Comunidade protesta e diz que a deficiente sinalização das vias de Feira de Santana transforma sistema eletrônico de fiscalização do trânsito em “fábrica de multas”

Francisco Brito Júnior: "Eu te convido nesse momento para que a gente passe na Avenida João Durval, para que a gente passe na Fraga Maia, passe na José Falcão, e a gente faça até uma filmagem de divulgação para vê se realmente não estão sinalizadas as vias.".
Francisco Brito Júnior: "Eu te convido nesse momento para que a gente passe na Avenida João Durval, para que a gente passe na Fraga Maia, passe na José Falcão, e a gente faça até uma filmagem de divulgação para vê se realmente não estão sinalizadas as vias.".
Vitor Behrmann: "Por Lei, deve-se ter um estudo que justifique a instalação de radares e este deve ser divulgado para termos acesso."
Vitor Behrmann: “Por Lei, deve-se ter um estudo que justifique a instalação de radares e este deve ser divulgado para termos acesso.”
Francisco Brito Júnior: "Eu te convido nesse momento para que a gente passe na Avenida João Durval, para que a gente passe na Fraga Maia, passe na José Falcão, e a gente faça até uma filmagem de divulgação para vê se realmente não estão sinalizadas as vias.".
Francisco Brito Júnior: “Eu te convido nesse momento para que a gente passe na Avenida João Durval, para que a gente passe na Fraga Maia, passe na José Falcão, e a gente faça até uma filmagem de divulgação para vê se realmente não estão sinalizadas as vias.”.
Feira de Santana, Avenida João Durval Carneiro, falta sinalização vertical e sinalização horizontal é ineficiente.
Feira de Santana, Avenida João Durval Carneiro, falta sinalização vertical e sinalização horizontal é ineficiente.
Feira de Santana, Avenida João Durval Carneiro, falta sinalização vertical e sinalização horizontal é ineficiente.
Feira de Santana, Avenida João Durval Carneiro, falta sinalização vertical e sinalização horizontal é ineficiente.
Feira de Santana, Avenida João Durval Carneiro, falta sinalização vertical e sinalização horizontal é ineficiente.
Feira de Santana, Avenida João Durval Carneiro, falta sinalização vertical e sinalização horizontal é ineficiente.
Feira de Santana, Avenida João Durval Carneiro, falta sinalização vertical e sinalização horizontal é ineficiente.
Feira de Santana, Avenida João Durval Carneiro, falta sinalização vertical e sinalização horizontal é ineficiente.

Membros da comunidade de Feira de Santana mantiveram contato com a redação do Jornal Grande Bahia com objetivo de protestar contra o atual sistema de sinalização e fiscalização eletrônica das vias urbanas do município. As queixas não são novas, e dizem respeito à forma como o poder público municipal estabelece critérios de velocidade máxima, além da ineficiente sinalização vertical e horizontal das vias. A recente mudança da velocidade máxima de 60 Km por hora, para 50 Km, estabelecidas para circulação de veículos nas Avenidas João Durval, José Falcão e Fraga Maia reacendeu o debate sobre o sistema.

O advogado Moura Pinho em tom severamente crítico classificou o atual sistema se sinalização das vias urbanas como ineficiente e desrespeitoso. Coube ao empresário Vitor Estrela Behrmann uma análise e observação mais apurada, classificando o sistema de “fábrica de multas”:

“Por Lei, deve-se ter um estudo que justifique a instalação de radares e este deve ser divulgado para termos acesso. A simples presença de hospitais, escolas, igreja não é fato suficiente para tal. Esta redução é ilegal e deve ser questionada na justiça, por nós, cidadãos, pois tem efeito meramente arrecadador uma vez que alterações de limites de velocidade repentinos em pontos com faixa de pedestre e até sinaleiras induzem os condutores a erro. A SMT deve trabalhar para AUMENTAR os limites de velocidade média dos veículos e simultaneamente equipar as vias para gerar mais segurança a transeuntes, pois se mantida a redução piorará o caos do trânsito na cidade. Qual a medida tomada este ano para fazer o trânsito fluir melhor? Cadê a direita livre, cadê a retirada de quebra molas irregulares e sinalização dos regulares? cadê sincronização de sinaleiras? cadê os agentes de trânsito na rua? cadê um número para acionar a SMT facilmente? existe alguma campanha de conscientização? para onde vai o dinheiro das multas? A preocupação da SMT este ano foi implementar uma implacável lei seca ($$$) e reduzir limites de velocidade para pegar os motoristas desprevenidos ($$$). Feira precisa de outro tipo de indústria…”

