Membro da comunidade denuncia as dificuldades dos que residem nos limites entre São Gonçalo dos Campos e Feira de Santana

José Carneiro: "Os problemas vão dos mais simples aos mais graves. A gente não pode contar com segurança pública, por exemplo, a polícia leva três horas e meia para chegar lá porque fica discutindo se vai a polícia de Feira ou de São Gonçalo. Quando finalmente chega, se chegar a de São Gonçalo e o ladrão correr pra Feira a polícia de São Gonçalo não pode ir atrás por que o ladrão foi para Feira".
José Carneiro: "Os problemas vão dos mais simples aos mais graves. A gente não pode contar com segurança pública, por exemplo, a polícia leva três horas e meia para chegar lá porque fica discutindo se vai a polícia de Feira ou de São Gonçalo. Quando finalmente chega, se chegar a de São Gonçalo e o ladrão correr pra Feira a polícia de São Gonçalo não pode ir atrás por que o ladrão foi para Feira".
José Carneiro: "Os problemas vão dos mais simples aos mais graves. A gente não pode contar com segurança pública, por exemplo, a polícia leva três horas e meia para chegar lá porque fica discutindo se vai a polícia de Feira ou de São Gonçalo. Quando finalmente chega, se chegar a de São Gonçalo e o ladrão correr pra Feira a de José Carneiro: "São Gonçalo não pode ir atrás por que o ladrão foi para Feira".
José Carneiro: “Os problemas vão dos mais simples aos mais graves. A gente não pode contar com segurança pública, por exemplo, a polícia leva três horas e meia para chegar lá porque fica discutindo se vai a polícia de Feira ou de São Gonçalo. Quando finalmente chega, se chegar a de São Gonçalo e o ladrão correr pra Feira a polícia de São Gonçalo não pode ir atrás por que o ladrão foi para Feira”.
Segurando um braço de luz José Carneiro critica problemas com o serviço de iluminação.
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Ruas sem pavimentos são vistas nos limites entre Feira de Santana e São Gonçalo.
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Loteamento Viver Feliz é comercializado pela empresa Leia.
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O jornalista Carlos Augusto, diretor e editor do Jornal Grande Bahia (JGB), entrevista com exclusividade José Carneiro Fernandes Filho. Carneiro é analistas de sistemas, natural de Pé de Serra, e mudou-se para Feira de Santana há 35 anos. A entrevista foi concedida no dia 12 de agosto de 2013 na sede do jornal, oportunidade em que revela as dificuldades de quem vive nos limites entre os municípios de São Gonçalo dos Campos e Feira de Santana. Em uma faixa de terra que vai do Rio Jacuípe até o Bairro do Limoreiro, compreendendo sete loteamentos, com 18 km de extensão. Carneiro alerta que a falta de uma definição clara de jurisdição territorial traz conflitos que vão desde a entrega das correspondências até a segurança pública inadequada.

Para exemplificar a confusão que o conflito causa, Carneiro cita que uma rede de esgotamento sanitário da EMBASA teve que ser interrompida no local onde a concessionária acredita que é o limite entres os municípios. O serviço de coleta de lixo é parcial, e por vezes a população fica completamente desassistida.

Carneiro também revela que toda confusão teve início quando a vendas dos lotes ocorreram. Na propaganda as pessoas eram induzidas a acreditar que comprovam lotes de terra pertencentes ao município de Feira de Santana, quando os lotes estavam registrados em São Gonçalo dos Campos. Ele faz um apelo para que a situação seja resolvida, e que os dirigentes dos municípios de São Gonçalo dos Campos e Feira de Santana cheguem a um consenso evitando que os transtornos continuem.

Confira a entrevista

Jornal Grande Bahia – A sua vista aqui é para tratar de conflitos de terra entre os limites Feira de Santana e São Gonçalo, que comunidades têm sido atingidas por este conflito, e quais são os principais problemas?

José Carneiro Fernandes Filho – As comunidades com maiores problemas são as que pertecem a sete loteamentos: Edite Figueiredo, São João, Ouro Verde, Parque Viver, Jardim Aliança (onde eu resido), Regina Regis e Alameda das Árvores.  É uma faixa de terra de 18 km.

JGB – Esses conflitos tiveram ínicio em que período aproximadamente?

José Carneiro – Eu conversei com uma pessoa do IBGE, e essa pessoa me informou que esses conflitos já existiam desde a década de 1980 quando ele entrou no IBGE, então esses conflitos vem de longa data.

JGB – Essa indefinição territorial acarreta que tipos de problemas para estas comunidades?

José Carneiro – Os problemas assim dos mais simples aos mais graves. A gente não pode contar com segurança pública, por exemplo, a polícia leva três horas e meia para chegar lá porque fica discutindo se vai a polícia de Feira ou de São Gonçalo. Quando finalmente chega, se chegar a de São Gonçalo e o ladrão correr pra Feira a de São Gonçalo não pode ir atrás por que o ladrão foi para Feira.  Imagine que situação absurda.  Correio só chega a 200m de onde a gente mora; agora a Embasa tá fazendo uma rede de esgotamento sanitário no loteamento… no bairro Fraternidade, não vai chegar até a gente, porque a gente tá em outro município. E na verdade todas essas pessoas têm toda sua atividade laboral e social, em Feira de Santana, inclusive domicilio eleitoral a maioria delas.

