica e do DATASUS ele mostra que os argumentos em defesa da legalização do aborto são frágeis pois se pautam num referencial materialista e num discurso falacioso que tenta nos convencer de que um Estado laico é um Estado ateu e que sendo assim, Ele deve ignorar as questões relativas à alma, pois isso é assunto de religião, e deve permitir e financiar as condições para que
as mulheres possam fazer abortos sempre que desejarem, pois esse é o seu direito e a decisão pertence a
ela pois é questão de foro íntimo.

O avô, junto com o neto, desconstroem esta ideia e mostram que a vida começa antes do nascimento e, dado o fato de termos uma alma imortal que sente antes mesmo da criança
nascer, isso não pode ser desprezado. Portanto, um Estado laico tem o dever de garantir o direito deste futuro cidadão estar no mundo. Este direito está acima da vontade da mulher.

Uma política pública que se diz em defesa da vida deveria focar na melhoria dos sistemas de planejamento familiar e na valorização dos laços de família, pois sem gravidez indesejada não existe aborto provocado.

A Tese completa do Prof. Dr. André Barboni está disponível no site:

http://aquarios.uefs.br:8081/cris/media/pdf/barboni_2013.pdf

Sobre Juarez Duarte Bomfim 745 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]