CFM critica proposta de residência médica no SUS

Profissionais da saúde fazem protestos contra o Mais Médicos.
Profissionais da saúde fazem protestos contra o Mais Médicos.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) diz que oferta universal de residência médica aos recém-formados, na rede pública de saúde, até 2018, dificilmente alcançará a qualidade necessária. A proposta de obrigatoriedade de os formandos passarem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foi apresentada hoje (31/07/2013) pelo governo, como parte do Programa Mais Médicos.

O vice-presidente do CFM, Carlos Vital, disse que “não há, hoje, condições suficientes para que isso [a universalização da residência médica] se torne realidade em cinco anos”, e acrescentou que a ação “pode vir a ser configurada como mais uma forma de serviço civil obrigatório, em pseudo forma de residência”.

Carlos Vital, disse que a residência médica é uma reivindicação da categoria. Ele acredita que deve haver uma vaga por estudante, o que não acontece hoje. Segundo o Ministério da Educação, cerca de 50% dos recém-formados não encontram vaga. Para o médico, a proposta de ampliação do número de vagas apresentada pelo governo tem muitas lacunas.

O vice-presidente do CFM diz também que o problema não é apenas a oferta de vaga, mas a valorização de certas áreas como a medicina da família – uma das áreas mais carentes do SUS. Atualmente, das cerca de 12 mil vagas de residência ofertadas, 9 mil são preenchidas.

Vital criticou a forma como o programa Mais Médicos está sendo implementado, por medida provisória (MP). Ele antecipou que CFM vai atuar no Congresso Nacional para que a MP seja derrubada.

Revalida tem mais que o dobro das inscrições de 2012

O Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeiras (Revalida) de 2013 recebeu 1.851 inscrições, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela prova. As inscrições terminaram ontem (30). O número representa um salto de 109% em relação ao número de participantes da edição do ano passado, quando 884 pessoas fizeram o exame.

A confirmação da inscrição é feita após o pagamento da taxa de R$ 100 para a primeira fase. Caso aprovado, o candidato deve pagar mais uma taxa de R$ 300 para participar da segunda etapa do exame. Os médicos aprovados podem exercer a medicina no Brasil da mesma forma que os médicos formados no país.

O Revalida foi criado em 2011 e é aplicado uma vez por ano, em duas etapas. Na primeira, ao candidatos fazem uma avaliação escrita – composta por uma prova objetiva, com questões de múltipla escolha, e uma prova discursiva. Na segunda etapa, avaliam-se as habilidades clínicas.

Entram na avaliação conteúdos e competências das cinco áreas de exercício profissional: cirurgia, medicina de família e comunidade, pediatria, ginecologia-obstetrícia e clínica médica. Além disso, o exame estabelece níveis de desempenho esperados para as habilidades específicas de cada área.

O Revalida é conhecido pelo alto grau de dificuldade. No ano passado, o índice de aprovação variou entre 6,41% entre os estudantes bolivianos e 27,27% entre os venezuelanos. Os brasileiros com diploma obtido no exterior também são obrigados a fazer o Revalida para trabalhar no país. Neste caso, o índice de aprovação no ano passado, 7,5%, foi inferior ao de 2011 (7,89%).

Este ano, estudantes brasileiros que cursam o sexto ano de medicina farão o exame como pré-teste. A prova será aplicada a uma parcela de alunos das instituições que aderiram ao processo de forma espontânea.

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