Entrevista exclusiva | Rui Costa fala sobre sucessão, diz que PMDB da Bahia é oposição e que trajetória política está ligada a vontade de corrigir injustiças sociais

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Rui Costa: Na Bahia, a relação com o PMDB não vai impactar as eleições. Porque o PMDB, aqui, é oposição ao governo da Bahia. Então nós não temos relações, e não há no cenário, possibilidade de ter.". (Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
Rui Costa: Na Bahia, a relação com o PMDB não vai impactar as eleições. Porque o PMDB, aqui, é oposição ao governo da Bahia. Então nós não temos relações, e não há no cenário, possibilidade de ter.". (Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
Rui Costa: Na Bahia, a relação com o PMDB não vai impactar as eleições. Porque o PMDB, aqui, é oposição ao governo da Bahia. Então nós não temos relações, e não há no cenário, possibilidade de ter.". (Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
Rui Costa: Na Bahia, a relação com o PMDB não vai impactar as eleições. Porque o PMDB, aqui, é oposição ao governo da Bahia. Então nós não temos relações, e não há no cenário, possibilidade de ter.”. (Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

Na segunda parte da entrevista, o Secretário da Casa Civil do Governo da Bahia, Rui Costa, fala sobre o processo de concorrência do metrô de Salvador/Lauro de Freitas, sobre a relação do PT com o PMDB na Bahia, e sobre sucessão estadual.

O que mais de revelador pode ser observado, é um perfil de político inquietante diante da pobreza. Rui Costa, ao lembrar da infância, faz referência à família e diz que “atuação política é herdada da mãe, uma pessoa que se inquietava com as injustiças”.

Confira a entrevista

JGB ­­– O governo da Bahia recentemente licitou as linhas de metrô de Lauro de Freitas e de Salvador e um grupo paulista ganhou este contrato, os opositores têm feito críticas porque grupos baianos não participaram do processo. Mas o que interessa à sociedade é se o governo do estado teve o cuidado de selecionar uma empresa que tenha capacidade técnica de operar e se também teve o cuidado de, no contrato, eleger as famosas cláusulas sociais?

Rui Costa – Eu cheguei em janeiro de 2008 à Casa Civil, e nós já estávamos cuidando desse assunto ‘metrô’. Tínhamos feito a planilha, fizemos reuniões com o prefeito de Salvador, na época, e o governador também, pedindo à prefeitura que transferisse o metrô para o estado. Nós só conseguimos há quatro meses.

Nós construímos um edital do metrô absolutamente transparente, fizemos muitas consultas  públicas, recebemos em reuniões públicas em salões como este daqui,  todos os grupos juntos, quem queria saber sobre o metrô, colocamos na mesma sala e abrimos às perguntas, aberto, 350 perguntas formais foram feitas pelos quatros consórcios. Até uma semana antes do prazo de apresentação da proposta, todos os quatros grupos ainda estavam indo à Casa Civil  formalizando perguntas, propostas, pedindo reuniões para tirar dúvidas. Então todos participaram, mas apenas um conseguiu chegar no preço máximo que o estado topava pagar pelo metrô. Então o estado disse: o investimento é R$ 3,6 bilhões, e o máximo que eu topo pagar é R$ 134 milhões por ano para operar o metrô durante 30 anos, em resumo, a licitação era isso.

Depois de todos disputarem, quem venceu a PMI (Projeto Multissetorial Integrado)  e quem preparou o projeto não foi gente do governo, foi outro grupo, esse grupo tinha uma equipe de engenheiro e economista trabalhando há dois anos no projeto, dedicado exclusivamente ao projeto, então eles participaram intensamente, só que eles não conseguiram chegar nesse preço.

O governo disse: esse é o teto máximo que posso pagar, e apenas uma empresa, infelizmente preencheu o edital. O edital era muito rigoroso, ele exigia forte experiência em operação de metrô. Porque nós não estamos licitando uma obra, diferente do passado, nós estamos licitando um serviço, transporte de metrô durante 30 anos. Então, quem ganhar vai ter que fazer a obra, e vai ter operar durante esses 30 anos.

