Médicos cubanos pedem respeito e dizem que vêm trabalhar para o povo brasileiro

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Médicos cubanos que vão trabalhar no Brasil, através de acordo entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), dentro do programa Mais Médicos, chegam a Brasília.
Médicos cubanos que vão trabalhar no Brasil, através de acordo entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), dentro do programa Mais Médicos, chegam a Brasília.
Médicos cubanos que vão trabalhar no Brasil, através de acordo entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), dentro do programa Mais Médicos, chegam a Brasília.
Médicos cubanos que vão trabalhar no Brasil, através de acordo entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), dentro do programa Mais Médicos, chegam a Brasília.

O primeiro grupo dos 206 médicos cubanos que vão trabalhar no Brasil desembarcou ontem (24/08/2013) à tarde no país. No Recife, ficaram 30 profissionais e 176 seguiram para Brasília, onde chegaram à noite. Ao desembarcar, Oscar Gonzales Martinez, graduado há 23 anos e especialista em atenção à família, disse que tinha grande expectativa em trabalhar com a população brasileira.

Martinez disse que veio ao Brasil por várias razões, entre elas, a oportunidade de trabalhar para o povo brasileiro. Sobre a polêmica em torno do pagamento dos salários, que serão feitos por meio do governo cubano e não diretamente aos profissionais, Gonzales disse que isso é o que menos importa, pois tem o emprego garantido em seu país e parte dos recursos irá para ajudar o seu povo.

“O mais importante é colaborar com os médicos brasileiros e ajudar na qualidade de vida do povo daqui. Também é importante a irmandade entre o povo cubano e o povo brasileiro que existe há muito tempo”, disse.

A médica Jaiceo Pereira, de 32 anos, lembrou, bem-humorada, que, apesar de ser a mais jovem do grupo, tem bastante experiência profissional e no início de sua formação já trabalhava com saúde da família. Ela pediu o apoio do povo brasileiro e respeito aos profissionais de seu país. “Queremos ajudar e dar saúde a todos aqueles que não têm acesso aos serviços médicos”, disse. “Queremos dar amor e queremos receber amor.” Já Alexander Del Toro destacou que veio para trabalhar junto e não competir.

Um grupo de 25 simpatizantes do socialismo e de Cuba esteve no Aeroporto Internacional de Brasília – Presidente Juscelino Kubitschek com cartazes. Durante a longa espera, que durou mais de duas horas, os manifestantes gritavam palavras de ordem como “Cubano amigo, Brasil está contigo” e “Brasil, Cuba, América Central, a luta socialista é internacional”.

Em meio às manifestações de apoio, Ana Célia Bonfim, que se identificou como médica da Secretaria de Saúde do Distrito Federal chegou a gritar entre os manifestantes que tudo não passava de uma “palhaçada”. “Profissional troca alguma coisa por bolsa. Isso não é coisa de profissional. Pelas condições que tem o médico cubano, claro que eles vão trocar isso pelas condições brasileiras. Mas isso é exploração de mão de obra”, disse.

O restante dos médicos cubanos desembarca amanhã (25) em Fortaleza, às 13h20, no Recife, às 16h, e em Salvador, às 18h, segundo o ministério. Ao todo, 644 médicos, incluindo os 400 cubanos, com diploma estrangeiro chegam ao Brasil até este domingo (25).  Na sexta-feira (23), começaram a chegar os médicos inscritos individualmente em oito capitais.

Os profissionais cubanos fazem parte do acordo entre o ministério com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para trazer, até o final do ano, 4 mil médicos cubanos. Eles vão atuar nas cidades que não atraírem profissionais inscritos individualmente no Programa Mais Médicos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu as críticas das entidades médicas que questionam a formação médica dos profissionais cubanos.

Na segunda-feira (26), tantos os médicos inscritos individualmente (brasileiros e estrangeiros), quanto os 400 cubanos contratados via acordo, começam a participar do curso de preparação com aulas sobre saúde pública brasileira e língua portuguesa. Após a aprovação nesta etapa, eles irão para os municípios. Os médicos formados no país iniciam o atendimento à população no dia 2 de setembro. Já os com diploma estrangeiro começam a trabalhar no dia 16 de setembro.

O curso vai ter carga de 120 horas com aulas expositivas, oficinas, simulações de consultas e de casos complexos. Também serão feitas visitas técnicas aos serviços de saúde com o objetivo de aproximar o médico do ambiente de trabalho.

