Presidenta Dilma Rousseff garante que mudanças serão feitas com responsabilidade

Dilma Rousseff: “O povo nas ruas não pediu redução de gastos sociais e meu governo não fará redução de gastos sociais”
Dilma Rousseff: “O povo nas ruas não pediu redução de gastos sociais e meu governo não fará redução de gastos sociais”
A presidenta Dilma Rousseff confirmou que envia ao Congresso Nacional mensagem pedindo um plebiscito para discutir a reforma política. Segundo ela, o governo pretende discutir pelo menos dois pontos: financiamento de campanhas e sistema eleitoral.
A presidenta Dilma Rousseff confirmou que envia ao Congresso Nacional mensagem pedindo um plebiscito para discutir a reforma política. Segundo ela, o governo pretende discutir pelo menos dois pontos: financiamento de campanhas e sistema eleitoral.

A presidenta Dilma Rousseff disse ontem (01/07/2013) que o seu governo não vai fazer nenhum corte de gastos sociais. “O povo nas ruas não pediu redução de gastos sociais e meu governo não fará redução de gastos sociais”. Ela está reunida com sua equipe ministerial na residência oficial da Granja do Torto para discutir as manifestações no país e as medidas que serão adotadas pelo governo.

Perguntada sobre uma das principais demandas da população nas ruas, o preço das tarifas do transporte público, ela disse que qualquer mudança deve ser feita com responsabilidade. “Como fazer uma coisa importante para o país assegurando, ao mesmo tempo, a robustez fiscal. Temos de fazer com responsabilidade. Isto é função do governante. Senão, vamos cair na situação que hoje está a Europa.

Segundo a presidenta, o que o país conquistou nos últimos dez anos é fruto de programas sociais como o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Luz para Todos, política de compra de alimentos. “A população mais pobre do país pode ter certeza: o meu governo jamais negociará qualquer redução de gastos sociais, vamos manter investimentos”, disse.

Ela também garantiu que o governo brasileiro está reagindo de forma prudente por meio do Banco Central e do Ministério da Fazendo para reduzir a volatilidade do câmbio. Segundo Dilma, há uma alteração na situação econômica internacional, principalmente por causa de mudanças na política americana.

“Garantindo hedge [proteção] para quem quiser e dando folga para quem quiser, porque temos situação que permite isso. Com a quantidade de reservas [internacionais] que nós temos, com a posição firme do Banco Central no sentido de não ser contra o que o mercado quer, reduzindo a volatilidade [do câmbio] apenas. O que queremos é reduzir a volatilidade e os efeitos na economia”, declarou a presidenta.

Dilma Rousseff: “Estamos olhando a possibilidade de, reduzindo outros gastos, ver o que conseguimos fazer em programas muito mais robustos junto com governadores e prefeitos. Esta é uma questão relevante que deve ser tratada”
Dilma Rousseff: “Estamos olhando a possibilidade de, reduzindo outros gastos, ver o que conseguimos fazer em programas muito mais robustos junto com governadores e prefeitos. Esta é uma questão relevante que deve ser tratada”

Dilma diz que governo pode ampliar investimentos em mobilidade urbana e transporte público

A presidenta Dilma Rousseff disse ontem (01/07/2013) que o governo está avaliando possibilidades de redução de gastos em algumas áreas para aumentar investimentos em mobilidade urbana e transporte público. No último dia 24, o governo anunciou que vai disponibilizar mais R$50 bilhões para investimentos em obras no setor em resposta à onda de manifestações que ocorreram no país e que tiveram origem na reivindicação do Movimento Passe Livre pela redução da tarifa de ônibus em São Paulo. 

“Estamos olhando a possibilidade de, reduzindo outros gastos, ver o que conseguimos fazer em programas muito mais robustos junto com governadores e prefeitos. Esta é uma questão relevante que deve ser tratada”, disse a presidenta em entrevista após reunião ministerial. Em relação à proposta de tarifa zero, Dilma disse que a redução tem que ter fonte de financiamento definida. “Não há como supor que qualquer redução tarifária possa sair de outro bolso que não o nosso, como contribuinte ou como usuário, por isso a necessidade de discutir investimentos”.

A presidenta disse que os investimentos em transporte público, principalmente metrô, foram negligenciados durante muitos anos. “É impossível conceber um país com cidades que chegam a 20 milhões sem uma estrutura de trasporte urbano baseado em metrô, VLT [veículo leve sobre trilhos], BRT [sigla em inglês para trânsito rápido de ônibus], transporte integrado e com a questão, tão bem colocada, dos preços das tarifas”, avaliou.

