Presidenta Dilma Rousseff adia viagem oficial aos Estados Unidos

A presidenta Dilma Rousseff anunciou o adiamento da visita de Estado que faria aos Estados Unidos em outubro.
A presidenta Dilma Rousseff anunciou o adiamento da visita de Estado que faria aos Estados Unidos em outubro.
A presidenta Dilma Rousseff anunciou o adiamento da visita de Estado que faria aos Estados Unidos em outubro.
A presidenta Dilma Rousseff anunciou o adiamento da visita de Estado que faria aos Estados Unidos em outubro.

A presidenta Dilma Rousseff anunciou, por meio de nota, o adiamento da visita de Estado que faria aos Estados Unidos em outubro. De acordo com o texto, “tendo em conta a proximidade da programada visita de Estado a Washington – e na ausência de tempestiva apuração do ocorrido, com as correspondentes explicações e o compromisso de cessar as atividades de interceptação – não estão dadas as condições para a realização da visita na data anteriormente acordada”.

Segundo a nota oficial, a decisão foi tomada pelos dois presidentes – Dilma Rousseff e Barack Obama. “Dessa forma, os dois presidentes decidiram adiar a visita de Estado, pois os resultados desta visita não devem ficar condicionados a um tema cuja solução satisfatória para o Brasil ainda não foi alcançada”, acrescentou a nota, entregue pelo porta-voz da Presidência, Thomas Traumann.

“O governo brasileiro confia em que, uma vez resolvida a questão de maneira adequada, a visita de Estado ocorra no mais breve prazo possível, impulsionando a construção de nossa parceria estratégica e patamares ainda mais altos”, diz o texto.

A nota oficial ressalta a importância e diversidade do relacionamento entre os dois países, fundado no respeito e na confiança mútua. “Temos trabalhado conjuntamente para promover o crescimento econômico e fomentar a geração de emprego e renda. Nossas relações compreendem a cooperação em áreas tão diversas como ciência e tecnologia, educação, energia, comércio e finanças, envolvendo governos, empresas e cidadãos dos dois países”.

No entanto, pondera que as práticas de espionagem não condizem com a relação de amizade entre Brasil e Estados Unidos. “As práticas ilegais de interceptação das comunicações e cidadãos, empresas e membros do governo brasileiro constituem fato grave, atentatório à soberania nacional e aos direitos individuais, e incompatível com a convivência democrática entre países amigos”.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, telefonou ontem (16/09/2013) para a presidenta da República, Dilma Rousseff, para tratar da viagem.

Desde a divulgação de denúncias de que os Estados Unidos espionaram dados da presidenta, e depois da Petrobras, o governo passou a cogitar o adiamento da visita. A presidenta se reuniu ontem (16) com o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, para discutir o retorno dado pelo governo norte-americano aos questionamentos do Brasil sobre as denúncias.

Figueiredo esteve em Washington na semana passada para tratar do assunto com a conselheira de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Susan Rice. Há dez dias, durante a Cúpula do G20, na Rússia, o presidente Barack Obama se comprometeu com a presidenta Dilma a responder aos questionamentos do governo brasileiro em uma semana, prazo que expirou.

Obama lamenta adiamento da visita de Dilma aos EUA 

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnst, disse hoje (17/09/2013), após o anúncio do adiamento da viagem de Estado que a presidenta Dilma Rousseff faria a Washington no dia 23 de outubro, que o presidente Barack Obama entende e lamenta as preocupações que “supostas” atividades do serviço de inteligência norte-americano, relacionadas à espionagem de cidadãos brasileiros, incluindo a presidenta, têm gerado no Brasil.

Segundo ele, o presidente Obama determinou uma ampla revisão de postura do serviço de inteligência norte-americano, mas o processo levará alguns meses para ser completado. Earnest disse que Obama está comprometido a trabalhar com a presidenta Dilma e sua equipe em canais diplomáticos para solucionar a fonte de tensão na relação bilateral. Ele ressaltou que os dois países desfrutam de uma parceria estratégica enraizada em valores democráticos comuns e no desejo de promover um grau avançado de crescimento econômico, e criação de empregos.

“O convite do presidente Obama para a presidenta Dilma para a sua primeira visita de Estado em seu segundo mandato é o reflexo da importância que ele coloca sobre essa crescente parceria global e os laços estreitos entre os povos americanos e brasileiros”, disse o porta-voz.

O porta-voz informou que o presidente Obama conversou ontem (16) com a presidenta Dilma dando continuidade à troca de informações iniciadas na Rússia durante a Cúpula do G20 e que continuaram na semana passada entre o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Luís Alberto Figueiredo Machado, e a conselheira de Segurança Nacional dos EUA, Susan Rice.

A nota divulgada pelo governo brasileiro, sobre o adiamento da viagem, diz que a decisão foi tomada pelos dois presidentes para evitar que os resultados da visita ficassem condicionados a um tema cuja solução satisfatória não foi alcançada.

Senadores apoiam decisão de Dilma de adiar viagem, mas cobram investimentos em segurança eletrônica 

A decisão da presidenta Dilma Rousseff de adiar a viagem aos Estados Unidos foi apoiada por governistas e oposicionistas no Senado. Os casos de espionagem do governo americano, denunciados no Brasil pelo jornalista Glenn Greenwald e a falta de explicações sobre eles foram qualificadas como desrespeito à soberania do Brasil.

Os senadores, no entanto, apontaram a falta de investimentos em segurança cibernética como um dos fatores que propiciaram os casos de espionagem. “A não ida é uma afirmativa do Brasil. A posição dela [Dilma] está baseada em informações que não foram prestadas por eles. Por isso, é uma postura em defesa da soberania nacional”, disse o senador Walter Pinheiro (PT-BA). “Mas é importante dar outros passos, como em relação à defesa do país, já que a vulnerabilidade do Brasil está além fronteiras”, completou.

O oposicionista Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) disse que o adiamento da viagem “era o mínimo a ser feito”, uma vez que o governo americano não apresentou explicações sobre os casos de espionagem que atingiram a própria presidenta Dilma e a Petrobras. Randolfe ressaltou que é preciso mais investimentos no setor de segurança eletrônica e lembrou que o Brasil está vulnerável por falta desses investimentos. “Nós estamos pagando o preço dos erros cometidos na década de 1990 quando leiloamos nosso satélite, quando leiloamos nossas telecomunicações. O preço é a vulnerabilidade”, ressaltou.

Para o líder do PSDB, senador Aloysio Nunes Ferreira (SP), a presidenta deveria ir aos Estados Unidos para cobrar pessoalmente os esclarecimentos e uma retratação sobre os fatos reportados. “Ela tem toda a nossa solidariedade no repúdio à espionagem dos Estados Unidos e de qualquer outro país. Agora, acho que ela deveria ir para dizer na lata, no Salão Oval [gabinete do presidente dos EUA na Casa Branca], que o Brasil não aceita esse tipo de coisa”, disse o líder tucano. Ele também acha que o Brasil “se deixou espionar”.

Redação do Jornal Grande Bahia
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