Máfia do lixo: Parte da população feirense respira, nas noites e madrugadas, os fétidos odores do lixo que ela própria produz

Vista aérea do aterro da Qualix/Sustentare em Feira de Santana. Documentos comprovam crimes cometidos pela empresa. (Foto: Carlos Augusto, Jornal Grande Bahia)

Vista aérea do aterro da Qualix/Sustentare em Feira de Santana. Documentos comprovam crimes cometidos pela empresa. (Foto: Carlos Augusto, Jornal Grande Bahia)

Dossiê revela documentos que comprovam crimes praticados pela Qualix/Sustentare. Jornal Grande Bahia publicará na íntegra os documentos.

Dossiê revela documentos que comprovam crimes praticados pela Qualix/Sustentare. Jornal Grande Bahia publicará na íntegra os documentos.

Documentos revelam e comprovam grave crime ambiental provocado pela Qualix/Sustentare, em Feira de Santana.

Documentos revelam e comprovam grave crime ambiental provocado pela Qualix/Sustentare, em Feira de Santana.

A soma de todo o mal que pode existir em uma sociedade: desvio de dinheiro público, corrupção, conjugação negativa entre público e privado, crime ambiental e população desinformada, resultam no que pode ser classificado como uma organização criminosa infiltrada nas estruturas de poder com objetivo de acumular dinheiro nas mãos de alguns poucos. Resultando em um ciclo interminável de pessoas com capacidade decisória, que se retroalimenta do dinheiro público, da conivência de funcionários e agentes públicos, da relação com o setor privado, do desconhecimento e da despolitização das massas.

O preâmbulo desta reportagem surge da necessidade de apresentar, uma síntese das multideterminações que conformam o que foi classificado pelo administrador de empresas Enio Noronha Raffin como ‘Máfia do Lixo’.

Nos próximos dias, o Jornal Grande Bahia vai expor uma organização criminosa que atua em Feira de Santana, revelada a partir de duas entrevistas confidenciais e de uma série de documentos. Uma das entrevistas foi gravada por duas hora e meia, trazendo ao conhecimento do JGB, o que pode ser classificado como um dos maiores crimes praticados contra uma comunidade no Brasil, no caso, a população de Feira de Santana.

O Jornal Grande Bahia, através do jornalista Carlos Augusto, editor e diretor da empresa, arquivou cópias da gravação e documentos, na sequência informou a três pessoas como acessá-los e divulgá-los. Também foram informados sobre o nome das principais pessoas envolvidas na organização criminosa. Além disto, o jornalista Carlos Augusto manteve contato com o Ministério Público Federal e Estadual com objetivo de revelar as informações coletadas, preservando as fontes e entregando os documentos.

Fétido odor

Um dos resultados diretos do crime praticado pela ‘Máfia do Lixo’ pode ser sentido ao longo de várias noites e madrugadas em Feira de Santana. O fétido odor atinge, principalmente, os Bairros: Nova Esperança, Sobradinho, Rua Nova, Feira IX, Feira X, Pedra do Descanso (Vila Olimpia), Muchila e Tomba. No ar, um fétido odor de excrementos humanos é sentido, chegando a provocar náuseas e mal-estar, além de conter substâncias cancerígenas.

Sem saber de onde provinham os fétidos odores, a população atribuía o mau cheiro a fontes de contaminação próximas às comunidades. Mas, a partir do relato concedido ao Jornal Grande Bahia, de consulta a população destes bairros, e de documentos, foi constatado empiricamente e documentalmente que o odor provém do aterro sanitário licenciado pela prefeitura de Feira de Santana, de propriedade da empresa Qualix/Sustentare.

Crime praticado

Conforme relatos da fonte, além de vasta documentação em posse do JGB, o aterro de propriedade da Qualix/Susntentare, organização trazida a Feira de Santana na primeira administração do prefeito José Ronaldo de Carvalho (DEM), não promoveu os investimentos necessários ao funcionamento adequado do aterro.

A falta de investimentos ocasiona na incapacidade, ou pouca capacidade de tratar o chorume proveniente do lixo. Uma das formas de diminuir o volume de chorume produzido é recircular o chorume. Uma técnica que consiste injetar o chorume dentro do lixo (resíduo de origem residencial – classe 2) para, de forma controlada, acelerar o processo de decomposição. Para que isto seja feito é necessário que uma série de equipamentos sejam instalados e vários procedimentos sejam adotados. A fonte foi taxativa em afirmar que os investimentos não foram feitos, muito menos que os procedimentos técnicos sejam obedecidos.

Para diminuir o acúmulo de chorume nas bacias de contenção, a empresa estaria irrigando, jogando por cima do talude do aterro (morro de lixo), o chorume gerado. Este é o fator pelo qual o mau cheiro é sentido nas noites e madrugadas de Feira de Santana. Literalmente, a população está respirando um ar altamente contaminado, proveniente do próprio lixo que a comunidade produz.

Segundo a fonte, o crime ocorre nas noites e madrugadas com o intuito de evitar a presença de pessoas no local do aterro. A reincidência dos odores fétidos ocorre principalmente de madrugada, quando a maior parte da população feirense dorme.

Secretário envolvido

O JGB revelará dentro das próximos 24 horas documento que comprova envolvimento de um secretário no esquema, que resultou em crime ambiental praticado contra a população de Feira de Santana, e por extensão, a moradores de várias outras cidades.

*CF/1988 protege a fonte

O nosso jornal teve acesso às informações publicadas, valendo-se do direito constitucional do sigilo a fonte (CAPÍTULO I, Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, artigo XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional).

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