Nós fomos muito exigentes com os concorrentes, para que quem entrasse tivesse experiência com as operações de metrô. Então um grupo teve que buscar parceria na Itália, o outro grupo foi buscar em Portugal, e os outros dois grupos eram brasileiros. O maior grupo privado, porque público, é o metrô de São Paulo, é esse que ganhou o metrô, o grupo CCR, então eles tem larga experiência.

O projeto do metrô tem um subsídio muito forte, para integrar ônibus e metrô, ou seja, a passagem vai ser somatória, passagem de ônibus mais a de metrô. Se não fosse isso a população pobre não iria poder andar de metrô. Então quem entrar no metrô sem usar o ônibus paga R$ 3,10.  Quem entrar pelo ônibus paga R$ 3,90 esse é o formato com o cunho social extraordinário, esse foi o formato que nós utilizamos. Felizmente o vencedor foi a CCR, se outro grupo também ganhasse, os quatros tinham condições de operar. Em outubro nós assinamos o contrato e  a obra começa.

JGB ­­– O seu nome tem aparecido como o mais forte nome dentro do grupo político liderado pelo governador Jaques Wagner, como pré-candidato a governador do estado da Bahia. Efetivamente o senhor tem pretensão de concorrer a governador da Bahia? Como o senhor analisa esse cenário? E como anda arelação PT e PMDB, na Bahia?

Rui Costa – Na Bahia, a relação com o PMDB não vai impactar as eleições. Porque o PMDB, aqui, é oposição ao governo da Bahia. Então nós não temos relações, e não há no cenário, possibilidade de ter. Eu não vejo no horizonte de aliança entre o PT e PMDB aqui na Bahia, portanto esta relação é muito mais polêmica no Rio de janeiro, onde o governo do PMDB diz que não aceita o candidato do PT, além disso ocorrer em outros estados. Aqui a situação esta resolvida, o PMDB pode ou não ter um candidato, é uma decisão do partido que eu não vou comentar, mas é de oposição ao governo do estado, portanto não há relação.

Com relação ao nome na sucessão, eu digo o seguinte: todos nós temos uma vida pública, eu faço parte de um time, de uma equipe, eu não acredito em política feita por personalidades, por pessoas sozinhas, ninguém sozinho muda a realidade da vida das pessoas. Nós mudamos como uma equipe, como um time. É nisso que eu acredito.

Eu faço parte de um time, uma equipe, um projeto político, de uma equipe que tem um treinador chamado Lula, que tem uma treinadora chamada Dilma, que tem um treinador chamado Jaques Wagner, é desse time que eu faço parte. É desse time que vai escolher quem irá suceder o governo da Bahia, quem for o candidato escolhido por esse time será o meu candidato.  Se for o meu nome, eu buscarei honrar o compromisso não só com essas pessoas do grupo político nosso, mas eu buscarei honrar o compromisso que tenho com meus filhos, que eu tenho com a memória da minha mãe, que remonta ao bairro pobre que eu nasci próximo à Liberdade (Salvador).

Toda vez que alguém me pergunta isso, a imagem que vem a minha cabeça era de quando eu era criança lá no morro na encosta Liberdade, é isso que me fez chegar até aqui, talvez eu não tivesse a vocação opcional que outros políticos têm para entrar na política. Talvez a minha herança venha de transfusão de sangue, herdada da minha mãe, que era uma pessoa que se inquietava com as injustiças, ela não aceitava que ela trabalhava tanto, que meu pai trabalhasse tanto, que as pessoas que moravam na rua trabalhassem tanto e vivessem naquele grau de pobreza, sem os filhos terem oportunidade de lazer, de escola descente, e essa indignação que me trouxe até aqui. Então toda vez que me perguntam se eu vou ser candidato a governador, essa imagem vem! Se eu for assim, como fez Lula, assim como fez Wagner, assim como faz Dilma, é para ajudar a mudar essa realidade.

Saiba +

A entrevista foi concedida com exclusividade ao diretor e editor ao Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto. Ela durou 45 minutos e foi realizada em Feira de Santana, no dia 23 de agosto (2013).

No primeiro bloco, Rui Costa fala sobre as finanças do estado e a substituição do secretário além das dificuldades de caixa que o governo atravessa.

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