De Cine Roma a Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus | Por Juarez Duarte Bomfim

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Fachada da Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, situada na Avenida Luiz Tarquínio, em Salvador.
Fachada da Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, situada na Avenida Luiz Tarquínio, em Salvador.
Fachada da Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, situada na Avenida Luiz Tarquínio, em Salvador.
Fachada da Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, situada na Avenida Luiz Tarquínio, em Salvador.

Na minha humilde infância, início dos anos 1970, a diversão da meninada nas segundas-feiras era assistir a estreia cinematográfica do Cine Roma, ali na Península Itapagipana.

Após o estrondoso sucesso em Operação Dragão, o tranquilo e infalível Bruce Lee tinha inaugurado um marcante e vulgar gênero cinematográfico chamado “filmes de kung fu”, que aos poucos foi desbancando os “filmes de cauboi” de gerações anteriores — gênero hoje relegado a saudosas memórias, ou enobrecido como “cult”.

Em alegre algazarra saíamos da Rua da Palestina, frente da nossa casa e do vizinho Pedrinho Torres que, como garoto mais velho da turma, era também o líder daquela meninada, e responsável pelos garotos menores — entre os quais este que vos escreve — quando o meu irmão mais velho não estava presente.

Meu outro irmão, o segundo, até hoje não se conforma de ter ficado de fora destas matinês, pois era obrigado a dar plantão no modesto comércio de bairro do nosso pai, seu Vavá.

Como era sessão dupla, para aproveitamento do ingresso assistíamos também ao longo e tedioso segundo filme da tarde e, ao final, em alegre e ordeira algazarra voltávamos para casa, excitados com os golpes de kung fu recém-aprendidos.

Eu e o irmão mais velho íamos exercitá-los até a exaustão na laje da casa suburbana, reproduzindo inclusive os urros e gritos dos herois do cinema, o que despertava a atenção de toda a vizinhança sobre aqueles meninos ensandecidos.

O decadente Cine Roma tinha vivido os seus dias de glória nos anos 1950-60 como Cine Teatro, e se tornou lendário por ter sido palco das primeiras apresentações do mito pop que surgia: o cantor Raul Seixas, bandleader da banda de rock “Raulzito e seus Panteras”.

De profano a sagrado

Em peregrinação a Sagrada Colina, ciceroneando amigos turistas, eu e minha consorte decidimos visitar mais uma vez o ainda novo templo itapagipano, instalado na edificação do antigo Cine Roma da infância: a Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, belo e espaçoso santuário que tem a honra e o privilégio de abrigar o mausoléu do Anjo Bom da Bahia e do Brasil: a Bem-aventurada Dulce dos Pobres.

Lugar sagrado, local de orações e rogos pela intercessão da caridosa freira aos deserdados filhos de Eva que aqui permanecem gemendo e chorando no vale de lágrimas que é este mundo Terra.

Ao lado do templo encontra-se o Memorial Irmã Dulce, com relíquias da santinha dos baianos e, neste lugar especial e meditativo, acha-se o quarto que era escritório e dormitório da amável freirinha.

Lembro de um outro museu-convento, visitado em Alba de Thormes (Salamanca, Espanha), onde pulsa vivo o incorruptível sagrado coração de Santa Tereza de Ávila, e a cela que a poetisa e mística cristã, doutora da Igreja, passou seus últimos dias até subir aos céus.

Percorremos as salas com a exposição permanente da vida e obra de Irmã Dulce, a serva de Deus que viveu para a caridade e o amor ao próximo, e saímos deste santuário revigorados na nossa fé e esperança em dias melhores.

Não deixem de visitar a Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus e o Memorial Irmã Dulce na Avenida Bonfim, 161, Largo de Roma, em Salvador, Bahia.

*Juarez Duarte Bomfim, sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

Sobre Juarez Duarte Bomfim 745 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]