Aurantiaca alerta sobre praga que devasta coqueirais em Moçambique e corre risco de chegar ao Brasil

Vista aérea do Vista aérea do encontro do Rio Paraguaçu com a Baía de Todos os Santos. Registrada por Carlos Augusto (Guto Jads), em 23 de setembro de 2013.baiano. Encontro do Rio Paraguaçu com a Bahia de Todos os Santos. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
Vista aérea do encontro do Rio Paraguaçu com a Baía de Todos os Santos. Registrada por Carlos Augusto (Guto Jads), em 23 de setembro de 2013.
Vista aérea do Vista aérea do encontro do Rio Paraguaçu com a Baía de Todos os Santos. Registrada por Carlos Augusto (Guto Jads), em 23 de setembro de 2013.baiano. Encontro do Rio Paraguaçu com a Bahia de Todos os Santos. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
Vista aérea do encontro do Rio Paraguaçu com a Baía de Todos os Santos. Registrada por Carlos Augusto (Guto Jads), em 23 de setembro de 2013.

Os coqueirais, tão típicos das paisagens tropicais, estão ameaçados pelo amarelecimento letal, a mais devastadora doença do coqueiro no planeta. Diante do risco de extermínio dessa espécie de palmáceas que são tão características da paisagem e da economia do Nordeste, a Aurantiaca, empresa baiana do ramo de agronegócios de coco, organizou uma missão técnica a Moçambique, na África. No país, calcula-se que 40 mil hectares de coqueirais já foram dizimados pela doença. Com os dados colhidos durante a visita, o Grupo pretende continuar as sinalizações para as autoridades brasileiras sobre a necessidade de ações preventivas para conter o perigo.

Quando a praga se instala em uma localidade, a paisagem muda em poucos meses. Por enquanto, o mal ainda não chegou ao Brasil, mas estima-se que esteja se deslocando a uma velocidade de 100 km por ano. Em vista dessa ameaça, a Aurantiaca já fez alertas ao Governo Federal e ao Governo do Estado da Bahia. O vice-presidente da Aurantiaca, Roberto Lessa, afirma que “o quadro é grave e demanda iniciativas preventivas. Sugerimos que o Governo estabeleça medidas contra o amarelecimento letal como prioridade estratégica”.

Imagens registradas em Moçambique pelos executivos da Aurantiaca revelam um cenário assustador. “A paisagem, com os coqueiros mortos, demonstra devastação e é muito triste. Os coqueirais assumem a aparência de um paliteiro. Não há folhas e o que resta dos coqueiros se se assemelha a postes em um cenário de explosão”, relata Roberto Lessa.

O executivo ressalta a importância de expor o risco da doença e suas consequências ao maior número possível de pessoas e instituições ligadas à cocoicultura. Ele lembra que, inclusive, no Brasil, a agricultura familiar predomina no segmento. Mais de 90% dos produtores brasileiros têm pequenas propriedades.

Cenário assustador

Na ida à Moçambique, a equipe da Aurantiaca confirmou o que verificou também em visitas anteriores a países como México e Jamaica. Antes da doença, a Jamaica tinha 10 milhões de plantas e o número foi reduzido a 3,3 milhões com o amarelecimento letal. “A velocidade entre a contaminação de uma planta e sua morte é de, no máximo, seis meses. Vimos plantas com três meses de contaminação que já estavam sem qualquer capacidade produtiva”, afirma o vice-presidente.

Lessa, que é engenheiro agrônomo, explica que com o amarelecimento letal há uma queda dos frutos, abortamento de flores, amarelecimento e queda das folhas e morte do meristema apical, que é o tecido responsável pelo crescimento da planta. Ele relata que após a doença o índice de desemprego da região visitada em Moçambique é de 95%. “Existiam 26 indústrias na área vinculada à cadeia produtiva do coco, além de uma grande quantidade de pessoas que trabalhavam nas lavouras de coco. O que vimos de pobreza, fome e desocupação nos permitem acreditar nesse número”, lamenta.

Ameaça para a Bahia

O amarelecimento letal é um assunto preocupante que pode gerar impactos para a Bahia. O estado é o maior produtor de coco do Brasil, com cerca de 500 milhões de frutos por ano e uma média de 77 mil hectares em área plantada. A produção de coco baiana atualmente gera cerca de 200 milhões de reais no Valor Bruto da Produção Agrícola (VBP), por ano.

O município do Conde é o maior produtor de coco do mundo. Tem uma área de mais de 15 mil hectares plantados. Essa extensão de terras é superior às plantações de estados como Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Na Bahia, a produção de coco gera mais de 200 mil postos de trabalho. 88% dos produtores são proprietários, 60% não utilizam tecnologias e 74% comercializam sua produção por meio de intermediários.

A Aurantiaca nasceu na Bahia, em 2006, com o objetivo de redefinir toda a cadeia de coco, inovando na gestão, produção e o beneficiamento do fruto. A companhia trabalha para desenvolver uma cultura de excelência operacional para garantir o gerenciamento de recursos de forma responsável, rentável, com uma governança de nível global. E, além disso, está voltada para contribuir com o desenvolvimento da comunidade da região onde está inserida.

A Aurantiaca está situada no Conde, no litoral Norte da Bahia, e é atualmente a maior empregadora da região. Além de ter instalado sua indústria e suas unidades agrícolas no município, a empresa tem atuado no sentido de contribuir com ações de desenvolvimento social, entre elas, destinando recursos para manter uma escola do município, através do Instituto Gente.

Redação do Jornal Grande Bahia
Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 108067 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]