Governo municipal é questionado

Em entrevista ao Grande Bahia, o superintendente municipal de trânsito, Francisco Junior, quando questionado sobre a ineficiente sinalização das vias, respondeu em tom autoritário, desafiando o JGB a comprovar o que questionava. A equipe do JGB realizou quatro fotografias compreendendo cerca de 2 km da Avenida João Durval Carneiro. Tendo início ao lado do viaduto da avenida João Durval com Avenida Eduardo Fróes da Mota, percorrendo a via até a esquina do Boulevard Shopping. “Para surpresa”, não foi encontrada uma única placa indicativa da velocidade máxima, nos dois sentidos da via. As fotos foram realizada a poucos metros do local onde foi concedida a entrevista. A ineficiente sinalização pode ser documentada em todas as vias urbanas de Feira de Santana.

O superintendente também afirmou que todo o sistema opera com base em estudos. O JGB requisitou que lhe fossem encaminhado os referidos estudos, para dar conhecimento à sociedade do teor. Mas, até a publicação da matéria o “estudo” não foi apresentado, o que leva a crer a falta de existência do mesmo.

Qualquer pessoa que transite pelas vias de Feira de Santana percebe com facilidade que por algum “bom motivo” o governo municipal parece ter dificuldade em sinalizar, estabelecer o que é permitido ou não, o que concerne o trânsito da cidade. Neste quesito a prefeitura é prodigiosa, além de não sinalizar as vias adequadamente, empurra o cidadão da calçada para as ruas e avenidas. Uma vez que o cidadão se vê obrigado a transitar por calçadas irregulares, obstruídas por diversos obstáculos.

Confira a entrevista com Francisco Brito Junior

Jornal Grande Bahia – O município está reduzindo a velocidade máxima nas Avenidas João Durval Carneiro, José Falcão e Fraga Maia, ocorreu algum estudo para que se determinasse a velocidade de 50 km como a ideal?

Francisco Júnior – Sim, na verdade o problema não era velocidade ideal, o problema é o condutor ideal, é o condutor respeitar a velocidade da via e enxergar que, além de respeitar a velocidade ele tem que respeitar as pessoas que fazem uso da via, até na situação de pedestre. Então, todas as modificações têm justificativas técnicas, foram feitas próximas a colégios, próximas aos condomínios grandes, onde existe uma concentração, por exemplo, na Avenida Fraga Maia, onde a redução da velocidade foi por conta da necessidade da passagem das pessoas, e próximo desse radar, nós colocamos uma faixa de pedestre visando atender à comunidade, onde há um condomínio com cerca de 850 famílias e se a gente multiplicar por três, dá mais de 2.500 pessoas circulando todos os dias nesse condomínio

Eu conclamo as pessoas para que não perguntem só o condutor se foi boa essa modificação na cidade, perguntem ao pedestre, se ele se sente mais seguro, para quem acha que de 60 km para 50 km não muda eu convido para que passem no hospital Sara em Salvador (Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação) , e visitem as pessoas que são vitimas de acidente de trânsito, e vejam as estatísticas e os efeitos que se causam na capacidade de reação e na situação de uma acidente com uma pessoa em um veículo a 50 km ou no veículo a 60km por hora.

JGB – Ao dirigir veículos na Europa, nos Estados Unidos e até e mesmo na Argentina, em todos esses países, ao longo das vias urbanas existem sinalizações, com a velocidade, limites, lugares que não pode estacionar isto não se vê em Feira de Santana. No entanto a administração municipal estabelece uma nova velocidade, e nós continuamos sem sinalizações adequadas nas vias. Quando o município pretende resolver esta situação?

Francisco Júnior – Eu te convido nesse momento para que a gente passe na Avenida João Durval, para que a gente passe na Fraga Maia, passe na José Falcão, e a gente faça até uma filmagem de divulgação para vê se realmente não estão sinalizadas as vias.

JGB – Adequadamente? Ao longo das vias? Ou em alguns pontos apenas? Você tem certeza disso que afirma?

Francisco Júnior – Sim, é porque o julgamento sai de quem não conhece o código de trânsito brasileiro. Por que o código de trânsito brasileiro, ele não me obriga a colocar a velocidade, principalmente, próximo do radar. Não existe mais a obrigatoriedade, porém, a SMT (Secretaria Municipal de Transportes) fez tudo isso, então a gente esta querendo comparar um código de trânsito brasileiro, com o código de transito, segundo o que o senhor fala, que eu não conheço, da Argentina ou de outros países da Europa, então a gente precisa, eu até convido o senhor, par que o senhor traga esses códigos e a gente faça uma comparação para vê se realmente o trânsito lá é perfeito e aqui é imperfeito.