Dilma interrompeu a reunião ministerial para dar a entrevista coletiva. A presidenta está reunida com sua equipe ministerial para discutir a onda de manifestações no país e as medidas que serão adotadas pelo governo em resposta aos protestos. A reunião ocorre na residência oficial da Granja do Torto.

Além dos 36 ministros e representantes do governo, os líderes do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM) e no Congresso, José Pimentel (PT-CE), também participam da reunião. Apenas os ministros da Cultura, Marta Suplicy, e das Relações Exteriores, Antonio Patriota, que estão em viagem ao exterior, e da Educação, Aloizio Mercadante, que está doente, não participaram da reunião, mas enviaram representantes.

“Não tenho governabilidade sobre essa questão. Gostaria que tivesse efeito sobre essa eleição, agora se vai ser possível ou não, isso vai levar em conta uma séria de questões práticas do Tribunal Superior Eleitoral, da Câmara e do Senado.”
“Não tenho governabilidade sobre essa questão. Gostaria que tivesse efeito sobre essa eleição, agora se vai ser possível ou não, isso vai levar em conta uma séria de questões práticas do Tribunal Superior Eleitoral, da Câmara e do Senado.”

Reforma política incluirá financiamento de campanha e sistema de voto, diz presidenta

A presidenta Dilma Rousseff confirmou que envia hoje (02/07/2013) ao Congresso Nacional mensagem pedindo um plebiscito para discutir a reforma política. Segundo ela, o governo pretende discutir pelo menos dois pontos: financiamento de campanhas e sistema eleitoral. 

Segundo a presidenta, existirá a possibilidade de a população escolher entre o voto proporcional, distrital e misto. Dilma, no entanto, declarou que a formulação das perguntas não cabe ao Palácio do Planalto, mas ao Congresso e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ela ressaltou ainda que o poder de convocar uma consulta popular cabe exclusivamente ao Congresso.

“Não vamos dar sugestões de perguntas. Isso fica entre o Senado, a Câmara dos Deputados e o Tribunal Superior Eleitoral. Está claro, na Consituição, que quem convoca plebiscito é o Congresso Nacional. Por isso, insisti na palavra sugestão no que se refere à relação entre o Executivo e o Legislativo”, explicou.

Dilma disse ainda que o Congresso poderá mudar a proposta de reforma política enviada pelo Planalto. “Amanhã, enviamos nossa sugestão à Câmara e ao Senado no sentido de plebiscito apontando em linhas gerais as balizas que julgamos importantes. Isso não significa que outras balizas não podem aparecer”, declarou.

A presidenta também disse que, na reunião desta tarde, tratou com os ministros sobre a necessidade de todos os ministérios acelerarem a execução dos projetos de infraestrutura, tanto das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como dos projetos do Programa de Investimentos em Logística, que envolvem a concessão à iniciativa privada de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, além da licitação de áreas de exploração de petróleo e gás.

Dilma interrompeu a reunião ministerial, a terceira de seu governo, para dar esclarecimentos à imprensa. O encontro começou por volta das 17h e, de acordo com a presidenta, ainda levará várias horas.

Ela disse que seria “oportuno” que as eventuais mudanças resultantes do plebiscito sobre a reforma política valessem para as eleições de 2014, mas ressaltou que esse prazo não depende do governo. “Não tenho governabilidade sobre essa questão. Gostaria que tivesse efeito sobre essa eleição, agora se vai ser possível ou não, isso vai levar em conta uma séria de questões práticas do Tribunal Superior Eleitoral, da Câmara e do Senado.”

Além de 36 ministros, os líderes do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), e no Congresso, deputado José Pimentel (PT-CE), participam da reunião na residência oficial da Granja do Torto. Os ministros da Cultura, Marta Suplicy, das Relações Exteriores, Antonio Patriota, que estão em viagem ao exterior, não estiveram no encontro, mas mandaram representantes. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, também não compareceu, pois está doente.

No fim de semana, Dilma teve reuniões com os ministros das Comunicações, Paulo Bernardo, e da Saúde, Alexandre Padilha. Hoje (1°) de manhã, a presidenta recebeu o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Na semana passada, a presidenta recebeu pela primeira vez em seu governo representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade civil, que, de alguma maneira, participaram dos recentes protestos ocorridos no país. Dilma também reuniu prefeitos das capitais e governadores para apresentar as medidas que o governo deve adotar em resposta às demandas levadas às ruas durante as manifestações.

Entre as medidas anunciadas, está um plebiscito sobre a reforma política. A ideia do governo é consultar a população sobre os principais temas da reforma, e, em seguida, as eventuais mudanças no sistema eleitoral seriam consolidadas pelo Congresso Nacional.

Sobre Carlos Augusto 9448 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).