JGB – Mas esses empreendimentos foram registrados em Feira de Santana o em São Gonçalo, a titularidade dessas terras pertence a quem?

José Carneiro – Quando eu comprei, comprei achando que era Feira de Santana, o loteamento Parque Viver que está sendo comercializado lá, ele é vendido como um bairro planejado que fica entre o Tomba, e o Parque da Cidade.

JGB – Mas o registro de terra está em São Gonçalo?

José Carneiro – Está em São Gonçalo. Mas no panfleto não deixou claro qual era o município, e eu nunca vi Tomba nem Parque da Cidade em São Gonçalo.  Eu nunca vi um bairro planejado que não tem correio, ou que não tem segurança pública?

JGB – Qual foi a empresa que vendeu, você se recorda?

José Carneiro – Eu me recordo, mas eu prefiro não citar o nome. Todo mundo conhece o loteamento.

JGB – Os terrenos estão localizados e têm registros nos cartórios de São Gonçalo, enquanto a comercialização se dá como se fosse de Feira de Santana?

José Carneiro – Essa questão de registro em cartório é uma coisa que vem sendo falada constantemente. Mas ela por si só não diz muita coisa, porque eu tenho notícias de imóveis, inclusive no centro de Feira de Santana, que estão registrado no cartório de Cachoeira, isso aqui em 1832, quando Feira de Santana foi fundada,  pertencia a Cachoeira. Cachoeira ia até o município de Ipirá.

JGB – Com relação ao desejo da comunidade. O que essas pessoas, que residem nesta faixa de terra, nestes loteamentos, esperam do poder público, e quem eles acreditam que pode solucionar esse problema de definição territorial?

José Carneiro – A grande maioria quer Feira, até porque, como eu falei, toda a atividade dessas pessoas é em Feira de Santana. Seja de trabalho, seja de escola, de lazer, tudo é em Feira. É também assim no transporte. Por exemplo, São Gonçalo não tem um sistema de transporte que atenda a pessoa que mora lá e estuda na UEFS, por exemplo, não tem. Uma pessoa que mora lá e trabalha no shopping da cidade, a pessoa teria que pegar dois transportes. Ela sendo de Feira, ela pega um transporte desce na estação de transbordo vai pra outro e não paga uma segunda passagem. O sistema de transporte de São Gonçalo, se eu não me engano, vai até ás 18 horas, e as pessoas têm vida ativa depois das 18h, as pessoas estudam, as pessoas trabalham, principalmente quem trabalha nos shoppings, e o shopping fecha as 22 horas. A pessoa sai das emprego e quando vai chegar em casa é quase meia noite. Então não atende à dinâmica de vida das pessoas que moram lá.

JGB – Ainda assim, as pessoas querem que fique em São Gonçalo?

José Carneiro – Querem. Algumas pessoas querem, algumas delas são comerciantes que temem pagar altos impostos em Feira de Santana. Eu acho que isso não tem fundamento, porque se fosse assim, não existia comércio no Bairro Fraternidade, que hoje é Feira de Santana, e outras pessoas que tem medo de perder a aposentadoria.

JGB – Nós temos um problema entre dois municípios e você apontaria, a comunidade acredita que, qual poder poderia solucionar esse impasse José Carneiro?

José Carneiro – A competência disso é da esfera estadual. Essa lei está vigente desde 2011, está em funcionamento na Assembleia Legislativa a comissão especial de assuntos territorial e emancipação, que tem o Deputado João Bomfim como presidente. A competência é dessa comissão especial de tocar os trabalhos que são determinados pela Lei estadual 12.057/2011.

JGB – O Jornal Grande Bahia agradece por essa entrevista?

José Carneiro – Eu gostaria de acrescentar. Que os políticos olhem mais o lado da população. Porque o que está acontecendo, essa discussão, porque ta chegando uma grande empresa. Essa discussão aconteceu de novo em 2010, quando Feira de Santana correu o risco de perder 50 mil habitantes, pra não correr o risco de perder FPM, precisava de 50 mil habitantes, para não perder o repasse do FPM. E nunca se discutiu a situação das pessoas que moram lá. Se essas pessoas tem iluminação pública, se essas pessoas tem saneamento básico, nada disso.

JGB – Então você acredita que tanto o poder público municipal de Feira de Santana como de São Gonçalo, como do Estado, não tem sido, não tem prestado atenção na dimensão humana do problema?

José Carneiro – Tem sido omissos, até o presente momento. Eu espero que a partir do dia 19 de agosto de 2013, e a partir desse momento que a coisa mude, mas, atualmente eu não tenho outra palavra para qualificar senão, omissão.

Confira imagens

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José Carneiro Fernandes Filho.
José Carneiro Fernandes Filho.
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EMBASA implanta parcialmente da rede de saneamento nos limites entre Feira de Santana e São Gonçalo.
Limpeza pública é um problema nos limites entre Feira de Santana e São Gonçalo.
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Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9166 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).