O convite ainda esta lançado para que a gente passe nas ruas e veja se elas não estão sinalizadas, a sinalização horizontal e a vertical estão lá, agora uma observação que talvez não seja do conhecimento da população, a gente tem um grande índice de pessoas que retiram placas dos locais. Recentemente, um comerciante chegou a ponto de alegar que ele tirou a placa mesmo e colocou em outro local, e o que foi feito, a gente faz gestões justamente para isso, e a gente aproveita esse espaço para conclamar as pessoas, para que quando vejam o outro cidadão com uma talhadeira e um marreta quebrando um tachão porque ele acha que ele deve atravessar, chame a policia, ligue para SMT, para gente começar a coibir esse tipo de coisa.

JGB – Francisco Júnior, como relação aos dados de trânsito é mais do que conhecido por todos os níveis de violência no trânsito, no Brasil, eles são superiores a qualquer um desses países citados, com relação à perfeição isso é utopia. Mas voltando a questão, o que o JGB faz questão de frisar é que existe uma ineficiência na sinalização das vias. O que não permite que o cidadão que chegue a Feira de Santana, ou que transite em Feira de Santana tenha a plena ciência, na hora em que se encontra na via, que existe o limite de 50 km.

Não se trata aqui de radar, se trata do cidadão ser informado de forma plena, pelo poder público. Nós temos imagens da Europa, dos Estados Unidas, que nós vamos publicar junto com essa matéria, para dizer isto. Com relação ao código da Europa, e dos Estados Unidos certamente que eles devem ser bem mais avançados, senão não teríamos o trânsito que temos no Brasil.

O que nós queremos no JGB é ter um trânsito de melhor qualidade e uma administração pública que também informe ao cidadão de forma clara, na hora que ele chega na via, qual a velocidade que ele deve manter na via. Inclusive, eu gostaria que o senhor disponibilizasse o estudo que realizou para determinar a velocidade. Outra questão que nós gostaríamos de questionar é saber se existe algum estudo com relação às vias vicinais? Por exemplo, na Europa, nos Estados Unidos a velocidade máxima permitida é de 30 km por hora, nessas vias que não são avenidas?

Francisco Júnior – É muito bom quando a gente compara a nossa realidade com a de outra evoluída, mas a gente também tem que entender que a nossa realidade é outra, relacionada à cultura das pessoas. Quando eu falo que a gente tem um grande índice de retirada de placa das vias, eu informo não que a gente tenha uma sinalização deficiente, agora que eu percebi é que esta se querendo que se coloque uma placa a cada 50 ou 100 metros, é um julgamento no meu ponto de vista, errado, porque, quando a gente percebe que existe alguma falha, a gente faz gestão. Tipo o do anel de contorno que foi entregue hoje à comunidade completamente sinalizada, onde houve um estudo técnico dos engenheiros do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) dos engenheiros da SMT para que a gente buscasse essa melhoria, não existe nada que me obrigue a colocar placas a cada 50 metros e até peço ao senhor, se tiver essa vias que não tem sinalização nenhuma, que me diga, para que hoje a gente começe a operar nessas vias, eu não tenho esse relato.

JGB – O senhor vai ver na matéria através das imagens. Com relação à implementação da Zona Azul, existe um alto custo hoje para o cidadão estacionar os veículos na zona central de Feira de Santana. Primeiro, essa Zona Azul vai abranger que região? Segundo os custos para os cidadãos que vão se deslocar foram devidamente estudados? Até por que a maioria dos comerciantes não têm vagas de estacionamento de veículos e eles terão que parar em alguma via?

Francisco Júnior – A gente não trabalha no empirismo, a gente não acha que deve fazer e vai lá e faz, a gente age por conta da necessidade da via, da necessidade da comunidade, dos pleitos e entendimento do órgão do que realmente deve ser feito para a melhoria no trânsito. Quanto a Zona Azul, existe uma grita geral na nossa cidade quanto a necessidade de rotatividade do uso do estacionamento, então os valores ainda não foram fixados, mas já existe um estudo, pra que a gente possa dá uma rotatividade para que a pessoa que precise ir no centro da cidade, resolver uma situação, ela não tenha que ficar na fila dupla. Porque determinado cidadão é um comerciante, ou trabalha no comércio, ou vai fazer algum uso no centro da cidade, param o veículo dele às 6 horas da manhã e só retiram o veículo a noite, então quando a gente permite que ele fique parado aquele tempo, a gente tira o direito de outro fazer o uso da via.

JGB – O Jornal Grande Bahia lhe agradece pela entrevista

Francisco Júnior – eu que agradeço e podem saber que estou aqui para as solicitações.

Confira o áudio da entrevista

Carlos Augusto entrevista Francisco Brito Junior.

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Sobre Carlos Augusto 9754 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).