Com 70 anos de idade, clínico geral português diz que se inscreveu no Mais Médicos por amor à profissão

Os profissionais estrangeiros e brasileiros formados no exterior, que começaram a chegar na sexta-feira (23/08/2013) ao Brasil, dizem que aderiram ao Programa Mais Médicos pela oportunidade de ampliar a experiência profissional e atender a população que mais precisa. Vários deles desembarcaram no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão-Tom Jobim.

O português Miguel Alpuin, clínico geral, com 70 anos de idade, está entre os médicos mais velhos contratados pelo programa do governo federal para trabalhar no Brasil. Aposentado há seis anos, ao desembarcar no Galeão, ele disse que resolveu voltar à atividade médica atraído pelo desafio do Programa Mais Médicos e pelo amor à profissão. “Com a minha idade, em Portugal já não se pode trabalhar, e este programa é muito interessante, eu não quero parar. Não me sinto com 70 anos. Eu gosto muito de atender doentes”. Ele vai trabalhar em Gaspar, município de Santa Catarina. O critério usado para escolher o local foi o clima “porque me dou muito mal com o calor”. Para ele, a bolsa de R$ 10 mil que vai receber é justa e próxima ao que recebe um médico em Portugal.

Maria Teresa Aguiar, portuguesa de 59 anos, com especialização em medicina geral e familiar, vai para Almirante Tamandaré, no Paraná. Ela declarou que a resposta à polêmica criada pelos médicos brasileiros quanto à vinda de estrangeiros será dada com trabalho. “Tenho seguido atentamente a imprensa acerca desse assunto, penso que eles têm razão para isso, mas tenho certeza que eles vão mudar de opinião quando nos virem trabalhar”. Ela ressaltou que a motivação pessoal para vir ao Brasil é o desafio profissional.

O brasileiro Márcio Moura, de 37 anos, pediatra, que mora há 20 anos na Europa, formado na Espanha e trabalhando em Portugal, disse que se inscreveu no programa pela oportunidade de voltar ao Brasil. Ele vai para Pirenópolis, em Goiás. “Nós queremos voltar porque são mais de 20 anos na Europa, somos especialistas, nossa família é toda daqui, chega uma hora que dinheiro não é tudo. Nós já temos dinheiro, agora vamos trabalhar em prol da nossa comunidade, dar a nossa contribuição. A vida não é só dinheiro e os colegas brasileiros não precisam ficar preocupados, somos todos competentes, nós não temos medo do Revalida”.

Robson Carmo, também formado na Espanha com especialização em Portugal, vai para Sarandi, no Paraná. Segundo ele, a responsabilidade que terá agora será com a população que vai atender. “Eu e meus colegas temos formação e sabemos o que fazemos. A nossa responsabilidade, com todo o respeito aos colegas, não é com os colegas, não vou tratar a eles. Sou brasileiro e, em 20 anos, nunca tratei um brasileiro, é um sonho pessoal, já não é questão econômica, eu poder tratar a minha população, é essa gente que pode me questionar se eu não fizer um bom trabalho”.

Natural de Mineiros, em Goiás, Jeslei Teodoro também trabalhava em Portugal e vai ficar em Bela Vista de Goiás. Para ele, a infraestrutura que vai encontrar não será problema. “Nós sabemos a realidade do país que trabalhamos e também a realidade daqui. Essa questão da infraestrutura, os postos de saúde da minha cidade, Mineiros, que tem 80 mil habitantes, estão muito bem equipados, melhor do que muitos postos da Europa”, disse.

Jeslei voltou da Europa com toda a família, depois de 20 anos, e reitera que não há necessidade de haver divergência com os colegas que atuam no Brasil. “Nó percebemos o lado deles. Eles devem ter os seus motivos para estar contra o projeto, mas, com o tempo de atuação nossa, essa concepção deles vai mudar, até porque eu percebi que a população está nos apoiando e a tendência de quando começarmos a atuar vai ser apoiar mais ainda. Então acho que não há motivo para ter essa divergência, somos todos colegas”.

O secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha, recebeu os estrangeiros no Rio e disse que o dia de hoje é histórico e deve ser celebrado, pois o país começa a incorporar ao sistema de saúde 1.340 médicos, sendo 244 deles formados no exterior. “Todos eles têm um currículo excelente para exercer a atenção primária, para incorporar com a gente nesse processo, e eu acho que é um dia de saudação, de celebração e de felicidade para o sistema de saúde brasileiro”, disse.

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